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SEXUALIDADE E RELIGIÃO

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As relações amorosas e sexuais juntamente com a miséria e as doenças são as maiores fontes do sofrimento humano. O comportamento sexual é modelado pela... cultura. A forma como o ser humano ama e pratica sexo é construída socialmente. Crenças, valores e expectativas determinam a conduta intima de homens e de mulheres.
Até cinco mil anos atrás era ignorada a participação do homem na procriação, supondo-se que a vida pré-natal das crianças começava nas águas, nas pedras, nas arvores ou nas grutas. Começava no coração da terra-mãe, antes de ser introduzida por um sopro no ventre da mãe humana. Na Grécia clássica, o sentimento amoroso mais valorizado era entre os homens, sendo a bravura e o heroísmo o resultado de tal amor.
Na Antiguidade Tardia, entre os séculos III e V, o sexo era algo tão abominado pela Igreja, que o casamento continente (totalmente sem sexo) tornou-se o ideal cristão. Nesta época ainda, milhares de pessoas fugiam para o deserto em busca de pureza e também acreditavam que o martírio de seus corpos contra os desejos sexuais, os livraria “da danação eterna.”
Ainda, durante a Idade Media deu-se um grande passo – do amor unilateral para o amor recíproco. Antes a Igreja ordenava amar unicamente a Deus, portanto até o século XII o amor por outra pessoa era impensável, porque o certo era amar Deus sem exigir nada em troca. Na Renascença foi um período de pura crueldade (séculos XV e XVI). Milhares de mulheres (durante a “caça às bruxas”) foram torturadas e queimadas vivas nas fogueiras, acusadas de feitiçaria, roubo de sêmen de homens adormecidos, de provocar impotência e esterilidade, entre outros malefícios. Moças atraentes eram suspeitas de ter relações sexuais com Satã.
No século XIX (período romântico) valorizava-se a palidez e a decadência física como prova de sensibilidade da alma. O amor no casamento passou a ser uma possibilidade e a repressão sexual tornou-se intensa. A grande novidade do século XX foi os jovens passarem a marcar os encontros amorosos por telefone e sair a sós de carro. A partir de 1940 o casamento por amor se generalizou.
Na década de 1950 ainda se reprimia a sexualidade. A conduta principalmente das mulheres era controlada. Casar para a mulher era a principal meta a ser alcançada na vida e, para isto, era necessário impor respeito. Após a Segunda Guerra a mudança ainda mais radical em relação ao comportamento sexual humano foi motivado pela tecnologia, quando chegou ao mercado a pílula anticoncepcional, dissociando definitivamente a procriação do prazer sexual.
Hoje, os jovens do terceiro milênio vivem outros padrões de comportamento, quando discutem abertamente a sexualidade através dos veículos de comunicação e a sociedade já aceita comportamentos antes não aceitáveis. Só refletindo sobre a mentalidade de épocas passadas, é que se transpõem as dificuldades presentes. Para que se liberte do passado, precisa-se antes que se dê atenção a ele.
Cerca de 4,5 milhões de anos nossos ancestrais andaram eretos pela primeira vez. Esta evolução interferiu no relacionamento amoroso, quando ainda estas criaturas desconheciam o vínculo entre o sexo e a procriação, portanto sem imaginar que o ato sexual tivesse alguma participação no aumento de sua prole. Fato que continuou ignorado por milênios, com a fertilidade sendo característica exclusiva da fêmea, associada aos poderes que governam a vida e a morte.
A historiadora Riane Eisler menciona que os ancestrais do homem (no Paleolítico e inicio do Neolítico) devem ter imaginado o corpo da mulher como um receptáculo mágico, observando que sangrava de acordo com a Lua e que miraculosamente produzia outras criaturas. Também devem ter maravilhado com o fato dela prover alimento – produzir leite. Ainda, de ter o poder aparentemente mágico de fazer que o órgão sexual do homem enrijecesse e que acontecesse o prazer sexual – tanto para experimentá-lo quanto para oferecê-lo. Não é de admirar que o poder sexual da mulher tenha infundido tanto respeito aos ancestrais do ser humano.
A idéia de casal era desconhecida. Cada fêmea pertencia igualmente a todos os machos e cada um deles a toda elas. O acasalamento era por grupos.
Entretanto, para que encontrasse um verdadeiro e profundo sentimento, que proporcionasse avaliar as qualidades do outro parceiro (a) e decidir, passou longo tempo com ele (a). Foi preciso esperar o desenvolvimento do cérebro, portanto do Homo sapiens – do homem moderno. E em todos os longos milênios da Era Paleolítica não existiu prova alguma de que o homem sabia de seu papel de pai.

Dentro da caverna – homens primitivos
Três fatores sugerem que o momento desta verdade pode ter ocorrido na fase inicial da Era Neolítica. Em primeiro lugar, até então nenhum dos sexos parece ter sido o dominante. Em segundo, se a descoberta foi incitada por algum estimulo externo, o pastoreio dos animais foi o mais obvio e provável. A domesticação de animais começou com cabras – mais provavelmente com ovelhas, quando estes primeiros criadores e agricultores logo viram que as ovelhas segregadas não gerariam cordeiros e nem produziriam leite. Entretanto, quando um ou dois carneiros eram introduzidos no rebanho, os resultados eram espetaculares. Foi o momento em que o homem pela primeira vez observou um grupo de animais durante um longo período. Foi como um laboratório.
Nesta ocasião as condições de vida e de relacionamento se agravaram especialmente para as mulheres, quando as tarefas para elas se multiplicaram. Com o surgimento da agricultura começou para elas o começo de inúmeras obrigações. Nesta ocasião também o homem descobriu que tinha no seu meio, a função que o carneiro cumpria com as ovelhas.
O terceiro fator mais problemático e também em muitos casos o mais convincente, foi que “algo” simplesmente aconteceu no Oriente Próximo durante os misteriosos sete mil anos do Neolítico, quando o homem transformou-se de parceiro da mulher mais ou menos igual na sociedade, em um déspota reconhecido.
Após a instalação do patriarcado há 5 mil anos, a mulher adquiriu a condição de mercadoria, quando podia ser comprada, vendida ou trocada. Ela passou a ser considerada inferior ao homem e, portanto subordinada à sua dominação. Durante este período a cultura autoritária dominada pelo homem e também violenta era vista como normal e adequada, apoiando-se em dois pilares básicos – controle da fecundidade da mulher e divisão sexual de tarefas. A sujeição física e mental da mulher foi o único meio de restringir sua sexualidade e mantê-la limitada a tarefas especificas.
O estabelecimento do patriarcado na civilização ocidental foi um processo gradual que levou quase 2.500 anos – entre 3.100 a 600 a.C. A lógica patriarcal começa no Ocidente com a democracia ateniense, no século V a.C e o fim desta lógica se enraíza na Revolução Francesa, quando a democracia pretende aplicar-se a todos.
A caricatura popular do homem das cavernas carregando um bastão e arrastando uma mulher pelo cabelo, com “alguns traços divertidos”, no fundo mostra que o sexo, a dominação masculina e a violência coincidem – e, por baixo do verniz da civilização é assim que até hoje acontece com a mulher, quando é colocada (subliminarmente) como mercadoria e para uso, com a sua imagem em belos corpos sendo associada nas propagadas com o consumo maciço de cervejas e de carros, entre outras.

Caricatura de homens da caverna puxando mulheres pelos cabelos
As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente e muito menos atingir o orgasmo. Os homens por sua vez também tiveram a sua sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção até hoje é tanta, que fazem um sexo apressado com o único objetivo de ejacular.
A maioria dos homens ainda persegue o ideal masculino – força, sucesso e poder, mas eles têm as mesmas necessidades psicológicas das mulheres, que é de comunicarem suas emoções e sentimentos. A questão é que desde criança são ensinados a desprezar as emoções delicadas e a controlar os sentimentos, a não serem aqueles próprios de um guerreiro. Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer sexual com a parceira é difícil, porque perder o controle ou falhar é uma ameaça constante para ele. O processo de socialização que transforma os meninos em homens (“machos”) impede a espontaneidade na relação com as mulheres. É impossível ser “sensível”, quando se está “travado emocionalmente”.
Os homens são levados a organizar sua energia e percepção em torno do desempenho e assim, se transformam em maquinas de fazer sexo, preocupados apenas em “marcar pontos” e ter ereções. O sexo passa ser um esporte, transforma em um jogo que se disputa a dominação da mulher e, este roteiro “homem-caçador” versus “mulher-presa” causa também sérios prejuízos à sexualidade masculina.
Na realidade a diferença entre os sexos é anatômica e fisiológica, o resto é produto de cada cultura ou grupo social. Tanto o homem como a mulher podem ser fortes e fracos, corajosos e medrosos, agressivos e dóceis, passivos e ativos, dependendo do momento e das características que predominam em cada um, independente do sexo. Insistir em manter conceitos de feminino e de masculino é prejudicial a ambos os sexos por limitar as pessoas, aprisionando-as a estereótipos.
A mentalidade patriarcal que definiu com tanto rigor o masculino e o feminino está perdendo as suas bases. Cada vez mais as pessoas desejam ser o todo, ou seja, não ter mais que reprimir aspectos de sua personalidade para corresponder às expectativas de atitudes consideradas masculinas ou femininas. A dissolução da fronteira entre o masculino e feminino possibilita uma sociedade de parceria longe do modelo de dominação de uma parte da humanidade sobre a outra, como existiu nos últimos milênios. Agora, é possível também que as pessoas venham a escolher seus parceiros amorosos e sexuais pelas características de personalidade e não mais por serem mulheres ou homens.
Séculos após a época de Homero – de economias tribais e agrárias, as cidades-estados da Grécia foram desenvolvendo atividades tanto manufaturadas como mercantis.
Quando o lar perdeu a sua condição como a única fonte (local) para a alimentação, vestimenta e outros itens essenciais, ele deixou de ser o centro da existência do homem, transformando-se em um espaço para mera obrigação social – e, de resto dispendioso. Os vínculos de um marido em relação à sua esposa e de sua “dona de casa” deixaram de serem os de sobrevivência pessoal e cooperação, para serem os de dominação.
Esparta, no Peloponeso (sul da Grécia) era arquirrival de Atenas. Possuía uma temível potencia militar, com a melhor infantaria do mundo grego. Os meninos espartanos eram retirados de seus lares dos 7 aos 13 anos de idade para realizar o pesado treinamento militar. Nesta ocasião também Corinto construiu a sua riqueza com manufaturas e comercio marítimo. Era uma cidade bem conhecida no mundo antigo como um centro de luxo e lugar de entretenimento dos ricos, que vinham em grandes quantidades procurando as prostitutas sagradas do Templo de Afrodite.
O primeiro “filosofo do amor” foi Platão. Em “O banquete” ele narra uma festa em que os sete convidados presentes fazem discursos sobre o amor. Destaca-se o de Aristófanes, no qual ele explica o mistério da atração que uns sentem pelos outros, relatando o mito do andrógino original, que evoca o dualismo das criaturas.

Com uma hetaira – cortesã de alto nível.
Os gregos “inventaram” o amor, dando-lhe dois nomes: Eros (amor físico) e Ágape (amor espiritual), elaborando a respeito dos dois tanto a teoria como a pratica. Ágape significa afeto profundo e afeição. Eros é uma atração física intensa por algo ou alguém, é um desejo vigoroso, é principio de ação, cuja energia é a libido. E dentro deste mundo grego da sexualidade a cidadã grega só possuía dois direitos, que eram o de gerar descendentes legítimos e o de herança. Na antiga Grécia as mulheres eram tidas como irracionais, hipersexuadas e moralmente defeituosas.
Como as mulheres gregas eram excluídas de quase todas as atividades fora do lar, raramente estavam juntas dos homens. O casamento tinha como finalidade apenas o aumento da prole e os cuidados com o lar. A repulsa contra o casamento era parte da repulsa geral contra a mulher e seu mundo.
Aristóteles afirmava o masculino como superior ao feminino em mente, corpo e processo procriador. Para ele o sêmen continha a alma e as secreções femininas formavam o corpo físico. Euríspedes retratou a mulher como adultera e perversa. Aristófanes satirizava-a como beberrona, fofoqueira, briguenta e ambiciosa.
A estima, o respeito e a honra eram os maiores prazeres do casamento. O marido traído devia separar-se, sob pena de ser estigmatizado por atimía (perda da honra). Na Grécia absolutamente patriarcal o homem era inquestionável. Foi o “clube masculino mais exclusivista de todos os tempos”.
A efebia – relação homossexual grega básica, ela se dava entre um homem mais velho e um jovem. O jovem tinha qualidades masculinas: força, velocidade, habilidade, resistência e beleza. O mais velho possuía experiência, sabedoria e comando. O efebo (o púbere) entregue a um tutor se transformava em cidadão grego. Era treinado, educado e protegido. Ambos desenvolviam paixão mutua, mas sabiam dominar esta atração.

Efebo grego
Para a maioria dos homens gregos o amor ou era brinquedo agradável, diversão prazerosa, exercício saudável do corpo e do espírito, ou era com a mulher uma loucura trágica, força esmagadora e enfermidade ruinosa, porque a mulher tristemente imperfeita, não era merecedora do amor ideal ou de proporcioná-lo em troca.
Como os gregos consideravam o homem mais próximo da perfeição, este podia ser objeto do amor ideal – particularmente o homem de cultura e requinte, que buscava afinidades de espírito como parte do amor. O adolescente com o seu rosto imaturo e com seu corpo ainda em desenvolvimento, com as suas forças espirituais ainda não desabrochadas e com a sua promessa de masculinidade ulterior, podia inspirar ao homem adulto grego uma emoção ainda mais intensa e mais apaixonada do que a provocada pelas hetairas.
As hetairas eram cortesãs de alto nível. Eram elegantes, espirituosas, versadas na arte, na literatura clássica, na política – por vocação, deveria ser algo entre uma gueixa e uma prostituta. Os homens atenienses mais admiravam nas hetairas era o fato de serem exímias em tudo, que estes mesmos homens impediam que suas esposas aprendessem.
É um paradoxo o amor moderno haver começado com o amor grego, dever tanto a ele, muito embora as formas e os ideais do amor grego, não sejam completamente aceitos na sociedade moderna.
O Batalhão Sagrado de Tebas era formado por quadro de tropas de choque inteiramente por guerreiros de casais homossexuais. Em Esparta, na ilha grega de Eubéia e em Tebas, cidade da Beócia, a afebia era associada ao sucesso na guerra. E quanto às mulheres gregas, como só se relacionavam em seu dia a dia com outras mulheres, não seria estranho supor que muitas delas teriam encontrado afeto e prazer sexual com outras. Entretanto, como eram criaturas comumente sem importância, em relação às elas quase nada se sabe a respeito. Apenas se tem informações de uma época anterior, o século VII a.C., através de Safo que viveu na ilha de Lesbos e dirigia uma escola onde mulheres aprendiam musica, poesia e dança. Ela se apaixonou por algumas de suas pupilas, manifestando o seu amor em poemas sensuais, Sua poesia exerceu enorme influencia sobre a literatura subseqüente.
A Grécia viveu seu momento de maior esplendor nos séculos V e IV a.C., particularmente Atenas em uma época de apogeu da democracia e do desenvolvimento cultural. Entretanto, algum tempo depois surgiu um novo mundo no Mediterrâneo e no Oriente Próximo através dos macedônios, que organizaram uma poderosa estrutura militar e foram conquistando os territórios gregos. Nesta ocasião nas campanhas militares de Alexandre, o Grande, que teve como o seu mentor em sua infância e parte de sua juventude Aristóteles, aconteceu a fusão da cultura grega com a oriental, transformadas em outra forma de expressão chamada de Helenismo.
O maior amigo e companheiro de Alexandre foi Heféstion, filho de um nobre macedônio, que além de ser seu amigo constante desde a infância, foi já adulto o vice-comandante do seu exército. A sua morte deixou Alexandre completamente destroçado. O historiador romano QuintusCurtiusRufus relata que Alexandre desdenhava os prazeres sensuais, a tal ponto que a sua mãe tinha dúvidas sobre a sua capacidade de gerar descendentes. Nenhuma fonte contemporânea indica que Alexandre e Heféstion foram amantes, mas é muito provável que tivesse sido. O costume macedônio (e grego) da época favorecia entre os dois a relação de componente sexual e não inibi-la ou censurá-la. Em Tróia onde os dois amigos ofereceram sacrifícios nos altares votivos (de promessas) dos dois heróis Aquiles e Pátroclo, Alexandre dedicou a sua oferenda a Aquiles e Heféstion a Pátroclo. E nesta ocasião também o historiador Claudio Eliano (na sua “Varia Historia”) menciona que Heféstion “desse modo inferia que era o eromenos (“o amado”) de Alexandre, tal como Pátroclo tinha sido de Aquiles.”
O Período Helenístico é o período da historia da Grécia compreendido entre a morte de Alexandre, o Grande e a conquista península grega e ilhas por Roma, em 146 a.C. E a conquista definitiva do território grego transformou a Grécia em província do vasto Império Romano. Os romanos admiradores da civilização grega absorveram muito de sua cultura. O amor em Roma era sexualmente intenso e não prejudicado pela noção de pecado, mas se apresentava estranhamente misturado com a obscenidade e com o ódio.
O amor tinha reputação negativa principalmente por dois motivos. Primeiro por envolver dependência de uma mulher, uma criatura inferior moralmente, o que no ato sexual reduzia o valor do homem, por levá-lo perder o controle (domínio) numa cultura obcecada pela dominação. Os deuses gregos e suas historias foram incorporados pelos romanos, tendo seus nomes traduzidos como, por exemplo, Júpiter (Zeus), Venus (Afrodite) Cupido (Eros).
Era bem melhor ser uma mulher em Roma do que na Grécia. Pelo menos em Roma não havia gineceu (parte da casa apenas para as mulheres), como na Grécia. As mulheres romanas podiam sair de casa sem pedir permissão ao marido e o casal era convidado para os jantares, ao contrario dos costumes gregos, em que só se convidava os homens.

Afresco de um casal na Roma Antiga
Para os romanos deste período os homens em campanhas militares ausentes do lar às vezes por longo tempo, deviam combater e conquistar e, as suas esposas submissas e virtuosas deviam manter sem maculas e honradas, conservando os bens da família e sem terem filhos bastados na sua ausência. A família da antiga Roma era extremamente patriarcal. O pai além de controlar toda a propriedade da família, agia como se fosse um sacerdote, orientando a veneração dos deuses. Seu poder era tão absoluto, que até dirigia e dispunha da vida de seus filhos. O casamento transferia a autoridade paterna sobre a filha para o marido, que passava a ter agora o direito de castigá-la.
Na Roma antiga a conduta do homem que estava fazendo a corte consistia em duas atitudes: segurar o espelho enquanto a mulher penteava e, quando ela voltando para casa, desfazer as tiras de suas sandálias, colocando-se de joelhos. Estas atitudes era “o grande romantismo” que os romanos nas cidades praticavam e gostavam de fazê-lo, mas não convinha confessar. Nos campos fazer corte a moça era o homem empurrá-la para um canto, estrupá-la e depois casar com ela.
Na cidade existiam lugares, como o pé da coluna Lactaria, que eram destinados especificamente ao abandono de bebês indesejados, em geral meninas, mas às vezes meninos ilegítimos ou deformados. Os casais assumiam a dupla responsabilidade de perpetuar o nome da família do marido e gerar filhos homens para Roma, que dependia de soldados para se protegê-la e manter o seu poder. Os romanos preocupados com os riscos de uma natalidade baixa se tornaram obcecados pelo tema, a partir do século II a.C.
O imperador Augusto (27 a.C a 14 d.C) decretou que os homens entre 25 a 60 anos e as mulheres entre 25 a 50 anos fossem obrigados a se casar. As viúvas deveriam torna-se a se casar dentro de dois anos e as divorciadas em 18 meses. Homens solteiros eram impedidos de receber herança e os casais sem filhos numa faixa produtiva, tinham permissão para receber só a metade que lhes fosse legado. A homossexualidade tornou-se popular, mas conservou no terreno puramente físico. Os homens romanos não manifestavam interesse em conquistar os jovens por meio de atrativos espirituais ou intelectuais como os gregos. Preferiam seduzi-los ou comprá-los (escravos) e levá-los para casa sem estas preocupações.
Virgilio tinha o gosto exclusivo por rapazes, o imperador Claudio por mulheres e Horacio pelos dois sexos. Antínoo que foi amante do imperador Adriano (depois de sua morte precoce), recebeu deste não poucas vezes um culto oficial. O efebo, objeto de amor dos gregos, foi substituído em Roma, pelo escravo que servia de amante. O importante continuava sendo respeitar as mulheres casadas, as virgens e os adolescentes livres de nascença (romanos). A relação homossexual com um jovem era aceitável, desde que a relação sexual fosse ativa de um homem livre (cidadão romano) para com um escravo ou com um homem de baixa condição.

Augusto governou Roma durante a era de ouro da literatura latina e antes dele a arrecadação financeira tinha sido inconstante e incerta. Assim, em seu governo cada contribuinte em potencial teve que ser registrado por meio de um censo. Esta nova ordem fiscal fez com que José, um carpinteiro da Judéia e a sua esposa grávida viajassem à cidade de Belém, onde seriam registrados pelo censo romano. E ali a criança que pouco depois nasceu, tornou-se o homem que mais influenciou a Historia do Ocidente.
Nenhum evento isolado foi tão importante como o nascimento de Jesus, que aconteceu em Nazaré, na Palestina, não se sabendo ao certo quando, embora a data provável seja 6 a.C. Na época haviam vários profetas, mas os ensinamentos de Jesus foram os que afetaram mais profundamente as pessoas, transformando os seus valores. Os evangelhos escritos pelos seguidores de Jesus anos após sua morte baseiam-se nas memórias dos que conheceram e relataram a sua vida. A intenção era demonstrar que ele era o Messias.
Paulo (9-64 d.C), apesar de não ter conhecido Jesus, foi o ideólogo do cristianismo e depois de Jesus foi talvez a figura mais importante desta religião que se iniciava. Este “apóstolo dos gentios”, fez do cristianismo uma religião aberta a todos, mas em sua pregação não repetiu apenas o que Jesus dissera. Por isto, tem sido acusado de ter difundido um cristianismo também seu – diferente da fé que Jesus planejara. Para alguns autores Paulo foi o inventor do cristianismo, aquele que deturpou os ensinamentos de Jesus e os transformou em uma religião, que acabou por desenvolver horror aos prazeres do corpo, abster do sexo e optar pelo celibato, atitudes consideradas por ele como superiores. A partir de Paulo a condenação da sexualidade só foi crescendo. O anti-sexualismo foi tornando um refrão obsessivo no decorrer do tempo.

Os primeiros cristãos
Nesta ocasião os romanos foram aos poucos adotando uma nova moral. Foi uma mudança misteriosa que ocorreu pouco antes do ano 200, no tempo de Marco Aurélio. Outra antiguidade estava começando. Os esposos deveriam ser castos, controlar o menor dos gestos, não se acariciando demais. O sexo deveria ser apenas para a procriação. Talvez, o erotismo pagão já tivesse se desgastado por excessos ao longo dos tempos, deixando um tédio que assumiu proporções excepcionais, o que também ajudou nesta nova postura romana de conduta sexual. O cristianismo ajudando ainda para o estabelecimento desta nova postura sexual tinha outras preocupações, guerra às riquezas, ao egoísmo, à usura e à crueldade do mundo romano, mas até estes outros males apresentavam-se sempre ligados ao pecado sexual.
O casamento continente com base na ausência total do sexo tornou-se Antiguidade Tardia o ideal de casamento cristão. Antiguidade Tardia é o nome que alguns historiadores usam para descrever o intervalo entre a Antiguidade Clássica e a Idade Media. É o período também em que o Deus dos cristãos se torna Deus único do Império Romano. Na Grécia e em Roma o prazer era valorizado, mas com o cristianismo surge a condenação geral da sexualidade e uma rigorosa regulamentação de seu exercício. Entre o inicio do cristianismo e a sua consolidação no século IV, o sucesso da nova ética sexual é assegurado por duas series de acontecimentos de ordem teórica e pratica: o surgimento entre os cristãos de uma posição de valorização para as virgens (mulheres) e a realização do ideal de castidade dos monges (homens), que era exercitado no deserto.
O cristianismo trouxe como principal novidade a ligação entre “a carne e o pecado”. Os primeiros textos cristãos valorizam, sobretudo, a castidade, a virgindade e, ao contrario do que muitos pensam não priorizam nem o casamento e nem a família, mas o ascetismo cujos valores essenciais eram a virgindade e a continência como realização da virtude, que busca a plenitude da vida moral. Foi Agostinho que naquela época resumiu o sentimento geral entre os padres da Igreja, de que o ato sexual era fundamentalmente repulsivo. Arnóbio o chamou de sujo e degradante. Metódio mencionou-o de indecoroso e Jerônimo de imundo. Ainda, Tertuliano citou-o como vergonhoso e Ambrósio de conspurcação.
Os primeiros cristãos passavam o tempo todo preocupados em reprimir seus impulsos biológicos. Mas, quanto mais esforços faziam, mais eles retornavam, quando então colocavam a culpa de suas visões e tentações sexuais no demônio. Freiras e outras mulheres cristãs muitas vezes protestavam raivosamente, dizendo que incubus (seres demoníacos masculinos) as visitava e as obrigava cometer “atos indecentes”. O mesmo acontecia para os homens com os succubus (seres demoníacos femininos). Como a Igreja desenvolveu horror aos prazeres do corpo, as pessoas que optavam pela castidade eram consideradas superiores. Homens se fizeram eunucos voluntários para ganharem o “Reino dos Céus”.
O ascetismo conduziu sem duvida à intolerância, ao obscurantismo e à agressividade aberta. Isto porque o asceta não se contentava em apenas controlar a si mesmo, inevitavelmente tentava controlar a carne e a alma dos outros. De certa forma, é o que acontece até hoje por intermédio dos seguidores de muitas seitas, que com visão estreita do mundo e da ciência em constante renovação, vêm perturbando e coibindo os demais com esta sua “ignorância xiita”, dizendo-se escudados na condição de seguidores (“crentes – cristãos”), do que dizem serem religiões.
Por serem as mulheres consideradas as tentadoras do homem, alguns dirigentes da Igreja as consideravam piores do que um ser inferior. O pronunciamento de Tertuliano sintetiza este sentimento: “Vós sois o portão do demônio, vós sois a primeira desertora da lei divina, por vossa causa o Filho de Deus teve que morrer”. Para estes religiosos as mulheres eram vistas como fracas, débeis, lerdas de raciocínio, simples, instáveis, enganadoras e o tipo de pessoa quem não se devia confiar. Deus amava mais os homens porque criara uma mulher da costela de Adão – a mulher era feita do homem e para ele. A queda do Paraíso não fora por culpa de Adão comer a maça, mas de Eva – ela dera a ele!… E, embora os homens devessem ter bons motivos para sentir rancor das mulheres, não era cristão sentir rancor de um ser inferior e sim, cuidar dele.
Para os cristãos a monogamia foi transformada em serio contrato por toda a vida, concluído sob os auspícios religiosos e sem possibilidade de ser dissolvido, sendo a única forma aceitável de casamento. Ao contrario dos gregos e dos romanos, a Igreja adotou oficialmente um só padrão sexual. Era a primeira vez que uma instituição de tanto alcance quanto a Igreja adotava um só padrão sexual. Ela também influenciou o imperador Constantino a pôr em vigor uma lei que tornava o adultério punível com a morte.
No ano de 312 houve um acontecimento decisivo na historia ocidental e até mesmo mundial. O imperador Constantino converteu-se ao cristianismo depois de um sonho. Nesta época, era cristã somente 5% ou 10% da população do império romano (cerca de 70 milhões de pessoas). O papel histórico de Constantino foi o de fazer com que o cristianismo transformado em religião, se tornasse uma religião amplamente favorecida. E o imperador Teodósio oitenta anos depois (em 392) fez do cristianismo a religião do Estado, quando então ocorreu a transformação de um deus anteriormente rejeitado em um Deus oficial. Significou também que nenhum súdito podia professar outra crença, sob pena de cruel perseguição e, muitas vezes, da condenação à morte.
Os cristãos nesta época aceitavam a única explicação, que o pecado sexual era diretamente responsável pelo desmoronamento do império romano e cujas aflições eram interpretadas como sendo punição imposta à humanidade por um Deus enfurecido. E neste clima enquanto Roma ruía vagarosamente, um novo conceito de casamento e família estava surgindo.

Cenas do cotidiano na Roma antiga
A repressão sexual que a Igreja Católica exercia (e ainda exerce) sobre os fieis trouxe graves consequências para adultos e crianças, não só para a sua vida psíquica, mas também para a sua integridade física. E esta conseqüência reflete até hoje através do numero impressionante de abusos sexuais cometidos por padres católicos em todo o mundo. Ela demonizou o sexo – a sexualidade, que transformada em um “tsunami” a varreu (e ainda varre) com acontecimentos indesejáveis proporcionados por muitos de seus membros, indo de encontro com que na teoria (ideologicamente) prega.
Nos anos de 392 a população era privada de instrução. Praticamente só os membros do clero sabiam ler e escrever. Desta forma estes religiosos consideravam seu dever explicar a Historia, buscando detectar nela o que achavam ser os sinais de Deus. Neste período são criados novos heróis e santos, que são em principio mártires em seus corpos. Mas, a partir do século XIII, com a Inquisição, ela também faz da tortura uma pratica legitima que se aplica a todos os suspeitos de heresia e não somente aos escravos, como em tempos ainda mais anteriores.
Os cristãos dissociaram o amor, separando-o do sexo. O amor era um “assunto” de Deus e o sexo um “assunto” do Diabo. O amor na Idade Media deveria ser unicamente dirigido a Deus, fora disto o termo amor nunca deveria ser empregado em sentido positivo. O que é hoje chamado comumente de amor foi totalmente ignorado, porque era visto como paixão sexual irracional, selvagem e destrutiva. A Idade Média é a matriz do atual comportamento humano, que foi concebido neste período. A dinâmica da sociedade e da civilização medievais resulta de tensões: entre Deus e o homem, ente o homem e a mulher, entre a cidade e o campo, entre a riqueza e a pobreza, entre a violência e a paz e entre a razão e a fé.
A principal destas tensões é a entre o corpo e a alma. No começo da Idade Media o papa Gregório qualifica o corpo de “abominável vestimenta da alma”. Por outro lado o corpo é glorificado. O acontecimento capital da historia – a encarnação de Jesus foi o resgate da humanidade pelo gesto salvador de Deus tomando o corpo de homem. A sociedade balança entre o desprezo e a glorificação do corpo. Assim, a nudez ira oscilar entre o apelo à inocência de antes do pecado original: da beleza física dada por Deus aos homens e às mulheres e o feio da luxuria. Do mesmo modo a beleza feminina oscilará entre Eva tentadora e Maria a redentora. A noção de pecado contra a natureza se dilata na Idade Media com a extensão do conceito de sodomia.
A Igreja não se empenhava em impedir o estabelecimento da prostituição. Tomás de Aquino expressava esta posição, quando a comparava aos esgotos do palácio. Para ele, sem prostitutas o mundo estaria cheio de devassidão e a virtude das mulheres honestas iria por água abaixo. Esta atitude favorecia um padrão duplo de sexualidade, apesar de que a doutrina formal da Igreja se posicionasse em sentido contrário.
Naquela ocasião a idéia de que duas pessoas podiam estar amando e nutrindo desejo mutuo, não deixava de ser uma rebeldia perigosa. Para a Igreja pregando que o amor deveria ser unicamente direcionado a Deus, o amor recíproco (entre o casal) parecia impossível. Nesta época, também com o costume do amor cortês (outro tipo de costume entre o casal), adultos saudáveis e sexuados conseguiam a maior parte das vezes em sua intimidade limitarem-se às preliminares do sexo, por considerá-las uma forma muito mais requintada de amor do que o ato sexual completo. A mudança na atitude do homem em relação à mulher nesta época (entre os anos de 1.100 e 1.400) foi o maior do que em todos os 4 mil anos de civilização, transcorridos até então. Nesta época aconteceram alguns infelizes efeitos secundários, e em especial entre burgueses de mente prática, que trancafiavam seu dinheiro e não viam motivos para que não fizesse também o mesmo com suas esposas.
O cinto de castidade parece ter sido desenvolvido no século XIV possivelmente na Itália, embora o seu nome “cinto florentino” não seja conclusivo. É possível que no início o cinto tenha sido destinado à proteção contra o estupro, um acontecimento comum nos tempos medievais, Entretanto, os maridos que ainda compartilhavam a antiga crença de que as mulheres eram libertinas por natureza, o adotaram com satisfação. No século XIII, na França, tanto o homem quanto a mulher flagrados em adultério costumavam desfilar nus pelas ruas e no século XIV, na Germânia, os adúlteros podiam ser enterrados vivos ou empalados. O charivari era um costume medieval para denunciar de forma ruidosa e publicamente a conduta de adúlteros. Com este costume os maridos traídos eram representados por homens portando cornos, fusos ou utensílios domésticos. Eles desfilavam ao som de uma musica executada por instrumento de sopro que eram gaita de foles e trompa, acompanhada pelo ritmo de batidas vigorosas num caldeirão.
O papado em seu início foi constituído por papas não tanto dentro dos interesses totalmente religiosos, mas por outros interesses, inclusive, os políticos. Em 904, Marozia que era filha de um alto funcionário do palácio papal, teve o seu amante coroado papa com o nome de Sérgio III e em 914 sua mãe garantiu esse mesmo lugar para o amante, que tornou o papa João X. Anos depois o filho e o neto de Marozia tornaram-se também papas. O neto passou a ser o famoso papa João XII, o primeiro papa adolescente que foi processado e julgado do crime de incesto por um conselho eclesiástico constituído por seus próprios cardeais, bem como de adultério com a concubina do próprio pai.
O papa Gregório VII na ultima metade do século XI expediu uma proibição do casamento clerical. Houve violenta reação em algumas partes do mundo cristão. Os padres católicos germânicos preferiam desistir da vida religiosa a separar de suas esposas, mas a Igreja acabou vencendo e ficou estabelecido o principio do celibato sacerdotal. No século XV era de mau gosto elogiar francamente o mundo e a vida. Estava na moda ver apenas o sofrimento e a miséria, descobrir em tudo sinais de decadência e da aproximação do fim. Em suma, condenar a maneira comumente de proceder naqueles tempos, tendo por ela o desprezo. Os nobres tinham necessidade de adornar a alma com as roupagens do pesar.

Os três primeiros Papas
O povo aceitava todas as proibições que a Igreja impunha, enquanto acreditava que ela era a mediadora entre o homem e Deus. No final da Idade Media a maioria das pessoas ainda acreditava em Deus (católico), mas era cada vez maior o questionamento a respeito da conduta da Igreja. No século XVI, período conhecido como Renascimento, o sacerdote germânico Martinho Lutero atacou a corrupção na Igreja Católica e deu inicio à Reforma Protestante.
Nesta ocasião houve uma profunda modificação na Europa – novas tecnologias foram criadas. As cidades expandiram-se, não estando mais confinadas dentro de suas muralhas medievais. A invenção da imprensa por Gutenberg facilitou a reprodução de obras em maior quantidade e com maior rapidez. A expansão marítima contribuiu para o alargamento dos horizontes geográficos e culturais, quando neste período – da Renascença, era ainda um mundo tipicamente masculino. Não havia igualdade entre os homens e mulheres. O homem se via predestinado a ser nobre, romântico e capaz de vivenciar tanto o heroísmo quanto a tragédia. A mulher era vista pelos médicos como uma criatura inacabada – um macho incompleto, daí sua fragilidade e sua inconstância. Para a mulher ainda vista como inútil, canhestra, lenta, insolente, mentirosa, supersticiosa e lúbrica por natureza, havia a idéia de que para ela era indispensável uma rigorosa vigilância para controlar este ser imperfeito.
Mesclavam-se teorias eruditas produzidas pela teologia, pela medicina e pelo direito com os preconceitos populares mais correntes. A natureza feminina pertencia o lado sombrio da obra do Criador, estando mais próxima do Diabo que o homem inspirado diretamente por Deus. A mulher seria inferior por natureza, isto é, pela vontade divina. Homens e mulheres do século XVI não distinguiam minimante entre o natural e o “sobrenatural”. Os fiéis eram persuadidos estarem diante de Satã, quando aconteciam fenômenos paranormais desconhecidos e não aceitos pela Igreja. A crença na feitiçaria se espalhou por todo o clero, particularmente na Germânia, na França e nos Países Baixos. As noticias e os relatos em torno do caos cometido pela feitiçaria chegaram a todas as camadas sociais da Europa Ocidental.
Os processos principalmente contra as mulheres como feiticeiras e sua queima em fogueira passaram a serem episódios cada vez mais comuns, até mesmo nos centros civilizados da Europa. Vários pronunciamentos de bulas papais advertiram as cortes clericais contra as atividades das feiticeiras e insistiram na necessidade de seu extermínio. Os teólogos redigiram apaixonados apelos ao publico e os pregadores aterrorizaram através de suas congregações com sermões sobre os perigos e os sintomas da feitiçaria. As mulheres eram vistas como portadoras de excessivos desejos sexuais. E a idéia de que elas queriam que o Diabo as seduzisse, baseava-se na crença medieval de que no fundo elas apreciavam o estupro.
Em 1487, em Estrasburgo, era impresso um livro que se tornaria um dos maiores sucessos de toda a literatura demonológica: Malleus maleficarum (O martelo das feiticeiras). Este manual era destinado aos inquisidores, mas diferia dos outros que o precederam pelo fato de ser consagrado exclusivamente à perseguição do delito de feitiçaria e oferecer “o remédio” para o extermínio destas praticas. Nos tribunais da Inquisição os padres tinham interesse sexual pelos corpos das mulheres suspeitas de serem possuídas. Eles as interrogavam (“em uma masturbação mental”) não somente sobre sua atividade sexual com o Diabo, mas também com os seus maridos e amantes.

 
Sobre o Autor:
LORD KRONUS
LORD KRONUS

Admirador do Oculto e cinéfilo.
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