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O Grimório de Maat

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Por Fernando Liguori
Ilustração de Alexandre Araujo


O Senhor da Luz opera nas Sombras pois elas não sobrevivem na escuridão, são servas da Luz, Filhas do Fogo. Quanto mais brilhante for a Luz, mais escura é a Sombra.

Mo-Ayon: O Grimório da Doutrina Negra


EXISTE um grimório perdido de aplicação universal, um grande livro de feitiços, mantras e encantamentos1 acessível somente àqueles que têm a capacidade de transferir sua consciência ao aeon do ākāśa.2 Durante séculos, ocultistas, poetas e artistas têm rasgado o Véu de Ísis através de métodos variados, conscientes ou não, com a finalidade de ter acesso às chaves ocultas contidas neste grimório. Grupos independentes de ocultistas e indivíduos trabalhando isoladamente têm recebido intimações através dos sonhos, por cidākāśa-dhāraṇā,3 trāṭaka4 ou operações com a Corrente Ofidiana5 da presença de entidades tentando estabelecer comunicação, provendo certos indivíduos com as chaves ocultas que lhe dão acesso aos portais além de Daäth.6 Em outras palavras, estes indivíduos – sensitivos, sacerdotes de sombrias tradições, poetas e profetas – têm se tornado receptivos a impulsos e vibrações cósmicas de estranhos lugares fora dos círculos do tempo. Esta interação, desde os primórdios das eras, vem preparando a consciência humana para as transformações que estamos testemunhando e experienciando no presente.

A atividade crítico-paranóca de Salvador Dali e a postura da morte de Austin Osman Spare, a cultura das plantas de poder dos xamãs e curandeiros – bem como inúmeras técnicas distintas – são maneiras efetivas para se manifestar estas transmissões, mas ao que parece, o sistema mais eficaz é aquele do controle onírico da O.T.O. que envolve o uso da Corrente Ofidiana para aterrar as forças de estranhos aeons desconhecidos a consciência humana comum. É a mulher, no período do catamênio, a melhor antena a estas forças e regiões desconhecidas. Isso ficará claro no curso do texto.

Para iniciarmos este pequeno opúsculo de meditação, precisamos primeiro voltar ao ano de 1948, quarenta e quatro anos após a recepção do AL7 por Crowley no Cairo em 1904 e quatro meses após sua morte. No dia 2 de abril de 1948, exatamente às 1:11 p.m., Frater Achad8 deu início a Era de Aquário proclamando o Aeon de Maat ou Ma-Ion.9 Todas as missivas de sua descoberta foram publicadas em seu livro privadamente circulado, Q.B.L ou The Bride’s Reception. Achad sustentava que Crowley, no posto de Magus10 da A.’.A.’.,11 havia falhado em receber a Palavra do Aeon. Esta Palavra, segundo Achad, não era Thelema, pois essa seria a «Palavra da Lei». Também, ela não poderia ser Abrahadabra, pois essa seria a «Chave dos Rituais». Foi quando Achad, ainda no ano de 1926, período em que proclamou ter atingido o Grau de Magus, vibrou a Palavra ALLALA, suplantando a falha de Crowley. Esta palavra ascendeu seu entusiasmo, pois ela era três vezes o valor da Chave do AL que ele mesmo descobriu.12 ALLALA soma 93 (3x31), o mesmo número das fórmulas mágicas da Corrente Theriônica: Vontade (Thelema) e Amor (Ágape). Aiwaz, o transmissor do AL, também soma 93. Portanto, além de ser a «Verdadeira Palavra do Aeon», ALLALA elucidava muitos dos mistérios contidos no AL, mas nem todos.13

Entretanto, embora suas descobertas fossem válidas em certos aspectos, Frater Achad também falhou em suas interpretações. Ele sugeriu que Crowley, se identificando com a Besta no papel do leão, estava enganado, pois a Besta era o macaco e como tal era impossível que conseguisse vibrar a Palavra do Aeon. Ademais, ele simplesmente deixou de lado o aspecto oculto ou o reflexo do Aeon de Horus, quer dizer, Seth ou Hoor-paar-Kraat. Este aspecto oculto coloca em jogo uma perspectiva completamente diferente pois é o aspecto do silêncio. Seth profere sua fala – ou Palavra – no silêncio. Em outros termos, o Aeon de Horus tipificado pela conjunção entre a Besta e a Mulher Escarlate na fórmula silenciosa do Amor sob Vontade, não possui Palavra. O ato em si é a Palavra. Quer dizer, o ato cria um estresse no astral, moldando-o conforme a vontade do Adepto. Neste sentido, Achad pôde ter se equivocado e seu trabalho, inacabado. Mas suas descobertas foram fundamentais na elucidação de aspectos obscuros no AL e seu Culto Ma-Ion forneceu chaves importantes para o aeon que estava chegando, o Aeon de Maat.

Por volta de 1976, Soror Andahadna14 canalizou um místico grimório como resultado de uma série de operações mágico-sexuais realizadas dois anos antes na companhia de um enigmático adepto conhecido como Sombra, com quem ela periodicamente trabalhava. O grimório recebera o nome de Liber Pennae Praenumbra e seu conteúdo expõe os mistérios do Aeon de Maat do ponto em que Frater Achad deixou inacabado. A extraordinária canalização se provou verdadeira pois Soror Andahadna não possuía conhecimento ou houvera tido acesso as missivas de Frater Achad até a ocasião em que recebeu o grimório.

A história dessa recepção começa no Monte Orab, Ohio, EUA. No Solstício de Inverno de 1974, na Fazenda Oz, um grupo de magistas estava engajado naquilo que eles chamaram de Operações Ākāśicas que não possuíam até aquela ocasião nenhuma conexão com Maat ou o Aeon de Maat. Ao contrário, o grupo, que era vagamente consciente de suas origens atlanteanas, estava focado em penetrar extratos remotamente antigos da memória da humanidade. Contudo, o grupo estava plenamente consciente de sua interação kármica, no Séc. XVIII, na região alsaciana. O líder do grupo era conhecido como Frater Lugis Thor e Soror Andahadna mais dois membros atuavam como viajantes astrais, quer dizer, operavam com visão espiritual no plano astral. Na medida em que as operações mágicas prosseguiam, tanto Soror Andahadna quanto Frater Lugis Thor sentiram a presença de uma entidade que reconheceram como um «Magus do Aeon de Maat».15 Fora este Magus quem ditou a Soror Andahadna o Grimório de Maat ou Liber Pennae Praenumbra em uma canalização acompanhada de três «entidades geométricas» conhecidas como Rosarion, Rotat e Navhem. Estas entidades acompanharam Soror Andahadna em inúmeras explorações astrais. A visão ocorreu no templo astral de Babalon onde Rosarion instruiu Andahadna a materializar uma pena16 do altar em seu templo físico a ser usada com frequência. Sobre o altar no templo de Babalon, ardia uma brilhante flama branca que se tornava negra quando integrada com a pena. Segundo Andahadna, a escrita do livro não foi o registro de uma visão, mas a repetição verbal que clareou muitos aspectos não compreendidos da experiência mágica inicial.

O Magus do Aeon de Maat instruiu o grupo a auxiliar a evolução e o progresso do Aeon de Horus via o influxo da Corrente Maatiana, fundindo as duas correntes mágicas compostas das influências de Sirius e Andrômeda. Sirius, o Sol por trás do Sol, suporta as energias do Aeon de Horus e Andrômeda as energias do Aeon de Maat. Os adeptos, quer dizer, as entidades geométricas que suportam e dão vida ao círculo místico de Andahadna são conhecidos aos iniciados como as Crianças de Maat. Eles proclamam ser «mestres do espaço-tempo contínuo [...] hábeis não somente em manter sua consciência em um tempo e local escolhido, mas de se comunicarem a vontade com os «nativos» do tempo17 e influenciar diretamente crises na história racial do planeta.»18

Em 7 de agosto de 1975, Andahadna, o Sombra e o artista Allen Holub executaram uma série de rituais indicados pelas Crianças de Maat. Estes rituais aterraram as forças Maatianas, conectando-as a Corrente 93.19 «Nós somos guiados não somente por Sirius, mas por Andrômeda também, e a galáxia de Andrômeda é a lente»; em outras palavras, ela é o foco de poder que irradia a corrente. A «lente foca essa corrente que engendra o homem de nosso «futuro» ao nosso «presente». Isso é um influxo adicional de energia ao poder dado via os Irmãos da Comunidade das Estrelas».20

O modo de contato com as Forças de Maat era por meditação frente ao altar do templo astral de Babalon. O mantra Ipsos – a Palavra do Aeon de Maat segundo o grimório – era utilizado para se estabelecer o contato vibracional. O contato visual ocorria, mas não em todos os casos. Andahadna alega que as Crianças de Maat compartilhavam informações importantes a qualquer hora, mas «mais frequentemente no curso das Operações de VIIIº e IXº.»21 Quando as comunicações ocorriam de portas abertas, quer dizer, fora de um ambiente ritualístico, sempre eram acompanhadas por manifestações de distúrbios elementais. Nos anais secretos do grupo, frequentemente aparecia à anotação de que um murmúrio ou zumbido alto anunciava a manifestação de fenômenos extraterrestres que ocorriam em conexão com as Operações de Maat.22 Similarmente, sigilos sensientes de futuros aeons, subsumidos a Maat, manifestam sua presença na forma de poderosas vibrações de um zunir estremecedor e é interessante notar que a forma mais peculiar de se invocar UFOs das sombras do espaço inclui quase sempre o som de um zunido subliminar que parece um enxame de abelhas ou o entoar do mantra Oṃ aumentando e diminuindo em som audível.23

Em um dos rituais executados por Andahadna, foi utilizada uma pedra encontrada pelo Sombra. Ela foi curiosamente esculpida por forças elementais na forma de um falo. Também, um sino mágico e a imagem de um leão forjado em brasas. As bordas do sino reverberavam enquanto ela declarava o objetivo do rito, invocando as Forças Elementais utilizando o falo de pedra na vulva24 até ungir com os sagrados kālas o leão, consagrando-o as energias solares com o Elixir, pela magia de Thelema e Ipsos.25 Através deste ritual, o leão e o falo26 foram unidos, o que gerou uma energia poderosa para invocar as forças de Maat. Após a consagração, a Sacerdotisa de Maat envolveu o falo em um pano de veludo preto, pois, como Michael Bertiaux observou: «Preto representa a opulência do puro espaço e dos poderes mágicos».27 O rito foi executado em uma região selvagem e desolada e foi guiado diretamente pelo Magus de Maat.

Após sucessivos rituais guiados pelo Magus do Aeon de Maat e as Crianças de Maat, Andahdna superou e atravessou com sucesso seus ordálios, o que deu a ela poderes mágicos possibilitando-a a atingir a Visão de Maat e elaborar um sistema altamente pessoal de magia que ela reconheceu como outro aspecto da magia thelêmica. Este sistema foi desenvolvido quase que inconscientemente após a recepção de Liber Pennae Praenumbra. Considerações importantes sobre o Grimório de Maat e o sistema de magia desenvolvido por Soror Nema (Andahadna) podem ser encontrados nos livros Outside the Circles of Time (Capítulos 12, 14, 15, 16, 17 e 18) e Beyond the Mauve Zone (Capítulos 9, 10 e 11), ambos de Kenneth Grant.


Liber Pennae Praenumbra
Tradução de Hilton Seawright28
Revisão de Fernando Liguori


1. No Akasha-eco é isto inscrito:

2. Pela mesma boca, Oh Mãe do Sol, é suspirada a palavra e o néctar recebido. Pela mesma respiração, Oh Contrapeso do Coração, é o manifesto criado e destruído.

3. Mas há um portão, embora lá pareçam ser nove, Mímico dançarino das Estrelas. Quão formosa tua teia e tecido, reluzente no fogo-escuro do espaço!

4. Os dois que são nada te saúdam, Chama Negra que move Hadit! Quanto menos Um cresce, quão mais Pra-NU pode manifestar-se. Fale a nós agora, as crianças do tempo-por-vir; declare sua vontade e concede nos seu Amor!

5. Então falou Aquela-que-Move:

6. Eu despejo sobre vocês, Crianças de Heru! Todos vocês que amam e guardam a Lei, Nada guardando para si mesmos, são abençoados. Vocês tem procurado os pedaços espalhados de Nosso Senhor, nunca cessando para montar tudo que tem sido. E no Reino dos Mortos vocês procriaram do Morto o Iluminado. Vocês deram a luz e O alimentaram.

7. Tua Terra de Leite deve também ter o mel, deixado cair como orvalho pelo Ginandro Divino. O prazer e deleite estão no Trabalho, o Todo excedendo as Partes juntas.

8. O Senhor das Partes é colocado dentro seu reino, como feito pela Besta e pelo Pássaro. A terra do Sol é aberta às Crianças. Atenção a Criança Eterna - seu Caminho está fluindo livre e adaptado à Natureza de sua existência.

9. Uma Voz gritou no Eco De Cristal:

10. Que significa essa demonstração? É o Tempo em Si Mesmo esperado? O Falcão tem voado mas três pontos e dez em Seu curso acumulados!

11. Ela sorri, linda como a Noite:

12. Observe, Ele espalha Seu atame ainda em voo, banhando e agitando a Luz Dourada sobre os corações dos homens. E em que Ele voa, e por que meios? A Pena e o Ar são Seus para cavalgar, para auxiliá-lo sempre em seu IR- indo.

13. Os postes das idades são imutáveis, firmemente eles são Set. O Dia do Falcão está amanhecendo, e verá sua devida medida segundo as Leis de Tempo e Espaço.

14. A Voz então falou:

15. Então a Visão falhou? Eu Os observo deformados, pensando em ti como sendo Quem Tua arte Não é?

16. Ela dançou e girou, espalhando a luz das estrelas em sua risada silenciosa.

17. Eu Sou Quem Eu pareço ser, às vezes, e então outra vez Eu uso um véu triplo. Não confunda! Acima de tudo, prevalece a Verdade.

18. Eu sou a Ilimitada. Quem lá está para me dizer não, para dizer, «Você não deve passar?» Quem realmente pode dizer, «Seu tempo ainda está por vir», quando o próprio Tempo é meu principal servo-criado, e Espaço o Major- domo de meu Templo?

19. Realmente, Oh Voz do Akasha, Eu sou os meios por que você fala. Pela mesma boca que respira o Ar, despejar palavras de dúvida. Então em silêncio, Me conheça. Pois Eu venho com propósito neste tempo, para auxiliar os Amantes do Falcão a voar.

A Palavra de Voo

20. Quem hesita no Voo deve por isso cair: a grandeza dos Deuses está no IR- indo.

21. Quando pela primeira vez vocês voaram, Amados de Heru, quebraram a concha que longamente os protegeu. Sobre as Asas da Vontade vocês se aventuraram, ganhando vigor e força vocês voaram. Vocês ganharam todo conhecimento do Reino Emplumado, pelo que se tornaram perfeitos como o Sol. Todos os amigos e professores se tornaram irmãos.

22. O Cisne real, a Garça e a Coruja - o Corvo e o Galo lhes ajudaram. A Beleza do próprio Falcão foi concedida, as virtudes do Pavão, o Colibri e Pombo. A Águia revelou sua natureza interior e seus mistérios - observem, vocês testemunharam como, com seu Leão, ela se tornou o Cisne. E o Íbis do Abismo mostrou o Conhecimento.

23. Vocês voaram, Oh Reis e Eremitas! E voaram mesmo agora, dentro do encanto curvado de NU. Mas há aqueles dentre vocês, e abaixo de vocês, que laçariam suas asas e os arrastariam do céu.

24. Olhem bem fundo! Julguem seu Coração corretamente! Se vocês são puros, ele não pesa mais que Eu. Isto não os trará para dentro do Abismo. Pois Ouro é Luz, mas Chumbo é fatal quando em voo - observe suas próprias profundidades, em Verdade e em autoconhecimento.

25. Se de alguma forma poderiam impedir-lhes, estão fazendo. Observe agora este ensinamento dentro do Templo.

26. Assim dizendo, Aquela-que-Move assumiu a forma da grande Chama Negra, crescendo do tronco central e ondulando dentro do Vazio. As Crianças de Heru observaram em silêncio, e escutaram Suas palavras formarem-se em seus corações.

27. Observe! Esta lente de Estrelas voltando agora no Espaço frente a vocês - os homens a nomearam corretamente como Andromeda. Através delas fluo para a Lua do Cão sagrado, e dali a Ra, e dali a vocês, Oh Sacerdotes.

28. Vocês não devem descansar satisfeitos enquanto no Reino, mas lutar e assim exceder o que é feito. Em Amor da Dama do Norte, e em Vontade do Príncipe do Sul, fazei que cada coisa seja. Na força da Estrela de Sete-raios devem compreender a Besta. E desde HAD do Coração se deleitarem na tua querida estrela-arcada.

29. Faça tudo isto, e então, vá além. Abandone qualquer coisa que possa te distinguir de outra coisa, sim, ou de nenhuma-coisa. Se o caçador poderia te laçar, deixe teu manto-de-penas balançar em sua mão e seja invisível e nu para além!

30. Mas agora! Como sacerdotes dentro do Templo vocês estão aqui, como Reis, e Guerreiros, todos Magos. O Caminho está no Trabalho.

31. O Oculto do Abismo agora dá os dois onde está escrita a mais alta Alquimia: apoiando a Terra está Chthonos - aprenda bem, e todos devem se perder para o trabalho da Vontade. Espírito Elevado, lá está Ychronos, cuja natureza é duração e a passagem.

32. Os dois são um, e formam a essência do Reino. Quem os domina é Mestre do Mundo. Eles são as chaves completas da Transmutação, e chaves da força dos outros Elementos.

33. Os Guerreiros-Sacerdotes receberam as Chaves, e as colocaram dentro de seus robes, para mantê-las bem ocultas acima de seus corações. A Chama Negra dançou e decaiu, se tornando pequena, uma caneta de pena, emplumada e pontiaguda. Não tendo nada sobre o que escrever, um dentre os Sacerdotes veio à frente, e pôs a pele de seu corpo sobre o altar como um pergaminho vivo.

34. Aquela-que-Move escreveu nisto uma Palavra, mas não colocou perante eles. Em paciência esperada todo os Reis e Eremitas, asseguraram a completa Compreensão final.

35. A Pena cresceu outra vez, e contornou suas margens, tornando-se para seus olhos o Yonilingam. A imagem veio do Antigo Baphomet, O Chifrudo, que falou:

36. Há tempos vocês sabiam a Chave dos Dois-em-Um unidos. Vocês viveram e amaram completamente como NU e HAD, como PAN e BABALON. O Mistério de minha própria imagem vocês também conhecem, como era uma Verdade para as antigas Ordens do Leste e do Oeste.

37. Bipartida tem sido a Raça dos Homens em sua época. O Pai e a Mãe fizeram uma Criança. Eu sou a mais antiga das Crianças, verdade - mas agora os jovens ascendem para Seu Dia.

38. A natureza da verdadeira Alquimia é que isto muda não só a substância do Trabalho, mas muda então também o Alquimista. Vocês cuja Vontade é Trabalhar por esse meio, observem minha imagem inversa, e considerem bem seu significado para tua Tarefa.

A Demonstração da Imagem

39. De fora do Yonilingam soprou uma Nuvem, violeta e lampejante. No coração nublado um som surgiu, vibrando macio, preenchendo toda parte.

40. Adornando e reluzindo luzes-arco-íris das asas, pairaram no meio de uma humilde ABELHA. Listada de ouro e marrom, suavemente peluda e encurvada na forma, brilharam seus olhos sobre os Sacerdotes e Reis reunidos.

41. Falou então Aquela-Que-Move fora da névoa circundante:

42. Isto é o símbolo do Trabalho-por-vir, o Grande Ginandro em sua forma Terrestre. O Mago deve crescer por sobre a ABELHA como o Aeon desdobra, um líder e um sinal sobre a Raça dos Homens.

43. Que então nos mostra a ABELHA de sua natureza?

44. Observe, isto não é masculino nem feminino no singular. Trabalha de dia em voo constante, um fazedor sem ego, cuja vontade e a Vontade da Colmeia são uma.

45. Coleta o néctar da flor, voa para a Colmeia e lá, em pura ComUnhão, faz seu corpo Transmutar.

46. O néctar agora é mel. Abelha para abelha, ele é transferido, falando todos os Mistérios da Colmeia de e para cada boca. Pela mesma boca que primeiro coletou, é o mel consumido, a Alquimia secreta dentro dos Centros se tornando Ouro Prateado.

47. A Colmeia agora vive, imortal. Com rainha e trabalhadores, zangões e operárias, soldados e madrastas - todos são um. Em constante renovação da vida, a Colmeia respira como Um Ser - pois realmente é isto. Na Vontade da Colmeia está preenchida a Vontade da Abelha. Cada uma em seu lugar, as Abelhas trabalham sua Vontade em ordenada harmonia.

48. A imagem desaparece. Agora a equilibrada Pluma se move numa dança elegante, abrindo as longas asas, tomando a forma do escuro Abutre.

49. Mas saibam, Oh Crianças do Falcão, um Homem não é uma Abelha. Ele pode se beneficiar desta imagem, para aprender da Sabedoria no Trabalho. Observe em Mim outra imagem para instruir teu coração.

50. Ergueu-se ante seus olhos a Torre do Silêncio, em que os Amantes do Fogo depositam seus mortos.

51. A forma do Abutre desceu suavemente, e comeu a carne dos cadáveres, até o osso. O vento uivou, desolado, neste lugar medonho, agitando as mortalhas sobre o esqueleto de marfim.

52. Silenciosamente, O Alado olhou, o bico sujo de sangue. Dentro dos olhos de cada Sacerdote lá reunido, seu olhar pernicioso procurou. Em paz perfeita eles observaram sua pesquisa, pois cada um, como Guerreiro, tinha feito da Morte um irmão. Então deliberadamente, ele abriu suas asas, pegou o vento, e decolou daquele lugar.

Entrega da Palavra

53. Eternidade então reinou, Infinito o véu que penduraram sobre eles.

54. Em Algum Lugar, algum dia, o véu se abriu por um momento, e Aquela-que-Move passou. Mais atrativa que qualquer mulher mortal havia sido, Ela irradiava um brilho de pérola e ametista. Bem dobrado linho foi Seu vestido, cingido em ouro e prata, e em Sua cabeça, uma nêmese de estrelado azul. Sua coroa era uma única pluma, livre erguida, e em suas mãos o Ankh e a Vara da Cura.

55. Sobre cada Guerreiro-Sacerdote ela se moveu, os abraçou e os beijou. Então, pousada no meio, Ela falou como um camarada do mesmo nível.

56. «Todos vocês que praticam a Alta Arte, escutem. Nada deve haver escondido de tua vista. Todas as formulas e Palavras vocês devem descobrir, sendo iniciados por aqueles que Trabalham para ajudar a Lei da Vontade.

57. «Vocês trabalham bem em tudo que tem sido dado; sobre a Árvore da Vida são vocês encontrados. No Tetragrammaton vocês continuaram; tudo que a Besta deu vocês praticaram corretamente. Vocês tornaram-se Hadit, e NU, e também Ra-hoor-khuit. Como Heru-pa-kraath vocês continuam em silêncio. Vocês conhecem PAN como amante e como deus, e BABALON é noiva e Mesmo Ser de você.

58. «Vocês engendraram as forças de Shaitan, extraindo o nexo do noventa e três para trabalhar sua Vontade. Separação para o prazer de União vocês conheceram, e Alquimia é Ciência para sua Arte.

59. «Para aqueles que sabem, e vão, e ousam, e se mantém em silêncio, isto adicionará agora.

60. «Na morte está a Vida - agora como sempre tem sido. A Morte Querida é eterna - guarde isto. Pessoa de Ego, filho de si nascido de Maya, deve ser assassinado no momento do nascimento. O Olho que não dorme deve manter vigília, Oh Guerreiros, pois a ilusão é auto-gerada.

61. «Observação constante é o primeiro Ato - o Abismo é cruzado em minutos, todo dia.

62. «Se vocês podem dançar a Máscara, então mascarem a Dança. Seleta deve ser a Arte nesta instrução; e equilíbrio no Centro seja mantido, ou senão dareis inusitada Vida a tuas próprias criações. Trilhe cuidadosamente este caminho de Trabalho, Mago. Uma ferramenta, por Desejo imaginado, faz um mestre doente.

63. «Agora na Missa, a Águia deve ser alimentada sobre o que ela tem compartilhado a fabricação. Pela mesma boca que ruge sobre a montanha, é a palavra-ato de Nenhuma Diferença dada.

64. «E quando a Vontade declara, deverá se agrupar à ABELHA para somar o ouro ao vermelho e ao branco. A essência de Shaitan é Néctar aqui, o Templo é a Colmeia. O Leão é a Flor, agora é o momento, a Águia invoca a natureza da ABELHA.

65. «Dentro da câmara-tripla do santuário é o primeiro néctar colhido. A convocação da vara de PAN desperta a felicidade do portal se abrindo. E da terceira e mais íntima câmara, em prazer supremo, o presente de Sothis, Licor quintessential de mel e água, reunidos para unir lágrimas-de-Águia e sangue-de-Leão.

66. «Solve et Coagula. ComUnhão por esse meio, de que o próprio Cosmos dissolve, e re-forma por Vontade. E saiba, se de qualquer forma pode ser ordenado no Reino, que três ou mais é zero, assim como as antigas verdades.»

67. Então se agitaram os Guerreiros-Sacerdotes, e de seu número, um inominável se adiantou.

68. «Nós os conhecemos, Senhora, não pronunciado Teu nome vem sendo. Mas diz agora - o que foi escrito na pele do homem? Qual é a palavra que tu destes?»

69. Ela sorriu e tirou de seu robe um pergaminho ressecado, formado como uma Estrela. Desenrolando, Ela o tornou, para que todos pudessem ver.

IPSOS

70. «Que é esta Palavra, Oh Senhora - como pode ser usada?»

71. «Em sabedoria silenciosa, Rei e Sacerdote-Guerreiro. Deixe a escritura brilhar e deixe a palavra ser oculta; a escritura é iluminação suficiente para velar a face.

72. «Isto é a palavra do vigésimo-terceiro caminho, cujo número é cinquenta e seis. Isto é a Permanência do não falado, em que a Dança da Máscara é ensinada por Mim. Tahuti observa sem Ape; Eu sou o Abutre também.

73. «Isto é o Cálice do Ar e a Vara da Água, a Espada da Terra e o Pantáculo de Fogo. Isto é a ampulheta e a serpente mordendo a cauda. Isto é o Ganges se tornando Oceano, o Caminho da Criança Eterna.

74. «Isto nomeia a Fonte de Minha Própria Existência - e da sua. Isto é a origem desta transmissão, que canaliza através de Andromeda e Set. Que raça de deuses fala aos homens, Oh Queridos? A palavra deles é ambos o Nome e o Fato.

75. «Isto é para teu mantra e encantamento. Falar é efetuar certa mudança. Seja prudente em seu uso - pois se a verdade for conhecida no exterior, isto poderia porventura dirigir os escravos para loucura e desespero.

76. «Apenas um verdadeiro Sacerdote-Rei pode conhecer completamente, e ficar em equilíbrio em seu IR-indo voo. Isto é tudo que falo por enquanto. O Livro da Ante-Sombra da Pena está completo. Faze que tu queres há de ser tudo da Lei. Amor é a lei, amor sob vontade.»

Donat pelo Omne
Scriba - Nema
Sol in Capricornus
Anno Heru LXX
Cincinnati



Notas

1. Liber AL vel Legis I: 37. Também conhecido como O Livro da Lei. Esse é o grimório fundamental da Corrente Theriônica. Daqui em diante ele será referido apenas como AL.

2. Termo sânscrito masculino. A tradução literal é lugar. Designa o aethyr, o elemento éter, mas também significa ar, atmosfera, luz. O espaço sutil onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos humanos, desde os primórdios. É a memória da humanidade, patrimônio e herança de todos os Homens. Corresponde e transcende o inconsciente coletivo de Jung. Nos arquivos ākāśicos qualquer adepto familiarizado com a mecânica da transmissão e sintonizado com a corrente mágica pode ter acesso a esse grimório perdido de onde O Livro da Lei de Crowley, O Livro de Dzayn de Blavatsky, O Livro dos Nomes Mortos ou O Necronomicon de Al Hazred ou Al Azif, como ficou conhecido, o Liber Pennae Praenumbra de Soror Andahadna e o Liber OKBISh de Kenneth Grant são apenas extratos.

3. Concentração profunda no espaço da consciência. A palavra cidākāśa vem da raiz citta (consciência) + ākāśa (espaço). Portanto, espaço da consciência. Dhāraṇā significa concentração profunda ou mente unidirecionada.

4. Concentração total na chama da vela, na bola de cristal, em um yantra ou maṇḍala.

5. É a Corrente Mágica da Serpente de Fogo (kuṇḍalinī), a Corrente Mágica par excellence. Ela abarca todas as correntes definidas como Draconianas ou Tifonianas e representa o modo como a magia é empregada na reativação de todos os estados de consciência passados e futuros. Ela é conhecida aos ocultistas thelêmicos e maatianos como Corrente 93 por sua associação aos Great Old Ones (Poderosos Antigos) como Aiwass e pela fórmula mágica utilizada em suas invocações: Amor e Vontade (Ágape e Thelema) que, como Aiwaz, somam 93.

6. Termo hebraico. É a undécima zona de poder ou a assim chamada falsa sephira na Árvore da Vida. É o portal de acesso ao outro lado da Árvore, conhecida como a Árvore do Conhecimento ou Árvore da Morte. Através deste portal o magista tem acesso a zona-malva e as miríades de túneis e aeons (universos) fora dos círculos do tempo e espaço.

7. O AL fora transmitido a Crowley em três dias consecutivos, sendo um capítulo por dia, em 8, 9 e 10 de Abril de 1904, das 12:00 as 13:00, precisamente. Foi falado pela voz de uma entidade desencarnada que se identificou no curso da transmissão como «Aiwass, o ministro de Hoor-paar-kraat». Hoor-paar-Kraat significa literalmente «Herdeiro do Anão». O anão (kraat), em sua função oculta, é a «criança mágica» que concentra nos limites de si mesmo à vontade do magista. Ele é tipificado por Sirius «B», a estrela do «anão negro» de imensa concentração de energia que acompanha Sirius «A», representada por Ra-Hoor-Khuit. O Livro não possuía título. Crowley, entretanto, o intitulou provisoriamente como Liber L vel Legis. O texto faz alusão a si mesmo como o «triplo livro da Lei». «L» é a letra de Libra (glifo de Libra) e da Senhora da Balança, Maat. O «triplo livro da Lei» pode portanto ser interpretado como o «triplo livro de Maat».

8. Charles Robert John Stansfeld Jones, 1886-1950. Ele foi reconhecido por Crowley como seu filho mágico e a criança anunciada no AL.

9. Termo cunhado por Frater Achad que denota a fórmula da Manifestação (Manifestation) e a natureza do Novo Aeon que ele acabara de proclamar em 1948. Especificamente, o termo denota o Aeon de Ma, o aspecto menor ou aspecto filha do Aeon de Maat, o aspecto que se relaciona a Filha Negra ou das Trevas. Da mesma maneira que Seth é para o Aeon de Horus, Ma é para o Aeon de Maat ou o aeon de sua completa Manifestação (Manifestation).

10. O Octinomos, quer dizer, aquele que alcançou a mais elevada Consciência Mágica e declarou a Palavra do Aeon. É o Grau do Logos. O Magus pertence a segunda zona de poder na Árvore da Vida, Chokmah, a Esfera das Estrelas que nunca se põem.

11. Argenteum Astrum, a Estrela de Prata. Os ensinamentos da Ordem da Estrela de Prata são provindos da Estrela de Seth, Sirius. A A.’.A.’. surgiu dos detritos da Ordem Hermética da Aurora Dourada por volta de 1904, período em que Crowley estabeleceu contato com Aiwass, mas só abriu suas portas aos postulantes em 1907.

12. Talvez a maior descoberta de Frater Achad concernente ao O Livro da Lei seja a palavra AL (Deus) que, no alfabeto caldeu, soma 31.

13. Os detalhes dessa história podem ser pesquisados no livro Cultos das Sombras, Capítulo 8, de Kenneth Grant. Disponível neste blog. Também, do mesmo autor, Outside the Circles of Time, Capítulo 9.

14. Também conhecida como Soror Nema (Margaret Ingalls). No Brasil a primeira publicação de seu Grimório de Maat ou Liber Pennae Praenumbra foi em seu livro traduzido: A Magia Thelêmica de Maat, Madras Editora, 1999.

15. Este Magus foi identificado ser idêntico a Lam, a entidade que apareceu a Aleister Crowley no curso da Operação Amalantrah em 1918-19.

16. A pena é um glifo da pubescente, da emplumada, daquela que está prestes a voar, daquela que se eleva aos mais altos pináculos, daquela que voa através do espaço. Na mitologia Egípcia, a pena era um glifo que representava a Palavra da Verdade ou o Poder Mágico por meio do qual o corpo astral dos «mortos» viajavam com segurança através dos Túneis de Seth no Vazio do Amenta.

17. I.e o presente.

18. Andahadna nos papéis da Corrente Horus-Maat.

19. I.e a Corrente Theriônica ou Corrente Shaitan-Aiwass.

20. Dos papéis de Andahadna sobre a Corrente Horus-Maat. A Comunidade das Estrelas é outro nome para a Grande Fraternidade Branca na qual a humanidade irá entrar, conscientemente, quando cada indivíduo realizar profundamente que «Cada homem e cada mulher é uma estrela», AL I: 3.

21. Estas são operações de natureza essencialmente sexual. Sendo o VIIIº operações com a śakti-sombra e o IXº operações com a śakti objetivada. Estes graus de operação são comuns tanto a O.T.O. quanto a Loja Horus-Maat fundada pelos membros do Bosque das Estrelas & da Serpente em cooperação com Andahadna.

22. É interessante notar que a abelha ou o enxame de abelhas são símbolos que aparecem com frequência nas transmissões recebidas pelos Maatianos. A energização de sigilos como ensinada no Culto Zos Kia de Austin Osman Spare e Kenneth Grant e o zunido, como de abelhas, frequentemente acompanha o processo de ressurgência atávica de passados aeons para o presente. De acordo com a sabedoria oculta, o zunido de insetos, o grasnido dos sapos e o choro do bacurau denotam a presença dos Poderosos Antigos (Great Old Ones). Note que o nome árabe de O Necronomicon, Al Azif, significa «som noturno [feito por insetos] que supostamente acompanha o uivo dos demônios.» H.P. Lovecraft, citado em Lovecraft at Last, Conover, p. 104.

23. Pode ser significante aqui que o estado de Ohio, na época das invocações de Andahadna, teve alta incidência de uma quantidade incomum de aparições ufológicas. Naquela mesma época, ela estava imersa em uma série de terríveis ordálios que resultaram na perda de seu emprego, sua casa e toda forma de segurança, exceto seu relacionamento mágico com o Sombra. Mesmo assim, ela dissolveu seu relacionamento para entrar em um período de isolamento e angústia que a capacitaram a desenvolver um grau de sensibilidade no qual foi possível se tornar uma antena receptiva. Ela se tornou então um veículo perfeito para o influxo das correntes de ordem inversa do Aeon de Maat, tornando-se capaz de transmiti-las através de O Livro dos Esquecidos e Liber Pennae Praenumbra.

24. Uma técnica do VIIIº O.T.O.

25. O leão é um símbolo da energia fálico-solar. Thelema e Ipsos (93 + 696) são as correntes mágicas concentradas no número 789, a Mulher Escarlate no seu aspecto Draconiano.

26. Babalon e Therion se conjugaram.

27. Veja os papéis de grau do Monastério do Sete Raios, por Michael Bertiaux.

28. [Nota do tradutor]: Recomendo a leitura das «Notas e Comentários» feitos sobre este liber por Soror Nema. Tanto isto quanto os rituais podem ser encontrados em seu livro Maat Magick. Recomendo a leitura deste livro na versão em inglês, caso você venha a estudar mais seriamente. Minha tradução não está perfeita, é claro. Além disso, por se tratar de um livro «inspirado», o original deve ser mantido. Note também que eu fiz essa tradução a partir da versão do livro que se encontra na homepage de Soror Nema, que é diferente do livro. A versão on-line contém um ou dois versos a mais do que a versão impressa.



2 Comentários:

Blogger disse... 15 de novembro de 2016 21:55

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Blogger disse... 24 de novembro de 2016 15:37

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