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ELE DORME ALI HÁ SEIS MESES por natanael gomes de alencar

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Ele, o Banguelo, dorme ali há seis meses. Eles se acostumaram com seu silêncio e seu corpo apodrecido.
Quando o comércio fecha, eles se preparam pra dormir.
Surgem das nuvens da tarde.
Alguns de pés inchados.
Outros de dentes quebrados.
Outros com nariz sangrando.
Há umas poucas mulheres entre eles.
Mulheres abandonadas.
Que abandonaram vidas e homens.
Chegam alguns com garrafas debaixo dos braços.
Mas ele não bebe. Não mais.
O que Deus escreve quando lhes observa. De vez em quando um deles vê o Menino-Deus fumar maconha. E se pergunta sobre a mulher de Deus.
Dizem que só o cobertor não sente frio de noite.
O Zé Coto, sem braços e sem pernas arruma papelão não se sabe onde e faz o seu colchão.
Depois reza pra que não apareçam demônios e lhe deixem só a cabeça.
Ele, o Banguelo, dorme ali há seis meses.
A noite morre sempre. Não nas suas almas.

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