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SOMBRAS SOBRE ALMAS

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Antonio estava ali há muito tempo. Não incomodava ninguém. Viveu naquela chácara luxuosa desde o nascimento, há vinte e cinco anos.
Até que....se apaixonou perdidamente por Arlete, a filha mais nova da costureira, a única daquelas bandas nesta profissão, conhecida como Dona Suzana, que falava mal, pois possuía a língua cortada. O avô de Antonio a conhecera em outros tempos.
Arlete era tarada, ou seja, gostava demais de seu bichinho de estimação, o Tyrone. Trazia-o sempre bem protegido. 
Quando não dava pra ela ficar perto de seu animalzinho, deixava-o trancado no quarto.
Um dia, Antonio necessitou que Dona Suzana costurasse uma de suas calças. Foi até lá. Quem o recebeu foi Arlete.
Serviu-lhe um cafezinho com bolachas. Bolachas das baratas, sem qualidade e sabor. Mas isso pouco importava. Ficara encantado com a beleza da filha da costureira. E a menina também sentiu uma atração por ele. 
Começou a visitar todos os dias a costureira, fazendo encomendas necessárias e desnecessárias, com olhos na filha, naturalmente.
Os fatos foram assumindo cada vez mais sua inevitabilidade. 
Com o tempo, noivou, casou, mudou-se com a mulher para uma casa em Paranapiacaba. 
Ela, claro, pediu pra levar seu bichinho. Antonio não se opôs, apesar de uma certa antipatia gratuita. Foi tolerando o que ele chamava de "hamster", embora o animal só fosse parecido com um. Arlete lhe colocou num canto da cozinha e foi deixando. 
O tempo foi transcorrendo. A rotina foi tomando assento. Até que...a mãe.....
Bem, fazendo um flashback: o avô de Antonio, Dr. Leônidas, foi até o pai de Suzana, quando esta tinha nove anos, e trocou-a por um cavalo manco. Levou-a pra uma casa pros lados de Santo André, e fez de tudo um pouco com ela. 
Contavam que tivera uma família para os lados de Cubatão. Mas dela só restava um filho, criado pela avó.
Nas relações sexuais com a menina, tinha uma tara estranha: gostava de enfiar na mesma objetos estranhos, geralmente legumes, que ele cozinhava depois e comia com grande apetite.
Tal qual a filha, a mãe também gostava de bichinhos de estimação. Só que de bichos mais perigosos. Geralmente, bichos que estavam morrendo. Ela ia até eles e os melhorava com a imposição das mãos, dom inexplicável que se manifestara desde a mais tenra idade. 

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