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Entrevista com Lucas de Grammont, um pioneiro de duas cenas, Punk e Gótico em Fortaleza, CE.

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Lucas de Grammont é o escritor e poeta Luis Carlos de Oliveira Barbosa. Nascido em fortaleza, em 17 de abril de 1962, publicou poemas e outros escritos em jornais do Ceará, e participou de duas coletâneas de poesias- VII Prêmio Ideal Clube e Literatura 2004 (Prêmio Antônio Girão Barroso) - gênero poesia e IV Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia - edição 2008.


Em uma conversa despretensiosa e exclusiva com o nosso entrevistador e membro do blog O Submundo, Arthur Xenofonte, o poeta cearense Lucas de Grammont se mostra como uma pessoa humilde, bem humorada, que está longe de ser apegada a ditames deterministas de definições daquilo que é certo ou errado, do que é bom e o que não é ao contar a suas vivências como um ávido jovem punk e, mais tarde, como homem gótico e crítico de si nas ruas da cidade de Fortaleza. Fala de como construiu, sem querer, a sua própria aura de autor underground, ao escrever um tomo com versos coletados desde a chegada de seu primeiro computador até a definitiva publicação do "Diário de um Gótico", mesmo tendo de conviver com o medo constante do que uma desgarrada fama poderia lhe abater.


Espero que gostem.

~

Diário De Um Gótico


OS - Sr. Lucas de Grammont, primeiramente, obrigado por ceder seu tempo à mim e ao Blog O Submundo. Em segundo, Como surgiu a ideia de escrever o seu Livro?


LdG - a ideia surgiu em verdade como uma grande sátira aos oficialismos da literatura daí a linguagem empolada propositalmente e quase bíblica

OS - Existe alguma obra ou autor que você considera como uma importante influência para a sua obra?


LdG - As influências são fundamentais em tudo e inclusive na criação artística...cito "cantos de maldoror" do Conde de Lautrémont, pseudônimo de Isidore Lucien Ducasse, como a obra seminal não só do surrealismo mas de toda a poesia ocidental, principalmente para mim.


OS - E quanto ao movimento da segunda geração do romantismo e sua fama criada por seus autores chamados "poetas malditos", também tem uma parcela maldita em sua obra, ou considera que as escolas literárias devem permanecer em seu tempo?

LdG - A boa literatura é atemporal assim como a genialidade e tudo que visa não só substituir o que cânone consagra mas o que permanece a inovar não recuando diante das dificuldades e preconceitos

OS - O que você consideraria como "boa literatura" e em contra parte, o que seria a má literatura para você?

LdG - O "bom" sabemos é muito relativo mas podemos ter uma ideia ainda um tanto questionável de que "boa literatura" é toda a literatura que consiga ser nova e desbravadora com todas as suas influências através dos séculos desgastantes

OS - Como você basearia a sua obra, Diário de um Gótico, aos nossos leitores, seria ele mais um exemplo de uma boa literatura?

LdG - Mostro apenas influências, mas não sei catalogar o que escrevo... Só o tempo dirá.

OS - Sua obra tem alguma relação com as chamadas tribos urbanas de gótico que localizam-se nas grandes cidades do mundo, ou é algo a mais que isso?

LdG - Sim e não, quanto ao título "Diário de um Gótico" pode ser visto como uma brincadeira com os rótulos ou até mesmo uma crítica com o pré estabelecido. Pretendo que a obra seja mais que isso daí eu ter me utilizado de uma ampla gama de gêneros literários que vão de embate aos lugares comuns da taxada "poesia gótica".

OS - Você se consideraria um Gótico? E o que seria exatamente "ser gótico" para você?

LdG - me considero um gótico sim mas não gosto de falar que gótico é isso ou aquilo para que não vejam como uma fórmula a ser seguida por um gótico "mais velho e experiente"

OS - Quando te destes conta de que era um gótico, e como é essa cena em sua cidade?

LdG - em 2002 eu me vi gótico por conhecimento. quando digo por conhecimento é porque eu já vinha pesquisando a subcultura gótica desde a darkwave a coldwave e todo o pós punk. Na época de minhas pesquisas, eu ainda estava inserido no movimento punk fortalezense da época. A cena gótica por aqui começou mesmo com a banda Plastique Noir e seu público fiel, mas creio que nos anos 90, se não me engano, já podemos citar o gótico no ceará.


OS - Se a banda Plastique Noir fortaleceu a cena gótica local de Fortaleza no novo milênio, qual era a referência musical da cena punk ao qual você participou em Fortaleza?

LdG - a cena punk aqui em fortaleza foi,  e continua sendo diga-se de passagem, bem coesa e ativa e tínhamos duas vertentes que botavam ânimo na cena punk local que eram as casas do Amarildo, membro da banda Repressão "x" e do João Wilson da banda Os Podres. Tínhamos uma boa palylist de bandas autorais no underground punk made in ceará e assim nasciam os fanzines cujo lendário "Ecos Suburbanos" foi o primeiro zine do qual participei.

OS - O movimento punk de sua época é diferente do movimento punk da época atual? Embora fale-se de "coesão", hoje existem várias vertentes deste movimento, como Street Punks, Raw Punk, Hippies Punk, Punks Antifa, Punks Comunistas, Punks Anarquistas, Queer Punks, mulheres Punks etc, era assim também naquela época?

LdG - Tudo muda e claro a cena punk atual mudou e estão mais anárquicos e bem mais realistas pois naqueles tempos rolava uma certa ingenuidade utópica em meio a galera suburbana que só queria ouvir hard core e se embriagar aos berros. Naquela época o anarquismo ainda estava se inserindo na cena local e o zine "Ecos Suburbanos" foi o primeiro a ter uma página chamada "anarco-punk", mas isso de "Street Punk e "Punk Oi!" é tudo coisas de nazifascistas pra causar separatismos na subcultura punk atual.

OS - Quando você decidiu sair do universo ébrio cheio de ingenuidade da juventude Punk fortalezense de sua época?

LdG - Sempre briguinhas adolescentes movidas à bebida e hormônios típicos da idade, mas a subcultura do Pós-Punk  já vinha rondando a minha mente e o meu coração desde os tempos do David Bowie (Official) pioneiro no darkwave e pelo Ian Curtis e sua indefectível banda, Joy Division também. David Bowie e a The Doors com seu vocalista e poeta, e ainda o Velvet Underground e seu já saudoso Lou Reed e sua vocalista Nico são influências inesquecíveis da darkwave, é o que chamamos hoje de subcultura gótica, claro que não são as únicas influências, mas as principais que podemos afirmar com toda a certeza.

OS - Desde os seus tempos de Punk, até os dias atuais como Gótico, quais são as suas bandas favoritas?

LdG - Bandas e intérpretes que gosto são inúmeros no decorrer do tempo.
Bem vou citar três bandas gringas: Sex Pistols, The Clash e os modinhas dos dias de hoje os defuntos Ramones, algumas nacionais da cena pioneira nacional são: Ratos de Porão, Cólera, Mercenárias, Psikóze, Skizitas, Restos de Nada, Fogo cruzado, Olho Seco e Banda do Lixo.
Bandas do pós punk há uma infinidade mas em resumo drasticamente para: Siouxsie & the Banshees, Anja Howe & X Mal Deustschland, Ian Curtis & Joy Division, Morissey & the Smiths.

OS - sua juventude agitada e alcoólica, como Punk, e a sua vida adulta e tenra como gótico, tem reflexo em seus livro, como uma autobiografia em versos, ou o Diário de um Gótico é facilmente legível à qualquer mente que tenha o bom senso de debruçar-se sobre ele e enriquecer-se com sua leitura?

LdG - "diário de um gótico" é sobretudo  uma crítica despretensiosa aos rótulos impostos às subculturas e não só à subcultura gótica mas também por extensão a tudo de inovador no cenário artístico de todas as épocas e aos seus "artistas marginais" ou "malditos" sem fronteiras. Não é à toa que o término do livro "Diário de um Gótico", que é também uma brincadeira com o que se convencionou chamar de "diário" hoje em dia, é feito com um imenso desabafo em forma de poema em prosa por Vincent Willem van Gogh.

OS - A editora do livro, Editora 24 Horas, é de Fortaleza também? Ela tem o costume de publicar livros de autores desconhecidos (lê-se iniciantes)?

LdG - Não, ela é de São Paulo, ela é uma editora diferenciada, trabalha muito com a internet, mas a Editora 24 Horas, é bem exigente no que se refere a publicações inéditas também, sinceramente, prefiro achar que eles viram um diferencial em mim e em minha obra (risos).

OS - Como os interessados podem conseguir o seu livro?

LdG - Infelizmente eles não poderão, meu contrato com a editora já deve ter terminado a algum tempo, sempre tive um pouco de aversão à fama, por isso que desde o início da primeira tiragem em 2010 que não se relança mais ele. Fiquei com medo que ele acabasse virando mais um Best-Seller e acabasse em mãos de autores de novela da Rede Globo. Por mim, ele vai ser Underground até o fim (risos). 
Mesmo assim, ainda estou tirando os frutos de uma fonte de inspiração que me veio desde 2007 quando minha mãe comprou o primeiro computador da casa (risos)

OS - Para finalizar, quais as dicas e conselhos aos jovens e adultos que querem escrever o seu primeiro livro? E deixe suas considerações finais, agradecimentos e maldições se quiser.

 LdG - Eu só falo como alerta para que a pessoa não se encha de ilusões mas faça tudo com o prazer de escrever. Não procurem as grandes editoras de cara, claro, pois elas são bem competitivas e só publicam os autores grandes e conhecidos, então procure gente que inova como as pequenas editoras que estão sempre ligadas à internet e aos e-books também. no mais é não relegar os artistas malditos de todos os tempos e que o mundo venha a ser melhor um dia sem demagogias sem guerras para todos nós.Grato pela atenção de todos e salute!


Atenção: Toda a entrevista aqui foi feita por meios eletrônicos entre o perfil particular do entrevistador e do entrevistado em uma rede social que se encontra na rede mundial de computadores, qualquer alteração ou reprodução da mesma em outros meios, ou mídias não foi autorizado por nenhuma das partes.
Atenciosamente: O Submundo 

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