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A importância da disciplina no caminho espiritual

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Por: Frater Ursae Majoris

                         "Ego sum Via, Veritas et Vita" (João 14:6)

                         “Apega-te à disciplina, não a deixes! Conserva-a, porque ela é a tua vida!” (Prov. 4,13)

      Salutem Punctis Trianguli

      Disciplina (do latim disciplina) é o ato de se controlar a alguém ou a si próprio. A disciplina é uma ação em conformidade a uma ou mais regras, a diretriz pela qual o indivíduo se sujeita para estar em conformidade para com o todo ou meio em que ele vive ou deseja ser inserido. Pode ser uma adaptação ou um treinamento para tal.

      Senda, Sendeiro ou Caminho (espiritual), é o termo técnico empregado em escolas de religião ou filosofia esotérica para designar um percurso de progresso espiritual daquele que aspira à iluminação/redenção/salvação, à união com o divino (religare) que é:

      “Alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, lucidez ou consciência da realidade última, do divino, Verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta, intuição ou insight; e a crença que tal experiência é uma fonte importante de conhecimento, entendimento e sabedoria.”

      A chamada “reintegração do ser” para um estado mais elevado de consciência que o levaria a um estado de proximidade com o divino, ou a alguma espécie de iniciação. O caminho espiritual é uma trajetória solitária, mas pode ser praticado em comunhão com outros membros de mesma fé, ou escola/círculo/congregação onde o caminhante dedica-se a práticas ritualísticas e religiosas que o garantirão o estado espiritual necessário para obter o religare almejado e a paz em vida e na comunhão com os demais.

      A disciplina no caminho espiritual se faz necessária, mesmo para aquele que a pratica de maneira solitária, pois o espiritualismo, diferente do materialismo e hedonismo, procura tornar o homem um indivíduo melhor do que ele é por natureza (falho). Ao se condicionar a uma disciplina espiritual, o homem condiciona-se a coibir sua natureza animal para deliberar sobre questões mais elevadas de uma maneira rotineira. Ou seja, os estudantes caminhantes da Senda, ou Caminho Espiritual, precisam aderir às regras que implicam valores, formas de conduta e de pensamento e estas somente podem vir de duas maneiras, por seus educadores, pais ou professores da escola espiritual ou outra, ou pelo caminhar solitário em que o indivíduo aprende com seus próprios erros. Os limites implicados por estas regras não devem ser apenas interpretados no seu sentido negativo, ou seja, o que não pode ser feito ou ultrapassado. Devem, também, ser entendidos no seu sentido positivo: o limite situa, dá consciência da posição ocupada dentro de algum espaço social como a família, a escola espiritual e a sociedade como um todo.

      Orar, é uma forma de meditação e uma meditação é um pequeno passo para o autoconhecimento. Ao praticar certos rituais, ao resignar-se a certas orações, ao dedicar-se à caridade, ao amor, ao perdão e todas as questões e baluartes defendidos e estimulados pela religião, pela religiosidade e pela espiritualidade de modo contínuo, rotineiro e disciplinado, fará deste um indivíduo ilibado quanto à sua forma de agir, pensar, ouvir e falar. Há quem pratique uma disciplina espiritual apenas se fazendo presente em suas respectivas igrejas e templos religiosos onde, por um momento, cantam e comungam de sentimentos de amor e alegria, mas basta-os voltar para suas casas que já deparem-se com a realidade do dia-a-dia, e com os erros e cobranças dos outros, para esquecer totalmente a espiritualidade e a sua importância diária.

      A disciplina talha o caráter, aprimora as ações e coordena os caminhos pelos quais o seu praticante porá os pés durante a senda.

      A Igreja, desde o tempo de Jesus Cristo e dos Apóstolos, sempre pregou e defendeu a disciplina, ensinando que sem a moralização dos costumes não há santidade; que sem santidade não há salvação; que sem salvação não se pode entrar nos céus, pois lá todos são Santos e puros, a exemplo do Pai, nosso Deus e de Jesus, seu Filho amado, se estendendo a todos os Santos e Anjos. Jesus foi o primeiro do Novo Testamento a defender a verdade da disciplina e assim nos conclamou em seus ensinos: “Sede Santos, como é Santo vosso Deus”; “Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai, que está nos céus”; “Sede a luz do mundo e o sal da terra, para que os homens vejam vossas obras e glorifiquem a Deus”. Isso nos leva ao aspecto da restrição.

      “A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuseis tua esposa, se ela o quiser! Ó amante, se quereis, ide embora! Não há vínculo que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é uma maldição. Maldito! Maldito seja pelos aeons! Inferno!” – AL I:41

      Aleister Crowley disserta sobre isso e define a interferência na vontade do outro como o grande pecado, pois isto implica na existência do outro. O sofrimento, ainda segundo Crowley, consiste na dualidade. Ele pensava que possivelmente o significado ainda maior é aquele atribuído à vontade. Isso é uma declaração ou definição geral de Pecado ou Erro Crowleyano. Qualquer coisa que restrinja, impeça ou desvie a vontade, é Pecado. Ou seja, Pecado é o surgimento da Díada. Pecado é impureza.

      É mais do que comum ver em religiões e em algumas escolas místicas a restrição como atributo próprio da disciplina espiritual, pois é mais fácil condenar um ato que ter consciência e responsabilidade sobre os seus próprios atos. Se o caminhante da senda cai, não é por outro motivo se não por ele mesmo. Se ele coíbe-se de práticas para tentar caminhar no sendeiro ele não está a fazer nada mais do que enganar-se, ao passo que ele poderia aprender os próprios limites e fazer morrer as coisas mundanas dentro dele, que fazem papel de verdadeiros grilhões neste plano, como o vício e demais sentimentos provenientes do Desejo. Vide as Quatro nobres verdades, principalmente a que delibera sobre “A Realidade da Origem do Sofrimento” (Samudaya).

      "Esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensoriais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir."

      O caminho espiritual é uma parte da travessia que todos temos de passar neste planeta, como uma grande oportunidade de nos fazermos melhores, de evoluirmos, de entendermos os mais frágeis, respeitar os mais velhos, mesmo que alguns não mereçam esse respeito, de manter nosso autocontrole frente às situações impostas pela vida. Talvez as palavras “autocontrole” e “austeridade” sejam bons sinônimos à palavra “disciplina” quanto ao sendeiro.

      O que vivemos no plano real é uma consequência de nossa evolução espiritual, se passamos pelo o que passamos, não foi por outro motivo se não o, de nós mesmos no Plano Astral, de passarmos por isso para que pudéssemos aprender mais e melhorar ainda mais para além do que éramos nas vidas passadas. Nossa evolução, por conseguinte torna-se a capacidade que temos de sentir empatia, compaixão, amor e de dominar sentimentos (mais uma vez cabe aqui lembrar as palavras “autocontrole” e “austeridade”) como a raiva, vingança e ódio (Frutos do Desejo). O grande desafio, a grande disciplina está em conseguir controlar a si mesmo frente a essa realidade frenética da atualidade. Conciliar o viver aceleradamente, como pede o mundo, mas nos tornar ternos, amáveis, calmos e solidários uns com os outros para que possamos nos ajudar nos momentos de descontrole. Talvez as cidades sejam o problema.



      A disciplina reside em não se deixar levar pelos vícios, pela bebida, pelos maus conselheiros, pelas pessoas fúteis, em não deixar com que pessoas que possam lhe fazer mal, mesmo que indiretamente, continuem na sua caminhada. Discordo da frase “Diga-me com quem andas e te direi quem és”, pois esta é baseada na ignorância alheia. A disciplina e a convicção dos objetivos traçados não proporcionará que nada nos influencie a sermos como todos em um grupo são. Tanto espiritualmente como na realidade sabemos o que somos, onde estamos e para onde vamos e a importância de nossos atos frente aos outros, ao nosso próprio eu e corpo e também frente a Deus. O caminho espiritual permite que conheçamos a nós mesmos e consequentemente possamos nos abrir para o conhecimento e entendimento do outro, por isso, se eu pudesse vos apresentar uma colocação melhor a já exposta acima eu diria algo como: “Diga-me com quem tu andas que te direi que te julgarão erroneamente por isso, mas não te aflijas e continua o teu sendeiro que a tua salvação apenas a ti pertence".

Com os meus mais sinceros votos de Paz Profunda.

Frater Ursae Majoris

16/01/2016 E.'. V.'.
Vi: Sol 25° 30' Capricórnio: Lua 15° 44' Áries, Dia de Vênus, Hora do Sol, Lua crescente.

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