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Lua do Coelho (Rabbit's Moon) de Kenneth Anger

Arlequim e Pierrot
Esta é uma das criações de Kenneth Anger, cineasta americano vanguardista, mais delicadas, um dos únicos curtas experimentais pós Segunda Guerra Mundial a recriar com sucesso a aparência de uma lanterna mágica depois do século XIX.

Em 1950, Anger tentou o suicídio em Paris. Lua do Coelho (Rabbit's Moon) é uma transposição altamente poetizada desse incidente. A fábula do inatingível (a Lua), combina elementos de Commedia dell'Arte com mitologia japonesa. Iniciado, em 35 mm, no set pertencente a Jean-Pierre Melville, Rabbit's Moon foi abandonado depois de apenas alguns dias de filmagem, pois Melville precisava retornar ao seu estúdio. O filme inacabado foi armazenado na Cinemathèque Française e esquecido. Somente em 1970, Anger retorna ao projeto e, em 1972, realiza uma versão de 16 minutos. Ele o relançou, em 1979, encurtado e com uma trilha sonora diferente. A versão de 1972 de Rabbit's Moon apresenta uma trilha sonora composta de músicas pop dos anos 50 e 60: "There’s a Moon Out Tonight" do The Capris, "Oh, What a Night" do The Dells, "Bye Bye Baby" de Mary Wells, "I Only Have Eyes For You" do The Flamingos e "Tears On My Pillow" do The El Dorados. Já a versão de 1979 apresenta unicamente um loop de "It Came In The Night" de A Raincoat como trilha.

Filmado com um filtro azul e ambientado em uma clareira arborizada durante a noite, o enredo gira em torno de um palhaço melancólico e solitário, Pierrot, seu desejo pela lua (onde vive um coelho — um conceito encontrado na mitologia japonesa, dentre outras), e suas vãs tentativas de alcançá-la. Posteriormente, outro palhaço, cheio de confiança e energia (Arlequim), aparece e intimida Pierrot; em seguida, usando sua lanterna mágica, ele projeta uma imagem da Columbina, por quem Pierrot parece se apaixonar. Pierrot tenta cortejar a ilusória Columbina, sem sucesso, posteriormente, entra em um reino lunar místico no qual acaba morto.

Elenco:
André Soubeyran como Pierrot
Claude Revenant como Arlequim
Nadine Valence como Columbina



AUTORA:
LIZZA BATHORY
Blogueira d'O Submundo em tempo integral e estudante de Ciências Econômicas nas horas vagas.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
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TECHNICOLOR SKULL

Brian Butler tocando guitarra
Technicolor Skull é o nome de um projeto multimídia que integra luz, imagem e som, em tons potencialmente psicodélicos. Ao fundo imagens dos trabalhos de Kenneth Anger, figura mítica do cinema "underground" americano, enquanto Brian Butler maneja a guitarra elétrica e o próprio Anger toma conta do theremin. O projeto estreou no Donaufestival na Áustria, em abril de 2008, e posteriormente fez turnê pela Europa, sendo apresentado no Museu Nacional da Arte, Copenhagen, no Museu Serralves, Portugal, no Hiro Ballroom durante o 40º aniversário do Anthology Film Archive, New York e recentemente no Museu de Arte Contemporânea, Los Angeles.

Kenneth Anger e Brian Butler gravaram um vinil, com edição limitada de 666 cópias, intitulado bloodred 180 gram.



Inauguration of the Pleasure Dome (1954) — Curta de Kenneth Anger

cena de Inauguration of the Pleasure Dome
Neste sensual e complexo espetáculo, Shiva, Pan, Hecate, e Kali (entre outros deuses e figuras e mitológicas) valsam até o fim em elaborados cenários, em um misterioso ritual de vasta beleza. Anger continua suas investigações sobre o fascínio dos mitos colocando suas criaturas favoritas defronte uma com as outras num ambiente fantástico. Um psicodélico épico, baseado, em parte, nos escritos do ídolo de Anger, Aleister Crowley, THE INAUGURATION OF THE PLEASURE DOME deixa para trás qualquer referência à realidade.

SAIBA MAIS:

Inauguration of the Pleasure Dome é um curta-metragem de Kenneth Anger. O filme tem 38 minutos e foi filmado em 1954. Kenneth Anger criou duas outras versões para este filme, uma em 1966 e outra no final dos anos 70.

De acordo com o próprio Kenneth Anger, a expressão "pleasure dome" (que aparece no título do filme) surgiu de um poema de Samuel Taylor Coleridge, chamado Kubla Khan. Kenneth Anger sentiu-se inspirado para fazer este filme, logo após aparecer em uma festa de Halloween, chamada de "Come as your Madness."

Durante os anos 60, 70 e 80, este filme – principalmente, a segunda e a terceira versão – foi, diversas vezes, exibido nas universidades e galerias de arte estadunidenses.

A trilha sonora da edição original é uma perfomance completa da Missa Glagolítica, do compositor tcheco Leoš Janáček (1854 – 1928). Em 1966, uma versão re-editada, conhecida como 'The Sacred Mushroom Edition' foi disponibilizada. No final dos anos 70, uma terceira revisão, basicamente 'The Sacred Mushroom Edition' re-editada para se ajustar ao álbum Eldorado,
da Electric Light Orchestra, substituiu uma música de blues que Anger achou que não se encaixava no clima do filme.

As diferenças no visual da versão original de 1954 com as outras duas, são pequenas.

No elenco, o filme traz a autora Anaïs Nin, no papel de 'Astarte'; Marjorie Cameron, no papel de 'A Mulher Escarlate'; o cineasta Curtis Harrington, e também o próprio Kenneth Anger.

O filme reflete o profundo interesse de Anger por Thelema, como é indicado pelo papel de Cameron como "A Mulher Escarlate" (como Crowley denominava suas parceiras magickas).

O filme usa algumas cenas de L'Inferno, filme mudo italiano, de 1911. Perto do final, cenas do filme Puce Moment, de Anger, são interpoladas com imagens e faces em camadas.

ELENCO:
Samson de Brier como Shiva, Osiris, Nero, Cagliostro, e Aleister Crowley (creditado como "A Grande Besta 666");
Marjorie Cameron como A Mulher Escarlate e Kali;
Joan Whitney como Afrodite;
Katy Kadell como Isis;
Renate Druks como Lilith;
Anaïs Nin como Astarte;
Curtis Harrington como César, o sonâmbulo;
Kenneth Anger como Hecate;
Paul Mathison como Pan;
Loome como Ganimedes.


JACK PARSONS — OPERAÇÃO BABALON

Marjorie Cameron
O escritor, pioneiro cientista de foguetes e ocultista Jack Parsons, iniciou uma série de cerimônias magickas em 2 de março de 1946, concebidas, essencialmente, para alcançar uma manifestação de uma encarnação individual do arquétipo divino feminino, chamado Babalon, bem como para catalizar o surgimento desta força, existente latentemente em todos os homens e mulheres, na sociedade.

Durante a cerimônia o escritor e companheiro magicko L. Ron Hubbard, que mais tarde fundou a Cientologia, atuou como escriba anotando os resultados dos trabalhos magickos. Quando Parsons declarou que a primeira série de rituais estava completa e bem sucedida, ele, quase que imediatamente, encontrou Marjorie Cameron em sua própria residência, e a identificou como criação de seu ritual, considerou-lhe sua "Mulher Escarlate", e logo começou a próxima fase de suas séries — uma tentativa de conceber um filho por meio de trabalhos de magia sexual. Embora nenhuma criança tenha sido concebida, isto não afetou o resultado do ritual a este ponto. Parsons e Cameron logo casaram-se.

Os rituais performados foram amplamente desenhados em cima do sistema magicko Enoquiano do Dr. John Dee e Sir Edward Kelley. Eles também foram fortemente baseados em rituais e magia sexual descritos pelo escritor inglês e mestre ocultista Aleister Crowley, que por sua vez tomou emprestado muitos aspectos para sua Babalon da combinação da deusa babilônica Ishtar com a figura da Misteriosa Babylon, a "Grande Prostituta" do bíblico Livro do Apocalipse.


Após a morte de seu marido, Cameron tornou um ícone da Cena Beat em Los Angeles. Kenneth Anger a colocou como sua Mulher Escarlate em sua underground obra-prima "Inauguration of the Pleasure Dome". Muitos pensavam que ela era uma bruxa. Aqui está uma amostra de sua arte com comentários de seus amigos, o escultor, George Herms e, os diretores, Kenneth Anger e Curtis Harrington.



FIREWORKS, DE KENNETH ANGER — UM DOS MAIS SUBVERSIVOS FILMES DA DÉCADA DE 40

Marinheiro segurando Kenneth Anger no colo, uma alusão à Pietà de Michelangelo
Fireworks é um audacioso curta-metragem homoerótico lançado em 1947 por Kenneth Anger, que recebeu grandes elogios até mesmo do lendário Jean Cocteau, artista polivalente (teatro, cinema, pintura).

Influenciado por outro jovem cineasta Willard Maas, e convencido, através do uso de drogas (maconha e peyote, em primeiro lugar) da urgência para fazer um filme que rasgasse os limites da decência, Anger filma e protagoniza o trabalho, em 16mm e absolutamente sem diálogos, na casa de seus pais, em Beverly Hills, durante um fim de semana enquanto eles estavam fora.

Como sinopse, Kenneth diz: “A dissatisfied dreamer awakes, goes out in the night seeking a 'light' and is drawn through the needle's eye. A dream of a dream, he returns to bed less empty than before.” (Algo como: “Um sonhador insatisfeito acorda, sai à noite procurando uma luz e é arrastado através do buraco de uma agulha. Um sonho de um sonho, ele volta para a cama menos vazio que antes.”)

Adicionando mais tarde: “This flick is all I have to say about being 17, the United States Navy, American Christmas, and the Fourth of July.” (“Este filme é tudo o que tenho a dizer sobre ter dezessete anos, a Marinha dos Estados Unidos, o Natal americano e o quatro de julho.”)

Devido a censura americana, Anger foi preso sob acusação de atentado ao pudor após o lançamento do filme, no entanto, na Suprema Corte da Califórnia, ele afirmou tê-lo gravado quando tinha dezessete anos, ou seja, ainda menor de idade, quando na verdade ele tinha vinte anos. Em 1958, uma ação judicial foi movida contra o gerente do Coronet Theatre de Los Angeles, Raymond Rohauer, por exibir o filme. O caso tornou-se “um épico julgamento por obscenidade” e o mesmo declarou que Fireworks é arte.

Anger recordaria mais tarde que Kinsey foi o seu primeiro cliente, já que ele comprou uma cópia de Fireworks quando se encontraram pela primeira vez em 1947. Após uma ampla troca de cartas entre os dois, Anger concorda em ser filmado por Kinsey durante atos de masturbação, a fim de doar a gravação para sua pesquisa.

ENREDO

O filme aparenta ser um sonho dentro de um sonho. Começa com o marinheiro a carregar o rapaz no colo. O rapaz acorda insatisfeito com o sonho aparentando que queria obter uma ereção e tirar o máximo de prazer dela. Ele veste-se e arranja-se para sair e entra numa porta que diz GENTS.

Nessa porta está um marinheiro semi-nú a exibir os seus músculos, o rapaz pede lume, ao que como resposta é agredido, noutro quadro o marinheiro retira da lareira o lume suficiente para lhe acender o cigarro… o marinheiro sai… Ele fuma o cigarro… observa a noite no cais e de repente um grupo de marinheiros abordam-no e agridem-no consecutivamente, a dor aumenta cada vez mais a excitação do rapaz que paralelamente imagina situações de sadomasoquismo até atingir o clímax do seu sonho e terminar com a figura salvadora do marinheiro que o salva e o carrega no colo. A presença do marinheiro é vista como o anjo da guarda que o salva de todo o sofrimento e o carrega, estando sempre onipresente, mesmo inconscientemente. (The Porcupine Lair)



AUTORA:
LIZZA BATHORY
Blogueira d'O Submundo em tempo integral e estudante de Ciências Econômicas nas horas vagas.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
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