Mostrando postagens com marcador biografias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador biografias. Mostrar todas as postagens

A orgia de Marquês de Sade

Ninguém jamais recebeu o convite ao lado. Os quatro meses passados no ermo castelo Silling, no qual 48 pessoas se enclausuraram para praticar as mais devassas orgias, existiram apenas na mente de Donatien-Alphonse-François de Sade. E fazem parte da obra mais famosa do francês conhecido como Marquês de Sade, Os 120 Dias de Sodoma. Esse e outros livros, pornográficos e libertinos, tiveram papéis contraditórios na vida de seu autor. Por um lado, o transformaram, muitos anos após sua morte, em um gênio precursor de correntes filosóficas e autor de obras consideradas à frente de seu tempo. Mas, por outro, são responsáveis pela confusão que se faz entre sua vida e sua obra.

A vida

Não que Sade fosse santo. O homem que deu origem à palavra “sadismo” e passou um terço de sua vida preso teve, sim, suas experiências sexuais um tanto incomuns. E era um grande mulherengo. Mas não fez diferente de outros nobres de sua época.

“Libertinagem é uma palavra típica do século 18 e ‘libertino’ é um tipo social da época”, afirma Eliane Robert Moraes, professora de Estética e Literatura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “O libertino era um aristocrata que desafiava os valores dos homens e de Deus”, diz Eliane, que é autora de, entre outros, Lições de Sade – Ensaios sobre a Imaginação Libertina.

Sade tampouco fez o que escreveu. Sua literatura deu abertura para uma série de mitos construídos sobre si. Como o de que, por exemplo, teria passado seus últimos dias encarcerado solitário, escrevendo com sangue e com as próprias fezes para substituir a pena que havia sido tirada dele, como mostra o filme Contos Proibidos do Marquês de Sade, de 2000. Na verdade, ele passou o fim da sua vida – tão obeso que os movimentos eram prejudicados – em um manicômio, mas ao lado da mulher e de uma amante, e escrevendo muito.

Sade era, antes de tudo, um nobre. Filho de um conde diplomata e militar, ele nasceu em junho de 1740 no palácio de La Coste, em Paris. Seguiu a carreira militar e, aos 16 anos, lutou na Guerra dos Sete Anos, na qual a França e a Áustria disputaram com a Inglaterra e a Prússia territórios e destinos comerciais. Quando voltou do conflito, foi obrigado pelo pai a casar-se com Renée-Pélagie de Montreuil. Filha de uma família de nobreza recente e com influência na corte, Renée tinha dois problemas, que se tornariam as perdições da vida de Sade: uma mãe muito poderosa e uma irmã mais jovem e mais bonita.

O primeiro escândalo na vida do marquês ocorreu cinco meses após o casamento. Em outubro de 1763, foi acusado pela prostituta Jeanne Testard de obrigá-la a renegar Deus e a realizar “atos de sacrilégio” com imagens cristãs enquanto mantinham relações sexuais. Acabou preso, mas, graças à influência da sogra, ficou na cadeia menos de um mês. A sogrona ainda o livrou da forca em 1772, quando Sade intoxicou uma prostituta – em uma festinha, ofereceu à infeliz um bombom com um licor afrodisíaco e ela quase morreu.

Sua esposa sabia de suas traições, mas, mesmo assim, manteve-se a seu lado por 27 anos, além de dar-lhe três filhos. Um deles, Donatien-Claude-Armande, queimou quase todos os manuscritos e correspondências do pai após sua morte. Se Renée fechava os olhos para as escapulidas do marido, o mesmo não fazia sua mãe. De protetora, a sogra passou a perseguidora quando Sade revelou que mantinha um caso com a cunhada, Anne-Prospère. O casal fugiu para a Itália. Ela conseguiu localizá-los e pediu ao rei da Sardenha em pessoa, Carlos Emanuel III, que expedisse uma ordem de prisão contra o marquês – embora sem acusação alguma. A sogra ainda se incumbiu das despesas de seu cárcere forçado na fortaleza de Miolans, em Savóia, entre a Itália e a França. Em abril de 1773, o marquês conseguiu fugir.

Em 1775, outra confusão. Uma orgia envolvendo empregados do castelo, Sade e a própria mulher, Renée, veio à tona. O processo foi aberto pelo pai de uma das criadas que participaram da festa – além de enfrentar o marquês nos tribunais, ele deu dois tiros em Sade, que se salvou graças à má pontaria do atirador.

Em janeiro de 1777, a sorte do nobre mudou. A sogra conseguiu que o rei emitisse uma carta de prisão, chamada lettre de cachet. Dessa vez, por 13 anos. E também sem um crime propriamente dito.

A obra

Até então, Sade era apenas um cara com uma vida amorosa apimentada. Na prisão, isso mudou. Lá – onde, ao todo, passou quase um terço da sua vida, lendo muito –, produziu toda sua obra. Em 1784, foi transferido para a Bastilha, onde escreveu contos e novelas (cerca de 50) e produziu seu primeiro romance, Os 120 Dias de Sodoma ou a Escola da Libertinagem, concluído em apenas 37 dias. Em 2 de julho de 1789, 12 dias antes da tomada da Bastilha, Sade foi transferido para o Sanatório de Charenton sem poder levar nada. Morreu sem saber que seus manuscritos foram achados por um guarda e publicados – mesmo que apenas em 1935.

Se existe uma coisa que o autor Sade não faz é poupar seus leitores. Inspirado nas “sociedades do amor” formadas pelos aristocratas de sua época para satisfazer desejos sexuais, o marquês escreveu a história de uma comitiva que realiza em um castelo as mais bizarras experiências sexuais. Grande parte da obra é dedicada à pedofilia e à descrição de práticas coprofílicas – com fezes humanas.

Em 1790, Sade foi anistiado pela Revolução e deixou o manicômio. Foi quando Renée o abandonou. Dias depois, porém, o francês conheceu a mulher que seria sua companheira pelo resto de seus dias, Marie-Constance Renelle. E, com seus bens confiscados pela Revolução, envolveu-se na política: virou comissário para a administração de hospitais de um distrito de Paris. Três anos depois, voltou à prisão. A acusação agora era a de se recusar a punir e a condenar os réus: o marquês era mal visto pelos radicais revolucionários por sempre procurar o meio-termo e ser contra a pena de morte. Em liberdade, publicou A Filosofia na Alcova. No livro, conta a história de Eugénie, jovem que tem aulas de libertinagem em uma orgia entremeada por discussões filosóficas. Nele, faz uma irônica denúncia aos revolucionários. Acusado de “moderatismo”, escapou da guilhotina em julho de 1794.

Em março de 1801, com a França sob a batuta de Napoleão, Sade foi levado ao manicômio de novo – e nunca mais o deixou. Aos 74 anos, obeso, morreu em sua cela. Foi enterrado no cemitério de Charenton. Sua cova não tinha nenhuma inscrição, apenas uma cruz.

O legado

Apesar de produzir uma obra extensa – da qual apenas um terço foi publicado –, Sade foi um escritor pouco lido em sua época. “Ele sabia que o que escrevia não seria vendido na esquina livremente. Sempre foi um autor clandestino”, afirma Eliane Moraes. Assim ele permaneceu durante todo o século 19. Em 1834, uma edição do Dicionário Universal inaugura o termo “sadismo”, com o significado de “aberração horrível do deboche; sistema monstruoso e anti-social que revolta a natureza”. O nome só se torna famoso, porém, quando usado pelo psiquiatra alemão Richard Freiherr von Krafft-Ebing, num catálogo de psicopatias sexuais, em 1886.

Os livros de Sade chegaram a ser julgados pelos tribunais franceses em 1950, sob a alegação de afronta à moral e aos bons costumes. Aos poucos, artistas como Salvador Dalí e André Masson começam a se inspirar nas imagens sadianas de crueldade para compor suas obras. Para a filósofa e escritora Simone de Beauvoir, a filosofia radical de liberdade de Sade precedia o existencialismo em mais de um século. Há quem o veja, ainda, como um precursor do estudo do foco da sexualidade que permeia toda a psicanálise de Sigmund Freud. Após mais de dois séculos de sua morte, o marquês recebeu dos surrealistas o apelido de “divino”, entrando para o hall de gênios da literatura e da filosofia.

“Ele coloca uma questão fundamental: como lidar com nossas paixões mais cruéis para encontrar um ponto de superação e de civilização”, afirma Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores da Companhia de Teatro Os Satyros, que interpreta Sade desde a década de 1990. Ainda hoje o pensamento do marquês é provocador. Vázquez diz que a plateia de Filosofia na Alcova, montagem ainda em cartaz em São Paulo, sempre sai chocada. Não fosse assim, não seria Sade.

“Amigo leitor, prepara teu coração e teu espírito para o relato mais impuro já feito desde que o mundo existe.”*

Você está convidado a mergulhar num mundo em que tudo é liberado. Incesto, homossexualismo, orgias e demais violações das normas da sociedade.

Local: Castelo Silling
Data: 30 de outubro de 1784
Durante 120 dias, 44 pessoas se entregarão aos mais secretos – ou nem tanto – deleites de quatro libertinos.

Esqueça seus pudores, seus medos, seus questionamentos morais. Aqui não há lugar para eles.
(* FRASE DE SADE NA INTRODUÇÃO DE SEU LIVRO OS 120 DIAS DE SODOMA)

Mitos sádicos

Uma série de histórias nebulosar foi contada sobre o nobre francês - mas poucas são verdadeiras. Com uma vida amorosa repleta de traições e festinhas, várias prisões e uma literatura pornográfica, ele serviu frequentemente de bode expiatório para muitos crimes praticados por libertinos ricos e impunes de sua época. O próprio marquês confirmou, em uma das cartas que escreveu da prisão, em 1781, à esposa:
“Sou um libertino, eu confesso; eu concebi tudo o que se pode conceber nesse gênero, mas seguramente não fiz tudo o que concebi e certamente nunca farei. Sou um libertino, mas certamente não sou nenhum criminoso nem assassino”.

Vários crimes foram atribuídos a Sade, mas nunca provados. Eis alguns deles:
• Enviar um exemplar de seu romance Juliette (que contava a vida de uma moça que participa de orgias em um convento e relata cerca de 50 mil crimes) a Napoleão, que teria ateado fogo ao livro.
• Ser encontrado em uma sala com um homem morto colocado em um imenso pote de vidro com álcool. Ele teria matado o sujeito e dissecado o corpo.
• Em 1834, a polícia teria arrombado sua casa e o encontrado deitado no chão, bêbado, junto a seu criado, ambos estendidos sobre poças de sangue e vinho.
• Ser preso em flagrante quando tentava queimar uma mulher viva e nua em sua casa.
• Ter provocado, por intermédio de seus livros cheios de violência e crueldade, assassinatos – como o cometido por um suposto leitor, que teria matado uma jovem que cuidava do marquês no sanatório.

Cartas de um homem sensível
Correspondências revelam um sujeito angustiado e irônico

Preso durante um terço de toda sua vida, Sade se comunicava com o mundo por meio de suas cartas. Seja para as amantes, para a sogra, para a esposa ou para o rei Luís XVI, ele nunca deixou de escrevê-las. Nelas, o marquês se mostra um homem sensível, às vezes apaixonado, às vezes ciumento. Em uma biografia recente, The Marquis de Sade – A Life (“O Marquês de Sade – Uma vida”, inédita em português), o americano Neil Schaeffer traduziu centenas delas. Ele diz em seu site (www.neilschaeffer.com/sade) que “uma das melhores surpresas foi descobrir a riqueza, o humor e a humanidade genuína de suas cartas da prisão”. Muitas vezes seus relatos se mostram angustiados e revoltados, principalmente nas acusações à sogra. Em 1779, escreve a Renée:
“Então sua execrável mãe não tem ao menos pena das minhas condições, e, embora esteja completamente consciente de tudo o que enfrento, ela o julga necessário, apenas para instigar sua raiva e a de seus conselheiros, apunhalando-me pelas costas novamente, doente como estou. Ah, besta detestável!”

O marquês tem um humor refinado e, a seu secretário, escreve:
“Na França não se fala impunemente a respeito de uma puta. Pode-se falar mal do governo, do rei, da religião: tudo isso não é nada. Mas uma puta, senhor Quiros, com os diabos! (...) Por causa dela intrepidamente encerram um cavalheiro na prisão durante 12 ou 15 anos”.

Saiba mais
Livros

Sade – Vida e Obra, de Fernando Peixoto, Paz e Terra, 1979
O livro trata de aspectos curiosos da vida de Sade, assim como de sua obra. Peixoto conta de maneira cronológica a vida do marquês, entremeando análises de seus livros mais importantes.

Lições de Sade – Ensaios sobre a Imaginação Libertina, de Eliane Robert Moraes, Iluminuras, 2006
Eliane é uma das únicas especialistas em Sade no Brasil e, neste livro, versa sobre sua filosofia, sua importância para os autores contemporâneos e seu espírito libertino.

120 Dias de Sodoma, de Marquês de Sade, Iluminuras, 2006
Livro fundamental para a compreensão da obra de Sade, considerado sua obra-prima.

Filmes

Contos Proibidos do Marquês de Sade, de Philip Kaufman, 2000
O filme é beaseado nos últimos dias de Sade no hospício, quando encena peças com os internos.

FONTE: GUIA DO ESTUDANTE

Carl Jung sobre Richard Wilhelm (Autobiografia de C. G. Jung, Memórias, Sonhos, Reflexões, pp. 373-377)

Eu conheci Richard Wilhelm o conde de Keyserling, durante uma reunião da "Escola de Sabedoria" em Darmstadt. Isso foi no início dos anos vinte. Em 1923, nós o convidamos para Zurique e ele falou sobre o I Ching (ou Yi Jing) no Clube de Psicologia.

Mesmo antes de conhecê-lo eu estava interessado na Filosofia Oriental, e por volta de 1920 tinha começado a experimentar o I Ching. Num verão em Bollingen resolvi fazer um ataque total sobre o enigma deste livro. Em vez de hastes tradicionais de milefólio exigidos pelo método clássico, eu me cortei num monte de juncos. Eu me sentava por horas no chão embaixo da árvore de pêra de cem anos de idade, o I Ching ao meu lado, praticando a técnica, referindo os oráculos resultantes em um jogo de perguntas e respostas. Todos os tipos de resultados inegavelmente notáveis surgiram - significativas conexões com meus próprios processos de pensamento que eu não conseguia explicar a mim mesmo.

A única intervenção subjetiva na presente experiência consiste no experimentador arbitrariamente - isto é, sem contar - dividir o feixe de quarenta e nove hastes num único golpe. Ele não sabe quantos talos estão contidas em cada pacote, e ainda assim o resultado depende da sua relação numérica. Todas as outras manipulações procedem mecanicamente e não deixam espaço para a interferência da vontade. Se uma relação causal psíquica está de toda presente, ela só pode consistir na possibilidade de divisão do feixe (ou, no outro método, a possibilidade da queda das moedas).

Durante toda as férias de verão eu estava preocupado com a questão: são as respostas do I Ching significativas ou não? Se elas são, como é que a conexão entre o psíquico e o físico na sequência de eventos ocorridos? Uma vez e outra eu encontrei coincidências incríveis que pareciam sugerir a ideia de um paralelismo acausal (a sincronicidade, como mais tarde eu a chamaria). Eu estava tão fascinado por essas experiências que esqueci completamente de tomar notas, que depois me arrependi muito. Mais tarde, porém, quando eu frequentemente realizava a experiência com meus pacientes, tornou-se bastante claro que um número significativo de respostas, de fato, atingia a marca. Lembro-me, por exemplo, o caso de um jovem com um complexo materno forte. Ele queria se casar, e que tinha feito o conhecimento de uma menina aparentemente adequada. No entanto, sentiu-se incerto, temendo que, sob a influência de seu complexo poderia mais uma vez encontrar-se no poder de uma mãe esmagadora. Eu conduzi o experimento com ele. No texto de seu hexagrama lia-se: "A donzela é poderosa Não se deve casar tal donzela.".

Em meados da década de trinta anos eu conheci o filósofo chinês Hu Shi. Eu lhe perguntei sua opinião sobre o I Ching, e recebi a resposta: "Oh, isso não é nada, mas uma coleção antiga de magias, sem significado". Ele não tinha experiência com ele - ou assim ele disse. Apenas uma vez, lembrou-se, tinha se deparado com ele na prática. Um dia, em um passeio com um amigo, o amigo lhe contara sobre seu caso de amor infeliz. Eles estavam apenas passando por um templo taoísta. Como uma brincadeira, ele disse ao seu amigo: "Aqui você pode consultar o oráculo!" Dito e feito. Eles entraram no templo e perguntaram ao sacerdote pelo oráculo I Ching. Mas ele não tinha a menor fé nesse sentido.

Perguntei-lhe se o oráculo tinha sido correto. Ao que ele respondeu com relutância, "Oh, sim, era, é claro ..." Lembrando-me da conhecida história do "bom amigo" que faz tudo o que não quer fazer a si mesmo, eu cautelosamente lhe perguntei se ele não tinha aproveitado com esta oportunidade. "Sim", ele respondeu, "como uma brincadeira eu fiz uma pergunta também."

"E se o oráculo lhe deu uma resposta sensata?" Eu perguntei.

Ele hesitou. "Oh, bem, sim, se você quiser colocá-la dessa maneira." O assunto, obviamente, o deixou desconfortável.

Poucos anos depois de minhas primeiras experiências com os juncos, o I Ching foi publicado com o comentário de Wilhelm. Eu imediatamente obtevi o livro, e descobri, para minha satisfação, que Wilhelm teve a mesma visão das conexões significativas como eu tive. Mas ele conhecia toda a literatura que poderia preencher as lacunas que estavam fora da minha competência. Quando Wilhelm veio a Zurique, tive a oportunidade de discutir o assunto com ele longamente, e conversamos muito sobre a filosofia chinesa e religião. O que ele me disse, por sua riqueza de conhecimento da mentalidade chinesa, esclareceu alguns dos problemas mais difíceis que o inconsciente europeu havia posado para mim. Por outro lado, o que eu tinha a dizer-lhe sobre os resultados das minhas investigações sobre o inconsciente lhe causou nenhuma surpresa, pois ele reconheceu neles coisas que ele tinha considerado a posse exclusiva da tradição filosófica chinesa.

Quando jovem Wilhelm tinha ido para a China a serviço de uma missão cristã, e o mundo mental do Oriente abriu as suas portas largas para ele. Wilhelm era um espírito verdadeiramente religioso, com uma vista sem nuvens e previdente das coisas. Ele tinha o dom de ser capaz de ouvir sem preconceito com as revelações de uma mentalidade estrangeira, e esse milagre da empatia lhe permitiu fazer os tesouros intelectuais da China acessíveis para a Europa. Ele foi profundamente influenciado pela cultura chinesa, e uma vez me disse: "É uma grande satisfação para mim que eu nunca tenha batizado um único chinês!" Apesar de sua formação cristã, ele não poderia deixar de reconhecer a lógica e clareza do pensamento chinês. "Influenciado" não é bem a palavra para descrever seu efeito sobre ele, que o tinha dominado e assimilado. Seus pontos de vista cristãos recuaram para o segundo plano, mas não desapareceram totalmente, eles formaram uma espécie de reserva mental, uma condição moral que mais tarde viria a ter consequências fatais.

Na China, ele teve a sorte de encontrar um sábio da antiga escola que a revolução tinha expulsado do interior. Este sábio, Lau Nai Suan, apresentou-o à filosofia yogue chinesa e à psicologia do I Ching. À colaboração destes dois homens devemos a edição do I Ching com o seu excelente comentário. Pela primeira vez, este trabalho profundo do Oriente foi introduzido no Ocidente em uma forma compreensível. Eu considero a mais importante obra de Wilhelm esta publicação. Clara e inequivocamente ocidental como sua mentalidade foi, em seu comentário sobre o I Ching ele manifesta um grau de adaptação à psicologia chinesa, que é totalmente incomparável. Quando a última página da tradução foi concluída e as provas da primeira impressão foram chegando, o velho mestre Lau Nai Suan morreu. Era como se o seu trabalho fosse concluído e ele havia entregado a última mensagem do ancião da China para a Europa. E Wilhelm tinha sido o discípulo perfeito, a realização do desejo, o sonho do sábio.

Wilhelm, quando eu o conheci, parecia completamente chinês, de forma externa, tanto quanto no seu modo de escrever e falar. O ponto de vista oriental e a antiga cultura chinesa tinham penetrado-o. Após a sua chegada na Europa, ele entrou para o corpo docente do Instituto Chinês, em Frankfurt am Main. Tanto no seu trabalho de ensino quanto em suas palestras para leigos, no entanto, ele parecia sentir a pressão do espírito europeu. Pontos de vista e formas de pensamento cristão moviam-se continuamente para o primeiro plano. Eu fui ouvir algumas palestras dele e estas acabaram por ser pouco diferente de sermões convencionais.

Esta reversão ao passado parecia tornar-se irrefletida e, por esse motivo, perigosa. Eu vi isso como uma reassimilação do ocidente, e sentia que, como resultado disso, Wilhelm devia entrar em conflito com ele mesmo. Como era, então eu pensei, uma assimilação passiva, isto é, um sucumbir à influência do ambiente, havia o perigo de um conflito relativamente inconsciente, um conflito entre sua psique ocidental e oriental. Se, como eu presumia, a atitude cristã tinha originalmente dado lugar à influência da chinesa, o inverso poderia muito bem estar tomando lugar agora: o elemento europeu podia estar ganhando a vantagem sobre o oriental, mais uma vez. Se tal processo ocorre sem uma tentativa forte, consciente para chegar a um acordo com ele, o conflito inconsciente pode afetar seriamente o estado de saude física.

Depois de assistir às palestras, eu tentei chamar a sua atenção para o perigo que o ameaçava. As minhas palavras para ele foram: "Meu querido Wilhelm, por favor, não tome isso errado, mas eu tenho a sensação de que o Ocidente está tomando posse de você de novo, e você está se tornando infiel à sua missão de transmitir o Oriente para o Ocidente."

Ele respondeu: "Eu acho que você está certo - algo aqui está me dominando. Mas o que pode ser feito.?"

Poucos anos depois, Wilhelm estava hospedado como convidado em minha casa, e veio com um ataque de disenteria amebiana. Era uma doença que ele teve vinte anos antes. Sua condição piorou durante os meses seguintes e, em seguida, ouvi dizer que Wilhelm estava no hospital. Eu fui a Frankfurt para visitá-lo, e encontrei um homem muito doente. Os médicos ainda não haviam desistido, e Wilhelm, também, falou dos planos que desejava levar a cabo quando ficasse bem. Eu compartilhei suas esperanças, mas tive meus pressentimentos. O que ele me confidenciou na época confirmou minhas conjecturas. Em seus sonhos, ele revisitou os longos trechos das estepes asiáticas desoladas - a China que havia deixado para trás.

Ele estava tateando seu caminho de volta para o problema que a China havia estabelecido ante ele, a resposta para o que havia sido bloqueado por ele pelo Ocidente. Até agora ele estava consciente desta questão, mas tinha sido incapaz de encontrar uma solução. Sua doença se arrastou por meses.

Poucas semanas antes de sua morte, quando eu não tive notícias suas por um tempo considerável, eu estava acordado, a ponto de cair no sono, e tive uma visão. Na minha cama estava um chinês em veste azul escuro, as mãos cruzadas nas mangas. Ele curvou-se diante de mim, como se quisesse dar-me uma mensagem. Eu sabia o que isso significava. A visão era extraordinariamente vívida. Não só eu via cada ruga no rosto do homem, mas cada fio do tecido de sua veste.

O problema de Wilhelm também pode ser considerado como um conflito entre a consciência e o inconsciente, que no seu caso tomou a forma de um confronto entre o Ocidente e o Oriente. Eu acreditava que entendia sua situação, já que eu mesmo tive o mesmo problema que ele e sabia o que significava estar envolvido no conflito. Eu acreditava que entendia sua situação, já que eu tive o mesmo problema que ele e sabia o que significava estar envolvido no conflito. É verdade que, mesmo em nossa última reunião Wilhelm não falava claramente. Embora ele estivesse intensamente interessado quando eu apresentei o ponto de vista psicológico, o seu interesse durou apenas enquanto fazia minhas observações a respeito de questões objetivas, como a meditação ou questões colocadas pela psicologia da religião. Tão distante, tão bom. Mas sempre
que eu tentava tocar o real problema de seu conflito interior, eu imediatamente sentia um recuo para dentro fechando-se por fora. Este é um fenômeno que tenho observado em muitos homens de importância. Há, como Goethe coloca em Fausto, uma região "untrodden, untreadable" (inexplorada) cujo recinto não pode e não deve ser introduzido pela força, uma sina que não admite a intervenção humana.


Fonte: Escola da Sabedoria

Traduzido por: Lizza Bathory

Sociedade das Ciências Antigas: Biografia – Sir Edward Bulwer-Lytton


O conhecido autor da novela Os últimos dias de Pompéia, foi também um político destacado e um ocultista praticante interessado nos mais diversos fenômenos paranormais.

Nasceu em Londres em 25 de maio de 1803 numa família de classe "alta". Seu autêntico nome era Edward George Earle Lytton Bulwer-Lytton. Estudou em Cambridge, onde se destacou como poeta e dramaturgo, ainda que já compunha versos desde os dez anos de idade.

Em 1831 ingressou na política e foi ministro de Assuntos Exteriores, relacionando-se com sociedades secretas chinesas. Seu paciente trabalho na política lhe valeu o título de Primeiro Barão de Lytton.

Seu interesse pela magia e o espiritualismo lhe conduziram a relacionar-se com o célebre iniciado francês Eliphas Lévi, junto ao qual preparou uma invocação no transcurso da qual, segundo asseguram testemunhas, se manifestou o grande Iniciado grego Apolônio de Tiana.

Em 1871 foi designado Imperator da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA). Manteve correspondência com muitos esoteristas de seu tempo e se diz que formou parte da Irmandade Hermética de Luxor, ultra-secreta sociedade rosacruciana que se suspeita teve um papel definitivo na política, na cultura e no espiritualismo do Século XIX.

Teurgo e Iniciado

Quanto à sua relação com os fenômenos psíquicos, não costumava falar em público sobre suas experiências, porém pode-se identificar por referências na autobiografia do médium Douglas Home, a algumas sessões "espíritas" acudia o novelista com seu filho, Lord Lytton, Virrey da Índia e também relacionado com o ocultismo, de quem se suspeita foi um dos Iniciadores de Sir Winston Churchill.

Em sua obra se adverte frequentemente uma atitude mística e esotérica, como no conto de Kosem Kesamin o mago, Um sonho da morte ou o poema O conto de um sonhador.

Porém onde refletiu de forma mais palpável uma mensagem iniciática foi na sua famosa novela Rosacruz "Zanoni" (1842). Enquanto A raça futura (1871), Bulwer Lytton assegurava lhe havia sido ditada por um Mestre de outra dimensão e se assegura que teve uma grande influência sobre os ocultistas alemães. Tanto estes como os crentes de outros países na existência de um mundo subterrâneo, supunham que a novela era algo mais que ficção e somente acessível para os iniciados.

A Energia "Vril"

Nesta novela, um engenheiro de minas visita um mundo subterrâneo habitado por uma estranha raça, chamada Vril-Ya, que possuía o poder do vril, energia de que já havia falado o rosa-cruz Louis Jacolliot. O Vril citado na mesma é uma energia que invade tudo e dá um poder ilimitado aquele que seja capaz de dominá-la.

Bulwer-Lytton passou para o Oriente Eterno em Torquay em 18 de janeiro de 1873.

Entre os seus romances contam-se, além de muitos outros:
Pelham,
Paul Clifford,
Eugene Aram,
Os Últimos Dias de Pompéia,
Rienzi,
Ernest Maltravers,
Alice,
Zanoni,
The Caxtons,
O Meu Romance,
Kenelm Chillingly,
A Raça Futura,
e o incompleto Pausanias the Spartan;

Entre as suas peças teatrais, as mais apreciadas são:
Richelieu,
O Dinheiro,
The Lady of Lyons;

Entre os poemas:
O Novo Timon, de gênero satírico, e as traduções das Baladas de Schiller.

BETTIE PAGE


Bettie Page (22 de abril de 1923 – 11 de dezembro de 2008) foi uma modelo norte-americana que se tornou famosa na década de 1950 por fotos de temática pin-up e fetichista.

Ela é frequentemente chamada de "Rainha das Pin-ups" e seu visual, cuja marca registrada eram os cabelos pretos lustrosos e uma franja, influenciaram dezenas de artistas. Page foi também uma das primeiras "Playmates do Mês" da Playboy, aparecendo na edição de janeiro de 1955 da revista.

O final de sua vida foi marcado por depressão, mudanças violentas de ânimo e vários anos de internação em um hospital psiquiátrico público. Em 1959, ela se converteu ao cristianismo, posteriormente trabalhando para Billy Graham. Após anos de obscuridade, ela presenciou uma retomada de sua popularidade durante a década de 1980.

Biografia:

Betty Mae Page foi a segunda de seis filhos de Walter Roy Page e a Edna Mae Pirtle. A família vivia em condições financeiras precárias e não se mantinha por muito tempo em um mesmo lugar. Com a queda da bolsa em 1929 a situação piorou. Os pais se divorciaram em 1932. No ano anterior, Walter havia sido preso por alcoolismo e desordem. Edna Pirtle se estabeleceu em dois empregos, enviou Bettie e duas de suas irmãs para um orfanato por um ano. Aos quinze anos de idade, Bettie fora violentada pelo próprio pai, quando este havia voltado a morar com a família. Em idade tenra, Page conheceu responsabilidades duras e aprendeu a tomar suas próprias decisões.

Entre o coro da igreja e o salão de beleza que Edna trabalhava, Bettie ocupava seu tempo com a costura.

Ela foi considerada uma estudante excepcional.

Mostrou sempre interesse pelo cinema e pela vida de modelo. Coordenou o grupo de arte dramática e se formou bacharel em Artes no Peabody College em 1943.

No mesmo ano, casou-se com Billy Neal, seu namorado. Mudaram-se para São Francisco.

Em São Francisco obteve seu primeiro trabalho como modelo. Ainda com Neal, viajou para o Taiti, onde lhe foi revelado um mundo exótico, muito explorado pela arte em volta do ícone Bettie Page, as mulheres morenas de sol. Assim como Luz Del Fuego, Bettie passou a tomar banhos de sol nua ou mesmo se exercitar. Com cinco anos de casada, divorciou-se de Neal e mudou-se novamente, desta vez para Nova Iorque. Em Coney Island conheceu o policial Jerry Tibbs, por volta de 1950. Tibbs era também fotógrafo amador, ele foi o criador da "pin-up" Bettie. Ele afirmou à época que sua testa era larga demais para usar o cabelo partido ao meio. Bettie, então, eternizou a franja convexa lisa.

Bettie investiu também no mundo da moda: criou seus maiôs e bikinis e a tanga clássica de oncinha.

Mas apenas os fotógrafos Irving Klaw e Bunny Yeager imortalizariam a pin-up Bettie Page. Ela há muito havia trocado a carreira de secretária pela vida de modelo.

Os horários eram independentes, a carga horária menor e o salário maior. Quando resolveu posar para Klaw aceitou o contrato dele, o qual afirmava que o pagamento só seria disponível mediante poses com bondage.

O então presidente do Senado Carey Estes Kefauver, contrário as fotografias de Irving Klaw, pela apologia ao sadomasoquismo, requisitou a própria modelo a depor.

Várias publicações da época como Eyeful, Beauty Parade ou Wink a procuraram. Em janeiro de 1955 foi capa da Playboy e no mesmo ano recebeu das mãos de Hugh Hefner o título de "A Miss Pin-Up Girl do Mundo". Hefner foi um dos maiores benfeitores de Bettie até o final de sua vida.

Page casou-se novamente, com Armand Walterson, e em 1958, desapareceu da vida pública sem uma razão definida. Alguns, culpam o caso Kefauver X Klaw; outros, atribuem o casamento com Walterson. Sabe-se que, após seu casamento com Walterson, Bettie tornou-se uma devotada religiosa.

Sua última entrevista foi em 1962, focada em aspectos do divórcio com Walterson.

Faleceu aos 85 anos, em 11 de dezembro de 2008, de pneumonia, uma semana após sofrer um ataque cardíaco do qual não recobrou a consciência e entrou em coma.




A SANTA DEVASSIDÃO DE UM MONGE LOUCO - POR SÉRGIO PEREIRA COUTO

Cabelos desgrenhados, olhar feroz, barba emaranhada, e uma presença que atingia a tudo e a todos. Essas são as características que marcaram uma das figuras mais misteriosas da História: Grigori Yefimovich Novykh, mais conhecido como Rasputin. Em 1905, o monge russo foi apresentado ao czar Nicolau II por Militsa e Anastásia, grã-duquesas de Montenegro. A partir desse encontro, o curandeiro que vivia metido em brigas e algazarras tornou-se o homem mais influente nos últimos anos do período czarista da Rússia.

Rasputin conseguiu não só conquistar a confiança de Nicolau II como também a de sua esposa, a czarina Alexandra. Isso porque os dois tinham um segredo que ocultavam dos súditos e que era conhecido apenas por poucas pessoas da corte: o filho do casal e herdeiro do trono, o czarevitch Alexei, era hemofílico, uma doença que havia adquirido pelo lado materno, fato pelo qual a czarina se culpava interminavelmente.

Toda vez que o garoto caía, em geral durante as brincadeiras normais de qualquer criança, ficava logo com enormes manchas azuladas embaixo da pele branca, o que indicava hemorragias intensas, além da enorme dor que sentia. Na época, essa doença era pouco conhecida pelos médicos da corte, que se sentiam impotentes ao tentar ajudar o menino.

Desde que Rasputin tratou das crises de Alexei pela primeira vez, ele virou uma presença constante no palácio do czar. Porém, Nicolau e Alexandra eram cuidadosos e recebiam o curandeiro de maneira discreta. Eles queriam evitar que o resto da corte fizesse comentários maldosos a respeito das visitas de um benzedor de aparência tão desleixada quanto Rasputin.

PERFORMÁTICO E FANFARRÃO


O desempenho que o monge fazia na frente de Nicolau e Alexandra para cuidar do pequeno czarevitch era invariavelmente o mesmo: ele se jogava de joelhos e rezava algumas preces em uma língua que ninguém entendia. Depois de um tempo, levantava e se aproximava da cama do garoto, fazia o sinal da cruz, e afirmava com uma voz profunda e melodiosa: "está tudo bem, Alexei. Amanhã você estará bom novamente". Em seguida, o garoto era tranquilizado com a leitura de contos de fadas siberianos e posto para dormir.

Depois da "consulta", Rasputin dizia aos pais desesperados para que acreditassem no poder de suas orações para que o menino pudesse se recuperar.

No dia seguinte, tudo acontecia como o monge previra: Alexei acordava se sentindo bem e recuperado, de uma maneira praticamente incompreensível. Por isso, não é de se espantar que o monge tenha conquistado prestígio e poder sob a tutela do czar e da czarina. O que não se entende até hoje é a discrepância das atitudes de Rasputin. Se por um lado ele posava de homem santo e sábio, por outro era famoso por suas bebedeiras, farras com mulheres, e brigas - atitudes nem um pouco dignas de uma pessoa tão iluminada e poderosa.

Um dos maiores mistérios em relação a Rasputin é a forma como ele conseguiu se destacar na corte de Nicolau em tão pouco tempo. Para muitos historiadores, tudo foi uma questão de ele conseguir por em prática suas habilidades hipnóticas, uma característica que bate bem com as descrições das pessoas que conviveram com ele. Elas relataram o poder que podiam sentir emanando por Rasputim. O homem parecia uma espécie de contradição, pois apresentava características santas e diabólicas ao mesmo tempo.

Mas, apesar de todas essas observações, é muito difícil até hoje rastrear as origens do monge. Sabe-se que há um movimento que corre atualmente na Rússia para resgatar a imagem de Rasputin como um homem de conhecimentos místicos importantes. Hoje ele é tido como um tipo puro, um bom selvagem siberiano, místico e supersticioso, que não foi contaminado pelos ideais racionalistas do Ocidente.

Um russo ao modo de Dostoievski, que tentou salvar a santa Rússia da desgraça. Contudo, não se sabe se aqueles que aderiram à campanha de salvar a reputação de Rasputin chegaram a algum resultado. A polêmica sobre a participação do monge na queda da monarquia é motivo constante de debate até hoje.

O FIM DOS ROMANOV


A morte de Nicolau II e sua família, em 17 julho de 1918, colocou um ponto final na Casa de Romanov, a última dinastia imperial da Rússia, que governou o país de 1613 a 1917. Na verdade, os autênticos Romanov comandaram a Rússia até 1762. A partir daí, o país foi controlado pela Casa de Oldenburg, descendentes do casamento de uma duquesa Romanov com o duque de Holstein-Gottorp, que mantiveram o apelido Romanov.

No dia da execução, os Romanov estavam na Casa Ipatiev, uma propriedade mercadante da cidade russa de Yekaterinburg. A família foi acordada por oficiais bolcheviques e levada para o porão. Primeiro foi Nicolau, que estava com 50 anos, e o filho Alexei, 13. Em seguida desceram, Alexandra, 46, e as filhas Olga, 22, Tatiana, 21, Maria, 19, e Anastácia, 17. Também estavam presentes o médico da família, o cozinheiro, uma empregada e um criado.

Yakov Yurovsky, o oficial bolchevique encarregado pela execução, alinhou as 11 pessoas contra a parede, como se fosse tirar um retrato. Então chamou o pelotão de fuzilamento e comunicou que o Comitê Executivo dos Urais havia decidido matá-los. Depois o oficial atirou no ex-czar, que morreu instantaneamente.

Cada membro do pelotão tinha ordem para matar um membro daquele grupo, mas o espaço do porão era muito pequeno e apertado, o que fez com que os oficiais não se posicionassem bem. Para piorar, as balas que foram disparadas contra Alexandra e as demais mulheres ricochetearam por causa das jóias que elas mantinham escondidas nos espartilhos. Em consequência disso, elas foram mortas por baionetas e coronhadas.

O enterro das vítimas foi completamente caótico, pois os guardas que acompanhavam os corpos apenas se preocupavam em pegar as jóias das mulheres e pouco se importavam com os cadáveres. Tanto que os corpos foram jogados nos poços de uma mina e permaneceram lá por cerca de 24 horas, até que decidiram levá-los para um local mais discreto. Mas o caminhão que os transportava os mortos atolou na lama, e foi por lá mesmo que os Romanov foram despejados.

No local onde os Romanov foram assassinados, na cidade de Ecaterimburgo, hoje fica a Igreja Ortodoxa Russa do Sangue.

Os jornais que relataram a morte dos Romanov não deram muitos detalhes sobre a execução. O jornal Pravda disse apenas a família havia sido "enviada para um local mais seguro". Isso foi o suficiente para surgirem boatos sobre membros que teriam conseguido escapar da execução, por meio da ajuda de um guarda que teria ficado com pena deles. Como os corpos desapareceram, muitas pessoas começaram a se apresentar como um dos filhos Nicolau.

Um desses casos aconteceu na Alemanha, em 1920. Uma mulher chamada Anna Anderson tentou pular no canal Landwehr, em Berlim. Ao ser interrompida por um guarda, ela disse que era a princesa Anastácia, a mais jovem das filhas de Nicolau II, e que tinha conseguido fugir do massacre com a ajuda de um soldado polonês. A mulher disse também que havia viajado da Rússia para a Romênia em uma carroça, e que tentou buscar ajuda de uma tia que vivia na Prússia. Como não conseguiu provar sua identidade, tentou se jogar no rio em Berlim.

Mas as alegações de Anna logo foram rebatidas por parentes dos Romanov. Ela era muito arrogante, inclusive com as pessoas que acreditavam nela, e, para piorar, recusava-se a falar em russo. Não demorou muito para ser classificada como impostora.

Mesmo assim, por muitos anos foi comum na Rússia aparecer pessoas dizendo ser tal filho de Nicolau II. Até que em 1992, os restos mortais da família foram encontrados por arqueólogos russos, e sepultados na catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo. Análises de DNA comprovaram que realmente os cadáveres eram da família imperial.

AS ORIGENS DE UM DEVASSO


Pouco se sabe sobre a vida de Rasputin antes de ele começar a fazer parte da corte russa. Estima-se que ele nasceu em 22 de janeiro de 1869, na aldeia de Pokroskoye, em Tolbolks, na Sibéria. O monge era filho de um camponês siberiano, e já em sua terra natal ganhou a alcunha de Rasputin, que em russo significa "devasso". O envolvimento com bebidas, mulheres e brigas ajudou a compor o personagem de curandeiro doido. Além disso, pouco mais se sabe sobre sua vida pregressa, embora corram boatos a respeito de uma viagem ao Oriente Médio, um casamento, e algumas peregrinações. Dizem que ele tinha comportamento rude e era semi-analfabeto.

A maioria dos pesquisadores costuma concordar que Rasputin participou de uma seita chamada Khlysty, que significa "flagelantes". Esse grupo doutrinário foi banido pela Igreja Ortodoxa por pregar que todos os desejos dos homens deveriam ser satisfeitos, e expressava seu fervor religioso por meio da realização de orgias noturnas. Essa era a filosofia de Rasputin: o caminho para a redenção passava pela entrega ao pecado, que era seguida do arrependimento. Foi durante o período em que passou entre os seguidores da seita que ele teria desenvolvido seu dom para magnetizar e impressionar as pessoas.

Além da vida religiosa, dizem que Rasputin casou com uma mulher, com quem teve quatro filhos. Um dos meninos morreu quando ainda era criança. O outro sofria de retardo mental e ficou com a mãe na aldeia siberiana. As duas filhas foram para São Petersburgo com o pai, e lá foram educadas e viveram com Rasputin até ele morrer, embora não exista nenhum registro do destino delas após a morte do monge.

Rasputin teria visto o "caminho da iluminação" depois de passar alguns meses em um mosteiro siberiano, onde se tornou um starets, termo russo que se refere a líderes espirituais. Ele costumava dizer: "se para a salvação do espírito é necessário o arrependimento, para o arrependimento acontecer é preciso o pecado. Então o espírito que quer ser salvo, deve começar a pecar o quanto antes".

Durante uma de suas peregrinações, Rasputin foi parar em São Petersburgo, capital da Rússia até 1918. Lá, o monge começou a curar as pessoas por meio do mesmo método que depois usou com o filho do czar: se jogava no chão e começava a rezar. Dizem que todos os enfermos saiam das sessões curados. O curandeiro procurou o padre João de Kronstadt, o mais venerado da cidade. Diante do clérigo, Rasputin se apresentou como um pecador arrependido. Sua humildade e habilidade como pregador arrebatado impressionou Kronstadt, a ponto de ele e outros religiosos o considerarem apto a trabalhar junto aos camponeses analfabetos. Foi assim que Rasputin conquistou admiradores em São Petersburgo, e acabou sendo apresentado ao czar Nicolau II. Os tempos de andanças e fome acabaram para o curandeiro.

DE CURANDEIRO A PALPITEIRO OFICIAL


Nicolau e Alexandra sempre lidaram com a doença do filho de maneira discreta, sem chamar a atenção dos súditos. O czar se preocupava com o destino do garoto, pois temia que Alexei jamais conseguisse assumir o trono da Rússia por causa da hemofilia.

Afinal, um líder doente não conseguiria participar de batalhas e lutar pelo seu reino, pois não poderia se machucar.

O envolvimento com supostos "milagreiros" não era muito bem visto na Rússia do começo do século passado. Não apenas os curandeiros eram mal-vistos, mas também adivinhos, ilusionistas, hipnotizadores (que parece ser o caso de Rasputin), e charlatões de toda a espécie. O problema maior era que o czar, que estava envolvido até o pescoço com problemas familiares e dava mais atenção às questões pessoais do que às necessidades do Estado, fazia-se de desentendido e não levava em consideração o fato de que seu governo ser odiado por seus súditos. A população russa estava passando por muitas dificuldades e fome, e esperava que o czar solucionasse esses problemas. Mas a família real, alheia a tudo o que envolvia seus súditos, cercava-se cada vez mais de pessoas místicas, que se apresentavam como "ligações entre o mundo material e o sobrenatural".

ACERVO CIÊNCIA E VIDA


A czarina foi uma das defensoras mais ferrenhas de Rasputin. Como ele era o único que conseguia fazer com que o pequeno Alexei superasse as crises que o atormentavam, Alexandra logo alçou o monge a uma categoria de conselheiro, o que irritou os demais membros da corte. Alexandra passou a idolatrá-lo de tal maneira que nada do que o curandeiro fazia nem nenhuma acusação que ouvia sobre seu "amigo", como ela o definia, era errada. De fato, segundo relatos da época, a czarina nem mesmo queria ouvir falar das bebedeiras ou brigas nas quais ele poderia estar envolvido. Para a czarina, tudo eram detalhes que ela não fazia questão de saber.

Já o czar demorou um pouco mais para acreditar em Rasputin. Mas, depois de ver a saúde do filho melhorar, Nicolau passou a considerar o monge um enviado de Deus, que poderia ajudar a perpetuar a família no poder da Rússia (mal ele sabia o que aconteceria no seu país alguns anos mais tarde). Tanto Nicolau quanto Alexandra confiavam cegamente no monge.

Principalmente a czarina, segundo informações divulgadas no livro Rasputin: A Última Palavra, do escritor russo Edvard Radzinsky. O autor sugere em sua obra que Alexandra e Rasputin teriam sido protagonistas de um tórrido romance, bem sob as barbas do czar.

Boatos à parte, o fato é que a ascensão do curandeiro foi rápida dentro da corte. Para se ter uma idéia, o monge que começou como benzedor e conselheiro espiritual, logo passou à condição de detentor de poder sobre o governo russo, com autoridade suficiente para nomear cargos do primeiro escalão do governo. O problema é que quase sempre indicava candidatos inaptos, que não exerciam de maneira correta suas funções. Mas o que Rasputin determinava, o czar e a czarina davam suas bênçãos. Enquanto isso, a fama das devassidões diárias do curandeiro continuava a crescer. E seus protetores continuavam a fazer vista grossa para os rumores.

Como conselheiro de Estado, o monge mandava e desmandava a seu bel-prazer. A corte não entendia o que havia levado o casal real a confiar tanto assim em uma pessoa de fama duvidosa. O domínio do starets sobre Nicolau e Alexandra era tão escancarado que os parentes mais próximos do czar fizeram com que ele banisse Rasputin da capital. O monge aceitou a restrição, talvez já ciente de que seria temporário. E de fato foi, pois mais uma vez ele confirmaria o seu poder curativo, só que desta vez à distância. Quando Alexei teve uma nova crise, bastou apenas um telegrama de Rasputin, assegurando que o czarevitch estaria bem no dia seguinte, que o menino acordou se sentido curado. Depois de provar que ele realmente era capaz de curar o herdeiro do trono russo, Rasputin recebeu autorização para voltar a São Petersburgo.


GUERRA E PODER


Em pouco tempo, a cidade inteira só falava dos milagres do "profeta" dos czares. Ministros, generais, aventureiros, bajuladores, e oportunistas de todos os tipos o seguiam com intenção de obter algum favor do casal real. Mas nem por isso os investigadores ligados ao czar deixaram de enviar relatórios com relatos de intermináveis aventuras amorosas e bebedeiras protagonizadas por Rasputin. Porém, nenhuma intriga era forte o suficiente para abalar a confiança cega de Alexandra e Nicolau.

UM BRUXO NA PRIMEIRA GUERRA


Até a Primeira Guerra Mundial, por pior que fosse a fama do czar e de seu regime, a situação da Rússia ainda estava sob controle. Em 1914, ano em que o conflito mundial começou, Alexei estava com nove anos e parecia gozar de boa saúde. Em compensação, o Império Russo, que fora negligenciado por Nicolau, estava à beira de um colapso. Quando Francisco Ferdinando, arqueduque da Áustria-Hungria, foi assassinato (fato que desencadeou o início da Primeira Guerra), Rasputin continuava a levar sua vida parasita na Rússia. Ele escapou por um triz de ser morto por uma mulher enlouquecida, que o atacou com uma faca no estômago. Ela gritava a plenos pulmões que havia matado o anticristo, o que dá uma idéia da fama do monge junto ao povo russo.

A população da Rússia estava cada vez mais indignada com a crescente e escancarada influência que o monge exercia sobre os governantes. A própria nobreza russa estava em uma situação em que era obrigada a se declarar contra as intervenções de Rasputin, que continuava a se fazer de o todopoderoso do Império. Ninguém tolerava os poderes concedidos àquele homem. Ao mesmo tempo, todos entendiam perfeitamente que, por trás do casal real, era ele quem mandava e desmandava. E todos sabiam que algo precisaria ser feito em breve para remediar essa situação.

Enquanto se recuperava dos ferimentos causados pelas facadas dadas pela mulher ensandecida, o monge escreveu a Nicolau uma carta, dizendo que a guerra deveria se evitada a qualquer custo. Rasputin afirmou que o conflito só traria para a Rússia "tragédia, dor... um mar de lágrimas e sangue".

Quando a guerra já parecia um beco sem saída para a Rússia, um novo boato começou a ganhar força entre o povo. Dessa vez, a população e a corte disse que o "homem de Deus", como era apelidado o monge, teria convencido Alexandra (e, por meio dela, o czar) a fazer as pazes com as potências centrais (a coligação do Império Austro-húngaro com o Império Alemão). Algo precisava ser feito e de maneira urgente.

Depois que a guerra estourou e Nicolau foi para a frente de combate, Rasputin se tornou uma espécie de primeiro-ministro, que dava ordens sem parar. Todas as decisões passavam por seu crivo místico. Tal situação se tornou insustentável. Foi então que um grupo de aristocratas resolveu tomar decisões para organizar um complô que libertaria a Rússia de uma vez por todas do monge diabólico.

Com as derrotas sucessivas da Rússia, as más predições que Rasputin havia feito sobre a guerra foram insistentemente lembradas pelo monge, o que irritou ainda mais os outros homens próximos ao czar.

Com as intervenções do curandeiro, a seriedade da monarquia foi abalada de maneira irrecuperável.

Todos comentavam que o governo estava sendo mantido nas mãos de um bruxo que agia escondido, nos bastidores do governo, e que conduzia o país para uma guerra devastadora.

A HISTÓRIA SE REPETE NA HOLANDA


A situação absurda que Rasputin viveu na corte de Nicolau II não foi a única da História. Existiram outros curandeiros que também conquistaram prestígio junto à realeza. Um dos casos mais famosos aconteceu na Holanda e é muito semelhante ao que ocorreu na Rússia.

Tudo começou em 1947, quando a princesa herdeira da Holanda, Juliana, e seu marido, o príncipe alemão Bernhard de Lippe-Biesterfeld, tiveram uma filha. A criança, que recebeu o nome de Maria Christina (mais conhecida pelo seu apelido Marijke, ou Mariazinha), nasceu com catarata nos dois olhos, provavelmente em decorrência da rubéola que a mãe contraiu durante a gravidez. Os médicos fizeram de tudo para a menina não ficar cega e, embora tivessem garantido o funcionamento de um dos olhos, a ameaça de cegueira total ainda não havia sido descartada.

Desesperada, Juliana foi visitar uma curandeira.

Em 1948, quando Juliana tornouse rainha dos Países Baixos, seu marido levou para o palácio real uma operária de 53 anos chamada Greet Hofmans, que era conhecida por praticar curas milagrosas. Porém, ao contrário do que aconteceu com o czarevitch na Rússia, a menina Marijke não apresentou nenhuma melhora, e Bernhard acabou expulsando a mulher do palácio.
Isso foi o suficiente para que as línguas afiadas da corte começassem a comentar que Bernhard estava cuidando da casa, enquanto a esposa cuidava do Estado.

Mas expulsar Greet Hofmans do palácio não adiantou muito. Juliana já havia se tornado dependente da curandeira, a ponto de aceitar dela conselhos de Estado. Essa situação foi mantida em segredo até 1956, quando uma revista alemã revelou a história.

Somente depois desse escândalo que a rainha resolveu aceitar os conselhos de uma comissão de estadistas mais experientes, se livrou da curandeira palpiteira, e fez as pazes com o marido. Juliana reinou por 31 anos e só deixou o trono quando abdicou em favor da filha mais velha, Beatriz. E nunca mais ninguém ouviu falar da velha Hofmans.

UMA ARMADILHA PARA O MONGE


O complô contra Rasputin foi organizado pelo príncipe russo Felix Yussupov, herdeiro da maior fortuna do país e marido da bela Irina Alexandrovna, sobrinha do czar. Felix havia assistido na Duma, o parlamento russo, a um discurso impressionante feito por Vladimir Purishkevitch, um deputado de extrema direita.

Vladimir falou sobre as "forças ocultas que dominavam a monarquia", uma alusão clara a Rasputin.

CIÚME E CASTIGO


Não demorou muito para que Felix e Vladimir se aproximassem. Eles criaram um grupo ao qual se juntaram um oficial chamado Sukhotin, um médico conhecido por doutor Lazovert, e o grãoduque Dmitri, que fazia parte da família real. O ardil que esses homens planejaram era, aparentemente, à prova de falhas.

Certa vez, Rasputin viu Irina, a mulher de Felix, em uma ópera e ficou encantado com ela. O príncipe não esqueceu do fato e convidou o monge para um ceia no palácio. O curandeiro foi com a esperança de ficar mais próximo da princesa. Afinal, ele estava acostumado com homens poderosos que lhe ofereciam as esposas em troca de cargos e benefícios na corte.

Assim, no dia 28 dezembro de 1916, Rasputin foi visitar Felix. O monge, que sempre se apresentava com o aspecto selvagem e desgrenhado, resolveu se produzir para a ocasião. Ele vestiu uma blusa de seda bordada e calça de veludo. Mas, ao chegar ao palácio, Rasputin foi levado para o porão. De lá, era possível escutar um fonógrafo - uma tática de Felix e seus comparsas para que o monge pensasse que realmente estava acontecendo uma festa na parte social da casa. O monge resolveu esperar pelo fim da comemoração para poder se encontrar com Irina. Felix fez companhia a ele, e o encheu de vinho e bolos envenenados com cianureto. Dizem que a quantidade de veneno era tão grande que poderia derrubar um cavalo.

Os detalhes sobre o que foi servido a Rasputin variam de relato para relato. Um deles afirma que, além dos bolos, foi também servido um drinque de chocolate com veneno. Daí que vem o nome de um drinque muito comum na Rússia, o "vingança de Rasputin", feito com vodca e creme de cacau.

Apesar do plano maquiavélico de Felix, as coisas pareciam estar a favor do homem predileto do czar.

Rasputin não parecia ser afetado pela enorme quantidade de veneno que ingeriu. Alguns historiadores acreditam que a quantidade de álcool que o monge ingeria diariamente o deixara, de certa maneira, imune ao veneno (outros dizem que o cianureto quando junto a determinados açucares torna-se uma substância totalmente livre de toxidade). Depois de beber muito vinho, Rasputin capotou sobre um sofá. Felix pensou que ele finalmente tinha morrido e foi até a sala comunicar o fato aos comparsas. Quando voltou ao porão, assustou-se ao ver que a vítima estava viva.

Felix disse a Rasputin que ia verificar o andamento da festa no andar de cima.

O príncipe se reuniu com os demais conspiradores, e resolveram adotar outra estratégia. Felix voltou para o quarto onde o monge estava, mas desta vez carregava consigo uma pistola. Ele atraiu a atenção de Rasputin para um crucifixo que estava pendurado na parede e, apontando a arma, disse para que o starets fizesse uma prece. Disparou à queima-roupa e o atingiu pelas costas. O monge caiu sobre um tapete de pele de urso branco no exato momento em que os demais conspiradores entraram no recinto. O doutor Lazovert o examinou e declarou que a vítima estava morta.

DURO NA QUEDA


Mas o médico estava enganado: ainda não era o fim do curandeiro. Enquanto os assassinos se cumprimentavam pela morte do monge louco, a vítima abriu os olhos, colocou-se de pé e, com um salto, saiu correndo em direção ao pátio, em uma cena digna de filmes de horror, quando o vilão não morre de jeito nenhum. Antes que o "duro de matar" chegasse ao portão do pátio Purishkevitch, Felix sacou a arma e disparou novamente, atingindo Rasputin na cabeça e nas costas. Os outros homens completaram o ataque com o uso de punhais. Mesmo assim, o monge ainda tentou esganar Felix com as mãos.

Quando Rasputin caiu no chão novamente, Felix chegou a bater nele com um pedaço de pau até ter certeza de que não havia mais nenhuma possibilidade de sobreviver. Então, em um ato de desespero, o grupo pegou uma lona e várias cordas para embrulharem o corpo, e o carregaram até o rio Neva, que estava congelado. Eles abriram um buraco na superfície e jogaram Rasputin lá dentro. Mas, na pressa de se livrar da vítima, os conspiradores não amarraram pesos no corpo, para que ele afundasse.

Três dias depois do crime, o cadáver foi encontrado pelos policiais russos. Um detalhe chocante é que os peritos notaram que havia água nos pulmões de Rasputin, o que significava que o monge ainda estava vivo quando foi jogado no rio. A morte foi declarada como acidental, embora todos soubessem que havia sido trabalho de uma conspiração. A czarina Alexandra logo tratou de prestar homenagens fúnebres ao amigo, ato que foi realizado em total segredo.

Apesar da reação da czarina, que logo ficou conhecida por todo Império, houve celebração nas ruas de São Petersburgo quando a notícia da morte de Rasputin se espalhou. Como todos os envolvidos na conspiração eram ligados a altas linhagens, o czar os puniu com castigos relativamente leves. Uns foram banidos, outros enviados para o serviço militar, enquanto alguns foram simplesmente absolvidos. Porém, o estrago à imagem da monarquia já estava feito e os súditos nunca mais voltaram a confiar na família real.

No último mês de vida, Rasputin escreveu uma carta para Alexandra dizendo que ninguém da família dela viveria mais de dois anos após a morte do monge.

Dito e feito: no Natal do ano seguinte, em 1917, Nicolau e toda sua família foram presos, enquanto a I Guerra Mundial caminhava para seu fim. Apenas 15 meses depois que o corpo do curandeiro foi retirado do rio Neva, os czares e seus filhos foram assassinados por um comando de execução bolchevique, no dia 17 de julho de 1918, na cidade de Ekaterinburg.

Se a morte de Nicolau, Alexandra e seus filhos foi uma espécie de maldição que o monge jogou sobre eles, nunca ninguém saberá. Afinal, o curandeiro já havia demonstrado seus feitiços de diversas maneiras. Hoje, 92 anos após sua morte, Rasputin é lembrado mundialmente como um símbolo do poder sobrenatural.

REFERÊNCIAS:
Os Grandes Mistérios do Passado. Reader´s Digest Livros, 1996
ARON, Paul.

Mistérios da História. Editora Manole, 2000 RADZINSLI, Edward.

The Rasputin File.
Anchor Books, 2001 Moynahan, Brian.

Rasputin. Da Capo Press, 1999 DE JONGE, Alex.

The Life and Times of Grigorii Rasputin. Perseus Books, 1989


FONTE: LEITURAS DA HISTÓRIA

Samuel Liddell "MacGregor" Mathers (1854-1918)


Samuel Liddel MacGregor Mathers é um dos magos mais importantes do século XIX e é diretamente responsável pelo grande renascimento ocultista que o século XX testemunhou. Só para se ter uma idéia, sem ele não teríamos a fundação da Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada) e nem todos os seus desdobramentos mágico-históricos.

Além disso seriamos forçados a esperar alguma outra alma traduzir para uma lingua viva grimórios importantíssimos como as Clavículas de Salomão e a Magia Sagrada de Abramelim. Resgatador moderno da prática goética e profundo conhecedor dos mistérios egípcios ele era um estudante dedicado e passou muitas noites de sua vida em claro debruçado sobre livros antigos dos museus europeus. De personalidade difícil conseguia a admiração ou a inveja de seus contemporâneos. Contudo, mas do que um simples erudito, Mathers foi uma mente criativa que soube unir seus conhecimentos de arqueologia e criatividade artística para dar forma a tradição esotérica ocidental.

A história da sua vida começa no condado de Hackey na Inglaterra em 8 ou 11 de janeiro de 1854. O pequeno Mathers não teve oportunidade de conhecer seu pai, um humilde garçom inglês pois este morreu muito cedo. Teve uma infância e juventude com sua mãe nos bairros pobres de Bournemout. Já adulto viveu em pensões modestas e sempre desfrutou da hospitalidade de amigos e parentes. Muito cedo se inscreveu na infantaria militar de Hampshire, mas nunca realmente entrou em batalha.

O Jovem Inglês Maluco


Desde muito cedo Samuel revelou um imenso interesse em estudar as artes ocultas. Aos 23 anos ingressou na Maçonaria na loja de Hengist e em um ano e meio galgou o grau de Mestre Maçom. Nesta período adotou espontaneamente o sobrenome escocês “Mac Gregor” e conquistou uma série de títulos, entre eles Jacobita de “Conde de Glen Strae" e "Conde Mac Gregor de Glenstrae". Nenhum destes títulos entretanto retrata tão bem sua personalidade quanto um outro que ganhou de seus colegas maçons: "O Inglês Maluco."

Esta fama não era apenas pelo seus interesses bizarros (mesmo para os padrões maçônicos) mas também por seu comportamento extravagante. Por diversas vezes Mathers afirmou ser Jaime IV, herói bretão que morreu na batalha de Flodden em 1513. Ele não afirmava que era a reencarnação de Jaime IV, mas o próprio personagem histórico que descobriu o elixir da vida e portanto vivia como imortal em pleno século XIX. Quanto a sua antiguidade afirmada ele foi inclusive chamado a depor em um tribunal, conforme conta o relato abaixo retirado da obra Ritual Magic in Ingland:
- É fato que seu nome é Samuel Liddell Mathers?
- Sim, ou MacGregor Mathers
- Seu nome original é Samuel Liddell Mathers?
- Indubitavelmente.
- O nome MacGregor surgiu posteriormente?
- O nome MacGregor data de 1603.
- Seu nome era MacGregor em 1603?
- Sim, se você quer colocar desta forma.


Aos vinte e oito anos ingressou na Societas Rosicruciana in America pela indicação de seu amigo Frederick Holland. Holldan teve um profundo impacto em sua vida e o orientou bastante em seus primeiros passos no ocultismo. Foi por meio dele que Mathers conheceu William Wynn Westcott e o Dr. William Robert Woodman, com quem futuramente fundaria a Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Mudou-se para Londres em 1885 e o acesso aos museus e ao meio ocultista fez com que seus estudos se intensificassem chegando a um ponto da obsessão.

Tal intensidade resultou na primeira edição da tradução inglesa de 'A Cabalah Sem Véu' do cabalista Knorr Von Rosenroth. Esta obra lhe rendeu o começo da fama em sua época. Em poucos meses já estava dando palestras sobre Cabalah na Sociedade Hermética de Anna Kingsford.

Os Manuscritos Cifrados


Durante este período circulava silenciosamente na Societas Rosicruciana in America uma série de manuscritos antigos muito curiosos de aproximadamente sessenta página escritos em alemão arcaico. Sua origem é inexata e estimasse que a autoria seja de Paracelso. Os documentos já haviam pertencido a Baal Shem Tov e em seguida ao mago Eliphas Levi. Eles estavam agora em posse do ocultista Frederick Hockley que os deixou em seu testamento para Rev. Woodford. Este por sua vez os vendeu para William Westcott que passou para Mathers traduzir.

A tradução era tão complexa que os documentos passaram a ser chamados de Manuscritos Cifrados. No final do trabalho em meados de 1887 descobriu-se se tratar da descrição de uma série de rituais desconhecidos de origem rosa-cruz. Mais do que apenas traduzir Mathers ficou muito excitado com o que tinha em mãos e incorporou no trabalho muito de seus conhecimentos filosóficos e de sua verve artística, especialmente no tocante da indumentária e da poesia. O resultado final foi um conjunto de complexos ritos com um simbolismo riquíssimo unindo conceitos cabalisticos com o hermetismo greco-egípcio.

O empenho de Mathers não foi o de uma simples tradução literal, mas ele incluiu muito de seu próprio conhecimento e daquilo que aprendeu na Societas Rosicruciana in America. Os manuscritos originais não eram rituais detalhados como os que foram apresentados, mas sim notas de alguém que testemunhou estas cerimônias. A título de comparação podemos ver a seguinte passagem encontrada no maniscrito original, segundo fac simile encontrado no livro Brotherhood of the Rosy Cross de A.E.Waite:

Tradução literal:
"Nunca condene outras religiões. Para honrar Deus como sua luz."

Versão de Mathers:
"Lembra-te de ter todas as religiões em reverência pois não há nenhuma que não contenha o raio da Luz inefável que você está buscando. Lembre-se que apenas Deus é nossa Luz e Pilar da Perfeita Sabedoria e que nenhum poder mortal pode fazer nada senão trazer-te para este caminho de sabedoria que Ele poderia, se quisesse, colocar no coração de uma criança, pois assim como o todo é maior do que a parte nós somos apenas Faíscas da Insuportável Luz que Dele emana. Os confins da Terra se dobram para as bordas de Seu jardim de flamas, Dele todas as coisas procedem, e a Ele todas as coisas retornam.
Assim, invocamos a Ele. Assim, mesmo a bandeira do Oeste tomba em admiração ante Ele."


Junto do manuscrito havia uma carta com o endereço de uma então desconhecida Anna Sprengel, pertencente a 'Sapiens Donabitur Astri', uma antiga sociedade rosa-cruz da Alemanha. Westcott entrou em contato com ela por carta e começou a trocar correspondência recebendo uma série de conhecimentos ocultos até então desconhecidos. Desse material surgiu a missão de fundaram a Hermetic Order of Golden Dawn, "Ordem Hermética da Aurora Dourada". Na companhia de Wescott e do Dr. Woodman, Mathers fundou a ordem em 1º de março de 1888 e passou a integrar o corpo diretivo, embora fosse reservado a Wescott o título de Magus Supremo.

Desta época em diante a história de MacGregor e da G.'.D.'. se tornam uma só.

A Aurora da Aurora Dourada


O primeiro templo foi o de Ísis-Urania, em Londres. Em pouquíssimo tempo foram inaugurados o templo de Osiris, em Weston-super-mare, o templo de Horus em Bradford e o templo de Amen-Ra em Edinburgh.

Alguns anos depois haveria ainda a criação do templo de Ahathoor, em Paris.

Aos 36 anos Mathers se casa com Mina Bergson, irmã do nobel de literatura Henri Bergson e primeira pessoa a ser iniciada no sistema da Golden Dawn. O casal se mudou para Forest Hill, onde Mathers tinha na época o emprego de curador do Museu Horniman. É importante ressaltar que desde o início Mathers foi um grande defensor da participação das mulheres na organização em contraste com a maçonaria fechada exclusivamente para os homens. Este assunto que rendeu boas discussões com seus colegas do corpo diretivo, mas ele era irredutível.

Dr. Woodman falece em 1891. Mathers encabeça a função de Grande Mestre e Wetscott se volta às funções administrativas. No mesmo ano Sprengel cessa de responder as cartas. As hipóteses para isso ter acontecido eram três: Ou Sprengel havia morrido ou foi proibida de se manifestar ou os estudantes atingiram um ponto em que para receber novos conhecimentos deveriam eles mesmos entrar em contato com os chefes secretos da grande ordem.

MacGregor escolheu a última opção.

Um ano depois declarou ter conseguido manter contato com estes Chefes Secretos e alegou que com ele trouxe à Golden Dawn outros quatro novos graus de iniciação formando a Segunda Ordem interna chamada Rubrae Rosae et Aurae Crucis (“Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada"). Em comunicado aos membros, Mathers esclareceu muito pouco sobre a natureza destes mestres:
"Sobre os Chefes Secretos, a quem faço referência e de quem recebi toda a sabedoria da Segunda Ordem que comuniquei a vocês eu não posso dizer nada. Não sei sequer seus nomes mundanos. Só os conheço por certos títulos esotéricos e apenas muito raramente os vejo em seus corpos físicos. As raras ocasiões de nossas reuniões acontecem astralmente. Já me encontraram em carne e osso em um lugar previamente combinado por contato astral. De minha parte creio que sejam humanos vivendo na Terra, mas possuidores de terríveis poderes sobre humanos.
Quando as reuniões físicas acontecem é sempre em um lugar movimentado e não há nada na aparência ou vestimenta deles que revele que sejam diferentes das pessoas comuns exceto a sensação de saúde e vigor transcendental (qualquer que seja a idade que tenham). Eles possuem a aparência física exata que alguém que conhece o Elixir da Vida tradicionalmente deveria ter."


Ele também descreve no mesmo documento as formas como teria recebido os documentos da Segunda Ordem.

"Os conhecimentos da Segunda Ordem foram obtidos por mim de uma série de maneiras, por clarevidência, por projeções astrais de minha parte e da parte deles, pelo tabuleiro, pelo anel e disco e as vezes por voz direta audível para meus ouvidos externos e pelos de Vestigia (Nota do Tradutor: Vestigia era o motto de Mina Bérgson), as vezes pela cópia de livros que eram trazidos até a mim não sei como e que desapareciam de minha visão assim que a transcrição era feita.(...) O esforço de tal trabalho era enorme, especialmente ao obter o ritual Z que literalmente quase me matou. A prostação nervosa após cada comunicação era terrível pois eu era testado na acuidade de cada passagem comunicada. Esta prostação era de tempos em tempos acompanhada de transpiração gelada e severa perda de sangue do nariz, da boca e ocasionalmente dos ouvidos."

Revolta em Paris


Com o aumento de sua reputação Mathers e sua esposa são chamados a morar em Paris, sob a proteção financeira de Annie Horniman, uma das mulheres mais ricas do Império Britânico e iniciada na G.'.D.'. Lá fundam e assumem a liderança do Templo de Ahathoor, deixando os demais templos londrinos sob a completa tutela de Westcott. Mathers recebia 200 libras esterlinas por ano de Annie. Uma quantidade que não lhe dava nenhum luxo mas que o permitiu se dedicar exclusivamente as práticas e estudos ocultos.

Frequentou intensamente a Librarie d´Arsenal e o Museu Guimet. Destas pesquisas nasceram suas traduções das Clavículas de Salomão e da Magia Sagrada de Abramelin - o Mago assim como seu famoso tratado sobre o Tarot.

Em 1987 Westcott abandona completamente a Golden Dawn deixando Mathers como único sócio-fundador e em o completo controle da instituição. Nesta mesma época começam a aparecer acusações de que Mathers passou a se comportar de modo autoritário e segundo alguns relatos até mesmo arrogante. Acabou se desentendendo com Annie Horniman que lhe cortou a pensão. Em seguida ela foi expulsa da Golden Dawn. Mathers afirmou estar seguindo as ordens dos mestres secretos, mas mesmo assim sua reputação foi abalada e ele passou a ser visto com desconfiança pelos demais membros. Talvez o tipo de pessoa atraída pelo formato apresentado pela G.'.D.'. fosse incompatível com o tipo de pessoa que acata qualquer ordem e que obedece cegamente as autoridades. O fato é que muitas pessoas foram expulsas nos anos que se seguiram e a fama dele de pessoa insana aumentou consideravelmente.

Mr. Crowley


É neste cenário conturbado que, em 1898, um jovem chamado Aleister Crowley ingressa na Golden Dawn.

Existe uma tendência clara nos historiadores ocultos de culpá-lo pela derrocada da Ordem. Contudo, a verdade é que com ou sem ele a situação já estava próxima da insustentável. Existiam motivos políticos fortes e egos inflados querendo dominar a situação. A tensão existia especialmente entre os Adepit Minores, a elite da Segunda Ordem, que estavam cada vez mais ansiosos para fazerem seus próprios contatos com os Mestres Secretos.

De qualquer forma Crowley já possui a má fama por ser bissexual na reprimida sociedade vitoriana e a amizade dele com MacGregor causou grande preocupação. Em 1899 Mathers recebeu uma carta dos oficiais dos demais templos londrinos desaprovando que ele desse a Frater Perdurabo (o motto de Crowley na época) a permissão de entrar na Segunda Ordem interna. Conselho este que foi completamente ignorado. Conforme era a regra Crowley foi iniciado na Segunda Ordem logo que concluiu as tarefas e estudos da Primeira Ordem.

Diante da situação os líderes votaram a expulsão de Mathers da Golden Dawn. Quase todos estavam de acordo com a expulsão, com exceção de apenas cinco pessoas, a maioria amigos pessoais de Crowley.

Tecnicamente o sócio fundador estava excluído, mas eles ignoraram um detalhe importante, Mathers não dava a mínima importância para isso. Respondeu a insolência em carta, segue um trecho da mesma:
"Devo dizer abertamente que só é possível nas aparências me remover como cabeça visível da Ordem, mas isso não pode ser assim devido a certos elos mágicos. Vocês não encontrarão nada senão erros e problemas até que expiem tão severo karma como é o de se opor a uma corrente enviada neste final de século para regenerar o Planeta."

Ataques Astrais


O incidente serviu de desculpa para que o grupo londrino da G.'. D.'. liderado por William Butler Yeats se declarasse independente de seu fundador. Mathers reagiu exonerando muitas das lideranças de seus postos e abolindo oficialmente o comitê londrino.

Houve uma polarização da situação e Mathers não ficou com muitos amigos do seu lado. A G.'.D,', dividiu-se cada vez mais em vários templos independentes.

Existem relatos da época descrevendo uma série de ataques astrais e cerimônias mágicas bélicas entre Yeats e Mathers e Crowley. Conta-se que quando a desordem começou Mathers fez um ritual com ervilhas, batizando cada uma delas com o nome mágico de um insurgente. Em seguida usando a fórmula da Grande Tábua Enoquiana do Espírito evocou os demônios Beelzebub e Typhon-Set oferecendo as ervilhas eles.

Talvez este seja a mais bem sucedida maldição documentada na história. Em menos de um ano todos os membros tiveram fins trágicos, loucos ou financeiramente desagradáveis e os templos londrinos começaram a ruir. Por fim, na virada do século MacGregor ameaçou esmagar os rebeldes restantes com uma maldição ainda mais terrível gerada pelos próprios Chefes Secretos. Ironias a parte, em seguida mandou Crowley a Londres.

Crowley estava munido de instruções bem específicas do que fazer quando chegasse na Inglaterra. Sua devoção se deve em parte à amizade que estabeleceu com Mathers e também é uma boa dose de ambição de obter uma posição de liderança dentro da ordem. Estas instruções incluíam uma lista de todos os novos dirigentes de Isis-Urania, informações legais necessárias para processar os membros rebeldes, ordens para entrevistar separadamente cada um dos membros da Segunda Ordem e conselhos mágicos para estes e outras tarefas de sua missão. Sua viagem resultou em uma debandada geral com muitos membros antigos abandonando o templo.

Sr. e Sra. Horos


No meio desta guerra mágica, Mathers teve que lidar com um outro inconveniente embaraçoso. Em 1901 um curioso casal se aproxima dele, chamando a si mesmos de Sr. e Sra Horos. Ele extremamente magro e franzino, ela imensamente gorda. Os dois pareciam ter uma certa fama no meio ocultista londrino e inclusive apresentaram alguns certificados de outras ordens.

O casal convenceu Mathers que a Sra. Horos era na verdade Annie Sprengel, a correspondente original que deu origem a Ordem. Com o tempo acabaram conseguindo colocar as mãos em rituais e documentos secretos da organização.

Descobriu-se então que se tratava de um casal de charlatões. Entretanto, antes que algo pudesse ser feito eles partiram em retirada para Londres e mudaram de identidade. Após perceber o erro McGregor processou ou casal, mas infelizmente os rituais já haviam sido publicados por eles em vários jornais londrinos.

Por pior que fosse esta situação, o estrago ainda não estava completamente feito. Em dezembro de 1901, o casal foi julgado por estupro. Os jornais imediatamente ligaram o casal com a G.'.D,', que teve a reputação severamente manchada pelo escândalo. O dano foi tão grande que Ísis-Urania, o templo rebelde de Londres mudou seu nome para Stella Matutina e de seu lado Mathers fechou a Golden Dawn oficialmente reabrindo-a com o nome de Ordem Rosacruciana do Alpha+Omega.

Um novo inimigo


Em 1902 Mathers, tenta uma última vez retomar sua influência nos templos. Adotou para isso o título de 'Imperador' e declarou que esta autoridade lhe foi dada pelos mestres secretos da Ordem. Os membros agora independentes não lhe deram ouvidos e votaram por sua expulsão juntamente com Frater Perdurabo.

Alguns anos depois Crowley aparece com seu "Livro da Lei" e anuncia um novo elo de comunicação com os Mestres Secretos proclamando-se o Magus Supremo da Golden Dawn. Esta afirmação desagradou imensamente MacGregor, agora com 50 anos de idade. Iniciou-se então um novo duelo mágico. Mathers usou o sistema goético das Clavículas de Salomão, mas ao que tudo indica errou o alvo pois imediatamente os três cães de Crowley apareceram mortos.

Crowley começou em março de 1909 a publicar sua revista "Equinox of the Gods" (Equinócio dos Deuses) e o continuaria a fazer pelos próximos cinco anos. Logo no segundo número da revista ele publicou uma versão resumida dos rituais resumidos da Primeira Ordem da Golden Dawn que havia jurado manter em sigilo - conforme ele afirmaria mais tarde, seguindo orientação dos Chefes Secretos. Além disso anunciou que os rituais da Segunda Ordem seriam publicados na edição seguinte. Alarmado Mathers tentou tomar medidas legais para evitar que isso acontecesse, mas estas ações legais nunca chegaram a ser úteis e os rituais foram publicados, embora de fato a revista tivesse uma tiragem bem limitada.

Conclusão


A despeito de suas imperfeições humanas, sua extravagância e possível autoritarismo Mathers deve ser lembrado por ter dedicado sua vida inteira a criar (ou resgatar) as bases da magia ocidental. Não foi apenas um dos fundadores da Golden Dawn, mas a origem de seus mais importantes rituais e documentos. Muito da prática mágica contemporânea, seja oriunda da Thelema, do Neo-Paganismo ou da Magia do Caos deve sua existência diretamente a estes ensinamentos.

Samuel Liddell "MacGregor" Mathers viveu ainda o bastante para ver o começo e o fim da Primeira Guerra Mundial. Ao que tudo indica faleceu aos 64 anos provavelmente devido a complicações de saúde durante uma epidemia de gripe em novembro de 1918.

Uma pena para os poucos que acreditavam em suas histórias de imortalidade. Seja como for não existe nenhum registro em cartório do falecimento e nenhuma tumba que possamos visitar.

FONTE: MORTE SÚBITA

RASPUTIN (1869 - 1916)

“Se para a salvação do espírito é necessário o arrependimento, e para o arrependimento acontecer é preciso o pecado. Então o espírito que quer ser salvo, deve começar pecar o quanto antes.”- Rasputin



Ele é um destes personagens históricos que é citado tanto por pesquisadores do ocultismo como por entusiastas da psicologia aplicada. Rasputin, o Monge Louco, foi considerado um devasso para uns, uma benção para outros e um mistério para todos. Toda sua vida esta envolta em uma névoa de segredos que nos revelam uma figura sombria que soube como ninguém usar da manipulação psicológica e do ocultismo para atingir seus próprios objetivos.

Rasputin foi um diabo consagrado e o mais pecador de todos os santos. Sem dúvida, o mais indulgente de todos os ascetas. Tinha um especial talento para unir o sagrado e o profano sob seu manto negro causando ao mesmo tempo a admiração e o respeito de seguidores e medo e terror em seus adversários.

Nascido na aldeia de Rasputje, Sibéria, em 1869, desde muito cedo sempre demonstrou um grandioso fascínio pelo ocultismo e por tudo o que fosse secreto e hermético. Enquanto crescia especializou-se em controle psicológico, técnicas de cura, teologia, leitura corporal, predestinação, ilusionismo, magnetismo, artimanhas teatrais e especialmente hipnose.

Quando atingiu a maturidade, Rasputin entrou em contato com a Seita dos Flagelantes, um controverso grupo que guardando as devidas particularidades tinha uma visão de mundo, objetivos e práticas muito similares ao dos satanistas de hoje. Esta era uma das muitas seitas eróticas que viviam sob o olhar apreensivo da Igreja Ortodoxa pré-revolução de 1917.

A premissa básica destas seitas era que não há sentido para a salvação se não fossemos pecadores.

Seus rituais envolviam a celebração de deuses pagãos seguidos de dança e festividades, mas especialmente conhecidos por sua sensualidade e entrega aos prazeres da carne. A Seita dos Flagelantes ensinava que dentro de cada ser humano brilha uma centelha divina, e que o simples reconhecimento desta essência dentro de cada um era o suficiente para a extinção de todas as amarras impostas ao ser humano. No ritual principal, a coabitação com alguém eleito, (alguém carregado de espírito santo e consciente disso) terminaria por unir a humanidade com a divindade e transformaria todo o pecado antigo em nova virtude.

Além disso, a seita dos Flagelantes argumentava que não haveria qualquer sentido no plano de salvação se os humanos não fossem pecadores desde o princípio.

Para eles, quanto mais o homem pecasse, mais Deus iria perdoar e mais Deus seria exaltado como o ser superior e supremo. A princípio estas justificações para as práticas destas seitas parecerá bastante hipócrita para a maioria de nós hoje em dia, mas ao
entendermos a mentalidade russa do período, a repressão Czarina e o poderio do clero naqueles tempos, seus argumentos se revelaram na verdade bastante sensatos.

É nessa atmosfera quase controversa que encontramos Grigorig Efimovich Rasputin, que já casado e com filhos abandonou tudo para tornar-se um peregrino errante. Foi neste período que de cidade em cidade ganhou a fama de homem santo, poderoso mago e perigoso feiticeiro. Quando chegou em São Petersburgo, no ano de 1903, sua fama já estava tão bem construída que rapidamente despertou o interesse da supersticiosa dinastia Romanov.

Utilizando seus conhecimentos em uma mistura de “cura pela fé”, teatro e hipnose, Rasputin podia amenizar os problemas de Alexei, filho primogênito do Czar que era hemofílico. Automaticamente ganhou o título de 'Enviado de Deus' e a confiança e admiração de Alexandra Feodorovna, mãe do garoto, fixando assim com firmeza seus pés sobre o tapete vermelho da aristocracia russa e abandonando de vez seus dias de vadiagem, miséria e peregrinação.

O Monge do pecado soube aproveitar sua situação com brilhantismo, não havia decisão importante de Nicolau II que não passasse pelo aconselhamento do “Amigo da Família”. Sua fama espalhou-se da capital para todo o império. E figuras de autoridade de todo o reino batiam a porta de Rasputin em busca de algum favor da realeza. De certa forma, o maior império do século XIX passou a ser comandado por um bruxo.

À parte de sua fama como poderoso mago, Rasputin manteve a princípio uma imagem de santidade e retidão. Mas mesmo mais tarde quando os relatórios da policia czarina denunciaram diversas bebedeiras e libertinagem do monge, nada parecia poder abalar seu prestígio real. Mesmo quando as cartas de amor dele com a própria Alexandra foram tornadas públicas, nada eliminava sua poderosa influência.

Em 1914 estoura a Primeira Guerra Mundial e a Rússia posiciona-se ao lado da França e da Inglaterra. O Czar Nicolau II é obrigado a ocupar-se com assuntos militares. O palácio e o governo interno passaram para as mãos de Alexandra, e consequentemente para Rasputin. Descontentes com a forte influência de Rasputin, a nobreza russa passou então a conspirar pela morte do 'Monge Louco'.

A ideia inicial era envenená-lo e Rasputin foi convidado para um jantar com Gran Duque Pavlovitch, o sobrinho do czar Félix Iussupov e Vladimir Purichkevitch, deputado. No entanto, provavelmente graças a uma medida preventiva do monge, o veneno não fazia qualquer efeito. E Rasputin conscientemente se mostrava cada vez mais forte e disposto com o passar do jantar. Estupefatos com a situação os nobres o balearam e ainda assim este levantou-se do chão após o tiro. Por fim Rasputin foi amarrado e jogado no rio Neva, onde finalmente morreu afogado.

Sua resistência à morte deu ainda mais força para a imagem sobrenatural que construiu durante toda sua vida. Rasputin não foi nem santo, nem demônio, foi sim um gênio que soube criar uma aura de ocultismo e mistério para usá-la em seu próprio benefício. Sua figura tornou-se lendária, cruzou as fronteiras da Rússia e do tempo. Seja como símbolo do poder sobrenatural seja como ícone da esperteza humana, sua enigmática figura sobrevive até os dias de hoje.

FONTE: MORTE SÚBITA

O Primeiro Museu Russo do Erotismo expõe Pênis de Rasputin


O museu foi fundado por Igor Knyazkin, o chefe da pesquisa de próstata centro de São Petersburgo, da Academia Russa de Ciências Naturais.

Knyazkin disse ao jornal que museus do sexo e do erotismo existem em muitos países europeus, e ele queria que a Rússia sendo um país civilizado, tivesse um ponto de vista acertado sobre o futuro e com visões corretas sobre erotismo.

Há uma exposição no museu que faz Knyazkin ser especialmente orgulhoso. Este é o pênis de 30 centímetros preservado de Grigory Rasputin [ver
foto].

"Tendo esta exposição, podemos parar de invejar a América, onde o pênis de Napoleão Bonaparte é mantida agora. ... O pênis de Napoleão é apenas um pequeno falo que não pode ser comparado ao nosso órgão de 30 centímetros ...", disse o chefe do museu.

Rasputin, apelidado de "Mad Monk" pelos historiadores, nasceu em 1869 na Sibéria, chegou a São Petersburgo em 1911 e em poucos anos se tornou um dos homens mais influentes círculos governamentais. Sua ascensão à proeminência foi devido a sua estreita relação com a esposa de Nicolau II, Alexandra. O herdeiro do trono sofria de hemofilia, e só Rasputin podia parar o sangramento do menino. Devido a isso, Alexandra acreditava que ele era um homem santo enviado para proteger Alexis e ela manteve-o por perto em todos os momentos.

No entanto, muitos historiadores apontam para o culto incomum que Rasputin praticado na corte dos imperadores - uma estranha mistura de cristianismo e práticas sexuais. Muitas das mulheres nobres eram acusadas de ser envolver em relações sexuais com Rasputin, possivelmente incluindo a Imperatriz.

No final de 1916, um grupo de aristocratas decidiu que a influência de Rasputin tinha crescido muito e que ele tinha que ser morto, a fim de salvar a Rússia.

Eles atraíram-lo ao palácio de um dos príncipes; alimentaram-no com bolos e vinho envenenado, atiraram nele e depois jogaram-no no rio congelado.

O endereço do museu do erotismo de St. Petersburg:
Furshtatskaya embankment, 47/11a (metro Chernyshevskaya).
Tel.: (812) 320 76 00.
Aberto diariamente 8:00-21:30

Fonte: WAY TO RÚSSIA

ANNIE BESANT

Annie Wood Besant (Londres, Inglaterra, 1 de outubro de 1847 – Adyar, Madras, Índia, 30 de setembro de 1933) foi uma teósofa, militante socialista, maçom, ativista e defensora dos direitos das mulheres, uma das mais notáveis oradoras da sua época e autora de uma vasta obra literária sobre Teosofia.

Annie Wood Besant nasceu em 1847 e casou-se em Hasting, Sussex, com o reverendo Frank Besant, irmão mais novo de Walter Besant. Seu casamento durou seis anos e eles se separaram em 1873. Foi dada a seu marido a custódia permanente de seus dois filhos, Mabel e Arthur. Ela lutou pelas causas que acreditava serem justas, iniciando com a liberdade de pensamento, direitos das mulheres, secularismo (ela era membro líder da Sociedade Nacional Secular, ao lado de Charles Bradlaugh), controle de natalidade, socialismo fabiano e direito dos trabalhadores.

Sua mais notável vitória neste período foi a greve que ela liderou em 1888 para melhorar a saúde e segurança das trabalhadoras de uma fábrica de fósforos. Durante aquele período a indústria de fósforo era extremamente poderosa, uma vez que a energia elétrica não estava ao alcance de todos e fósforos eram essenciais para acender velas, lampiões de gás etc. A greve de Annie Besant marcou história, pois foi a primeira vez que alguém desafiou com sucesso os fabricantes de fósforos; também foi considerada uma marca de vitória dos primeiros anos do movimento socialista na Inglaterra.

Em 1889 ela foi solicitada a escrever uma crítica sobre a Doutrina Secreta, um livro escrito por Blavatsky.

Depois de ler a obra, ela realizou uma entrevista com a autora, tendo-se tornando membro da Sociedade Teosófica.

Algum tempo após o falecimento de Blavatsky, Besant acusou William Quan Judge, líder da seção Norte Americana da Sociedade Teosófica, de falsificar cartas dos Mahatmas. Tal conflito causou na época a separação de uma grande parte das lojas nos Estados Unidos da Sociedade Teosófica. Annie Besant em 1903 mudou-se para Índia e em 1908 foi eleita presidente internacional da Sociedade Teosófica, posição esta que ocupou até falecer em 1933.

Em 1912 Annie Besant, Marie Russak e James Ingall Wedgwood fundaram a Ordem do Templo da Rosa-Cruz. Em razão dos numerosos problemas originados na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, as atividades tiveram que ser suspensas.

Besant retornou a suas tarefas como Presidente Mundial da Sociedade Teosófica, Wedgwood seguiu trabalhando como bispo da Igreja Católica Liberal e Russak manteve contato na Califórnia com Harvey Spencer Lewis, ao qual ajudou na elaboração dos rituais da Ordem Rosa-cruz AMORC.

Em consequência do seu ativismo pelos direitos da mulher, causas humanitárias e interesse pelo ocultismo, Annie Besant pediu para ingressar na Ordem Maçônica Internacional Le Droit Humain (co-maçonaria). Em 1902, juntamente com Francesca Arundale, viajou a Paris, onde foi iniciada nos três primeiros graus da maçonaria. De regresso a Inglaterra Annie Besant criou a Co-maçonaria e fundou três Lojas Maçônicas em Londres, três Lojas no Norte de Inglaterra, outras três no Sul de Inglaterra e uma Loja na Escócia.

Mais tarde fundou Lojas e Capítulos da Co-maçonaria em Canadá, Índia, Ceilão, América do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

Na Índia, fundou a Liga Nacionalista Indiana. Ela dedicou-se não somente a Sociedade Teosófica, mas também ao progresso e liberdade da India. Foi a primeira mulher eleita Presidente do Congresso Nacional da Índia. Besant Nagar é o nome dum bairro (próximo à sede da Sociedade Teosófica) em Chennai, assim designado em sua honra.


Adotou como filho o jovem indiano Krishnamurti, que era tido pelos teósofos como um grande mestre.

SUAS OBRAS

Em português:
Brahmavidya - Sabedoria Divina
Dharma
Karma
O Enigma da Vida
O Homem e Seus Corpos
Reencarnação
Sugestões para o Estudo do Bhagavad-Gita
Um Estudo Sobre o Karma
A vida do Homem em Três Mundos
Formas de Pensamento
Ocultismo, Semi-ocultismo e Pseudo-ocultismo
Vegetarianismo e Ocultismo
A Doutrina do Coração
A Vida Espiritual
Os Ideais da Teosofia
Os Sete Princípios do Homem
Sabedoria Antiga
Os Avatares
Morte... e Depois?
Os Mestres
Do Recinto Externo ao Santuário Interno
Um Estudo Sobre a Consciência
A Sabedoria dos Upanixades
O Homem - Donde e Como Veio, e Para Onde Vai?
O Poder do Pensamento
Introdução ao Ioga
O Cristianismo Esotérico

Em inglês:
The Political Status of Women (1874)
Marriage, As It Was, As It Is, And As It Should Be: A Plea For Reform (1878)
The Law Of Population (1877)
Autobiographical Sketches (1885)
Why I became a Theosophist (1889)
An Autobiography (1893)
The Ancient Wisdom (1898)
Thought Forms (1901)
Bhagavad Gita (Tradução) (1905)
Introduction to Yoga (1908)
Occult Chemistry
The Doctrine of the Heart (1920)
Esoteric Christianity
super-Human Men
Theosophy and the new Psychology