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Enuma Elish


O Enûma Eliš (em cuneiforme acádico: 𒂊𒉡𒈠𒂊𒇺), é o mito de criação babilônico. Ele foi descoberto por Austen Henry Layard em 1849 (em forma fragmentada) nas ruínas da Biblioteca de Assurbanipal em Nínive (Mossul, Iraque), e publicado por George Smith em 1876.[1]
O Enûma Eliš tem cerca de mil linhas escritas em babilônico antigo sobre sete tábuas de argila, cada uma com cerca de 115 a 170 linhas de texto. A maior parte do Tablete V nunca foi recuperado, mas com exceção desta lacuna o texto está quase completo. Uma cópia duplicada do Tablete V foi encontrada em Sultantepe, antiga Huzirina, localizada perto da moderna cidade de Şanlıurfa na Turquia.
Este épico é uma das fontes mais importantes para a compreensão da cosmovisão babilônica, centrada na supremacia de Marduk e da criação da humanidade para o serviço dos deuses. Seu principal propósito original, no entanto, não é uma exposição de teologia ou teogonia, mas a elevação de Marduk, o deus chefe da Babilônia, acima de outros deuses da Mesopotâmia.
O Enûma Eliš possui várias cópias na Babilônia e Assíria. A versão da biblioteca de Assurbanipal data do 7º século a.C. A composição do texto, provavelmente, remonta a Idade do Bronze, nos tempos de Hamurabi ou talvez o início da Era Cassita (cerca de 18 a 16 séculos AEC), embora alguns estudiosos favoreçam uma data posterior a ca. 1100 AEC
Dadas as suas enormes semelhanças com a narração bíblica do Génesis, várias discussões têm surgido sobre qual das histórias é a original e qual é uma adaptação à religião em causa. Para a cultura babilónica, o Enuma Elish explica a origem do poder real, a sua natureza, a permanência da instituição e a sua legitimidade. A realeza humana e terrena tem a sua origem na realeza divina. A divindade continuará a ser o verdadeiro rei e também o modelo a imitar pelo rei terreno. A existência de um modelo divino impõe limites à realeza humana.
Quando os sete tabletes foram descobertos pela primeira vez, as evidências indicavam que ele fora usado em um "ritual", significando que ele era recitado durante uma cerimônia ou comemoração. Essa festa é agora conhecida como o festival de Akitu, ou o ano novo babilônico. Esta, fala da criação do mundo e do triunfo de Marduk sobre Tiamat, e como se relaciona com ele tornando-se o rei dos deuses. Então segue-se uma invocação a Marduk por seus cinqüenta nomes.
O título, significando "quando no alto" é o incipit. O primeiro tablete começa:








e-nu-ma e-liš la na-bu-ú šá-ma-mu
šap-liš am-ma-tum šu-ma la zak-rat
ZU.AB-ma reš-tu-ú za-ru-šu-un
mu-um-mu ti-amat mu-al-li-da-at gim-ri-šú-un
A.MEŠ-šú-nu iš-te-niš i-ḫi-qu-ú-šú-un
gi-pa-ra la ki-is-su-ru su-sa-a la she-'u-ú
e-nu-ma dingir dingir la šu-pu-u ma-na-ma


"Quando no alto não se nomeava o céu,
e em baixo a terra não tinha nome,
do oceano primordial (Apsu), seu pai;
e da tumultuosa Tiamat, a mãe de todos,
suas águas se fundiam numa,
e nenhum campo estava formado, nem pântanos eram vistos;
quando nenhum dos deuses tinha sido chamado a existência,



Tábua I
Os vários deuses representam aspectos do mundo físico. Apsu é o Deus da água doce e Tiamat, sua esposa, é a Deusa do mar e, consequentemente, do caos e da ameaça. A partir deles, vários deuses são criados. Estes novos deuses são demasiado tumultuosos e Apsu decide matá-los. Ea descobre o plano, antecipa-se e mata Apsu. Posteriormente, Damkina, esposa de Ea, dá à luz Marduk. Entretanto, Tiamat, enraivecida pelo assassinato de seu marido jura vingança e cria onze monstros para executar uma vingança. Tiamat casa com Kingu e coloca-o à frente de seu novo exército.

Tábua II
As forças que Tiamat reuniu preparam-se para a vingança. Entretanto Ea descobre o plano e confronta-a. Numa zona danificada da tábua é aparente a derrota de Ea. Anu desafia-a, mas tem o mesmo destino. Os deuses começam a temer que ninguém será capaz de deter Tiamat.

Tábua III
Gaga, ministro de Anshar, é encarregado de vigiar as atividades de Tiamat e de os informar da vontade de Marduk de a enfrentar.

Tábua IV
O conselho dos deuses testa os poderes de Marduk. Depois de passar o teste, o conselho entrega o trono a Marduk e encarrega-o de lutar com Tiamat. Com a autoridade do conselho, reune as armas, os quatro ventos e ainda os sete ventos da destruição, e segue para o confronto. Depois de prender Tiamat numa rede, liberta o Vento do Mal contra ela. Incapacitada, Marduk mata-a com uma seta no coração, capturando os deuses e monstros aliados. Marduk divide o corpo de Tiamat, usando metade para criar a terra e a outra metade para criar o céu.

Tábua V
Marduk cria residências para os outros deuses. À medida que estes vão ocupando o seu lugar vão sendo criados os dias, meses e estações do ano. As fases da Lua determinam o ciclo dos meses. Da saliva de Tiamat, Marduk cria a chuva. A cidade da Babilónia é criada sob a protecção do Rei Marduk.

Tábua VI
Marduk decide criar os seres humanos mas precisa de sangue para os criar, mas apenas um dos deuses poderá morrer, o culpado de lançar o mal sobre os deuses. Marduk consulta o conselho e descobre que quem incitou a revolta de Tiamat foi o seu marido, Kingu. O mata e usa seu sangue para criar o Homem, de forma a que este sirva de criado dos deuses. Em honra a Marduk, os deuses constroem-lhe uma casa na Babilónia, havendo um grande festim para os deuses quando terminada.


Tábua VII
Continuação do louvor a Marduk como chefe da Babilónia e pelo seu papel na criação. Instruções às pessoas para estas relembrarem os feitos de Marduk. Neste louvor surgem os 50 nomes de Marduk.


Comparação com o Livro do Génesis

São várias as similiridades entre a história da criação no Enuma Elish e a história da criação no Livro do Génesis. O Génesis descreve seis dias de criação, seguido de um dia de descanso, enquanto que o Enuma Elish descreve a criação de seis deuses e um dia de descanso. Em ambos a criação é feita pela mesma ordem, começando na Luz e acabando no Homem. A deusa Tiamat é comparável ao Oceano no Génesis, sendo que a palavra hebraica para oceano tem a mesma raiz etimológica que Tiamat.
Estas semelhanças levaram a que muitos estudiosos tivessem chegado à conclusão que ou ambos os relatos partilham a mesma origem, ou então uma delas é uma versão transformada da outra.





MITOLOGIA MAIA

A mitologia maia se refere às extensivas crenças politeístas da civilização maia pré-colombina. Esta cultura mesoamericana seguiu com as tradições de sua religião há 3.000 anos até o século IX, e inclusive algumas destas tradições continuam sendo contadas como histórias inventadas pelos maias modernos.

São só três textos maias completos que sobreviveram através dos anos. A maioria foi queimada pelos espanhóis durante sua invasão da América. Portanto, o conhecimento da mitologia maia disponível na atualidade é muito limitado.

O Popol Vuh (ou Livro do Conselho dos indianos quiché) relata os mitos da criação da Terra, as aventuras dos deuses gêmeos, e a criação do primeiro homem.

Os livros de "Chilam Balam" também contêm informação sobre a mitologia maia, geralmente descrevem as tradições desta cultura.

As crônicas de Chacxulubchen é outro texto importante para a compreensão da mitologia maia.

O Popol Vuh


A história maia da criação dos quiché é o Popol Vuh.

Neste se descreve a criação do mundo a partir do nada pela vontade do panteão maia de deuses. O homem foi criado da lama sem muito sucesso, posteriormente cria-se o homem a partir de madeira com resultados igualmente infrutuosos, depois dos dois fracassos se cria o homem em uma terceira tentativa, esta ocasião a partir do milho e se lhe atribuem tarefas que elogiaram a deuses: herrero, cortador de gemas, talhador de pedras, etc.

Alguns acham que os maias não apreciavam a arte por si mesmo, mas todos seus trabalhos eram para exaltação dos deuses.

Depois da história da criação, o Popol Vuh narra as aventuras dos heróis gêmeos legendários, Hunahpú e Ixbalanqué, que consistiram em derrotar aos Senhores de Xibalbá, do mundo terrenal. Estes são dois pontos focais da mitologia maia e a miúdo se encontraram representados em arte maia.

Mito da criação segundo os maias


Na mitologia maia, Tepeu e Gucumatz (o Quetzalcoatl dos astecas) são referidos como os criadores, os fabricantes, e os antepassados. Eram dois dos primeiros seres a existir e se diz que foram tão sábios como antigos. Huracán, ou o ‘coração do céu', também existiu e se lhe dá menos personificação. Ele atua mais como uma tempestade, da qual ele é o deus.

Tepeu e Gucumatz levam a cabo uma conferência e decidem que, para preservar sua herança, devem criar uma raça de seres que possam adorá-los. Huracán realiza o processo de criação enquanto que Tepeu e Gucumatz dirigem o processo. A Terra é criada, junto com os animais. O homem é criado primeiro de lama mas este se desfaz. Convocam a outros deuses e criam o homem a partir da madeira, mas este não possui nenhuma alma. Finalmente o homem é criado a partir do milho por uma quantidade maior de deuses e seu trabalho é completo.

Deuses notáveis


Os três primeiros deuses criadores

Estes realizaram a primeira tentativa da criação do homem a partir da lama, no entanto em breve viram que seus esforços desembocaram no fracasso, já que suas criações não se sustentavam por ser um material muito suave.
1. Gucumatz: Na mitologia maia, Gucumatz é o deus das tempestades. Achou vida por meio da água e ensinou aos homens a produzir fogo. É conhecido também por: Gucamatz, Cuculcán ou
Kukulkán.

2. Huracán: Em linguagem maia, Huracan significa "o de uma só perna", deus do vento, tempestade e fogo. Foi também um dos treze deuses criadores que ajudaram a construir a humanidade durante a terceira tentativa. Além disso provocou a Grande Inundação depois que os primeiros homens enfureceram aos deuses.

Supostamente viveu nas neblinas sobre as águas torrenciais e repetiu "terra" até que a terra emergiu dos oceanos. Nomes alternativos: Hurakan, Huracán, Tohil, Bolon Tzacab e Kauil.

3. Tepeu: Na mitologia maia, foi deus do céu e um dos deuses criadores que participou das três tentativas de criar a humanidade.

Os sete segundos deuses criadores

Estes deuses que realizaram a segunda tentativa de criar o homem a partir da madeira, mas este não possuía nenhuma alma.
1. Alom.

2. Bitol
- Deus do céu. Entre os deuses criadores, foi o que deu forma às coisas. Participou das duas últimas tentativas de criar a humanidade.

3. Gucamatz.

4. Huracán.

5. Qaholom.

6. Tepeu.

7. Tzacol.

Os treze últimos deuses criadores

Se podem encontrar referências aos Bacabs nos escritos do historiador do Século XVI Diego de Landa e nas histórias maias colecionadas no Chilam Balam. Em algum momento, os irmãos se relacionaram com a figura de Chac, o deus maia da chuva. Em Yucatán, Chan Kom se refere aos quatro pilares do céu como os quatro Chacs. Também acredita-se que que foram deuses jaguar, e que estão relacionados com a apicultura. Como muitos outros deuses, os Bacabs eram importantes nas cerimônias de adivinhações, e eram consultados a respeito de grãos, clima e até a saúde das abelhas, uma vez que eram deuses da apicultura também.

Os Senhores de Xibalbá


Xibalbá é o perigoso inframundo habitado pelos senhores malignos da mitologia maia. Se dizia que o caminho para esta terra estava infestado de perigos, era escarpado, espinhoso e proibido para os estranhos.

Este lugar era governado pelos senhores demoníacos Vucub-Camé e Hun-Camé. Os habitantes de Xibalbá eram treze:
1. Hun-Camé
2. Vucub-Camé
3. Xiquiripat
4. Chuchumaquic
5. Ahalpuh
6. Ahalcaná
7. Chamiabac
8. Chamiaholom
9. Quicxic
10. Patán
11. Quicré
12. Quicrixcac
13. Kinich-ahau

MITOLOGIA ASTECA

Os Astecas ou Aztecas foram um povo que habitou o centro-sul do México atual. Provinham de Aztlan. Sua mitologia era rica em deuses e criaturas sobrenaturais.

Assim como os romanos, os astecas incorporavam à sua religião divindades dos povos que conquistavam.

O povo asteca era politeísta, isto é, acreditavam em mais de um deus, e algumas divindades eram elementos naturais com a água, a terra, o fogo, o vento e a lua. As divindades também eram atribuídas a coisas que lhes causavam medo.

Mito da criação


Os astecas acreditavam que, antes do presente, existiam outros mundos formados por quatro sóis, cada um com um tipo de habitante:
Gigantes, que foram mortos por jaguares enviados por Tezcatlipoca;
Humanos que foram assomados por um grande vento feito por Quetzalcóatl, e então eles precisaram agarrar-se a árvores, transformando-se em macacos;
Humanos que viraram pássaros para não morrerem na chuva de fogo enviada por Tlaloc;
Humanos que viraram peixe para não morrerem no dilúvio causado pela deusa Chalchiuhtlicue;
e os humanos atuais, predestinados a sumir pela destruição empreendida por Deus do sol pelos terremotos.

No quinto sol, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria que se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, Tecuciztecatl retrocede ante o fogo; mas o segundo, um pequeno Deus, humilde e pobre (usado como metáfora do povo asteca sobre suas origens), Nanahuatzin, se lança sem vacilar à fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, o primeiro Deus, sentindo coragem, decide jogar-se transformando-se na Lua.

Ainda assim, os dois astros continuam inertes e é indispensável alimentá-los para que se movam. Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a "água preciosa", necessária para criar o sangue. Por isso os homens são obrigados a recriar eternamente o sacrifício divino original.

Eles acreditavam que os deuses gostavam destes sacrifícios. Eles eram geralmente praticados com prisioneiros de guerras. Para eles era uma honra dar a vida por um deus.

O sacrificio


Os astecas, assim como outras civilizações da Mesoamérica, capturavam pessoas de tribos, aldeias ou até mesmo de civilizações inimigas para o sacrifício. Geralmente, eles chegavam às aldeias, cidades ou tribos no meio da noite ou durante o amanhecer para atacar. Eles, primeiramente, entram em silêncio, matam os animais, entram na cabana do chefe e em seguida o matam. Depois de matar o chefe inimigo eles atacam os que estão dormindo ou distraídos. Os que resistiam levavam golpes na cabeça para ficar inconscientes. Em seguida, capturavam outras pessoas. Por último, vendiam as mulheres, os homens fracos e as crianças para nobres e só os com saúde e fortes iriam para sacrifício.

Representação dos deuses


Era comum a representação de deuses através de templos e obras gigantescas. Eles acreditavam que quanto maior a obra ou o templo maior era a adoração que esse Deus considerava. Para representar os deuses também eram criadas máscaras e objetos de cerâmica. Todo o conhecimento religioso era registrado em livros chamados de Códices, uma espécie de bíblia asteca. Os códices também continham imagens que representavam os deuses.

Astecas - Religião, culinária e cultura


Religião:
A religião asteca assumia um caráter politeísta, onde animais e elementos da natureza eram predominantes. Muitos dos deuses eram animas que representavam algum elemento da natureza. O Colibri Azul, por exemplo, era um deus que representava o sol do meio-dia. Além disso, outras divindades tinham vinculação exclusiva com certas atividades profissionais ou cidades astecas.

Eles acreditavam que se o sangue humano não fosse oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar. Os sacrifícios eram dedicados a:
:Huitzilopochtli ou Tezcatlipoca: o sacrificado era colocado em uma pedra por quatro sacerdotes, e um quinto sacerdote extraía, com uma faca, o coração do guerreiro vivo para alimentar seu Deus;
Tlaloc: anualmente eram sacrificadas crianças no cume da montanha. Acreditava-se que quanto mais as crianças chorassem, mais chuva o Deus proveria.

No seu panteão havia centenas de deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. Observações astronômicas e estudo dos calendários faziam parte do conhecimento dos sacerdotes.

O Deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Os sacerdotes formavam um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais.

Segundo o divulgado pelos conquistadores o derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais e de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses, contudo se considerarmos a relação da religião com a medicina encontraremos um sem número de ritos.

Há referências a um Deus sem face, invisível e impalpável, desprovido de história mítica para quem o rei de Texoco, Nezaucoyoatl, mandou fazer um templo sem ídolos, apenas uma torre. Esse rei o definia como "aquele, graças a quem nós vivemos".

Os templos religiosos dos astecas eram bastante complexos e marcava uma determinada contagem do tempo. A construção de suas pirâmides era realizada a partir de um conjunto de blocos de pedra que sofria alterações a cada cinquenta e dois anos. Cada reforma simbolizava o agradecimento do povo aos deuses que conservaram a existência do mundo.

Culinária:
O milho constituía a base alimentar do povo asteca.

Através do preparo dos grãos produziam panquecas que eram recheadas por grãos secos, pequenos insetos, girinos e peixes. Outro alimento bastante utilizado era o cacau de onde se extraía uma bebida chamada xocoalt, que mais tarde deu origem ao chocolate. Várias outras sementes e temperos complementavam a culinária asteca. Animais eram domesticados para o abate e o consumo, e alguns deles só faziam parte da mesa das classes mais abastadas.

Cultura:
O povo asteca deu grande importância ao desenvolvimento de diversas áreas do saber.

Possuíam um calendário que muito se assemelhava aos padrões utilizados na contagem feita do tempo hoje. Sua linguagem era tanto pictórica quanto hieroglífica, ou seja, utilizavam de desenhos, símbolos e sons para transmitirem uma mensagem.

O desenvolvimento da escrita entre os astecas não tinha apenas um caráter funcional, muitos poemas, cantos religiosos e peças teatrais foram registradas por seu sistema de escrita.

A medicina entre os astecas era uma tarefa desempenhada por xamãs e curandeiros. Por meio de rituais e transes diagnosticavam a doença e o tratamento contra certo incomodo físico. A fitoterapia era um método recorrente na preparação de infusões, chás e pomadas destinadas aos mais variados tratamentos médicos. Por meio do conhecimento acumulado faziam sangrias, tratavam feridas, curavam cáries e doenças visuais e auditivas.

Entre os astecas também existiam arquitetos responsáveis por elaborar a construção de templos e obras públicas. Diversos palanques, rampas e represas eram elaboradas para o desenvolvimento da agricultura. Além disso, o complexo grau de elaboração arquitetônica era marcante nos templos e palácios astecas.

No âmbito da pintura e da escultura desenvolveram ricas técnicas de cunhagem em metais. Suas gravuras possuíam perspectiva e as imagens sempre eram retratadas de frente ou de perfil. Várias cores adornavam o padrão estético asteca, sempre marcado por cores quentes e vibrantes. Outro trabalho artístico asteca empregava a manipulação de penas e plumas utilizadas na confecção de adornos e acessórios utilizados por nobres, sacerdotes e autoridades políticas.

A riqueza da cultura e dos saberes dos astecas demonstra o notório potencial criativo deste povo.

Além disso, a diversidade cultural asteca questiona o tradicional olhar eurocêntrico que coloca as demais civilizações como abaixo do “elevado grau” de desenvolvimento da cultura européia. Infelizmente, toda essa riqueza foi em grande parte perdida com o processo de dominação espanhola deflagrado no século XVI.

Por Rainer Sousa

Sacrifícios humanos na América pré-colombiana

O sacrifício humano, na América pré-colombiana, era uma prática religiosa realizada no contexto de certos cultos praticados pelos povos indígenas das Américas. Foi documentado tanto pelos códices quanto pela iconografia pré-colombiana em geral. Ainda que os casos mais notórios sejam os ocorridos na área mesoamericana, sua existência foi provada também nas regiões habitadas pelos incas e noutras partes do continente. A prática do sacrifício humano nas religiões indígenas foi questionada desde a chegada dos europeus à América, no século XVI, existindo evidências documentais e histórico-arqueológicas suficientes para confirmar a sua existência.


Apesar de bem documentada e registrada nas sociedades das Américas Central e do Sul, a prática do sacrifício humano ainda está envolta em algum mistério; as exatas ideologias por trás do ritual ainda são desconhecidas; as teorias mais aceitas indicam que as vítimas eram executadas como forma para aplacar determinados deuses.

A prática do assassinato ritual de seres humanos foi comum a diversas culturas do mundo antigo. As vítimas eram mortas de maneira ritualística, como oferenda, ou de maneira a apaziguar os deuses, nos mais diferentes contextos. Existem evidências arqueológicas de sacrifícios humanos entre os celtas da Idade do Bronze, e em rituais relacionados à adoração dos deuses entre os povos germânicos na Escandinávia. Os antigos hebreus teriam praticado sacrifícios em épocas pré-bíblicas, e a história de Abraão e seu filho Isaac sugere que a certo momento houve uma ruptura com a prática. Escavações no palácio real de Cnossos (dito "do rei Minos") apontaram evidências arqueológicas de sacrifícios rituais, e os romanos, cuja religião havia sancionado o sacrifício humano durante os primeiros séculos da existência de Roma, acusaram Cartago, durante as Guerras Púnicas, de sacrificar crianças com o intuito de aplacar seus deuses. Na Índia por muito tempo existiu a prática do ritual chamado Sati, em que a viúva deve se lançar sobre a pira funerária de seu falecido marido - prática que ocasionalmente ainda ocorre em áreas rurais do país.


O sacrifício humano esteve presente como aspecto cultural de diversos povos que habitavam a Mesoamérica antes da chegada dos espanhóis, em 1492.

Os historiadores conhecem melhor o período pós-clássico do chamado "altiplano" que o de outras regiões; a prática de expor os crânios dos sacrificados já se observava em Huamelulpan (Oaxaca, México) no início da Era Cristã, e em locais ocupados em períodos posteriores, como Copán (Honduras) e Uxmal (também no México). Estes tzompantli alcançaram grandes proporções, maiores inclusive que diversos tzompantli da grande capital asteca, Tenochtitlán.

Os olmecas foram a primeira grande civilização da Mesoamérica. Embora as evidências existentes de sacrifícios de crianças entre eles não tenham sido irrefutáveis, diversos esqueletos completos de recém-nascidos e de fetos foram encontrados, assim como fêmures e crânios, foram encontrados no paul sacrifical de El Manatí, em Veracruz, no México. Estes ossos eram associados com oferendas sacrificatórias, em particular bustos de madeira. Ainda não se sabe como estas crianças vieram a morrer.

Alguns estudiosos também associaram o sacrifício de crianças com a arte ritual olmeca que mostra "bebês-jaguares", como no Altar 5 de La Venta, em Tabasco, México, e no monumento de Las Limas; porém, respostas definitivas só virão com novos achados.

Entre os maias, o sacrifícios de prisioneiros recriava a sua cosmogonia, e ocupava um papel central na ideologia dos soberanos. O arqueólogo e antropólogo americano Michael D. Coe exemplifica a grande mudança produzida pelos novos estudos da civilização maia, desde que os seus hieróglifos foram decifrados: Agora é surpreendentemente claro que os maias da época clássica, e seus antecessores do Pré-Clássico, eram governados por dinastias hereditárias de guerreiros, para quem o auto-sacrifício, o derramamento de sangue, e o sacrifício da decapitação humana, eram obsessões supremas.

A extração do coração aparece em diversos exemplos na arte maia, como na sua cerâmica pintada, como o exemplo célebre da vasilha onde há uma imagem pintada onde se vê o assassinato ritual dum prisioneiro atado a um cadafalso por um indivíduo grotesco, que lhe remove as estranhas com uma lança, enquanto músicos tocam tambores e trompetas - "uma das cenas mais terríveis da arte maia".


Nos muros de Bonampak também existem terríveis imagens de tortura ritual.

Outra forma de sacrifício praticada entre os maias constitia em empurrar a vítima ainda viva para dentro dos cenotes.


Em 2005 uma vala comum com crianças de um a dois anos, sacrificadas, foi encontrada na região maia de Comalcalco. Os sacrifícios, aparentemente, foram realizados por ocasião da consagração de templos que haviam sido construídos na "acrópole" de Comalcalco.

Encontraram-se também crânios que sugerem que, como os astecas e os maias realizavam sacrifícios de crianças em circunstâncias específicas. No período clássico da civilização maia existem obras artísticas que retratam crianças tendo seus corações arrancados durante a ascensão ao trono de novos reis, ou para celebrar o início de novos ciclos no calendário maia.

Num dos casos notórios, a estela 11 de Piedras Negras, Guatemala, um garoto sacrificado pode ser visto com uma cavidade em seu peito. Outras cenas de crianças sacrificadas podem ser vistas em diversas jarras pintadas.

No Iucatã, México, os sacrifícios de crianças continuaram até pouco antes da chegada dos europeus, chegando inclusive a ocorrer durante os primeiros anos do período colonial.


Em 2007 arqueólogos anunciaram que haviam analisado os restos de duas dúzias de crianças, de cinco a quinze anos, encontradas enterradas com pequenas figuras de Tláloc. As crianças, encontradas próximas às antigas ruínas de Tula, a capital dos toltecas, haviam sido decapitadas. Os restos foram datados entre 950 e 1150.


Em Teotihuacán, a grande metrópole do período clássico mesoamericano, o sacrifício através da extirpação do coração foi uma prática importante,
como se observa na pintura mural típica. Pouco se sabe da civilização local; não se conhece nem mesmo o nome de um único rei, e o próprio nome Teotihuacán é uma invenção mesoamericana posterior. Os ossos encontrados na Pirâmide do Sol e na Pirâmide da Lua fazem supor que os sacrifícios eram realizados em honra ao deus Tláloc.

Em 2007 uma análise do DNA das vítimas confirmou que elas eram trazidas de povos muito distantes.