terça-feira, 5 de junho de 2012

A GRANDE TRADIÇÃO DOS ÆONS (parte II) - por Frater S.-H. 6º=5 A∴A∴

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Quando falamos de Æons a grande maioria das pessoas pensam naquele período de tempo de
aproximadamente dois mil anos. No entanto, os Æons não são um período de tempo tão curto, como comumente se acredita, mas um período um pouco maior que demarca um fase distinta de
pensamento evolutivo e iniciático, assim como em todas as áreas do conhecimento humano e não apenas na mágica.

Os Æons são como grandes círculos de tempo, onde uma determinada característica da evolução mágica da humanidade nasce, cresce e morre.

Quando Mestre Therion dizia que
a humanidade tinha passado por dois Æons e que agora se iniciava um terceiro, o Æon de Hórus, chamando os dois anteriores de Ísis e Osíris, ele não se referia a esses períodos curtos de tempo. Ele não estava querendo dizer que cada ciclo durava apenas os dois mil anos. O Æon de Ísis, aquele em que o domínio era matriarcal e que se caracterizava pela idéia de que deus estava fora do homem e que, por consequência, o homem não era deus, não teria durado apenas dois mil
anos.

Sabemos, através de estudos antropológicos e arqueológicos, que as características do tal Æon de Ísis foi muito mais extenso do que apenas vinte séculos. O que percebemos então que existe uma concepção falha em relação ao que seja um Æon, tal como ele, Mestre Therion, havia expressado.

O Æon é então um período circular de tempo, onde um determinado pensamento surge, evolui e decai, e ao decair dá surgimento a um novo ciclo e assim eternamente.

Ao evoluir, a humanidade abandona ciclos de pensamento-iniciático, pois o que se percebe nitidamente é que a psique humana vai se transformando radicalmente a cada período de aproximadamente dois mil anos. E esse período de evolução podemos chamar de Æon Zodiacal, enquanto que os ciclos de tempo, onde um pensamento iniciático se processa pode ser chamado de Æon dos Deuses. A grande precessão dos equinócios, que é o período que engloba os dois anteriores leva aproximadamente 26.000 anos para fechar seu ciclo. Sendo um pouco mais exatos, a grande precessão é um período de 25.920 anos divididos em 12, que são representados pelo caminhar do Sol por todo o zodíaco.

Disto concluímos que cada Æon Zodiacal é composto de aproximadamente 2.160 anos, apesar de não seguir com grande rigor. Mestre Therion diz que a humanidade conheceu três Æons, para compreendermos isto teríamos de imaginar que 25.920 anos deva ser dividido por três, o que encontraríamos 8.640 anos, que seria o tempo que cada Æon dos Deuses duraria verdadeiramente. No caso do Æon de Ísis esse número nos parece fazer algum sentido, mas já no caso do Æon de Osíris pode ser um número que chegaria relativamente perto. É claro que esses números devem variar um pouco para mais ou para menos, como sempre ocorre nesses casos, pois existem vários fatores influenciando cada Æon.

Da história do Egito, enquanto civilização documentada, temos
aproximadamente de 3.000 à 5.000 anos (alguns dizem até 10.000 anos), e nesse período já encontramos a transição quase completa do culto da deusa para do deus. Somado mais os dois mil anteriores, chegamos a cifra de 5.000 à 7.000 anos, o que nos leva a pensar que nossa teoria e nossos calculos possam estar corretos. Agora, então, estaríamos presenciando o início de um novo Æon dos Deuses que deverá durar 8.000 anos e não apenas os 2.000 anos que se pensava inicialmente. Isso pode ser vislumbrado superficialmente no Liber AL vel Legis, quando o Senhor do atual Æon será substituído por um outro, que também é Hórus, com as mesmas características do atual.

Existe entretanto um período de leve repouso, se é que podemos chamar assim, entre um ciclo e outro, do fim de um e o início do outro, onde todas essas forças se anulam formando um vórtex caótico. Mas dizer que esse pequeno período de anulamento seja um Æon talvez não seja de todo equivocado. Com certeza chegará o dia em que a evolução planetária aportará definitivamente nesse Æon negativo, mas aí já não existirá vida sobre o planeta como nós a conhecemos hoje. O curioso desse curto espaço de transição é que cria um período crítico para a humanidade, onde as novas forças tentam purgar o planeta das velhas, e as consequências devem ser sempre drásticas, pois foi isso que presenciamos nos 40 anos que separaram o ano de 1904 e.v. até o ano de 1945 e.v., marcado pelo fim da Segunda Grande Guerra.

Frater Achad percebeu esse Æon negativo e o “denominou” de Maat, mas acreditou que este Æon estava começando e não deixando de existir. O que realmente estava começando a se erguer era o Æon de Hórus, que alguns astrólogos dizem ter começado “definitivamente” em 1950 e.v., sendo que o recebimento do Liber AL, em 1904 e.v., marca o fim do anterior e o início da manifestação deste novo Æon dos Deuses. Na verdade, Frater Achad confundiu, e poucos não eram os motivos para tanto, o Æon de Hórus com o de Maat, mais uma vez, invertendo a sua percepção pelos motivos conhecidos.

A ideia da lemniscata – o oito deitado – pode ser utilizada como esquema para a compreensão desses ciclos. Ora, 4 + 4 é igual a 8. A lemniscata é o símbolo da Eternidade, daí vermos a famosa serpente Orobouros assumindo a forma de uma. No esquema mais abaixo vemos o número 1 representando o início do ciclo, o 2 o seu crescimento, o 3 o seu domínio sobre o planeta e o 4 a sua queda. Ao retornar ao 1, um novo ciclo tem seu início.

O que nos faz crer que um círculo em oposição ao outro vem procurar resgatar a essência daquele Æon logo anterior ao último. Assim, o Æon de Hórus procura resgatar, sob as bases de um novo pensar o Æon de Ísis, o que realmente vem acontecer. A grande diferença básica entre estes dois Æons é a evolução do pensamento-iniciático humano.


Assim, quando a Orobouros é estendida, desfazendo a lemniscata, temos o
rompimento dos ciclos ou do círculo do tempo. À nível microcósmico isto é a mais elevada experiência espiritual que um ser humano é capaz de experimentar. À nível macrocósmico temos o encerramento da vida sobre o planeta, pelo menos, repito, da forma como a conhecemos. O Adepto, mas é missão de todo homem, deve buscar tal rompimento que se dá exclusivamente através de Deus.

Essa lemniscata representa também os ciclos de nascimento, vida e morte do homem, quer isso acontece no plano físico ou em outro. Com a extensão da serpente, temos não apenas a consciência de que a existência continua em outros planos, e que vida e morte são apenas aparências, como representa o cessar de tais condições.

Assim como ocorre à nível macrocósmico, estes ciclos ocorrem também no microcosmo, respeitando a Natureza, pois está sempre colocando em equilíbrio “forças antagônicas” externas e internas.

Estas “forças antagônicas” – que não representam nem o bem e nem o mau – são apenas o peso na balança que faz com que o Universo continue em sua expansão, da mesma maneira como faz com a Alma do homem. Querer responder o que seja esta Força, denominando-a de qualquer nome, nos parece sandice.

Temos por outro lado, uma outra maneira de encararmos a ideia de Mestre Therion sobre os Æons, que é a nível iniciático e, sem sombra de dúvida, a mais importante dentre todas as teorias.

Pela nossa própria Iniciação percebemos o Æon de Ísis se referindo ao Colégio Externo da Santíssima Fraternidade, onde o Aspirante está “afastado” de Deus e não se percebe como tal. O Æon de Osíris se referindo ao Colégio Interno, onde o Adepto percebe Deus dentro dele, mas ainda não se sente Deus. E o Æon de Hórus, onde o Magister é Deus e Deus é o Magister, encarnado-o. E esta seria mais uma das tantas “brincadeiras” mentais e de percepção que Mestre Therion faz com os seus Filhos.

Quando Frater A. 3º=7 A∴A∴ recebeu de A∴ um selo onde mostrava qual a Força que era capaz de romper estes ciclos, ele compreendeu metade dessas equações que agora estão completas. Muitos anos se passaram na tentativa de se ir além do símbolo, o que nem sempre é fácil. Frater A. estava preso naquela época às leis que regem a natureza e a ciência dos homens, mas que não são necessariamentes a Natureza e a Ciência de Deus, por isso é compreensível que muitas observações tenham sido ainda deixadas de fora. A beleza e a simplicidade do selo escondiam uma tamanha complexidade de ideias que só uma mente fixada é capaz de perceber.

Aliás, os “grandes mistérios” estão sempre velados em coisas simples e banais, e assim o é feito apenas para testar a capacidade de concentração…

Um homem sem a Inspiração de Deus é como um cão correndo atrás do próprio rabo; é como a serpente que devora a si mesma. O homem que negligencia Deus por qualquer outra coisa é mais baixo que o mais rastejante das espécies. Esse é o homem que nasce e morre, e que acredita na morte, assim como acredita na vida. Esse é o mesmo homem que carrega sua espada para a batalha, mas que nunca a usa. É como o boi que desconhece a sua força e que tem de ser eternamente guiado por “algo superior”. É como o falo que só gera e nunca cria – o que não o faz melhor do que um garanhão reprodutor. E o homem como o ser decaído que é, deve se erguer de tal condição e assumir o seu lugar de direito, que nunca deixou de ser dele. Amaldiçoados sejam aqueles que riem dessas palavras e que não percebem que estas são apenas as nossas verdades.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Petrópolis, 22 de agosto de 2002 e.v.