sexta-feira, 6 de julho de 2012

A CABALA DE SATAN

PANTEU

Plantaste no coração da terra tua espada fulgurante, ó Querube! No coração da infiel amante que dos beijos de um deus não conservou consigo senão os germes da mentira e da decepção. Plantaste-a no coração da terra, ó Querube! E a guarda expande-se em cruz de claridade - como flor.

Teu gládio viril fecunda, ó Querube, os ferimentos que fizeste, quando fecham, as cicatrizes são matrizes de luz, os seres que feriste tornaram-se maternais, os seres que abençoaste com tua rigidez deram à luz a claridade e a vida! Mas, em vão, teu gládio atravessou o seio da prostituta do nada, teu seio não estremeceu, continuou estéril; e os seios não cresceram com o leite da imortalidade... Esposa do velho Cronos, não conservou da virgem senão os mais tristes apanágios, dois privilégios de morte - o frio e a infecundidade.

Ó terra, o beijo do teu esposo não te encontrou fecuda, teu esposo maldisse teus flancos sempre frios para ele, e seus ardores em vão renovados não reinaram teu mármore, ele não aquece senão no adultério, às investidas do adversário e sob o abraço do mal... Tua constante infidelidade concebe infatigavelmente, dá à luz decepcionante ilusão. Só deste à luz espectros e larvas infernais, frutos de tuas entranhas criminosas.

Mas o adversário não existe, tuas más noites são um sonho culpado, teus inúmeros filhos são enganos que iludem sua esterilidade.