O Brasil também tem a sua Guerra nas Estrelas. É claro que ela não possui os mesmos efeitos especiais do original, nem a fantástica trilha sonora composta por John Williams e muito menos os ensinamentos do Mestre Yoda, mas tem os Trapalhões.
Lançado em 1978, o filme Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, com as suas inúmeras referências ao clássico do George Lucas, é considerado pelo mundo afora (quiçá pela galáxia inteira) como o “Star Wars brasileiro”.
Quando o assunto era fazer paródias, os Trapalhões não eram iniciantes, já que a maioria dos seus filmes anteriores eram versões escrachadas de histórias famosas, tais como Robin Hood, As Minas do Rei Salomão e O Planeta dos Macacos.
Inclusive Adriano Stuart, o diretor de Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, já fazia as suas paródias trash. Filmes como Bacalhau (1976) era uma sátira ao longa-metragem Tubarão, já o Kung Fu Contra as Bonecas (1975) não perdoava os filmes do Bruce Lee e demais congêneres.
O problema é que o diretor Adriano Stuart errou a mão nessa paródia. No roteiro escrito por Renato Aragão, os elementos originais do Star Wars são jogados de forma aleatória, originando uma verdadeira salada de fruta capaz de irritar até mesmo o mais paciente espectador.
Apesar do evidente fator trash, Os Trapalhões na Guerra dos Planetas foi o início dos Trabalhões como um quarteto, já que o quarto elemento, Mauro Gonçalvez, vulgo Zacarias, estreou no grupo de comediantes justamente nesse filme.
Foi nessa época também que os caras abandonaram a TV Tupi, onde tinham um programa semanal, e foram para a TV Globo. Nem é necessário afirmar que a mudança de emissora os tornou famosos no país inteiro.
Outra característica que torna essa obra tão peculiar, é que ela não foi gravada em película, mas em vídeotape, formato televisivo que era mais barato e mais rápido, mas por outro lado, deixou o filme com cara de "especial de televisão".
Na rocambolesca aventura, os quatro trapalhões são convocados por um cara de outro planeta que usa as mesmas roupas do Luke Skywalker. A missão do grupo é auxiliar esse “Skywalker brasileiro” a combater o príncipe Zuco, visto que o vilão deseja a metade de um computador que lhe dará condições de dominar o universo, porém isso é só um detalhe que, no decorrer das cenas, ninguém mais lembra.
Esses e outros filmes, bem como a infinidade de vídeos espalhados em tudo que é canto da internet apenas demonstram que a saga criada por George Lucas já garantiu espaço no inconsciente coletivo da humanidade.
Sinopse:
Após uma perseguição de automóveis por causa de uma mulher, os Trapalhões são obrigados a passar as noites em volta de uma fogueira. No céu aparece um disco voador co-pilotado por Bonzo (Emil Rached) e aterrissa perto dos Trapalhões. De dentro do estranho disco sai o príncipe Flick (Pedro Aguinaga) e pede ajuda ao quarteto, pois Zuco (Carlos Bucka) quer dominar o universo e se dirige à aldeia que está com Myrna (Maria Cristina), sua mulher. Ao chegarem em Airos, Zuco sequestra Myrna, Didi pega algumas armas e com elas vencem Zuco, mas Myrna acaba tendo uma desintegração física, o prícipe fica com o computador Cérebro, o que dá poder em toda a galáxia.