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OS LIVROS MALDITOS: CAPÍTULO 2 - O QUE FOI DESTRUÍDO EM ALEXANDRIA


A destruição da grande Biblioteca de Alexandria foi rematada pelos árabes em 646 da era Cristã. Mas essa destruição fora precedida de outras, e o furor com que essa fantástica coleção de saber foi aniquilada é particularmente significativo.
A Biblioteca de Alexandria parece ter sido fundada por Ptolomeu I ou por Ptolomeu II. A cidade foi fundada, como seu próprio nome diz, por Alexandre, o Grande,
entre 331 e 330 a.C. Escoou-se quase mil anos antes de a Biblioteca ser destruída.
Alexandria foi, talvez, a primeira cidade do mundo totalmente construída em pedra, sem que se utilizasse nenhuma madeira. A Biblioteca compreendia dez grandes
salas, e quartos separados para os consultantes.
Discute-se, ainda, a data de sua fundação e o nome do seu fundador, mas o verdadeiro fundador, no sentido de organizador e criador da Biblioteca, e não simplesmente do rei que reinava ao tempo de seu surgimento, parece ter sido um personagem de nome Demétrius de Phalère.
Desde o começo, ele agrupou setecentos mil volumes e continuou aumentando sempre esse número. Os livros [ou papiros] eram comprados às expensas do rei.
Esse Demétrius de Phelère, nascido entre 354 e 348 a.C., parece ter conhecido Aristóteles. Apareceu em 324 a.C. como orador público, foi eleito governador de Atenas e governou-a durante dez anos, de 317 à 307 a.C.
Impôs um certo número de Leis, notadamente uma, de redução do luxo nos funerais. Em seu tempo, Atenas contava 90.000 cidadãos, 45.000 estrangeiros e 400.000 escravos. No que concerne à própria figura de Demétrius, a história no-lo apresenta como um juiz de elegância em seu País; foi o primeiro ateniense a descolorir os cabelos, alourando-os com água oxigenada.
Depois foi banido de seu governo e partiu para Tebas.
Lá escreveu um grande número de obras, uma com título estranho: "Sobre o feixe de luz no céu", que é, provavelmente, a primeira obra sobre os discos voadores.
Em 297 a.C., o faraó Ptolomeu persuadiu Demétrius a instalar-se em Alexandria. Fundou, então, a Biblioteca.
Ptolomeu I faleceu em 283 a.C. e o seu filho Ptolomeu II exilou Demétrius em Busiris, no Egito. Lá, Demétrius foi mordido por uma serpente venenosa e morreu.
Demétrius tornou-se célebre no Egito como mecenas das ciências e das artes, em nome do Rei Ptolomeu I.
Ptolomeu II continuou a interessar-se pela Biblioteca e pelas ciências, sobretudo pela zoologia. Nomeou como
bibliotecário a Zenodotus de Éfeso, nascido em 327 a.C., e do qual ignoram as circunstâncias e data da morte.
Depois disso, uma sucessão de bibliotecários, através dos Séculos, aumentou a Biblioteca, aí acumulando pergaminhos, papiros, gravuras e mesmo livros impressos [por carimbos], se formos crer em certas tradições. A Biblioteca continha, portanto, documentos inestimáveis. Colecionou, igualmente, documentos dos inimigos, notadamente de Roma.
Pela documentação de lá, poder-se-ia constituir uma lista bastante verossímil de todos os bibliotecários até 131 a.C.:

Bibliotecários de a.C.
Demétrius de Phalère - à 282
Zenodotus de Éfeso
282 à 260
Callimanchus de Cyréne
260 à 240
Apolonius de Rodes
240 à 230
Eratosthenes de Cyréne
230 à 195
Aristophanes de Bizâncio
195 à 180
Apolonius, o Eidógrafo
180 à 160
Aristarco da Samocrácia
160 à 131


Depois disso, as indicações se tornam vagas. Sabe-se que um bibliotecário se opôs, violentamente, à primeira pilhagem da Biblioteca por Júlio César, no ano 47 a.C., mas a História não tem o seu nome. O que é certo é que já na época de Júlio César a Biblioteca de Alexandria tinha a reputação corrente de guardar livros secretos que davam poder praticamente ilimitado.
Quando Júlio César chegou a Alexandria, a Biblioteca tinha pelo menos setecentos mil manuscritos. Quais? E por que se começou a temer alguns deles?
Os documentos que sobreviveram dão-nos uma idéia precisa. Havia lá livros em grego. Evidentemente,
tesouros: toda essa parte que nos falta da literatura grega clássica. Mas entre esses manuscritos não deveria aparentemente haver nada de perigoso.
Ao contrário, o conjunto de obras de Bérose é que poderia inquietar. Sacerdote babilônico refugiado na Grécia, Bérose nos deixou um relato de um encontro com extraterrestres: os misteriosos Apkallus, seres semelhantes a peixes, vivendo em escafandros e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos científicos.
Bérose viveu no tempo de Alexandre, o Grande, até a época de Ptolomeu I. Foi sacerdote de Bel-Marduk na Babilônia. Era historiador, astrólogo e astrônomo.
Inventou o relógio de sol semicircular. Fez uma teoria dos conflitos entre os raios do Sol e da Lua que antecipa os trabalhos mais modernos sobre a interferência da luz. Podemos fixar as datas de sua vida em 356 a.C., nascimento, e 261, seu falecimento. Uma lenda contemporânea diz que a famosa Sybila, que profetizava, era a sua filha.
A "História do Mundo", de Bérose, que descrevia os seus primeiros contatos com os extraterrestres, foi perdida. Restam alguns fragmentos, mas a totalidade desta obra estava em Alexandria. Nela estavam todos os ensinamentos dos extraterrestres.
Encontrava-se em Alexandria, também, a obra completa de Manethon. Este, sacerdote e historiador egípcio, contemporâneo de Ptolomeu I e II, conhecera todos os segredos do Egito. O seu nome mesmo pode ser interpretado como "o amado de Toth" ou "detentor da verdade de Toth".
Era o homem que sabia tudo sobre o Egito, lia os hieróglifos, tinha contato com os últimos sacerdotes egípcios. Teria ele mesmo escrito oito livros, e reuniu quarenta rolos de pergaminho, em Alexandria, que continham todos os segredos egípcios e provavelmente o Livro de Toth. Se tal coleção tivesse sido conservada, saberíamos, quem sabe, tudo o que seria preciso saber sobre os segredos do Egito. Foi exatamente isto que se quis impedir.
A Biblioteca de Alexandria continha igualmente obras de um historiador fenício, Mochus, ao qual se atribui a invenção da teoria atômica.
Ela continha, ainda, manuscritos Indianos [também Árabes, Tibetanos e Chineses] extraordinariamente raros e preciosos.
De todos esses manuscritos não resta nenhum traço.
Conhecemos o número total dos rolos quando a destruição começou: quinhentos e trinta e dois mil e oitocentos. Sabemos que existia uma seção que se poderia batizar de "Ciências Matemáticas" e outra de "Ciências Naturais".
Um catálogo geral igualmente existia. Também este foi destruído.
Foi César quem inaugurou essas destruições. Levou um certo número de livros, queimou uma parte e guardou o resto. Uma incerteza persiste ainda em nossos dias, sobre esse episódio, e 2.000 anos depois da sua morte, Júlio César tem ainda partidários e adversários. O seus partidários dizem que ele jamais queimou livros na própria Biblioteca; aliás, um certo número de livros prontos a serem embarcados para Roma foi queimado em um dos depósitos do cais do porto de Alexandria, mas não foram os romanos que lhes atearam fogo.
Ao contrário, certos adversários de César dizem que grande número de livros foi deliberadamente destruído.
A estimativa do total varia de 40.000 à 70.000.
Uma tese intermediária afirma que as chamas provenientes de um bairro onde se lutava, ganharam a Biblioteca e destruíram-na, acidentalmente.
Parece certo, em todo caso, que tal destruição não foi total. Os adversários e os partidários de César não dão referência precisa, os contemporâneos nada dizem e os escritos mais próximos do acontecimento lhe são posteriores de dois Séculos.
César mesmo, em suas obras, nada disse. Parece que ele se "apoderou" de certos livros que lhe pareciam especialmente interessantes.
A maior parte dos especialistas em História Egípcia pensa que o edifício da Biblioteca deveria ser de grandes dimensões para conter setecentos mil volumes, salas de trabalho, gabinetes particulares, e que um monumento de tal importância não pôde ser totalmente destruído por um princípio de incêndio. É possível que o incêndio tenha consumido estoques de trigo, assim como rolos de papiro virgem. Não é certo que tenha devastado grande parte da livraria, não é certo que ela tenha sido totalmente aniquilada. É certo, porém, que uma quantidade de livros considerados particularmente perigosos, desapareceu.
A ofensiva seguinte, a mais séria contra a livraria, parece ter sido feita pela Imperatriz Zenóbia. Ainda desta vez a destruição não foi total, mas livros importantes desapareceram. Conhecemos a razão da ofensiva que lançou depois dela o Imperador Diocleciano (284-305 d.C.). Documentos contemporâneos estão de acordo a este respeito.
Diocleciano quis destruir todas as obras que davam os segredos de fabricação do ouro e da prata. Isto é, todas as obras de alquimia. Pois ele pensava que se os egípcios pudessem fabricar à vontade o ouro e a prata, obteriam assim meios para levantar um exército e combater o império. Diocleciano mesmo, filho de escravos, foi proclamado imperador em 17 de Setembro de 284. Era, ao que tudo indica, perseguidor nato e o último decreto que assinou antes de sua abdicação em Maio de 305, ordenava a destruição do Cristianismo. Diocleciano foi de encontro a uma poderosa revolta do Egito e começou em Julho de 295 o cerco à Alexandria. Tomou a cidade e nessa ocasião houve massacres inomináveis.
Entretanto, segundo a lenda, o cavalo de Diocleciano deu um passo em falso ao entrar na cidade conquistada, e Diocleciano interpretou tal acontecimento como mensagem dos Deuses que lhe mandavam poupar a cidade.
A tomada de Alexandria foi seguida de pilhagens sucessivas que visavam acabar com os manuscritos de alquimia. Eles continham, ao que parece, as chaves essenciais da alquimia que nos faltam para a compreensão dessa ciência, principalmente agora que sabemos que as transmutações metálicas são possíveis.
Não possuímos lista dos manuscritos destruídos, mas a lenda conta que alguns entre eles eram obras de Pitágoras, de Salomão ou do próprio Hermes. É evidente que isto deve ser tomado com relativa confiança.
Seja como for, documentos indispensáveis davam a chave da alquimia e estão perdidos para sempre: mas a Biblioteca continuou. Apesar de todas as destruições sistemáticas que sofreu, ela continuou a sua obra até que os árabes a destruíssem completamente. E se os árabes o fizeram, sabiam por que o faziam. Já haviam destruído, no próprio Islã - assim como na Pérsia - grande número de livros secretos de magia, de alquimia e de astrologia.
A palavra de ordem dos conquistadores era "não há necessidade de outros livros, senão O Livro", isto é, o Corão. Assim, a destruição de 646 d.C. visava não propriamente os livros malditos, mas todos os livros. O historiador muçulmano Abd al-Latif (1.160-1.231) escreveu: "A Biblioteca de Alexandria foi aniquilada pelas chamas por Amr ibn-el-As, agindo sob as ordens de Omar, o vencedor".
Esse Omar se opunha aliás até que se escrevessem livros muçulmanos, seguindo sempre o princípio: "o livro de Deus é-nos suficiente".
Era um muçulmano recém-convertido, fanático, odiava os livros e destruiu-os muitas vezes porque não falavam do profeta.
É natural que terminasse a obra começada, por Júlio César, continuada por Diocleciano e outros.
Se documentos sobreviveram a esses autos-de-fé, foram cuidadosamente guardados desde 646 d.C. e não mais reapareceram. E se certos grupos secretos possuem atualmente manuscritos provenientes de Alexandria, dissimulam isso muito bem.
Retomemos, agora, o exame desses acontecimentos à luz da tese que sustentamos: a existência desse grupo que chamamos de Homens de Negro e que constitui uma organização visando a destruição de determinado tipo de saber.
Parece evidente que tal grupo se desmascarou em 391, depois que procurou, sistematicamente, sob Diocleciano, e destruiu as obras de alquimia e de magia.
Parece evidente, também, que tal grupo nada teve a ver com os acontecimentos de 646: o fanatismo muçulmano foi suficiente.
Em 1.962, foi nomeado para o Cairo um cônsul francês chamado de M. Maillete. Ele assinalou que Alexandria é uma cidade praticamente vazia e sem vida. Os raros habitantes, que são sobretudo ladrões, se encerram em seus esconderijos. As ruínas das construções estão abandonadas. Parece provável que, se livros sobreviveram ao incêndio de 646, não estavam em Alexandria naquela época; trataram de evacuá-los.
A partir daí, fica-se reduzido a hipóteses.
Fiquemos nesse plano que nos interessa, isto é, o dos livros secretos que dizem respeito às civilizações desaparecidas, à alquimia, à magia ou às técnicas que não mais conhecemos. Deixaremos de lado os clássicos gregos, cuja desaparição é evidentemente lamentável, mas escapa ao nosso assunto.
Voltemos ao Egito. Se um exemplar do Livro de Toth existiu em Alexandria, César apoderou-se dele como fonte possível de poder. Mas o Livro de Toth não era certamente o único documento egípcio em Alexandria.
Todos os enigmas que se colocam ainda sobre o Egito teriam, talvez, solução, se tantos documentos egípcios não tivessem sido destruídos.
E entre esses documentos, eram particularmente visados e deveriam ser destruídos, no original e nas cópias, depois os resumos: aqueles que descreviam a civilização que precedeu o Egito conhecido. É possível que alguns traços subsistam, mas o essencial desapareceu, e essa destruição foi tão completa e profunda que os arqueólogos racionalistas pretendem, agora, que se pode seguir no Egito o desenvolvimento da civilização do neolítico até às grandes dinastias, sem que nada venha
a provar a existência de uma civilização anterior.
Assim também a História, a ciência e a situação geográfica dessa civilização anterior nos são totalmente desconhecidas. Formulou-se a hipótese que se tratava de uma civilização de Negros. Nessas condições, as origens do Egito deveriam ser procuradas na África.
Talvez tenham desaparecido em Alexandria, registros, papiros ou livros provenientes dessa civilização desaparecida.
Foram igualmente destruídos tratados de alquimia os mais detalhados, aqueles que permitiriam, realmente, obter a transmutação dos elementos. Foram destruídas obras de magia.
Foram destruídas provas do encontro com extraterrestres do qual Bérose falou, citando os Apkallus. Foram destruídos... mas como prosseguir enumerando tudo o que ignoramos! A destruição completa da Biblioteca de Alexandria é, certamente, o maior sucesso dos Homens de Negro.


COMPLEMENTO AO CAPÍTULO 2:

E AS PIRÂMIDES?

Haverá, certamente, leitores que pensarão que os manuscritos que escaparam das múltiplas destruições da Biblioteca de Alexandria encontraram refúgio nas cavernas secretas sob as pirâmides. O mais extraordinário é que eles podem não estar totalmente enganados. O mistério do Egito está longe de estar definitivamente resolvido.
Citemos, simplesmente, a respeito, duas notas do egiptólogo francês Alexandre Varille. Este faleceu em 1º de Novembro de 1.951 em um estranho acidente que estamos tentados a atribuir aos Homens de Negro; ele escreveu:
"Ignora-se a Filosofia faraônica, pois a mentalidade ocidental se mostra impotente para decifrar esse pensamento".
E ainda:
"A Egiptologia começou a esterilizar-se quando entrou no quadro oficial das Universidades, e quando os egiptólogos profissionais tomaram, progressivamente, o lugar dos egiptólogos de vocação".
Varille está longe da superestimação ingênua e demente das pirâmides. Sabia que os edifícios egípcios são de uma previsão científica extrema e que pode ser descoberta.
O conjunto desses segredos científicos teria sido redigido por Quéops e estariam ao mesmo tempo em um livro do qual se teriam feito muitos exemplares e guardados nas próprias pirâmides.
Notadamente, nas duas grandes pirâmides de Gizé.
A maior parte desse saber deve ter sido destruído em Alexandria. Mas talvez não tudo. Não está excluso que, antes mesmo da chegada de César, alguns documentos essenciais tivessem sido levados e guardados. E não é impossível que eles ainda existam.
O físico americano Luiz Alvarez tentou sondar a grande pirâmide com raios. Os primeiros resultados pareceram revelar inteiramente a existência de câmaras secretas que estão por descobrir. A sondagem das outras pirâmides e dos túmulos não foi feita. Não se deve excluir uma descoberta tão importante como a do túmulo de Tout Ankh Amon, mas que se votasse mais a documentos que a objetos.

OS LIVROS MALDITOS: CAPÍTULO 1 - O LIVRO DE TOTH


Sir Mortimer Wheeler, célebre arqueologista inglês, teria escrito:
"A arqueologia não é uma ciência, mas uma vindicta [vendeta, vingança]".
Em nenhuma parte, tal afirmação foi tão verdadeira como no domínio da arqueologia egípcia, onde se afrontam, ferozmente, os arqueologistas românticos e os arqueologistas clássicos. Para os arqueologistas clássicos, a arqueologia egípcia não apresenta nenhum problema e pode perceber-se nela uma passagem contínua do neolítico à uma forma de civilização mais avançada, passagem que se efetuou da maneira mais natural. Para os arqueologistas românticos, ao contrário, e para os investigadores independentes que não participam do clã da arqueologia oficial, a antigüidade do Egito é muito mais importante, e os problemas sem resolução muito mais numerosos do que se possa imaginar. Entre esses adversários da arqueologia clássica egípcia, cito dois nomes: René Schwaller de Lubicz e C. Daly King. O primeiro nasceu em 1.891 e faleceu em 1.961, escreveu Aor, Adam, O Homem Vermelho (edição particular, fora de comércio, 1.925); A chamada do fogo; Aor, sua vida, sua obra (edição particular, fora de comércio, 1.963) ; O rei da Teocracia faraônica (Paris, Flammarion, 1.961); O milagre egípcio (Paris, Flammarion, 1.963); O Templo do homem Apet do Sul em Luxor (depósito de Dervy, Paris, 1.957, 3 volumes); Estudo sobre o esoterismo e o simbolismo (Paris, Colombe, 1.960) e diversos artigos nos Cahiers du Sud, em Marselha, notadamente no número 358. Foi primeiramente pintor, aluno de Matisse. Durante a Grande Guerra foi químico do Exército, e a química conduziu-o à alquimia. Formou, então, um grupo batizado com o nome de Fraternidade dos Vigias. Fazia parte, notadamente, deste grupo, Henri de Régnier, Paul Fort, André Spire, Henri Barbusse, Vincent d'Indy, Antoine Bourdel, Fernand Léger e Georges Polti.
No interior desse grupo, um círculo esotérico fechado, os Irmãos da Ordem Mística da Ressurreição, estudavam um certo número de problemas, entre eles o das civilizações desaparecidas. Schwaller de Lubicz, morando em Saint-Moritz e depois em Palma de Maiorca, e finalmente em Luxor, estudou os segredos egípcios.
Um certo número de egiptólogos, como Alexandre Varille, reuniu-se ao seu ponto de vista; outros, ao contrário, opuseram-se a ele, violentamente, e uma vindicta surgiu, que dura até hoje.
Quanto a C. Daly King, é um sábio inserido na linha mais oficial, psicólogo materialista, autor de 3 tratados clássicos utilizados nas escolas dos Países anglo-saxões, Beyond Behaviourism (1.927), Integrative Psycology (em colaboração com W.M. e H.E.H Marston) (1.931) e The psychology of consciousness (1.932).
C. Daly King apresentou em 1.946, em Yale, uma tese de doutorado em física sobre fenômenos eletromagnéticos que aparecem durante o sono. Depois, estudou os estados superiores da consciência, estados que estão sempre mais despertos que quando se está acordado normalmente, apresentando esse trabalho em outro livro clássico, The states of human consciousness (1.963) (University Books, N.Y., 1.963).
Faleceu quando corrigia as provas desse livro, e quando preparava uma importante obra sobre as ciências do espírito do antigo Egito. (1)
O único ponto em comum, talvez, entre Schwaller de Lubicz e C. Daly King, é o nível elevado de seus conhecimentos científicos. Ora, esses dois espíritos tão diferentes se juntam em duas conclusões essenciais. Primeiro, a considerável antiguidade da civilização egípcia, mais ou menos 20.000 anos, talvez 40.000; por outro lado, o estado avançado dos conhecimentos do Egito Antigo, tanto no que concerne ao Universo exterior quanto ao espírito humano. Confrontemos esse ponto de vista com o da arqueologia oficial. De acordo com esta, há 6.000 anos os egípcios eram ainda Membros de tribos selvagens. Um intérprete sério e reconhecido pelos arqueólogos oficiais, Leonard Cottrell, no livro "The Penguin Book of Lost Words", página 18, escreveu:
"Alguma coisa aconteceu que, em tempo notadamente curto, transformou esse aglomerado de tribos semi-árabes que viviam às margens do Nilo, em um estado civilizado que durou 3.000 anos. Quanto à natureza daquilo que teria ocorrido, não podemos senão tentar adivinhar. Mas as provas arqueológicas nos fornecem vários indícios e podemos esperar que descobertas futuras preencham tais lacunas".
Os arqueólogos românticos e os arqueólogos dissidentes vão contra isso, dizendo que essa transformação brutal nunca se deu. Segundo eles, a civilização egípcia nada tem a ver com os primitivos que foram os seus contemporâneos, como os da Nova Guiné são, hoje, nossos contemporâneos. Segundo eles, as origens da civilização egípcia estão em alguma outra parte e não foram ali ainda encontradas.
A maior parte dos arqueólogos da África livre são dessa opinião, e alguns entre eles pensam mesmo que os antigos egípcios eram negros, e que é preciso buscar na África as origens secretas do Egito.
É a partir dessa hipótese de uma civilização pré-egípcia muito antiga que é preciso colocar-se para examinar o problema do Livro de Toth.

(1) Dizem que foi o mesmo C. Daly King o autor de romances policiais traduzidos na França antes da guerra, na coleção Empreinte.

Toth é um personagem mitológico, mais Deus que homem que, por todos os documentos egípcios que possuímos, precedeu o Egito. No instante do nascimento da civilização egípcia, os sacerdotes e os faraós tinham em seu poder o Livro de Toth, constituído, provavelmente, de um rolo manuscrito ou de uma série de folhas que continham os segredos de diversos mundos e que davam poderes consideráveis aos seus detentores.
Em 2.500 a.C., os egípcios já escreviam e faziam livros. Esses livros eram escritos em papiro. A palavra bíblia, que quer dizer livro, deriva do nome do porto de Biblos, no Líbano, que era o principal porto de exportação de rolos de papiro. Na literatura egípcia de 2.500 a.C., já se encontram tratados científicos de medicina, textos religiosos, manuais e mesmo obras de ficção científica!
Em particular, a história das aventuras do faraó Snofru, pai de Quéops, é um verdadeiro romance de antecipação de invenções extraordinárias, de monstros e máquinas. Poderia ser publicado em nossos dias.
O Livro de Toth devia, pois, ser um papiro muito antigo, recopiado secretamente muitas vezes e cuja antiguidade remontaria a 10.000 ou talvez 20.000 anos. Mas um objeto material não é de modo algum um símbolo.
Objeto material que se pode facilmente destruir no fogo. Vamos ver que foi exatamente isso que se deu.
Fixemo-nos primeiro no próprio Toth. É representado como um ser humano tendo a cabeça de um pássaro íbis. Tem na mão uma pluma e um palheta dessa tinta que se usa para escrever sobre pergaminho. O seus dois outros símbolos são a Lua e o macaco. De acordo com a tradição mais antiga, ele inventou a escrita e serviu de secretário em todas as reuniões dos Deuses.
Está associado à cidade de Hermópolis, da qual se sabe pouca coisa, e aos domínios subterrâneos dos quais se sabe menos ainda. Daqui por diante Toth será identificado com Hermes.
Transmitiu à humanidade a escrita, e escreveu um livro fundamental, esse famoso Livro de Toth, livro mais antigo entre os antigos, e que continha o segredo do poder ilimitado.
Uma primeira alusão a esse livro apareceu no papiro de Turis, decifrado e publicado em Paris, em 1.868. Esse papiro descreve uma conspiração mágica contra o faraó, conspiração que visava destruí-lo através de feitiçarias, à ele e à seus principais conselheiros, por meio de estátuas de cera feitas de acordo com a imagem de cada um (2). A repressão foi atroz. Quarenta oficiais e seis altas damas de Corte foram condenados à morte e executados. Outros se suicidaram. O livro maldito de Toth foi queimado pela primeira vez.
Esse livro apareceu mais tarde na História do Egito, entre as mãos de Khanuas, filho de Ramsés II. Ele tinha o exemplar original escrito pelo próprio Toth e não por um escriba. De acordo com os documentos, este livro permitia ver o Sol face a face. Dava o poder sobre a Terra, o oceano, os corpos celestes. Dava o poder de interpretar os meios secretos usados pelos animais para se comunicarem entre si. Permitia ressuscitar os mortos e agir à distância. Tudo isto nos é relatado nos livros egípcios da época.

(2) Princípio renascido no Voodu, aliás a má interpretação dos Rituais Egípcios antigos deu origem ao que hoje conhecemos como Ritos Africanos e do Caribe como Umbanda, Quimbanda, Candoblé e Vodu. Deu origem também a iconolatria e a iconomania (adoração das imagens e figuras) nas Igrejas modernas.

Seguramente, tal livro é um perigo insuportável. Khanuas queimou o original ou pretendeu fazê-lo. O mesmo texto, dizendo que esse livro foi destruído no fogo mas é indestrutível pois foi escrito com fogo, é contraditório. Mas essa "desaparição" não é senão provisória, se aconteceu. O livro reapareceu em inscrições sobre o monólito de Metternich, monumento que tem esse nome, pois foi oferta de Mohamad Ali Pacha a Metternich. Foi descoberto em 1.828 e data de 360 a.C. Na escala da História egípcia é um documento moderno. Parece que ele protege contra mordidas de escorpião, virtude dificilmente verificável, pois os escorpiões são raros na Áustria. Esse monumento representa, em todo caso, mais de trezentos Deuses, e entre eles os Deuses dos planetas ao redor de estrelas - não invento nada, a maior parte dos decifradores modernos do monumento de Metternich diz que ele interessaria a autores de ficção científica.
Toth, ele mesmo, anunciou sobre esse monumento, que queimou o seu livro e que caçou o demônio Seth e os sete senhores do mal.
Desta vez, a questão parece regulada. No ano de 360 a.C., o Livro de Toth foi solenemente destruído. Mas, entretanto, a história somente começou. A partir de 300 a.C., viu-se o aparecimento de Toth identificado desta vez com Hermes Trismegisto [ou Trimegistus], o fundador da alquimia. Todo mágico que se respeite, em particular na Alexandria, pretende possuir o Livro de Toth, mas nunca se viu aparecer o próprio livro: cada vez que um mago gloria-se de possuí-lo, um acidente interrompe a sua carreira.
Entre o começo do Século I a.C. e o fim do Século II d.C., numerosos livros apareceram e constituíram juntos o "Corpus Hermeticum". A partir do Século V, tais textos são colecionados e se encontram aí referências ao Livro de Toth, mas nenhuma indicação precisa para encontrá-lo. Os textos mais célebres dessa série chamam-se: Asclépio [Asclépius], Kore Kosmou e Poimandres. Todos se referem ao Livro de Toth, mas nenhum o cita diretamente nem dá meios de consultá-lo.
O Asclépio fornece, entretanto, estranhas imagens de poder das civilizações desaparecidas:
"Os nossos ancestrais descobriram a arte de criar os Deuses. Fabricaram estátuas e como não soubessem criar as almas, chamaram os espíritos dos demônios e dos anjos e os introduziram graças ao mistério sagrado nas imagens dos Deuses, de maneira que essas estátuas receberam o poder de exercer o bem e o mal".
Os Deuses egípcios e o próprio Toth teriam sido, assim, criados.
Criados por quem? Isto não é dito. Pela grande civilização que precedeu o Egito.
Segundo o Asclépio, esses Deuses estavam presentes e ativos, ainda, no tempo de Cristo: "Eles vivem em uma grande cidade nas montanhas da Líbia, mas não direi mais nada".
Esse conjunto de escritos herméticos pode ser encontrado, publicados por Nock e Festugière, no Corpus Hermeticum (série Budé, Paris, 1.945 - 1.954). Mesmo considerados mais próprios da ficção científica, tais textos excitam a imaginação. Santo Agostinho e numerosos outros Teólogos e Filósofos por eles se interessaram.
Certamente são esses textos que propagaram o Livro de Toth. Este reapareceu com tanta frequência do Século V da era Cristã até os nossos dias, que podemos perguntar como foi reproduzido antes da invenção da imprensa e da fotografia. A inquisição queimou-o pelo menos umas trinta vezes e seria preciso um livro para enumerar os acidentes bizarros que acontecem àqueles que pretendem possuir o Livro de Toth.
Seja como for, nunca o vimos impresso ou reproduzido de qualquer maneira. Uma lenda estranha começou a circular desde o Século XV. Segundo ela, a Sociedade Secreta que possuía o Livro de Toth vulgarizou um resumo dele, uma espécie de fichário acessível a todos. Esse fichário não é outro senão o famoso jogo de cartas conhecido como Tarot. Encontramos tal ideia pela primeira vez, expressa com todas as letras, em um livro de Antoine Court de Gébelin: "Le Monde Primitif". Court de Gébelin, homem de ciência, Membro da Academia Real de La Rochelle, publicou essa obra em nove volumes, de 1.773 a 1.783. Pretendeu ter tido acesso a um antigo livro egípcio que teria escapado da destruição de Alexandria, e declarou a propósito desse livro: "Ele contém ensinamentos perfeitamente conservados sobre os assuntos mais interessantes. Esse livro do antigo Egito é o jogo de cartas - nós o temos nas cartas do baralho".
Essa passagem não me parece clara. O autor diz que já havia um jogo de cartas na Biblioteca de Alexandria? Ou diz que um livro egípcio, escapado ao desastre de Alexandria, afirmava que o jogo de cartas era um fichário, um resumo dos ensinamentos do Livro de Toth?
Não sei. É certo que o jogo de cartas tem sido objeto, na época moderna em particular, de estudos interessantes, entre eles aquele que ficou infelizmente inédito, o do pintor contemporâneo Baskine.
Para ficarmos no domínio dos fatos, podemos notar que aparece o jogo de cartas mais ou menos, em 1.100. Compreendia, e compreende ainda hoje, 78 cartas, e diz-se comumente que o jogo de 52 cartas para jogar e o jogo que serve para ler a sorte derivam dele. É uma idéia recebida, falsa como a maior parte da idéias recebidas.
Na origem, essas cartas se chamavam nabi, palavra italiana que quer dizer profeta. Não se sabe a origem da palavra tarot.
Pode-se manifestar o maior ceticismo diante da hipótese segundo a qual tarô, pronúncia francesa da palavra tarot, seria o anagrama de orta ou "Ordem do templo". Com os anagramas chega-se a não importa onde. É possível que os templários tenham possuído e recebido cartas de jogo, mas nada prova que eles as tenham propagado por sua vez. O bibliotecário de Instrução Pública, sob Napoleão III, Christian Pitois, disse em sua História da Magia, surgida em 1.876, que os mais importantes segredos científicos do Egito, antes da destruição de sua civilização, estão gravados nas cartas, e que o essencial do Livro de Toth aí se encontra.
Aceito-o, mas gostaria de dados mais precisos, mais convincentes. Nos símbolos bastante vagos como as cartas, pode encontrar-se e efetivamente se encontra, não importa o quê. Até nova ordem, pois esta história do Livro de Toth resumido pelas cartas me parece legendária.
No Século XVIII, qualquer charlatão que se preza dizia possuir o Livro de Toth. Nenhum o reproduziu e muitos foram mortos nas fogueiras da Inquisição por isto, até 1.825; em 1.825, com efeito, a Inquisição queimava ainda na Espanha.
No Século XIX, como no XX, não faltaram charlatães que pretenderam, igualmente, possuir o papiro ou o Livro de Toth (que acabou intervindo no célebre romance de Gaston Leroux, "A poltrona mal-assombrada").
Mas ninguém ousaria publicá-lo, pois os acidentes acontecidos a esses possuidores foram numerosos.
Se existe, como creio e como este livro tenta prová-lo, uma associação internacional de Homens de Negro, ela deve ser contemporânea de mais antiga no Egito, e exercer suas atividades desde então. Encontram-se referências sobre esse assunto em autores sérios como C. Daly King, que fez alusão a grupos contemporâneos possuidores e utilizadores dos segredos do Livro de Toth. C. Daly King pretendeu que Orage e Gurdjieff fazem parte de tais grupos. Não conheci Orage, mas conheci Gurdjieff, que era um farsante.
Nesse ponto, em particular, a boa fé de C. Daly King pôde ser enganada. Escreveu, entretanto, que não se pode chegar à consciência superior, segundo o método egípcio, somente pelo trabalho pessoal e, segundo ele, efetuar uma tentativa dessa natureza sem estar dirigido é extremamente perigoso. Isto pode ter as consequências mais graves, principalmente causar ferimentos.
Sempre, segundo ele, "somente uma organização de pessoas qualificadas e eficientes pode ensinar essa técnica, é somente no interior de tal organização que a disciplina apropriada pode ser aplicada. Eu advirto o leitor de maneira mais séria para não tentar sozinho tais experiências. Entretanto, essa técnica constitui um meio prático para ativar a consciência humana".
Se tal organização existe, ela deve, necessariamente, possuir o Livro de Toth ou que o que resta dele. E se os egípcios aplicaram ao papiro as mesmas técnicas de conservação das múmias, não será absurdo pensar que um papiro tenha podido subsistir até o Século XIX, quando então poderia ser fotografado. A menos que a organização em questão tenha conhecido a fotografia bem antes do Século XIX, o que não é possível.
Thurloe, o cunhado de Cromwell e chefe de sua polícia secreta, parece ter empregado em sua câmara escura uma técnica análoga à fotografia.
Pode-se decifrar esse texto? Voltamos à querela dos egiptólogos. Sax Rohmer escreveu a propósito dos egiptólogos oficiais: "Se puséssemos todos eles a ferver e se fosse destilado o líquido assim obtido, não se extrairia nem um micrograma de imaginação".
Isto parece verdadeiro. Parece que houve, por volta de 1.920, arqueólogos não-oficiais capazes, realmente, de traduzir hieróglifos. Schwaller de Lubicz teria recebido ensinamentos de tais especialistas. Se bem que, a priori, não se possa rejeitar a existência de um pequeno grupo, tão esperto em 1.971 d.C. quanto o fora em 1.971 a.C., que possuiria alguns elementos da ciência secreta.
Eis, segundo C. Daly King, um exemplo dessa ciência secreta: "No Egito, existiam verdadeiras escolas e a Grande Escola, a que ensinava nas pirâmides, era realmente séria. A sua especialidade era o conhecimento objetivo, real, do Universo real. E uma das possibilidades dada aos estudantes era a de, com o auxílio de um curso cuidadosamente estudado, utilizar as funções naturais mais insuspeitáveis de seu próprio corpo, para transformá-los, de seres sub-humanos que somos, em seres verdadeiros.
A Grande Escola chegara a uma ciência que não possuímos: era a ciência da óptica psicológica. Tal ciência permitia estudar espelhos que não refletiam senão o que era mau em um rosto que lhe era apresentado. Tal espelho se chamava ankh-en-maat, espelho da verdade. O candidato admitido na Grande Escola não via mais nada no espelho pois tinha-se purificado até a eliminação de tudo o que era mau nele. Tal candidato chamava-se Senhor do Espelho Puro"
.
Tudo isto mostra um saber avançado. Mas é compreensível que alguns pensem que a humanidade não está pronta para receber estes conhecimentos, e que uma organização de Homens de Negro faça tudo para impedir a publicação do Livro de Toth.
Até hoje parece que ela o conseguiu plenamente.
Como não sei o que esse livro contém, é-me difícil emitir uma opinião, receia-se que existam segredos realmente muito perigosos para serem conhecidos, e o da "ótica psicológica" me parece, realmente, fazer parte deles. Mas existem também supersticiosos e fanáticos.
Desses supersticiosos, e entre parênteses, assinalemos que foi feita uma estatística exata da duração média da vida de todos aqueles que participaram da abertura do túmulo de Tout Ankh Amon [Tutankamon]; em média, as suas vidas foram mais longas que a de seus contemporâneos. Não admitamos sem verificação todas as histórias de túmulo maldito e de maldição do faraó. Mas o túmulo de Tout Ankh Amon foi inteiramente aberto.
De outro lado, um certo papiro egípcio que anuncia "o conhecimento de todos os segredos do céu e da terra", não descreve mais que a resolução de equações de primeiro grau... É possível que os adversários do Livro de Toth dramatizem por demais a situação.
É possível, igualmente, que eles tenham razão.
O que é certo é que, se existisse uma tradução do Livro de Toth, com provas e fotografia do texto original, qualquer editor hesitaria, sem dúvida, antes de publicá-lo. Mesmo eu.


COMPLEMENTO AO CAPÍTULO 1:

COMO NEFER-KA-PTAH ENCONTROU O LIVRO DE TOTH

Encontrei essa história ingênua, mas autêntica, no The wisdom of the Egyptians, de Brian Brown (New York, Brentano´s, 1.928), citado por Lin Carter em uma antologia Golden cities, far [Cidades de Ouro, distantes].
O papiro egípcio de onde esta história foi extraída data mais ou menos de trinta e dois Séculos.
Nefer-Ka-Ptah encontrou o vestígio do Livro de Toth graças a um antigo sacerdote. O livro era guardado por serpentes e escorpiões, e principalmente por uma serpente imortal. Estava fechado em uma sucessão de recipientes encaixados, os quais estavam no fundo de um rio. Auxiliado por um mágico, sacerdote de Ísis, Nefer-Ka-Ptah apoderou-se da caixa graças a um engenho de soerguimento mágico. Cortou então a serpente imortal em duas, enterrou as duas metades na areia, longe bastante uma da outra para que elas não se pudessem juntar. Leu, então, a primeira página do livro e compreendeu o céu, a Terra, o abismo, as montanhas e o mar, a linguagem dos pássaros, dos peixes e dos animais. Leu a segunda página e viu o Sol brilhar no céu noturno e em volta do Sol grandes formas dos Deuses.
Entrou em sua casa, procurou um papiro novo e uma garrafa de cerveja, escreveu as fórmulas secretas do Livro de Toth no papiro, lavou-as com cerveja e bebeu essa cerveja. Assim, todo o saber do grande mágico ficou nele.
Mas Toth voltou do País dos mortos e vingou-se terrivelmente. O filho de Nefer-Ka-Ptah, e depois o próprio Nefer-Ka-Ptah e a sua mulher morreram. Foi enterrado com todas as honras devidas a um filho de rei e o livro secreto de Toth foi enterrado com ele.
Aparentemente não para sempre. Pois o Livro de Toth reapareceu através dos Séculos. Uma lenda posterior diz que a múmia de Nefer-Ka-Ptah, com suas mãos cerradas em torno do Livro de Toth, foi encontrada por Apolônio de Tiana.

Os Livros Malditos de Jacques Bergier - Co-autor de "O Despertar dos Magos" - Tradução de Rachel de Andrade


Jacques Bergier (08 de Agosto de 1.912 em Odessa, Ucrânia - 23 de Novembro de 1.978 em Paris, França) foi um engenheiro, químico, alquimista, espião, periodista e escritor francês. É autor de obras tão conhecidas como O retorno dos bruxos [O Despertar dos Magos], Guerra Secreta embaixo dos Oceanos, Extraterrestres na História, O Homem eterno (Ediciones Gallimard, França) e A Guerra Secreta do Petróleo, entre muitas outras.

Em seu "Os livros malditos" [ou Os livros Condenados] (Editorial J' ai Lu, Paris, 1.971), propõe uma interessante hipótese: o autor do Manuscrito Voynich possuía conhecimentos extraordinariamente avançados e demasiado perigosos para o mundo moderno, por exemplo o segredo das estrelas novas, pelo qual as ocultou para evitar a nossa própria auto-destruição.

Não há provas de tais conhecimentos avançadíssimos no manuscrito, salvo alguns desenhos "astronômicos" (por exemplo estrelas que parecem "explodir" nos fólios 68 frente e 69 verso, mesmo que possam representar qualquer outra coisa); de todos os modos é altamente improvável que Voynich em 1.912, para não mencionar o mágico-alquimista Dee-Kelley (desde 1.585) e incluso o próprio Roger Bacon, sabendo o que era a energia nuclear, poderia manipulá-la ou liberá-la de modo artificial ...

Devido a sua fama de "sábio desorientado" foi incluido pelo desenhista belga Hergé (Georges Remi) em uma das aventuras de Tintín, intitulada "Vôo 714 à Sidney".


PRÓLOGO: OS HOMENS DE NEGRO
Parece fantástico imaginar que existe uma Santa Aliança contra o saber, uma Organização para fazer desaparecer certos segredos. Entretanto, tal hipótese não é mais fantástica do que a da grande conspiração nazista. É que, somente agora, nos apercebemos até que ponto era perfeita a Ordem Negra, até que ponto os seus afiliados eram numerosos em todos os Países do mundo, e até que ponto essa conspiração estava próxima do êxito.
É por isso que não podemos rejeitar, a priori, a hipótese de uma conspiração mais antiga.
O tema dos livros malditos, que têm sido sistematicamente destruídos ao longo da História, serviu de inspiração a muitos romancistas, H. P. Lovecraft, Sax Rohmer, Edgar Wallace. Entretanto, esse tema não é somente literário. Essa destruição sistemática existe em tal amplidão, que se pode perguntar se não é uma conspiração permanente que visa impedir o saber humano de desenvolver-se mais depressa. Coleridge estava persuadido que tal conspiração existira e chamava os seus Membros de "persons from Porlock". Esse nome lhe recordava a visita de um personagem vindo da cidade de Porlock e que o impedia de realizar um trabalho muito importante que iniciara.
Encontram-se traços dessa conspiração, tanto na História da China ou da Índia, quanto na do Ocidente. Dessa forma, pareceu-nos necessário reunir toda informação possível sobre certos livros malditos e sobre os seus adversários.
Alguns exemplos precisos de livros malditos antes de tudo. Em 1.885, o escritor Saint-Yves d'Alveydre recebeu uma ordem, sob pena de morte, de destruir a sua última obra: "Missão da Índia na Europa e Missão da Europa na Ásia. A questão dos Mahatmas e a sua solução".
Saint-Yves d'Alveydre obedeceu a essa ordem. Entretanto, um exemplar escapou da destruição e, a partir desse exemplar único, o editor Dorbon voltou a imprimir a obra, com tiragem limitada, em 1.909. Agora, em 1.940, desde a sua entrada na França e em Paris, os alemães destruíram todos os exemplares dessa edição que puderam encontrar. É duvidoso que reste algum.
Em 1.897, os herdeiros do escritor Stanislas de Guaita receberam ordem, sob pena de morte, de destruir quatro manuscritos inéditos do autor que versavam sobre magia negra, assim como todo o seu arquivo. A ordem foi executada e não mais existem tais manuscritos.
Em 1.933, os nazistas queimaram na Alemanha uma infinidade de exemplares do livro sobre os Rosa-Cruzes, "Die Rosenckreuzer, Zur Geschichte einer Reformation".
Uma edição desse livro reapareceu em 1.970, mas nada prova que realmente seja conforme o original.
Poderia multiplicar tais exemplos, mas podemos encontrar um número suficiente no curso desse livro.
Quem são os adversários desses livros malditos? Suponhamos a existência de um grupo ao qual chamarei de "Homens de Negro". A idéia dessa denominação surgiu-me quando comecei a notar, em todas as conferências pró-Planeta e anti-Planeta, um grupo de homens vestidos de preto, de aspecto sinistro, sempre o mesmo. Penso que esses homens vestidos de preto são tão antigos como a civilização: creio que se pode citar entre os seus Membros o escritor francês Joseph de Maistre e Nicolau II da Rússia.
Ao meu ver, o seu papel é impedir uma difusão mais rápida e mais compreensível do saber, difusão que conduziu à destruição civilizações passadas. Ao mesmo temo que os traços dessas civilizações nos chegam, com eles nos vem, penso eu, uma tradição cujo princípio consiste na pretensão de que o saber pode ser terrivelmente perigoso. Os técnicos na conservação da magia e da alquimia juntam-se, ao que parece, a esse ponto de vista.
Pode-se constatar, também, que a ciência moderna admite, hoje, que se torna por vezes muito perigosa. Michel Magat, professor no Colégio de França, declarou recentemente em uma obra coletiva sobre os armamentos modernos (Flammarion):
"Talvez seja necessário admitir que toda ciência é maldita".
O grande matemático francês A. Grothendieck escreveu no primeiro número do boletim Survivre, a propósito dos possíveis efeitos da ciência: "A fortiori, se evocarmos a possibilidade de desaparição da humanidade nos próximos decênios (dez bilhões de homens, três bilhões de anos de evolução biológica...), isto é muito gigantesco para ser concebível, é uma abstração absolutamente nula como conteúdo emotivo, impossível de se levar a sério. Luta-se por aumento de salário, pela liberdade de expressão, contra a seleção para as Universidades, contra a burguesia, o alcoolismo, a pena de morte, o câncer, o racismo, a rigor, contra a guerra do Vietnã ou contra qualquer guerra. Mas a aniquilação da vida sobre a Terra? Isto ultrapassa nosso entendimento, é um 'irrealizável'. Sente-se quase vergonha de falar disso, sente-se suspeito de procurar efeitos fáceis como recurso a um tema que, no entanto, é o mais antiefeito que podemos encontrar".
E ainda: "Hoje que enfrentamos o perigo da extinção de toda a vida sobre a Terra, esse mesmo mecanismo irracional se opõe à realização desse perigo e às reações de defesa necessárias entre a maior parte de nós, aí compreendidas as elites intelectuais e científicas de todos os Países. Pode-se, tão-somente, esperar que ele seja superado por alguns, através de um esforço extenuante e da tomada de consciência de tais mecanismos inibidores".
Depois deste texto ter sido escrito, recentemente, comecei a perceber nos congressos essa ideia de que as descobertas muito perigosas deviam ser censuradas ou suprimidas. Ao cabo de um ano, na reunião da Associação Inglesa para o Avanço das Ciências, foi citada como exemplo de uma descoberta a ser censurada a possibilidade de as diversas variedades da espécie humana não serem igualmente inteligentes. Os sábios afirmavam que tal descoberta encorajaria o racismo em tais proporções, que seria preciso impedir a publicação disso por todos os meios. Podemos ver muitos sábios eminentes de nossos dias juntarem-se aos "Homens de Negro".
Percebeu-se, com efeito, que tais descobertas consideradas muito perigosas para serem reveladas, existem tanto nas ciências exatas, como nas ciências ditas falsas, isto é, aquelas que chamo de paraciências.
Mas, há muito tempo que a destruição sistemática de livros e documentos contendo descobertas perigosas tem sido praticada, antes ou no momento mesmo da publicação. E tem sido assim ao longo da História. E é isto que tentaremos demonstrar.



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