Mostrando postagens com marcador magos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador magos. Mostrar todas as postagens

Frases de Austin osman spare


"A cabeça é a casa da língua; nossos corpos afetivamente falar menos falsamente."

"Foi a vaguear que encontrou o caminho direto."

"Grandes pensamentos são contra todas as doutrinas de conformidade."

"Quanto mais caótico sou,mais completo eu sou."

"E lembre-se, você deve sofrer todas as coisas e sofrer novamente: até que você tenha sofrido suficiente para aceitar todas as coisas."

"Faça o que você gosta, a quem o gosto é a lei."

"Porque eu sou eu: ergo, a verdade de mim mesmo, a minha própria esfinge, o conflito, o caos, vórtice-assimétrica para todos os ritmos, oblíqua para todos os caminhos. Eu sou o prisma entre preto e branco:. Uníssono minha própria dualidade "

"A arte pode contradizer a ciência."

"Na nossa solidão ... grandes profundidades as vezes soam . Esconde a verdade na companhia. "

"A alma é o ancestral dos animais. O corpo é o seu conhecimento. "

"Apague a luz do quarto, feche a porta, esvazie a mente. No entanto, você ainda está em
grande companhia- o Numen e seu gênio com todos os seus meios de comunicação, e seu
série de elementais e os fantasmas de seus amores mortos - estão lá! Eles não precisam de luz para ver, não há palavras para falar, nenhum motivo para decretar a não ser por seu próprio desejo puramente formado. "


"Outros acreditam em oração. . . . não aprenderam ainda, que, por que pedir para  ser negado? Que seja a raiz do seu Evangelho. Oh, vocês que estão vivendo vidas de outras pessoas! A menos que o desejo é subconsciente, ele não é cumprido, não, não nesta vida. Então, na verdade, o sono é melhor do que a oração. Quiescência é desejo oculto, uma forma de "não perguntar"; pelo que a mulher obtém muito do homem ".

"Quietismo, Budismo e outras religiões, tudo que nega a carne é o grande inferioridade a Deus em nós mesmos, um escapismo em busca de refúgio, com medo da vida e incapacidade de aceitar" esta realidade ". Eles foram feridos? Ou foi a odalisca insatisfatório ou muito caro? Eles esperavam muito de muito pouco, ou eram muito significa para pagar-portanto: "Tudo é ilusão". Mas o estóico sorridente aguarda a próxima merda que caia do céu. Estóicos não são salvadores, santos ou heróis e muitas vezes são confusos e cansados​​, mas eles preferem encontrar seu próprio caminho e aceitar a vida como eles acham. Os esquizofrênicos, os melancólicos e psicóticos, eles pelo menos são secretos e infligir nenhuma religião dos outros. Eles provam as possibilidades e utilidades do 'como se' quando totalmente aceito. "
 
 
Sobre o Autor:
LORD KRONUS
LORD KRONUS

Admirador do Oculto e cinéfilo.
azerate666@hotmail.com
Confira mais textos deste autor clicando aqui

AUSTIN SPARE

AUSTIN SPARE caminhava entre os espaços místicos e as dimensões do subconsciente. Não raras vezes, ele demonstrava uma genialidade artística incomum, enquanto vivenciava as muitas faces ocultas da magia e do sobrenatural como se estivesse sobre o fio de uma navalha, sem jamais cair nas divisões maniqueístas e racionais. Ao contrário do que pode parecer, Spare não era indeciso. Muito pelo contrário. Ele seguiu por caminhos que muitos de seus conhecidos consideravam perigosas demais para o ser humano comum.
Filho de um policial londrino, o ocultista veio ao mundo na cidade Snowhill, em uma hora incerta, segundo ele próprio dizia. Não sabia para que lado estava olhando Janus, o deus romano de duas faces, no momento em que lhe deu à luz: se de frente ou de costas, pois nasceu na exata passagem de 1886 para 1887.

Curiosamente, Spare representa exatamente isso: uma grande genialidade aliada a um espírito intenso e forte, perturbado por visões que o levavam a seguir instintos e idéias pouco convencionais para sua época.
Durante toda a vida ele se empenhou em uma intensa busca espiritual, mas não através da espiritualidade que vemos nos meios místicos hoje em dia. Sua busca seguia na direção da magia pura e prática, dos prodígios e dos poderes ocultos. 

Essa procura surgiu bem cedo, do contato que Spare teve com uma velha mulher, supostamente descendente de uma linhagem das bruxas de Salem que os inquisidores falharam em exterminar. Ele se dirigia a ela de forma carinhosa, como sua segunda mãe, muito embora a chamasse de sra. Peterson quando a mencionava em suas obras. O mago dizia que através de seus ensinamentos havia conseguido ultrapassar a compreensão que se tinha da verdadeira magia na época. Segundo seus relatos, a sra. Peterson possuía poderes que raríssimas pessoas desenvolvem durante a vida - poderes que a ioga tradicional chama de siddhis. Devido a sua pobre educação, ela possuía um vocabulário restrito, que geralmente se limitava ao básico. Porém, quando procurada para fazer previsões e não tinha palavras para descrever o que estava vendo, ela simplesmente materializava o objeto em um canto da sala. Isso aumentou ainda mais o interesse de Spare pelo oculto, motivando-o a buscar um sistema mágico que permitisse a realização de tais feitos.
Esse interesse já existia desde sua adolescência, quando ele usava um processo denominado "sigilos" - símbolos, grafismos ou mantras que o permitiam dominar forças mágicas, elementais e outras energias mais sutis.
Com isso, Spare podia influenciar fenômenos naturais e uma série de outros acontecimentos. Esse fato é lembrado pelo poeta Yeats em seu O Tremor do Véu, no qual descreve como o mago desenhava os eventos que desejava ver realizados. Na época, esse procedimento era chamado "magia instintiva" .
Com 17 anos, Austin Spare demonstrou seu controle sobre esse tipo de magia usando "sigilos" para provocar uma intensa chuva em um dia ensolarado, a pedido do reverendo Robert Benson, escritor de textos e novelas de cunho místico. Outros eventos considerados estranhos ocorreram quando, a convite de Benson, Spare realizou um teste com Everard Fielding, secretário da Sociedade de Pesquisas Psíquicas. Nesse teste, o mago provocou, por meio dos seus "sigilos", a realização do desejo de Fielding, que ficou extremamente impressionado com os poderes demonstrados.

AUSTIN SPARE TAMBÉM Tinha um talento incrível para a arte, num período de intensa criatividade artística em toda a Europa, destacando-se e sendo comparado aos grandes expoentes de sua época, inclusive aclamado como o mais jovem artista a expor na Royal Academy.

Chegou a trabalhar como artista de guerra, retratando a situação médica dos campos de batalha - algo de acordo com os parâmetros que nortearam seus quadros, repletos de imagens de morte, dor e prazer. As pinturas e desenhos sempre revelavam mais do que simples traços e representações, mostrando seu empenho em descobrir e praticar uma forma diferenciada de magia, na qual a sexualidade e o mundo dos espíritos se entrecruzavam.
Além disso, o feiticeiro também foi um precursor dos desenhos e escritas automáticos, mas de forma diferenciada ao que vemos hoje em diversos círculos místicos nos quais entidades são canalizadas: seu sistema antecipava o movimento surrealista como técnica literária e artística. Sua obra foi influenciada por pensadores como Nietzsche (1844-1900) e Hans Vaihinger (1852-1933).

Este '" último é o autor de Philosophie des Als Ob (Filosofia do Como Se); ele dizia que os humanos nunca poderiam conhecer a realidade
fundamental do mundo e, assim, constroem sistemas de pensamento e depois supõem que eles correspondem à realidade. Em outras palavras, nos comportamos "como se" o mundo é compatível com o modelo que imaginamos. Essa visão seria o ponto central do entendimento de Spare sobre o mundo.

Em seu trabalho artístico, o mago também mantinha comunicação com forças espirituais, afirmando ver de relance os seres que entravam em contato com ele. Por diversas vezes, Spare colocou no papel as suas impressões depois de ter contatos com essas energias, e muitas ilustrações mostravam claramente atos sexuais e outras manifestações de cunho erótico, que acabaram por estigmatizá-lo como um maníaco.
A arte de Austin Spare sempre retratou o mundo místico e o mundo do prazer. Em vida, ele publicou O Livro do Prazer (1913), em que descrevia o uso das energias sexuais na magia e na obtenção dos desejos. Essa obra é extensamente ilustrada com desenhos que mostram várias vezes o que parecem ser espíritos de mulheres e homens em atividades sexuais.
Em 1956, data de sua morte, o mago deixou uma obra inacabada da qual restou tão somente um manuscrito conhecido como Grimório Zoé-
tico de Zos, no qual estariam todas as receitas e idéias que a sra. Peterson lhe teria legado, além de fórmulas e sistemas criados por ele no seu caminho mágico.
 
Apesar de toda a sua genialidade artística, Spare angariou um grande número de inimizades devido à temática de morte, horror e erotismo nos quadros que produzia, além de sua fama de libertino. No fim da vida, ele estava tentando vender seus desenhos nos ba- res de Londres.
A MARCA DEIXADA POR SPARE não está em sua personalidade controvertida ou nas obras artísticas, mas em sua doutrina mágica, que nasceu e floresceu no ambiente mais propício da história mágica moderna.

Suas idéias, influenciadas pela intensa atividade literária e cultural da época, abriram novos caminhos para os estudiosos do oculto. Ele se juntou a Aleister Crowley na sociedade secreta Austrum Argentum (A. A.), mas a união dos dois não durou muito - um dos principais pontos de discordância entre ambos relacionava-se à estruturação do saber mágico. Para Spare, tudo o que era complicado demais para se entender ocultava a verdade mágica, e os objetivos da magia deveriam ser práticos. Já Crowley era um aristocrata versado em várias línguas e possuía profundos conhecimentos de cabala hebraica e dos complexos rituais de outras ordens das quais fazia parte. O embate natural levou-os a caminhos separados, mas Crowley considerou Spare seu aluno até a morte, especialmente porque o sistema criado por Spare ba-seava-se em outros trabalhos de Crowley, como o Líber al Vegis, o Livro das Mentiras e Equinox.
Spare desenvolveu várias ferramentas para atingir seus fins mágicos, criando um alfabeto que denominou de "alfabeto do desejo", ou "alfabeto sagrado", feito a partir de uma série de desenhos com características claramente sexuais, usado para atingir estados alterados de consciência e realizar seus "sigilos".

Ele sentia que o universo de deuses e espíritos que permeia nossa realidade é, em muitos casos, criação de nossos desejos mais primevos, nascidos de uma sexualidade contida no inconsciente. Ele vislumbrou a forma de ativar essas forças, que chamou de atávicas. Seu sistema de magia recebeu o nome de zos-kia (zos é o próprio corpo; kia é a crença primordial no deus interior). Em outras palavras, Spare dizia que nós somos deus e que todos os deuses externos só existem no momento em que nós os criamos, podendo, portanto, serem mortos. É uma magia baseada em dois princípios: a vontade e a imaginação.
Certa vez, dois amigos seus insistiram para que ele demonstrasse a existência dos seres atávicos, pedindo que invocasse um deles naquele instante. Spare tentou demovê-los da idéia, explicando que essas formas vêm
do inconsciente e que podem ser nada amistosas, além de possuírem um poder ainda desconhecido. Mas eles insistiram e Spare preparou um "sigilo", que posicionou em sua fronte. Em seguida, caiu num torpor. Alguns minutos depois, segundo as testemunhas, a sala se encheu de uma fumaça esverdeada e nauseante. Dois olhos e uma face não-humana se formaram num canto da sala. As pessoas começaram a gritar e a pedir que Spare mandasse aquilo embora. De repente, tudo sumiu e ele voltou a si, reafirmando que o que haviam visto era algo que vinha das profundezas do inconsciente.

Sem dúvida, Austin Spare foi um gênio, tanto nas artes quanto na magia. Seus trabalhos eram requisitados por todas as grandes personalidades do mundo mágico da época, como Gerald Gard ner (1884-1964), o criador da Wicca, Kenneth Grant, o grande expoente da Thelema de Crowley, e muitos outros.
Seu sistema mágico sobreviveu e hoje é conhecido como "magia do kaos", pois suas bases estão alinhadas com os trabalhos mais avançados da física e da matemática atuais, como a matemática do caos e a teoria dos fractais.
Seguindo sua própria filosofia, e ao contrário de Crowley, Spare nunca almejou ser adorado pelos que o seguiriam com o sistema zoskia, algo que o diferencia da grande maioria dos grandes magos do século 20

ALEISTER CROWLEY

MUITAS PESSOAS tremem ao ouvir seu nome. Sentem arrepios só de pensar no homem que se autodenominou A Besta: 666 - Aleister Crowley. Mas nem tudo sobre o temido personagem relaciona-se ao culto do chamado "lado negro do misticismo". Na verdade, além de romper com o dogmatismo de sua época, Crowley teve um papel importante na inauguração de uma nova fase do pensamento mágico, gerando controvérsias que serviriam como base para o nascimento de toda uma geração de ocultistas a partir da década de 1940 e inspirando muitos jovens a buscar as artes mágicas.
 
Edward Alexander Crowley veio ao mundo em 12 de outubro de 1875, na cidade de Leamington, Inglaterra. Seus pais eram sócios dos Irmãos Plymouth, o que lhes rendia um considerável ganho para os padrões da época - dinheiro que, mais tarde, seria herdado pelo bruxo, possibilitando que se dedicasse em tempo integral aos seus estudos.
Um fato importante para entender a história desse estudioso do oculto é a crença de seus pais. Sendo puritanos cristãos, impunham a ele toda sorte de preconceitos e tabus relativos às suas crenças e, como resultado, o jovem cresceu com uma educação bíblica completa, que incluía conhecimentos das línguas antigas, como o grego e o latim. Durante seus estudos, ele também entrou em contato com as filosofias antigas e, claro, com a magia.
Um fato importante para entender a história desse estudioso do oculto é a crença de seus pais. Sendo puritanos cristãos, impunham a ele toda sorte de preconceitos e tabus relativos às suas crenças e, como resultado, o jovem cresceu com uma educação bíblica completa, que incluía conhecimentos das línguas antigas, como o grego e o latim. Durante seus estudos, ele também entrou em contato com as filosofias antigas e, claro, com a magia.
Contudo, um fato acionou a veia de Crowley para o oculto e deu vazão à sua rebeldia. Quando tinha seus acessos de inconformismo, naturais da juventude, mas inaceitáveis ao puritanismo vitoriano, sua mãe costumava chamá-lo constantemente de "a grande besta". Numa dessas oportunidades, sua curiosidade se despertou e ele foi procurar a passagem sobre o tema na Bíblia.
vez de se horrorizar, ficou fascinado e concluiu que era essa a razão pela qual ninguém o entendia. Desde então, passou a se autodenominar A Grande Besta: 666.
Com a morte do pai e o peso da figura materna em sua vida, Aleister desenvolveu um profundo desdém por todas as instituições, em especial as de caráter religioso e moralista, tornando-se um arquiinimigo de tudo que representava repressão da sociedade em relação ao indivíduo.
Sua natureza rebelde começou a encontrar eco no descontentamento da intelectualidade da época e, no final da era vitorjana, teve contato com a efervescente nata cultural dos últimos anos do século 19 e início do 20.
 
Com a morte da mãe, Crowley herdou uma fortuna que, mais tarde, quando passava por dificuldades financeiras, foi reforçada por outra herança de uma tia. Isso lhe garantiu uma vida de luxo e sem necessidade de trabalho desde os 21 anos até a sua morte, aos 72. Nesse trajeto e com a fortuna que ganhou, dedicou-se em tempo integral ao estudo das artes mágicas, absorvendo conhecimentos que o tornariam uma das personalidades mais conhecidas no mundo ocultista.
O mago estudou no tradicional Trinity College, onde era considerado um excelente aluno, além de grande atleta. Isso lhe deu um grande destaque e o ajudou a abrir as portas para sua entrada em Cambridge, facilitando seu acesso ao mundo acadêmico e ao contato com a ordem mística Aurora Dourada.

CROWLEY FOI CONVIDADO A ingressar na ordem Golden Dawn (Aurora Dourada), e que causou um verdadeiro racha na organização. De um lado, encontrava-se Samuel Liddell McGregor Mathers (1854-1918), que insistia em conceder a iniciação a Crowley, pois via nele potencial para ser um grande mago; do outro estava o intelectual William B. Yeats (1865-1939), que via com preocupação o seu comportamento rebelde e tinha receio dos resultados que uma personalidade como a dele poderia provocar aliando a magia a sua já famosa imoralidade. Yeats até afirmou que a Ordem não era lugar para curar a rebeldia de ninguém.
Depois de ingressar na sociedade secreta  a qual ele considerou frustrante, como relatou mais tarde, em questão de meses Aleister ascendeu a vários graus, sendo informado que os mistérios mais profundos da ordem somente seriam transmitidos quando atingisse o Décimo Grau. Com sua rápida subida, os membros da ordem decretaram que ele teria de passar vários meses antes de seguir adiante dentro das estruturas da Aurora.

Incapazes de conter a impaciência do jovem, seus dirigentes declararam ser capazes de fazer tudo que as lendas contavam, desde levitar até voar em vassouras e conjurar tempestades, mas que tudo isso estava aquém da dignidade da Aurora Dourada. Nesse instante, Aleister chamou todos de "uma assembléia de idiotas" e estava disposto a ir embora quando encontrou Allan Bennet (1872-1923), um jovem que afirmava ter o segredo para invocar espíritos do outro mundo.

Entre eles iniciou-se uma amizade que envolveria a ambos de forma interessante, pois foi nesse momento que a vida mágica de Crowley ganhou novo alento. Ele afirmava ter conseguido invocar um grande número de demônios, embora alguns duvidem disso em virtude de, no mesmo período, ter começado seu envolvimento com drogas alucinógenas, das quais se tornou um contumaz consumidor.
A verdade é que o contato com a Aurora Dourada e com McGregor Mathers foi produtivo para a mente ativa de Crowley. Foi lá que ele tomou conhecimento de dois cânones do mundo mágico ocidental: As Clavículas de Salomão e o Livro Sagrado de Abramelin, este considerado uma das obras mais avançadas do estudo mágico e forças astrais. Segundo consta, Crowley inclusive realizou as operações descritas no livro e elas teriam gerado os eventos que culminaram com sua viagem ao Egito.
Seu relacionamento passou a se tornar cada vez mais tenso dentro da Ordem, principalmente quando começou a desenvolver uma série de atividades que o colocaram em choque com McGregor Mathers, situação agravada após sua mudança para a Escócia, pois não gostava de receber orientações e determinações: ele simplesmente ignorava as ordens de seus superiores. Isso o levou a cortar relações com Mathers aproximadamente em 1904.

Depois do rompimento, uma turbulência agitou a sociedade secreta, causada por uma disputa de poder entre os frateres. Crowley voltou para tentar acertar as coisas, mas sem sucesso, o que o deixou desiludido quanto ao futuro da Aurora. Abatido, o ocultista abandonou a Inglaterra e iniciou um longo período de buscas, que o levou da América e México ao Extremo Oriente, por fim retornando à Europa e se fixando em Paris.
 
Nessa época, sua fama já havia atingido grande parte do mundo das ciências ocultas e, ao saber de sua estada na cidade luz, diversos ocultistas o procuraram. Ele se sentia em seu território, o centro das atenções de uma sociedade pensante e filosófica que abundava nos cafés parisienses e discutia assuntos esotéricos com naturalidade  algo que Crowley achava extremamente excitante. Nessa ocasião, ele se casou com Rose Kelly (1874-1932), que iria mudar radicalmente sua visão do mundo mágico ROSE KELLY ERA IRMÃ DE Si r Gerald Kelly (1879 -1972), famoso pintor da época, e isso combinava perfeitamente com a imagem de Crowley, considerado um homem cobiçado e de alta estirpe. Kelly, porém, passou algumas dificuldades com o marido devido ao consumo de drogas e a uma vida que transitava pelas diversas facetas da sensualidade humana. A jovem experimentou algumas drogas e se tornou uma dependente em pouquíssimo tempo. Só que seu papel seria mais amplo na história do ocultismo. No ano de 1904, Crowley estava com a esposa no Egito quando ela teve uma série de revelações que resultaram no Liber Legis, ou Livro da Lei  obra que é a base de toda a doutrina que culminaria com o surgimento do movimento "thelernista", os seguidores de Crowley.

Porém, segundo alguns historiadores, todos esses fatos estão conectados às práticas mágicas levadas a cabo pelo mago quando ele trabalhava em conjunto com Allan Bennet. Segundo se sabe, Crowley colocou em prática alguns dos ensinamentos contidos nos textos de Abramelin, mas sem o devido preparo - que, em alguns casos, leva alguns anos. E isso aconteceu sob efeito dos alucinógenos, que devem ter amplificado seus sentidos e iniciado um processo que gerou várias situações estranhas no futuro, envolvendo até a morte de alguns thelemistas.
Alguns afirmam que, quando Crowley começava a compilar os escritos de Abramelin, automaticamente a sala em que ele estava se tornava escura como breu. Não importava se era dia ou quantas lâmpadas fossem usadas, a sala continuava escura. E, segundo testemunhas, vários sons estranhos, alguns horrendos, eram escutados. Foi então que o bruxo retirou-se para a Escócia e continuou seu trabalho sem as constantes reclamações dos vizinhos.

Às margens do lago Ness ele intensificou suas atividades mágicas com invocações e transcrições de antigos rituais para uma linguagem moderna, mas agora as pessoas à sua volta diziam que a escuridão o acompanhava aonde quer que fosse, e sempre havia fortes aromas no ar que atrapalhavam a respiração.

Os fenômenos teriam cessado, mas retornou quando sua esposa canalizou O Livro da Lei, no Egito. Lá, ela entrou em transe e descreveu o deus egípcio Hórus, que revelou a Crowley sua condição de profeta e dirigente de uma nova ordem esotérica, que seria maior do que todas até então.

Para um estudioso como ele, isso era algo fantástico, mas difícil de acreditar. Crowley exigiu uma prova e a obteve. Hórus, por meio de Rose, lhe disse para ir ao museu de Boulak, onde ela identificou o deus representado em uma de suas formas, e a caixa na qual se encontrava sua representação levava o número 666. Convencido da veracidade do que lhe estava sendo apresentado, o bruxo iniciou a transcrição do Liber Legis com a ajuda de Rose e da entidade que se denominava Aiwass.

O trabalho de Crowley ganhou uma nova dimensão. Aiwass revelou-lhe as diversas Eras e o seu funcionamento; ele compreendeu o papel de seus estudos e criou uma nova ordem, que englobaria graus da própria Aurora em um sistema maior e mais abrangente. Nascia  assim a Astrum Argentum, contendo em si os resultados práticos dos estudos de Crowley sobre a magia e suas aplicações.
Depois disso, ele abandonou Rose e partiu para a América, onde conheceu Leah Hirsig (1883-1975), que se tornou a sua Mulher Escarlate fato que apregoava estar profetizado na Bíblia, pois ele realmente se considerava a encarnação da Grande Besta. Em seguida partiu para a Sicília, onde transformou uma fazenda abandonada em uma abadia, chamando-a de Templo da Magia.
N os anos que se seguiram, Crowley reuniu uma série de discípulos que se contrapunham àquelas pessoas que o viam como um inimigo, uma pessoa a ser combatida e destruída. O que atraía uns e afastava outros eram os mesmos fatores: uma franqueza direta, a luta pelas idéias em que acreditava, seu inconformismo com as coisas que lhe eram impostas e uma personalidade que acreditava firmemente na magia como meio de mudar o mundo visível de acordo com a vontade humana.
A queda de Crowley começou depois que uma pessoa morreu na abadia em virtude de ferimentos recebidos durante uma punição. Crowley teve de abandonar a Sicília e sua esposa - que retornou a Londres, tornou públicas as práticas realizadas na abadia e liquidou de vez sua reputação.

O mago faleceu em 1947, tendo ao seu lado a Mulher Escarlate, Leah, que depois desapareceu misteriosamente.
 
DISCUTIR A FIGURA DE ALEISTER CROWLEY sob o ponto de vista moral é algo sem sentido, uma vez que a moral é um dos valores humanos mais cambiáveis. Há apenas um século, por exemplo, era perfeitamente admissível excluir a mulher da sociedade, algo que hoje é considerado inaceitável e imoral.
Quando se analisa a figura de Crowley é preciso ir além das aparências, da dicotomia do Bem e do Mal. Note-se que muitos dos atuais seguidores da chamada Nova Era  tão cheios de ódio e repulsa à figura do bruxo, sem saber, fazem uso de
muitas idéias levantadas e estruturadas por ele.
O conceito de que todo homem é uma divindade e que, tendo essa consciência, ele pode alterar sua realidade, resultou das idéias thelemistas do ocultista. Além do que, foi ele, junto com Mc -Gregor Matters, que trouxe sob uma forma moderna os conhecimentos contidos nas Clavículas de Salomão e no Livro de Abramelin.
 
Os jovens que haviam abandonado tais estudos devido ao sectarismo das ordens de então voltaram a buscar esses caminhos com novo fôlego, e isso trouxe um ar renovado ao mundo do ocultismo e esoterismo, fazendo com que as linhas de trabalho se diversificassem, criando uma massa crítica necessária à chegada da Era de Aquário.

Aleister Crowley questionou vários dogmas cristãos e colocou em xeque as estruturas místicas desenvolvidas até o momento que, em vez de se tornarem centros difusores da verdade, haviam se tornado uma caricatura de si próprias, fechando-se em círculos viciosos. Muitas dessas sociedades se reestruturaram para combater as idéias de Crowley, o que, de forma indireta, levou ao renascimento do estudo místico como arte e ciência.
O mago não deve ser julgado em termos de Bem ou Mal, pois é desnecessário. Ele próprio se declarou o Anticristo, a Grande Besta: 666. O mais importante ao avaliar sua passagem pelo mundo é compreender as idéias contidas na obra que deixou, separando o homem do mito, os fatos do preconceito.
 

Fonte: Sexto Sentido Especial nº 24 - Grandes Magos