Dentro do sistema místico thelêmico, após o adepto alcançar o estado no qual consegue pleno contato com seu Sagrado Anjo Guardião (através do processo conhecido como "Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião"), ele deve seguir para o próximo passo, a travessia do Abismo, símbolo do grande vazio espiritual e dissolução do ego, onde reside Choronzon, o demônio que causa confusão mental e ilusões. Babalon, contudo, está na outra ponta dessa travessia, aguardando. Ao final, o adepto deve entregar-se totalmente a ela, simbolicamente "derramando seu sangue na Taça de Babalon", engravidando-a e se tornando um santo ascencionado - conforme a nomenclatura da Astrum Argentum um Mestre de Templo - que habita a chamada Cidade das Pirâmides.
No livro "Magick Without Tears" ("Magick sem Lágrimas"), Crowley diz que:
"Ele(a) guarda o Abismo. E é sua uma perfeita pureza daquilo que está acima, ainda que seja enviada como a Redenção àqueles que estão abaixo dela. Pois que não há outra senda para o mistério Supremo que não por ela e pela Besta na qual ela monta."
Em "The Vision and The Voice" ("A Visão e a Voz"), no capítulo do 12° Æthyr:
"Deixa-o olhar para a taça onde está misturado o sangue, pois o vinho da taça é o sangue dos santos. Glória à Mulher Escarlate, Babalon, Mãe das Abominações, que cavalga a Besta, pois ela derramou seu sangue em todos os cantos da terra e eis! Porém ela o misturou na taça de sua prostituição."
A grafia correta do nome "BABALON" não é revelada senão mais tarde, na visão do 10° Æthyr, onde é utilizado para banir as forças de Choronzon.
A descoberta dessa grafia representa o sucesso de Crowley em cruzar o Abismo e entrar em Binah, Esfera essa atribuída a Babalon.
Babalon é considerada como uma prostituta por não se negar a ninguém, a todos aceitando e amando igualmente. Contudo, de todos cobra um preço: o próprio sangue do adepto e seu ego, sua identidade individual mundana.
Esse aspecto dela é descrito no mesmo capítulo:
"Este é o Mistério de Babylon, a Mãe das Abominações, e é este o mistério de seus adultérios, pois ela rendeu-se a tudo o que vive e a tudo fez participante de seu mistério. E por ter-se feito serva de todos, de tudo tornou-se senhora. Tu ainda não podes compreender sua glória.
Tu és bela, ó Babylon, e desejável, porque te deste a tudo o que vive, e tua fraqueza conquistou a força deles. Através desta união tu entenderás. Portanto és chamada de Entendimento, ó Babylon, Senhora da Noite!"
O conceito por detrás deste aspecto de Babalon é o do ideal místico da dissolução do ego mundano, revelando o Self oculto por aquele.
O sangue derramado à Taça de Babalon é então utilzado por ela para nutrir o mundo com Vida e Beleza, significando que a sabedoria dos santos, ou Mestres Ascencionados, deve retornar ao mundo e auxiliar na iluminação da Humanidade, simbolizado pela Rosa Escarlate de 49 Pétalas, a Rosa-Cruz.
Em um dos aspectos da magia sexual, a mistura do sangue menstrual com o sêmen produzido durante o ato sexual com a Mulher Escarlate, ou Babalon, é chamado de Elixir Rubeus (abreviado por Crowley em seus diários mágicos como "E. Rub.") e é citado como sendo "o eflúvio de Babalon, a Mulher
Escarlate, que é o mênstruo da corrente lunar" por Kenneth Grant.







