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AS DEUSAS GREGAS E AS MULHERES CONTEMPORÂNEAS

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As deusas gregas são imagens de mulheres que viveram na imaginação humana por mais de três mil anos. As deusas são modelos ou representações daquilo que as mulheres se assemelham (com mais poder e diversidade de comportamento do que as mulheres se têm historicamente consentido exercitar. Elas são bonitas e fortes. São motivadas por aquilo que lhes interessa) e elas representam padrões inerentes ou arquétipos que podem modelar o curso de vida da mulher. (...) Todas as deusas estão potencialmente presentes em cada mulher. Quando diversas deusas disputavam o domínio sobre a psique de uma mulher, esta precisa decidir que aspecto de si própria expressar, e quando expressá-lo. Ela, aliás, será arrastada primeiro numa direção e depois noutra.
As deusas também viviam numa sociedade patriarcal. Os deuses governavam a terra, o céu, o oceano e o inferno. Cada deusa independentemente se ajustava a essa realidade a seu modo, separando-se dos homens, unindo-se a eles como um deles, ou retraindo-se no íntimo. Cada deusa que dava valor a um determinado relacionamento era vulnerável e relativamente fraca em comparação aos deuses, que podiam negar-lhe o que ela queria e dominá-la. As deusas, portanto, representavam modelos que refletem a vida numa cultura patriarcal.
(Jean Shinoda Bolen)
Eu, Lilith. Os sumérios me representaram num baixo-relevo, severa e poderosa, com serpentes em vez de cabelos, duas asas e, no lugar dos pés, garras de abutre.
Já os gregos me chamavam de Hécate e situaram meu reino em Tártaro, na confluência de rios malditos: Estige, Aqueronte, Averno, Lete. À entrada, havia um bosque de álamos brancos, que balouçavam constantemente ao sabor da brisa e, mais além, o palácio onde moravam Hades e Perséfone, a quem eu fazia companhia. Minha casa era cercada de ciprestes e dela eu partia a cada 28 dias e espalhava o pavor na Terra, ao aparecer repentinamente precedida de Cérebro, o guardião dos infernos, que ladrava para advertir os agonizadores. Uma multidão de fantasmas fazia parte do meu cortejo.
Também fui a Empusa, com cabelos e tórax de mulher, mas com nádegas de asno e, no lugar de um dos pés, um casco de cavalo. Ás vezes, assumia a forma de cadela ou de vaca e despertava a luxúria e o terror. Eu, a deusa das perversões secretas.
E fui Equidna, metade serpente, metade uma jovem linda que morava numa caverna imensa, no côncavo de um penhasco. Fui, ainda, Circe, rainha dos encantamentos maléficos, manipulando filtros e venenos, drogas sombrias. Alta, bela e altiva, morando numa ilha banhada por quentes mares - mas os êxtases que eu proporcionava custavam a destruição.
Sou eu, Lilith. Encarnada também nas Harpias, na Medusa. Eu, o incubo. Quem, durante a noite, sofria de terrores e tinha delírios, quem saltava da cama apavorada e corria, era do meu ataque que estava fugindo. Cubro o corpo dos homens com meu corpo quente e dizem que meu abraço é tão furioso que sufoca. Minha vítima têm o maior orgasmo de suas vidas, mas depois desfalecem e entram em crises de melancolia. Um dos privilégios é causar a loucura.
Assim me viram os homens, porque eu era livre e solidária.
(Atire em Sofia, pág. 178)

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