* A Interpretação Qabalística *
Nas teorias Qabalísticas Lúcifer corresponde à sephira oculta Daath. Porém, de acordo a entender esta atribuição, devemos primeiro voltar ao momento quando a Árvore da Vida foi uma ideal harmonia cósmica e sua negra contraparte não existia. A perfeita Árvore Cósmica, como
agora, consistia de dez níveis e vinte e dois caminhos, mas não havia nenhum plano material até então. Em vez disso, a Árvore da Vida continha Daath como
a parte integral da harmonia cósmica. Daath era a mais próxima da mais alta tríade: Kether, Chokmah e Binah,
sobre a sephira central Tipharet. Ela foi o segundo sol que brilhou sobre as sephiroth vizinhas. Enquanto Tipharet
foi o sol inferior que lançava seus raios sobre as regiões inferiores, Daath iluminava a parte superior da Árvore
como o segundo místico sol. Suas luzes marcaram dois "mundos"
representados pela Sephiroth: o inferior
(abaixo de Tipheret) e o superior (envolvendo Daath). Ambos foram harmoniosamente ligados um ao outro. O sol inferior foi governado pelo arcanjo Michael, o superior por Lúcifer: O Portador da Luz. Lúcifer foi então o anjo que residia próximo à trindade divina. Ele foi o guardião e o mediador entre a luz divina e as esferas inferiores, que é
refletida em uma antiga lenda na qual ele foi o mensageiro de deus sobre a terra que observou todos os eventos terrestres e os reportou ao criador.
Sobre a original Árvore da Vida, Yesod, e sephira inferior, foi uma reflexão ideal de Kether, a mais alta
sephira. Porque ela foi o mundo astral do homem, e foi considerada como a imagem ideal de deus. Yesod, porém, é também a esfera da sexualidade, existindo sobre a Árvore da Vida de uma forma sutil e dormente. As razões de
Lúcifer e os outros anjos caírem não estão claras desta perspectiva. Talvez eles tivessem começado a cobiçar o
homem por causa de sua perfeição ("Viram os filhos de deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram." Gênesis 6:2). Lúcifer-Daath caiu/desceu ao nível do homem e
despertou nele o poder da criação e energia sexual, que são representados pelo dom dos frutos do Conhecimento, oferecidos pela Serpente bíblica. Desta maneira o homem ganhou acesso ao conhecimento que
até aquele momento era reservado para deus e as mais altas entidades. A queda dos anjos e sua união sexual com o homem foi a proibida união dos mundos. O homem ganhou o potencial da criação (de dar a luz a uma nova vida), e a ideal harmonia cósmica foi perdida. Onde antes existia Daath, um abismo se abriu e separou a divina
tríade dos níveis inferiores. O homem foi derrubado de seu éden astral e habitou a nova sephira Malkuth, no
plano material, enquanto os portais para o jardim divino foram fechados para ele: "Então, ele expulsou o homem,
pôs ao oriente do jardim do éden os querubins, e uma espada flamejante que se revolvia, para guardar o caminho
da Árvore da Vida" (Gênesis 324). A sephira Daath junto com Lúcifer perdeu seu lugar próximo ao trono de deus
(Kether) e tornou-se o abismo, o portal para os anti-mundos
Qlifóticos no qual Lúcifer estabeleceu seu Pandemônio.
Um adepto do caminho da Luz procura reconstruir a original ordem cósmica e a reunião com a perfeição
divina. A morte de cristo sobre a cruz é uma matáfora da criação da ponte sobre o abismo e unindo o homem
com deus. O adepto do Caminho da Mão Esquerda visa aprofundar a Queda e trazer o processo de destruição ao
fim, a fim de ascender a própria centelha de divindade na absoluta escuridão do abismo. Pelo cumprimento da
obra que foi iniciada com a degustação dos frutos do Conhecimento, o homem pode alcançar os frutos da Árvore
da Vida.
* A Jóia do Abismo *
Quando Lúcifer estava caindo do paraíso para o abismo da escuridão, uma jóia caiu de sua fronte, o
emblema de sua beleza e perfeição. Era uma esmeralda, a jóia considerada pelos alquimistas como a pedra de Mercúrio, o personagem que pertence à esfera do meio, tanto no sentido alquímico como mitológico. Mercúrio é o mensageiro celestial, o intermediário entre os mundos, e o guia das almas mortas (psychopompos) em direção ao Outro Lado. Na alquimia ele é o emblema do fluxo e transmutação - transmutação da matéria e espírito do
menor para o maior, do efêmero para o sólido. Ele é, portanto, a conexão entre o paraíso (espírito) e a terra (matéria). Na versão bíblica de São João: "E esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de
jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda." (Apocalipse 4:3).
O arco-íris é um símbolo popular de uma ponte entre mundos (e.g.: o nórdico Bifröst). A esmeralda que
caiu da fronte de Lúcifer é também a conexão entre o céu e a Terra, e representa a perda do monopólio da imortalidade que até aquele momento tinha sido reservada somente para a divina trindade. De acordo com a lenda, desta jóia os anjos esculpiram o Graal e, quando ele foi preenchido com o sangue de cristo, os portais do paraíso que estavam trancados após a queda de Lúcifer agora se abriram novamente. A esmeralda também se
assemelha à pérola da fronte de Shiva que no simbolismo Hindu representa o terceiro olho e é relacionada ao conceito de infinidade.
A esmeralda também é a jóia que os antigos Romanos associaram
com o planeta Vênus. Como já dissemos, Vênus é relacionado com Lúcifer em muitos aspectos
mitológicos. Ele foi considerado o planeta
representante tanto da vida como da luz, bem como da escuridão e da morte. Ele era chamado de a Estrela da Manhã e Estrela da Noite. Os antigos Romanos acreditavam que ele
anunciava tanto a morte quanto o
renascimento. No México ele foi temido como uma estrela de destruição. Jacob Boehme, o famoso místico, o identificou com a Divina Luz do criador.
A procura pelo Graal significa o errante sobre os diversos caminhos espirituais de acordo a encontrar a luz interna e poder oculto que subjaz toda a existência ele é representado pelo princípio alquímico V.I.T.R.I.O.L (Visita
Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem) e a jóia que representa a coroação do caminho espiritual é a esmeralda ou diamante - o emblema da perfeição e da luz que brilha mesmo nos máximos recessos do abismo.
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Parte 3: Edição #7 de Lucifer Luciferax: Prœlucidus
Gnose Luciferiana
*POR ASENATH MASON ©®*







