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FILOSOFIA GNÓSTICA LUCIFERIANA

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No esoterismo da Ordo Umbrae Lucet, o Ser que conhecemos como Lúcifer é o primogênito da Criação, o Portador da Luz Divina que desce à Terra como uma energia solar fálica. Ele é o Logos Spermátikos, isto é o poder criativo que dá forma a todas as coisas e tudo produz. Lúcifer nunca caiu, ele desceu e deu origem à lenda dos Guardiões ou Nephilim, os anjos caídos do pseudo-epigráfico livro de Enoch.

Para os cabalistas os demônios habitam o lado reverso da Árvore da Vida. Essa Árvore “negativa”, “sombria” que está atrás da Árvore exterior manifesta, denomina-se mundo dos Qliphoth – o lado caótico, desequilibrado do Universo. Acreditamos que a origem espiritual das “forças qliphóticas” associadas ao panteão daemônico como Lilith, Azazel, Shaitan, Asmodeus etc. retrocede à gênese do Universo de onde surgem os deuses primordiais, nascidos do Abismo ou Caos Primal e do primeiro ponto (Kether). São considerados por todas as cosmogonias como “terrivelmente divinos”, pois absorvem o Universo projetado por eles mesmos no final de um ciclo cósmico. Seus nomes variam: Reis de Edon, Titãns, Asuras, Jotuns etc. conforme a terminologia. São os anjos luciferianos da Aurora da Criação ou Maha-Manvantara, as estrelas que surgem do Caos Primal. A mitologia de todos os povos afirma que os deuses da Luz procedem dos deuses das Trevas. Também encontramos arquetípos ligados ao panteão daemônico (ou demoníaco) na mitologia da Mãe Terrível, que incorporava os aspectos do mundo inferior, do tártaro, do Caos da Noite do Tempo e que, originalmente, se manifestava sempre como escuridão e mistérios sombrios. Ela é a decrépita, velha ou avó, em resumo, é a primeira Mãe que os Tantras Hindus conhecem como Deusa Kali. Na antiga mitologia mesopotâmica é Tiamat, o nome da Mãe Universal como a Dragão Fêmea do Caos original. No Egito pré-dinástico ela é Ta-Urt, uma forma primitiva da deusa céu Nuit. Em sua forma de Nuit ela é a Mãe Cósmica, a Deusa que precede todas as outras formas de Deidade, e que ao anoitecer engolia o deus-sol Rá, a Luz da Manifestação, no oeste e o expelia de seu ventre primal na manhã seguinte, a leste. Nela estão ocultos os esplendores radiantes do Sol nascente, que é seu filho como Logos – o Verbo Criador e senhor dos Deuses Excelsos ou plenamente manifestados Arcanjos Solares, os Sete Poderosos Espíritos ante o Trono.

Esse particular Ser Angélico conhecido como Logos, cujo veículo físico é o Sol, está entronizado no centro de nosso universo local. “Ali por todo o Manvântara, Ele está voluntariamente auto-sacrificado, não em agonia e morte e derramando suor e sangue, mas em êxtase criativo e vertendo perpetuamente força e vida” (Geoffrey Hodson). No esoterismo dos Mistérios Angélicos a crucificação do Cristo Cósmico (não confundir com o Cristo Jesus histórico) representa o Logos Solar descendo à matéria. A encarnação de um Logos Solar, ou do Cristo Cósmico, é tida como o mais alto sacrifício. Ela era conhecida como Chrestus-Lúcifer entre algumas seitas de gnósticos que conheciam a verdadeira relação de Cristo com o Sol. Os Logoi Solares, seres cujos envoltórios são sóis, são representados em todas as religiões como uma força crística redentora da humanidade.

Embora a deusa egípcia Nuit personifique as águas da criação, e seja representada como uma mulher com jarro de água na cabeça, símbolo do que é maternal, fecundo e redentor, Ela também é a “porca que devora seus porquinhos”, ou seja, absorve todos os corpos e néteres (deidades) em seu próprio ser. A Grande Deusa em sua face terrível é NOX – a escuridão da Noite Cósmica que, como símbolo do inconsciente, absorve em seu útero escuro a luz (LUX) da manifestação universal ou a consciência-ego do iniciado. Aliás, mesmo no Universo, a matéria negra é cinco vezes mais abundante que a matéria estelar comum.

Em todas as Cosmogonias antigas a Luz vem da Obscuridade. No Egito, como em todas as nações, a obscuridade foi o Princípio de todas as coisas. Daí que o Pensamento Divino saia como a Luz das Trevas. O próprio cosmos nasce da escuridão do caos; as estrelas nascem da escuridão infinita do espaço cósmico e os seres humanos nascem da escuridão do útero de suas mães, e retornam um dia para as trevas de seus túmulos. Da mesma forma, na Alquimia o Negrume ou Nigredo é um estado inicial, sempre presente no início como uma qualidade da Matéria Prima, do Caos ou da Massa Confusa. O conjunto da realidade, incluindo a Humanidade, é criada a partir dessa Matéria Prima não-física (a primeira matéria), o elemento mágico universal, que assume a forma dos elementos terra, fogo, ar e água. Como poeticamente expresso numa antiga oração rosacruz: “Que os esplendores hostis e multicores, pela Luz branca – síntese pacífica das cores – sejam restituídos à homogeneidade daquelas trevas materiais e sagradas, das quais se irradia a Luz Original.”

Sendo o Caos o princípio de todas as coisas, e o inicío da criação do Universo ao qual conhecemos, ele se assemelha à Kali-Nuit o ventre escuro de onde surge Lúcifer – o que traz a luz – daí que na Cosmogênes e de Blavatsky está escrito: “(...) O primeiro Arcanjo, que emergiu das profundezas do Caos, foi chamado Lux (Lúcifer), o Filho Luminoso da Manhã (...) A Igreja o transformou em (...) Satã, porque era mais antigo e de mais elevada categoria que Jehovah...”

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