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Robert Green Ingersoll e a Crítica à Bíblia

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Maçã Caveira
Discurso sobre a Intolerância Religiosa apresentado em Pittsburgh no dia 14 de outubro de 1879:

Alguém tinha de dizer a verdade sobre a Bíblia. Os padres não ousariam, porque seriam expulsos de seus púlpitos. Professores nas escolas não ousariam porque assim, perderiam seus salários. Políticos não ousariam. Eles seriam derrotados. Editores não ousariam. Perderiam seus leitores. Comerciantes não ousariam. Perderiam seus clientes. Homens da alta sociedade não ousariam. Perderiam prestígio. Nem balconistas ousariam. Eles seriam dispensados. Então, decidi eu mesmo fazer isto.

Há milhões de pessoas que acreditam que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus — milhões que crêem que este livro é um cajado e um guia, conselheiro e consolador, que ele preenche o presente com paz e o futuro com esperança — milhões crêem que ele é a fonte da lei, da justiça e piedade, e que através de seus sábios e benignos ensinamentos o mundo conquistou sua liberdade, riqueza e civilidade — milhões que imaginam que este livro é uma revelação da sabedoria e amor de Deus na mente e coração do homem — milhões que têm neste livro como uma tocha que conquista a escuridão da morte e que derrama seu brilho numa outra vida — uma vida sem lágrimas.

Eles esquecem sua ignorância e selvageria, seu ódio à liberdade, sua perseguição religiosa; eles lembram do céu mas esquecem as masmorras do sofrimento eterno. Eles esquecem que este livro aprisiona a mente e corrompe o coração. Esquecem que ele é inimigo da liberdade de pensamento. Liberdade é minha religião. Liberdade de mãos e mente — de pensamento e trabalho.

Liberdade é uma palavra odiada pelos reis. Abominada pelos papas. É uma palavra que abala coroas e altares. É uma palavra que já deixou coroados sem súditos, e as mãos estendidas da superstição sem esmolas. Liberdade é o fruto da justiça. O perfume da piedade. Liberdade é semente e solo, o ar e a luz. O orvalho e a chuva do progresso, amor e alegria.

I - A ORIGEM DA BÍBLIA

Algumas famílias de viajantes — pobres, esfarrapados, sem educação, arte ou poder; descendentes daqueles que foram escravizados por centenas de anos; ignorantes como os habitantes da África Central e recém-fugidos dos seus senhores no deserto de Sinai. Seu comandante era Moisés, um homem que havia sido educado pela família do faraó que havia aprendido a mitologia e as leis do Egito. Com o propósito de controlar seus seguidores ele fingiu que fora instruído e assistido por Jeová, o deus dos fugitivos. Tudo o que acontecia era atribuído à interferência do seu Deus. Moisés dizia que encontrara esse Deus cara a cara; que no topo do Monte Sinai ele recebera as tábuas de pedra nas quais, pelos dedos de Deus, os dez mandamentos haviam sido escritos, e que Jeová havia dito quais os sacrifícios e cerimônias que o agradavam e quais as leis que deveriam governar esse povo. Deste modo a religião judaica e o código de leis foram estabelecidos. Não foi dito que esta religião e esse código de leis se estenderiam a toda a humanidade. Naquela época esses andarilhos não tinham qualquer relacionamento com outros povos. Não havia linguagem escrita, eles não sabiam ler ou escrever. Não havia meios de trazer essas mensagens a outros povos, de modo que elas ficaram enterradas no linguajar dessas tribos ignorantes, miseráveis e desconhecidas por mais de dois mil anos.

Muitos séculos depois de Moisés, o líder, estar morto, muitos séculos depois que todos os seus seguidores já não mais existissem, o Pentateuco foi escrito, o trabalho de muitos escribas, e para dar força e autoridade, disseram que Moisés fora o autor.

Sabemos hoje que o Pentateuco não foi escrito por Moisés. Cidades são mencionadas que não existiam na época em que Moisés viveu. Dinheiro, cunhado séculos após sua morte, é citado. Então, muitas regras não se aplicavam a viajantes do deserto — leis sobre agricultura, sobre o sacrifício de bois, ovelhas e bezerros, sobre tecelagem de roupas, sobre colheitas, sobre o preparo de sementes, sobre casas e templos, sobre cidades e refúgios, e sobre muitos outros assuntos que nada diziam respeito a migrantes famintos do deserto e das pedras.

Hoje admitem os Teólogos inteligentes e honestos que Moisés não foi o autor do Pentateuco, mas todos admitem que ninguém sabe quem eram os autores, quem escreveu qual daqueles livros, este ou aquele capítulo e linha. Sabemos que os livros não foram sequer escritos numa mesma geração. Que não foram escritos por uma só pessoa. Que está repleto de erros e contradições.

Sabe-se que Josué não escreveu o livro que leva seu nome porque trata de eventos que ocorreram muito tempo após sua morte.

Ninguém conhece ou finge conhecer o autor dos julgamentos; o que sabemos é que foi escrito séculos após os julgamentos deixarem de existir.

Ninguém conhece o autor de Ruth, nem o primeiro e segundo de Samuel; o que sabemos é que Samuel não escreveu os livros que levam seu nome. No 25º capítulo do primeiro Samuel é citada a criação de Samuel pela bruxa de Endora. Ninguém sabe quem foi o autor do primeiro e segundo livro dos reis ou o primeiro e segundo livro das Crônicas; tudo o que sabemos é que esses livros são de nenhum valor.

Sabemos que os Salmos não foram escritos por David. Nos Salmos a escravidão é citada, e isto não aconteceu até quinhentos anos após David ter ido dormir com seus pais. Sabemos que Salomão não escreveu os livros dos Provérbios ou as Canções; que Isaías não foi o autor do livro que leva seu nome; que ninguém sabe o autor de Eclesiastes, Jó, Ester, ou qualquer outro livro do Velho Testamento, com exceção de Ezra.

Sabemos que Deus não é mencionado ou de qualquer outra maneira citado no livro de Ester.

Sabemos também que o livro é cruel, absurdo e impossível.

Deus não é mencionado nos salmos de Salomão, o melhor livro do Velho Testamento. E sabemos que Eclesiastes foi escrito por um não-crente.

Sabemos que os judeus não decidiram qual dos livros eram inspirados — autênticos — até o segundo século depois de Cristo.

Sabemos que a ideia da inspiração teve um crescimento gradual, e que a inspiração havia sido determinada por aqueles que tinham certos fins a atingir.

II - SERÁ O VELHO TESTAMENTO INSPIRADO?

Para ser, deveria ser um livro que nenhum homem — ou grupo de homens — poderia produzir. Deveria conter a perfeição da Filosofia. Deveria estar de acordo com todo fato da natureza. Não deveria conter nenhum erro em Astronomia, Geologia ou qualquer assunto da Ciência. Sua moralidade deveria ser a mais alta e pura. Suas leis e regras para a conduta deveriam ser as mais justas, sábias, perfeitas, e perfeitamente adaptadas aos fins desejados. Não deveria conter nada que faça o homem cruel, vingativo ou infame. Deveria ser cheio de justiça, pureza, honestidade, piedade e espírito de liberdade. Deveria ser avessa à opressão e à guerra, à escravidão e avidez, ignorância, credulidade e superstição. Deveria desenvolver a mente e civilizar o homem. Deveria satisfazer o cérebro e o coração dos mais sábios e inteligentes. E deveria ser verdadeira.

Será que o Velho Testamento satisfaz estes parâmetros? Há algo no Velho Testamento — em História, teoria, lei, moralidade, ciência — acima e além das ideias, crenças, costumes e preconceitos existentes naqueles povos entre os quais os autores viveram? Há qualquer raio de luz de qualquer
fonte sobrenatural?

Os antigos hebreus acreditavam que a Terra era o centro do Universo, e que o sol, lua e estrelas eram manchas no céu. Com isto a Bíblia concorda. Pensavam que a terra era plana, com quatro cantos; que o céu, o firmamento, era sólido — o piso da casa de Jeová. A Bíblia ensina o mesmo. Imaginavam que o sol girava em torno da Terra e que, parando o sol, o dia se prolongaria. A Bíblia concorda com isto. Acreditavam que Adão e Eva seriam o primeiro homem e mulher; que eles haviam sido criados alguns anos antes e que eles, os hebreus, eram seus descendentes. Isto a Bíblia ensina.

Se alguma coisa é ou pode ser certa, os escritores da Bíblia estavam enganados sobre a criação, Astronomia, Geologia; sobre as causas de fenômenos, a origem do mal e as causas da morte. Agora deve-se admitir que se foi um Ser Infinito o autor da Bíblia, ele deveria saber todos os fatos, todas as ciências e não cometeria qualquer erro. Se no entanto, há erros, desvios, falsas teorias, mitos ignorantes e asneiras na Bíblia, ela só pode ter sido escrita por seres finitos; ou seja, por pessoas ignorantes e equivocadas. Nada pode ser mais claro que isto.

Por séculos a Igreja sustentou que a Bíblia era absolutamente certa; que não continha nenhum erro; que a história da criação era verdadeira; que sua Astronomia e Geologia estavam de acordo com os fatos; que os cientistas que discordassem do Velho Testamento eram infiéis e ateus. Hoje as coisas mudaram. Cristãos educados admitem que os escritores da Bíblia não eram tão inspirados com a ciência. Eles agora dizem que Deus, ou Jeová não inspirou os escritores desse livro com o propósito de ensinar o mundo sobre Astronomia, Geologia ou qualquer outra Ciência. Eles agora admitem que os homens inspirados que escreveram o Velho Testamento não sabiam coisa alguma de ciência, e que eles escreveram sobre a terra, as estrelas, o sol e a lua de acordo com a ignorância da época. Foram precisos muitos séculos para forçar os Teólogos a admitir isto. Relutantemente, cheios de malícia e ódio, os pregadores se retiraram de campo, deixando a vitória com a ciência. Então eles assumiram outra tática. Eles passaram a afirmar que os autores da Bíblia eram inspirados em questões espirituais e morais; que Jeová queria informar seus filhos seus desígnios e seu infinito amor; que Jeová, vendo seu povo mau, ignorante e depravado, queria fazê-lo piedoso, justo, sábio e espiritual, e que a Bíblia é inspirada em leis, na religião que ela ensina e em suas ideias de governo. Essa é a situação atual.

Estaria a Bíblia mais próxima a seus ideais de justiça, piedade, moralidade ou religião que suas concepções de ciência? Ou sua moral?

Ela apoiou a escravidão — sancionou a poligamia. Poderia o diabo fazer pior?

É ela piedosa?

Na guerra, ela estendia a bandeira negra; comandava a destruição, o massacre de tudo — do idoso, do doente e desesperançado — de esposas e bebês.

Eram suas leis inspiradas?

Centenas de ofensas eram punidas com a morte. Pegar em ferramentas de trabalho nos domingo, assassinar seu pai na Segunda, eram crimes iguais. Não há na literatura código de leis mais sangrento. As leis da vingança — retaliação — eram as leis de Jeová. Um olho por um olho, um dente por um dente, um membro por um membro. Isto é selvageria — não Filosofia.

Seria justa e racional?

A Bíblia é o oposto de tolerância religiosa — de liberdade religiosa. Quem discordasse da maioria era apedrejado até a morte. Investigação era um crime. Maridos eram ordenados a denunciar e ajudar na matança de esposas não crentes. É inimiga da arte. “Não farás imagem esculpida”. Isto é a morte da arte. A Palestina jamais produziu um pintor ou escultor.

Será a Bíblia civilizada?

Ela apoia a mentira, roubo, furto, assassinato, venda de carne estragada a estrangeiros, e até o sacrifício de seres humanos a Jeová.

Será ela filosófica?

Ensina que pecados de uma pessoa sejam transferidos a um animal — um bode. Faz da maternidade uma ofensa para a qual a oferta de um pecado teve de ser feito. Era mau parir um menino, e duas vezes mau parir uma menina. Fabricar o óleo que era usado pelos sacerdotes era uma ofensa punida com a morte. O sangue de um pássaro morto em água corrente era tido como medicinal.

Mancharia um Deus civilizado seu altar com o sangue de ovelhas, cordeiros e cabritos? Transformaria seus padres em carniceiros? Sentiria prazer em sentir cheiro de carne queimando?

III - OS DEZ MANDAMENTOS.

Alguns advogados cristãos — alguns juizes estúpidos e eminentes — têm dito e ainda dizem, que os dez mandamentos são a fundação de toda a lei.

Nada poderia ser mais absurdo. Muito antes desses códigos serem ditos, houvera códigos de leis na Índia e Egito — leis contra assassinato, perjúrio, furto, adultério e fraude. Essas leis são tão antigas quanto a sociedade humana; tão antigas como o amor à vida; tão antigas quanto o comércio; quanto à ideia de prosperidade; antigas como o amor humano.

Todos os mandamentos que eram bons, eram antigos; todos os que eram novos, eram tolos. Se Jeová fosse civilizado, deixaria de fora o mandamento sobre guardar os sábados e em seu lugar colocaria: “Não escravizarás teu semelhante”. Ele omitiria aquele que fala de juramento e colocaria: “O homem terá apenas uma mulher, e a mulher, apenas um homem”. Deixaria de lado aquele sobre imagens esculpidas e colocaria: “Não provocarás guerras de extermínio e só desembainharás tua espada em legítima defesa”. Se Jeová fosse civilizado, como seriam melhores aqueles mandamentos.

Tudo o que chamamos de progresso — a emancipação do homem, o trabalho, a substituição da pena de morte pela do encarceramento, o fim da poligamia, o estabelecimento da liberdade de expressão, os direitos de consciência; em suma, tudo o que tende à civilização do homem; todos os resultados da investigação, observação, experiência e livre pensamento; tudo o que se conseguiu em benefício do homem desde o fim da idade das trevas — tem sido feito apesar do Velho Testamento.

Deixe-me agora exemplificar a moralidade, a misericórdia, a filosofia e a bondade do Velho Testamento.

A HISTÓRIA DE ACAM

Josué tomou a cidade de Jericó. Depois da queda da cidade ele declarou que todo o espólio seria dado a Jeová. Apesar da ordem, Acam escondeu em suas vestes prata e ouro. Depois Josué tentou tomar a cidade de Ai. Ele falhou e muitos de seus soldados foram mortos. Josué procurou as causas da derrota e descobriu o tesouro oculto nas roupas de Acam, duzentos pesos de prata e uma cunha de ouro. Então Acam confessou. Então Josué aprisionou os filhos e as filhas de Acam, seu gado e ovelhas e os apedrejou até a morte e enterrou seus corpos.

Nada indica que os filhos e filhas cometeram qualquer crime. Certamente as velhas e gado não mereciam ser trucidados para pagar os crimes de seu dono. Esta é a justiça e a piedade de Jeová!

Após cometer esses crimes, com a ajuda de Jeová, ele capturou a cidade de Ai.

A HISTÓRIA DE ELIAS

“E ele veio para Bethel, e quando ele andava pelo caminho, saíram pequenas crianças da cidade e zombaram dele e disseram-lhe: ‘levanta, calvo’.

E ele se virou, olhou para eles, e os amaldiçoou em nome do Senhor. E então, duas ursas vieram da mata e devoraram quarenta e duas das crianças”.

Esta era a atuação do bom Deus — o piedoso Jeová!

A HISTÓRIA DE DANIEL

O rei Dario honrou e exaltou Daniel e os príncipes nativos tiveram ciúmes. Então eles induziram o rei a assinar um decreto para efeito de que, qualquer homem que fizesse qualquer petição a qualquer deus ou homem, com exceção do rei Dario, por trinta dias, seria atirado ao covil dos leões. Depois esses homens descobriram que Daniel, com sua face voltada para Jerusalém, rezava três vezes ao dia para Jeová.

Então Daniel foi atirado ao covil dos leões; uma pedra foi colocada na entrada do covil e selada com o selo real. O rei dormiu mal. Na manhã seguinte ele foi ao covil e chamou Daniel. Daniel respondeu e disse ao rei que Deus mandara seus anjos e fechara as bocas dos leões.

Daniel foi liberado vivo e o rei se converteu ao Deus de Daniel.

Dario, que acreditava num Deus verdadeiro, mandou os homens que acusaram Daniel, junto com suas esposas e filhos para o covil dos leões.

“E os leões os dominaram e quebraram todos os seus ossos em pedaços e os reuniram no fundo do fosso.”

O que fizeram as viúvas e crianças? Como ofenderam o rei Dario, que acreditava em Jeová? Quem protegeu Daniel? Jeová! Quem deixou de proteger as inocentes viúvas e crianças? Jeová!

A HISTÓRIA DE JOSÉ

O faraó teve um sonho que foi interpretado por José. De acordo com essa interpretação, deveriam ocorrer sete anos de fartura, seguidos de sete anos de fome. José avisou o faraó para comprar todo o excedente de sete anos de fartura e armazenar tudo para os anos de fome. O faraó nomeou José como Ministro ou agente e ordenou que adquirisse o excesso de produção daqueles anos de fartura. Então veio a fome. O povo recorreu ao faraó em busca de ajuda. O faraó recomendou que procurassem José e fizessem o que ele mandasse.

José vendeu milho para os egípcios até que seu dinheiro acabasse — até que ele ficasse com tudo.

Então o povo disse: “Dê-nos milho e nós pagaremos com gado.” José então lhes deu milho até que todo o seu gado, cavalos e carneiros fossem dados a ele.

Então o povo disse: “Dê-nos milho e nós lhe daremos nossas terras.” José então deu milho até que toda a terra havia sido dada. Mas a fome continuava e o povo lhes deu seus próprios corpos e se tornaram servos do faraó.

Então José deu a eles sementes e fez um acordo com eles para que dessem para sempre um quinto do que produzissem para o faraó.

Quem habilitou José a interpretar o sonho do faraó? Jeová! Ele sabia de antemão que José usaria sua informação para extorquir e escravizar o povo do Egito? Sim. Quem produziu a fome? Jeová!

É perfeitamente subentendido que os judeus não consideravam Jeová o mesmo Deus dos egípcios — o Deus de todo o mundo. Este era seu Deus, e seu somente. Outras nações possuíam deuses, mas este era o maior de todos. Ele odiava outras nações e deuses e abominava todas as religiões, com exceção da adoração dele mesmo.

IV - O QUE VALE ISTO TUDO?

Poderia algum estudioso do Cristianismo explicar o Gênesis? Sabemos que não é verdadeiro. Ele se contradiz por si só. Há duas citações da criação, no primeiro e segundo capítulos. Na primeira versão, pássaros e bestas tinham sido criados antes do homem. Na Segunda, o homem foi criado antes das bestas e pássaros.

Na primeira, aves foram feitas da água. Na Segunda, aves fora criadas da terra.

Na primeira, Adão e Eva foram criados juntos. Na Segunda, Adão foi feito; depois as bestas e pássaros; e então, Eva é criada de uma das costelas de Adão.

Essas histórias são muito mais antigas que o Pentateuco.

Segundo os persas: Deus criou o mundo em seis dias, um homem chamado Adama, uma mulher chamada Eva, e então descansou.

Os etruscos, gregos, egípcios, chineses e hindus tiveram seu Jardim do Éden e a árvore da vida.

Então os persas, babilônicos, nubianos, os povos do sul da Índia, todos tinham sua história da tentação do homem e da serpente astuta.

Os chineses acreditavam que o mal caiu sobre a terra por desobediência de uma mulher. E até os habitantes do Taiti acreditavam que o primeiro homem fora criado da terra, e a primeira mulher, dos seus ossos.

Todas estas histórias são igualmente importantes para o mundo, e todos os deuses, igualmente inspirados.

Sabemos também que a história do dilúvio é muito mais antiga que o livro do Gênesis e sabemos além disso que ela não é verdadeira. Sabemos que esta história do Gênesis fora copiada dos caldeus. Aí encontra-se tudo sobre a chuva, a arca, os animais, a pomba que fora enviada três vezes, e a montanha na qual a arca descansou.

Então os chineses, persas, hindus, gregos, mexicanos e escandinavos tinham substancialmente a mesma história.

Sabemos hoje que a conto da Torre de Babel não passa de uma fábula infantil e ignorante.

O que restaria então deste inspirado livro do Gêneses?

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