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TOMÁS DE TORQUEMADA (1420-1498)

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O extremista católico liderou um período importante da inquisição Espanhola, que durou mais de 300 anos e condenou 300 mil pessoas.

1. Frei dominicano, nasceu em uma família muito católica de Valladolid: seu tio, Juan, era um cardeal e teólogo respeitado. Curiosamente, um antepassado de Juan, Álvar Fernández de Torquemada, era casado com uma judia convertida. Tomás, que dedicou a vida a perseguir judeus, ocultava seu histórico familiar.

2. Por volta de 1420, virou conselheiro da princesa Isabela I, do reino de Castela, e intermediou seu casamento com o rei Fernando II, da região da Catalunha. A união, em 1469, foi decisiva na formação da Espanha. Por influência de Torquemada, o casal foi autorizado pelo papa Xisto IV, em 1478, a instalar a inquisição no país.

3. Como mentor da rainha, Torquemada organizou uma perseguição que antecipou os nazistas em quase cinco séculos: judeus eram confinados em guetos, presos ou expatriados. Em 1492, 200 mil judeus que não se converteram ao cristianismo foram expulsos da Espanha. Ele queria um país só de cristãos de "sangue limpo".

4. Houve duas inquisições. A medieval foi mais forte na França e na Itália, entre os séculos 13 e 14 — apesar de também ter atuado na Penísula Ibérica. A segunda inquisição, a moderna, é obra de Torquemada. Durou mais tempo (só acabou no século 19) e instalou tribunais nas colônias espanholas e portuguesas nas Américas.

5. Em 1483, aos 63 anos, assumiu como inquisidor-geral e transformou um pequeno tribunal, instalado em Sevilha, numa grande instituição, com 24 escritórios. As denúncias podiam ser feitas de forma anônima e sem provas. Com um ano de cargo, emitiu decreto autorizando o uso de torturas para obter confissões.

6. O manual de instruções de Torquemada ensinava a identificar cristãos que ainda praticavam o judaísmo: quem não comesse carne de porco e usasse roupas coloridas aos sábados, por exemplo. Havia também regras sobre como vestir um condenado: um chapéu cônico (coroza) e uma túnica negra com desenhos do demônio (sambenito).

7. Alguns métodos de tortura da época: afogamento, pinças em brasa na pele, parafusos nos polegares, pêndulo (aparelho que detonava a coluna vertebral) e potro (cama em que o acusado era amarrado pelas pernas e pelos braços, que eram esticados). Torquemada acompanhava a sessões com os olhos fechados, rezando.

8. Os tribunais julgavam dois tipos de crime. Os que eram contra a fé e tinham como acusados judeus, islâmicos e protestantes eram mais graves e passíveis de morte. Delitos contra a moral (acusados de bigamia, sodomia e bruxaria) eram punidos com prisão e tortura. O confisco de bens valia para todos os casos.

9. Em 1494, o papa Alexandre VI mandou representantes para diminuir o rigor do tribunal de Torquemada. O frei foi deposto do cargo e se isolou num convento, onde viveu seus últimos quatro anos. Paranoico, andava com um chifre "de unicórnio" para se proteger de supostas tentativas de envenenamento por judeus.

QUE FIM LEVOU?
Morreu dormindo. Em 1832, um grupo desenterrou seus ossos e os queimou do mesmo modo que o próprio Torquemada indicava para quem era condenado depois da morte.

Fonte: Mundo Estranho, Editora Abril, Novembro de 2013

Extraído do Facebook

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