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MALAFEL E ROMÍSIA por natanael gomes de alencar

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Recebeu o juízo final. Entupido de soníferos.

Romísia, enfurecida e bêbada, enfiou em Malafel a alma costurada na igreja. Consolou-o com sua nudez.

Depois, esfregou-se nele, gritando histericamente.

Ao pé da cama com líquidos gozosos, uma Bíblia com as bordas queimadas.

A partir de então, emudecera, catatônica.

Romísia metia desde o nascimento e assim continuara, dissimulando a morte pequena.

Devorou um dos testículos de Deus, quando este se aproximou dela com pena ereta.

Todos tínhamos um pouco de culpa.

Éramos a platéia. Masturbávamos em nome do Pai-Falo.

Ríamos como de um cão e cadela engatados no palco.

E Deus, com sua hóstia de couro, cuspia, e, quando assim fazia, gerava tempestades.

Prendíamos segredos nas nossas almas inexatas.

Nossa incapacidade cabaça experimentava virgindades ansiosas.

Horas embaixo das poltronas, testemunhávamos.

Romísia beijava de língua muda uma das fúrias gregas.

Ele, O Ator Malafel deslizou em silente corredeira.

Inventávamos histórias a partir do que presenciávamos. Compartilhávamos pelo celular.

Éramos sórdidos. Completamente ignóbeis.

Queimamos as asas de um anjo que vomitava, depois de as embebermos de gasolina.

Após, incineramos as nuvens onde ele nascera.

Aguçada a saliva, Malafel perdeu o último toquinho que restou do queimado das asas, quando o espetáculo acabou.

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