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A Manifestação de Kali no Universo como uma Anomalia Astrofisica por Persona Navitae 353

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                 Não há luz, nem qualquer movimento.
                 Não há massa, nem qualquer som.
                 Ainda assim, no coração do oceano,
                 Arrasta-me para o fundo e me afoga
                 Dentro de seu ventre, dentro de seus pensamentos,
                 Onde nada há — onde nada há!
                                             — De "Kali", por Aleister Crowley.

      No princípio havia a água KAOS, a pura força criativa do ser indiviso. Crowley chamou isso de "Nuit", que aparentemente é a combinação da deusa do céu "Nut" com o deus do caos "Nu", ou "Nun". Este foi o potencial para manifestação antes do sonho de Shiva, antes do sofrimento de Sophia que amalgamou-se na névoa da obscura realidade. Estas forças primordiais existiam em um estado perpétuo de não-ser, sempre conduzindo-se a ser. Um movimento binário define-se a partir desta tensão de pré-criação, a partir de um estado de unidade colapsada, a um estado de potencial aberto. Esta é a luta entre Shiva; a força da perfeita ordem, e Shakti; a força do puro caos. Em Shiva está a necessidade de colapso em sistemas estáticos, o contínuo movimento para a unificação (henosis) que une eventos como o ponto na Mônada de Kether na Árvore da Vida. Em Shakti está a necessidade de criação contínua, a fertilidade pura que necessita popular o Universo com as centelhas divinas da inteligência manifestada. A partir dessas duas forças surge o numinoso Andrógino. Esta força existente no início da criação física, a partir da plenitude partenogênica emana através do Pleroma do vazio, e desce pela árvore para Malkuth.

      Este mito é o cerne do inconsciente e de muitas teorias criacionistas. Da bem-aventurança da androginia veio o sofrimento de Maya, ilusão. Esta é a ilusão do multi-verso. Sophia, a divina mãe dos gnósticos, foi concebida como andrógina mas ela separou-se de seu parceiro e concebeu o universo físico como uma ordem polarizada. O resultado foi a criação da ignorância, o demiurgo Yahweh.

      A partir da Nuit primal é criada Babalon, e a partir dela vem Isis, mas e Néftis? Ela está oculta; presente mas invisível. Sentida, mas raramente nomeada. Na divina teosofia indiana Shakti existe como a energia primal atrás da Mônada estática, Shiva. Ela é Nuit na Thelema, e sua criação no plano mundano é Kali. Em muitos sistemas elas são considerado uma, com razão. O trabalho de Kali é devorar a ignorância da estática não-criação e recriar o Universo com novo potencial para manifestação. Abandonado, Shiva iria congelar o Universo em uma jaula de entropia. Isto é conhecido pelos físicos como "A morte Térmica do Universo". O calor não é uma substância, nem uma energia. Isto é um processo, "A transferência de energia em virtude de uma diferença de temperatura". Quando todas as formas de energia, Shakti/Kali, estiverem equilibradas então o crescimento não mais será possível. Quaisquer centelhas divinas deixadas em determinado estado não mais se desenvolverão, toda a vida cessará.

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      A morte térmica é apenas um cenário. Parece possível que o Universo possa continuar perpetuamente se houver alguma maneira de recriar isto. Toda a matéria/energia teria de ser contraída/sugada e expandida/expelida em outro "big bang". Este efeito "devorador" é bem conhecido por devotos de Kali. Em mitos primitivos ela é conhecida por devorar os demônios que perturbariam o equilíbrio do espaço-tempo. Kali é a deusa do tempo, Kala. A seu tempo todas as coisas morrem e renascem. A seu tempo toda ignorância é substituída por divina Gnose, se nada mais realizarmos na vida, não mais aprenderemos. A experiência é a grande professora. No fim das eras, não há existência manifestada, apenas o Satchidananda da bem-aventurança-consciência-do-ser. Kali oferece a bem-aventurança da Gnose com uma mão que detém o Sangrail, a liberdade do medo com outra erguida, com uma terceira, ela segura a espada que destrói o Universo, e com uma à frente ela detém uma cabeça para nos lembrar que todas as situações vão mudar, a morte é a força constante de nova vida. Ela está nua porque não tem os véus da ilusão, e para lembrar-nos que o segredo da re-criação está no êxtase sexual. Ela é negra porque está além da compreensão humana, esta também vincula-se com a freudiana mãe devoradora, que está no reino das sombras, todos seremos engolidos por Kali na morte. Ela dança sobre o cadáver de Shiva, que há se estendido na tentativa de Ordem divina. No entanto, sua dança desperta-o mesmo na morte e ela está sobre seu pênis ereto para aceitar a semente da nova criação.

      No início de 1930, Edwin Hubble concluiu que o Universo está em expansão, e até mesmo na década de 20 já havia evidências de tal expansão. Foi postulado que, se não houver massa suficiente no Universo então ele acabará por sofrer a morte térmica de Shiva. No entanto se esta for suficiente, então é possível que a expansão abrandará devido à atração de forças gravationais contínuas que toda matéria possui, e, eventualmente, voltará a um único ponto no qual as forças explosivas da interação dinâmica da matéria/energia causarão uma nova expansão.

      Um método para determinar se o Universo tem matéria suficiente para deter a expansão é somar toda a matéria luminosa. A matéria existente em particulares em estados energéticos estáveis. Se energia extra é adicionada a uma sistema, então a matéria presente tende a saltar para um estado energético mais elevado. Cada elemento tem estados particulares e não permanece em quaisquer outros. Esta é a regra de Shiva — Ordem no Universo. Todos os estados energéticos caóticos irão querer saltar para um estado superior, e permanecer neste enquanto houver energia extra, ou vão ignorar a força extra. Quando não houver energia suficiente para manter o elemento nesse estado, ele cai para um estado específico e inferior dispensando o excesso de energia. Quando isso acontece, nós vemos isto como uma explosão de luz específica para cada elemento em particular. Examinando a evidência luminosa, astrofísicos pode determinar a quantidade de matéria vertendo luz. De acordo com as teorias mais antigas toda matéria irradia luz, e isto pode ser usado para determinar a quantidade de matéria no Universo. Através destes estudos, verificou-se que há apenas cerca de 2% do montante necessário para a recriação.

      Em 1933, Fritz Zwicky descobriu que as galáxias estavam se movendo muito mais rápido do que deveriam de acordo com as teorias aceitas. Especulando a quantidade de matéria atual através da luminosidade, ele descobriu que as galáxias deveriam estar partindo-se. A conclusão óbvia é que há mais matéria presente do que pode ser observado. Esta substância ficou conhecida como Matéria Escura. Desde então numerosas experiências foram concebidas para testar esta teoria. Vera Rubin mostrou que galáxias giram tão rápido na borda exterior, ou mais rapidamente, quanto elas o fazem na borda interior. Se elas são menos densas nas bordas exteriores, como a luminosidade indica, então elas deveriam se mover mais lentamente nestas. Jeremiah Ostriker e James Peebles mostraram que sem matéria extra, galáxias desenvolveriam anomalias gravitacionais que iriam levá-las a entrar em colapso, não assumindo a forma espiral que geralmente costumamos ver. Parece provável que haja Matéria (e Energia) Escura no Universo, e as estimativas indicam agora que ela corresponde a aproximadamente 95% de toda a criação física.

      O que é a matéria escura? Ninguém sabe, mas há muitas teorias. Partículas sub-atômicas, tão pequenas que não irradiam energia visível, neutrinos, monopolos magnéticos (um ímã de um único polo) e gravitinos (feixes de gravidade, no mesmo sentido que os fótons são feixes de luz) são os principais candidatos. Até agora, nem monopolos magnéticos, nem gravitinos foram encontrados.

      O conhecimento arcano fornece algumas respostas. Se Isis é "Infinitas Estrelas, Espaço Infinito", então o que é Néftis? Sendo o lado oposto de Isis temos que assumir que ela desempenha um papel no Universo. E, se a re-criação de Kali do Universo é possível, então podemos vê-la no processo? A resposta a estas duas questões repousa na matéria escura. Em "Mumbo Jumbo", Ishmael Reed refere-se à "Dark Isis". Achei isso muito intrigante na época, e mais tarde encontrei a conexão na gêmea dark de Isis, Néftis. Ela é negra (como Kali) porque está oculta, manifesta, mas invisível. Em seu livro, Reed especula que ela torna-se dominante quando Isis derrama o sangue lunar (Sagrado para Kali), isto é, quando as sementes inférteis são expelidas. Para o aspirante este é um tempo de grande poder e perigo. Néftis é a deusa das magias noturnas, a magia vermelha de Vamamarg, algumas vezes, citada como o "caminho da mão esquerda". Dela vem a força de re-criação que é tão vital para o crescimento do aspirante. IAO, Isis criadora, Apophis (Set, marido de Néftis) destruidor, e Osiris-re-criador. Kali dá à luz ao Universo, devora-o quando toda a vida tem sua energia gasta, e o recria a partir das sementes do antigo Universo.

      É incerto se há suficiente matéria escura para evitar o colapso do Universo, mas é evidente que se houver alguma possibilidade ela está na manifestação da Deusa Negra. Seu corpo é a matéria que há "entre" o espaço e estrelas, seu poder é sentido na atração da matéria para si, "Amor é a lei, amor sob vontade" é o áxion de gravidade, onde todas as partículas tentam unir-se com as outras. Seus livros são escritos no céu noturno, seus ritos são os ritos de antigos seres humanos impressionados com o poder do Grande Sono, e igualmente admirados pelo poder de re-criação. Se Kali/Néftis manifestar-se no final do tempo, será como as bocas de numerosos buracos negros, o maior devorando o menor, unindo-se em uma mônada de tempo-espaço indiferenciado, não só a matéria será sugada mas também o líquido da criação no qual esta reside. Na matéria escura está a nova criação.

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Fonte: theology101.org

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