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Onde Dona Cheira por natanael gomes de alencar

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Ela me ama.

Ela me odeia.

Vou tentar um sema a meio.
Ela me ama esta semana.

Ela me ama. Pausa.
Vou tentar saber a causa.

Ela me ama.
Ela me odeia.

Manterei o estilema?
Ela me odeia se estrilo.

Ela me ama. E me enfronha.
Vou tentar na aldeia o poema.

Ela me ama.
Ela me odeia.

Vou mas sei que.
Ela me odeia.

Ela me ama. Então venho.
Minha alma está a prêmio.

Ela me ama.
Ela me odeia. Temo.

Não posso mudar de tema?
Ela me odeia. Cena.

Ela me ama. Sirena.
Sem tempo presse problema.

Ela me ama.
Ela me odeia.

Tem lábios de Iracema.
Sua carne é alma e ceia.


Ela me ama. Céus!
Paradoxo e emblema.

Ela me odeia.
Revel.

Sua atitude de ursa.
Ela me prepara o mel.

Ela me ama. Entendeu?
Arrulha-me como pomba?

Ela me ama.
Ela me odeia.

A raça dela é falena.
Sua pele é lisa e crespa,

Seus cabelos brancos pretos,
Tem peitões que são tem peitinhos,

É bem seca e redondinha,
Branca amarela e pretinha,

Pura raça e misturinha,
Bebe chopinho, sorve aguinha,

Tem a face bem magrela
E tem a face gordinha,

Fuma pedra fuma rocha
Fuma fogo ar poema,

Tem ela a ficha limpa
E cem anos de cadeia,

É tão gentil sua alma,
Tem todos no coração,

Anda em boa companhia
Eu sou sua maldição,

Faço vodu no seu dia,
Seu nome é imenso e dão...

Mas a sorte dela é grande...
Desculpe, errei a mão.

Ela me ama.
Amoela.

Parece atriz de cinema.
Ela tece a sua teia.

Ela me vê
E vomita.

Ela me ama com pejo...
Suas pétalas palpitam

São da flor da morte o beijo...

Não da minha, que mergulha

Onde Dona Vida esteja.

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