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TURBULÊNCIA por natanael gomes de alencar

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Por dentro, é grande a batalha das turbulências.

Por dentro, quedo-me fascinado por tempestades.
No meu fígado, precipitam-se gelo e água forte,
ascendentes correntes, calor latente, cristais,
termodinâmicas instabilidades, rajadas de brisas marítimas,
neves, nevascas, avalanches pelo topo,
parcelas de mágoas, angústias, dores convergentes, divergentes, anseio seco, desejo molhado, trovões, ventos nervosos,
doçura irritada, conflitos, fugas, vorazes sedes e gulas,
vindas das artérias e veias, de outras línguas, linguagens,
máscaras de granizo e sangue.
Onde a significante condensação que me gerou?
Não importa. Nem o vento que mora 

em meus olhos sabe. Apenas tempestua. 
Tempestuosamente, avançando sobre minha atenção,
puxando meu barco de desejos, de frêmitos.
Nascido para diluir minha inação intranquila,
nascido para dar-me o olho do relâmpago,
nascido para que eu não seja mais estátua.

É o poema fundamental da espécie tempestade.

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