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VOCÊ NÃO TEM VOZ por natanael gomes de alencar

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A professora A lhe dissera: - Você não tem voz ! Nunca cantará ! A docente B lhe falara: - Você tem uma voz razoável. A educadora A tomou a palavra: -Trate de procurar outra coisa ! Talvez você seja boa em tirar pó! Quiçá lavar louça ! Não, você tem o dom de aspirar. É só isso que percebo de sua garganta. Deve ser boa para sugar canos entupidos !
Ela, uma ave de cores escuras, uma criança, que sonhava entrar no melhor conservatório musical da cidade, seguiu o último conselho. Pendurou os lábios na árvore mais antiga, que dava sombras refrescantes na Praça Principal, e iniciou, aos onze anos, a limpeza dos canos entupidos. O tempo foi passando e se tornou uma das mais razoáveis na limpeza dos esgotos e canos de água do município. Conformara-se com seu destino. Chegara na meia idade com uma experiência e sabedoria relativa. Porém, sempre desviara da Praça Principal, onde deixara seus lábios na infância. Se acaso esquecia e chegava perto, de súbito, desviava, fechando os olhos, mesmo que trombando em objetos e pessoas. Certo dia, porém, resolveu não desviar da Praça. Quando chegou a uns cem metros, divisou uma quantidade enorme de gente. O que será que tava acontecendo? E de longe ouviu um canto de razoável harmonia. Por que razoável? Acostumara. Temia expender juízos demasiado excelentes. Resolveu furar a multidão. Quando chegou perto, seus lábios a reconheceram. Estavam tão belos. E como cantavam, à sua chegada, razoavelmente bem !!!
À sua volta, nem todos concordavam. Uns achavam um canto mais do que razoável. Bem mais, outros ajuizavam. Outros diziam da boca pra fora coisas que deviam ficar da boca pra dentro. Os lábios salivavam. Estavam com sede. E saudades. Pediram permissão para voltar a dormir entre seu nariz e queixo. Ela deixou.

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