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ENTREVISTA COM MIGUEL ALGOL

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Miguel AlgOl é um estudioso das tradições do Caminho da Mão Esquerda, Magia Negra e Satanismo e dirige a casa editorial Infernalia.

Doutor em Filologia pela Universidade de Sevilla (Espanha), foi professor de linguística e teoria da comunicação em diversas universidades e centros de estudos superiores da Espanha, Alemanha, Noruega o Egito.

Publicou, entre outros livros, Sinister: Iniciación a la Magia Negra, Materia Obscura: Ensayos sobre Magia Negra y Satanismo, Un Pacto con el Demonio, Perdurabo: Antología de textos de Aleister Crowley e Ultranoche: Poemas satánicos.

Nesta entrevista, concedida ao Grande Herege, para o número V da revista Goat Penetrator, Miguel AlgOl nos dá seu ponto de vista sobre diversas questões relacionadas com o Caminho da Mão Esquerda.

Em que momento de sua vida se sentiu atraído pelo Satanismo?

Eu chamo de Satanismo meu próprio processo pessoal de libertação. O processo já é antigo, porque surgiu comigo tomando consciência da realidade em que vivo e das forças que têm tentado ensinar-me a ser humilde e obediente, a não decidir sobre minha própria vida. Minha rebelião contra estas doutrinas toma formalmente o nome de Satanismo a partir da influência das obras de Anton LaVey, sobretudo a partir de quando percebi em minha vida a presença real do próprio Satan. Satan não é uma mera metáfora ou um símbolo filosófico, e sim uma personalidade que se manifesta com toda claridade ao que se atreve a aproximar-se dele. Tenho muitas provas de sua presença em minha existência, não "sensações" ou "interpretações" de circunstâncias mais ou menos ambíguas. Satan me alenta claramente em minha libertação pessoal, porque está sempre mais próximo quanto mais vontade e valor imprimo em minha vida.

O que lhe atraiu para isto?

O Satanismo é somente uma marca cultural de nossa modernidade. Não há formalmente Satanismo, no sentido no qual hoje entendemos esta palavra, antes do século XIX. Tampouco creio que haja Satanismo como tal fora de nossa cultura ocidental. Considerar, por exemplo, que coisas como o Yezidismo curdo podem equiparar-se ao que aqui chamamos Satanismo é, do meu ponto de vista, uma identificação apressada que não leva em conta as verdadeiras chaves culturais de outras partes do mundo. Em muitas sociedades há caminhos iniciáticos que adentram nos âmbitos obscuros e sinistros da existência, como o culto à Santa Muerte ou a Baron Samedi. Porém não podem ser comparados ao Satanismo tal e como os ocidentais o entendem hoje.

Então o que me atraiu no Satanismo foi a possibilidade de expressar com ele uma filosofia de vida libertadora, sinistra, antimoderna, individualista, baseada no poder da vontade, inimiga de todo tipo de religião, incluindo as seculares. É uma forma de representar todas estas coisas que ademais produz tanto pavor entre as pessoas humildes e hipócritas, que as afasta convenientemente de nosso caminho, como um eficaz repelente contra parasitas.

O que é necessário, na pessoa, para tornar-se um satanista?

Creio que seja necessário fundamentalmente duas coisas: um inato espírito de rebeldia, sempre inquieto e sempre questionador, e ser aceito como aliado por parte do próprio Satan. Normalmente uma coisa vem com a outra. A Satan lhe agrada pessoas rebeldes e valentes, pessoas que estão disposta literalmente a apostar sua vida por sua liberdade. Isto é um fato comprovado.

Alguns dizem que se é satanista desde o dia do seu nascimento. Qual sua opinião sobre isso?

Possivelmente esteja correto no sentido em que acabo de dizer que o espírito de rebeldia é inato. Não importa o contexto econômico de partida, a educação recebida, a influência do meio: o rebelde é uma pessoa predestinada à luta, alguém que não pode aceitar curvar-se nunca. Isto não se aprende.

E com respeito a “Deus”? Cumpriu (ou cumpre) algum papel em alguma etapa de sua vida?

Afortunadamente "Deus", ou o gordo da estratosfera como gosto de chamá-lo, deixou prontamente de ser um fantasma com algum sentido em minha vida. Praticamente desde que tive capacidade de usar a razão não deixei de encontrar argumentos contra sua existência, me parece uma das invenções mais ridículas da mente humana. Sem dúvida é preciso ter espírito de comediante para ser sacerdote, e que me perdoem evidentemente todos os comediantes. Me parece incrível que haja pessoas que sigam crendo no "amigo invisível das pessoas adultas", como chamavam-no outro dia em certo lugar. Que imaginem que todos seus pensamentos são captados imediatamente por uma grande central cósmica, que julga até seus desejos mais íntimos (principalmente estes). Que haja um superfantasma narcisista que te castiga se não o ama, realmente um engodo impresentável. Por não cochichar-lhe sobre tua vida íntima a um tipo com batina (a "confissão") para que da sala de controle do centro da galáxia apaguem teus supostos "erros". Me parece tão lamentável todo este assunto sobre "Deus" que me repugna que exista pessoas que o apliquem às forças sinistras. Não há coisa que me moleste mais que alguém diga que Satan é um "Deus". Sempre penso que este não conseguiu libertar-se por completo da verborreia dos sacerdotes.

Você considera que o estudo do Satanismo não é apto para todas as pessoas, já que muitas destas terminam envolvidas com as denominadas seitas destrutivas?

Entendo que o Satanismo é algo necessariamente para minorias. Como tema proibido, tratado de forma sensacionalista e mórbida pela maioria dos meios de comunicação, pode atrair todo tipo de pessoas imaturas e desequilibradas que querem em seu delírio ser os mais maldosos, poderosos e depravados do mundo. Sem dúvida o Satanismo não é apto para elas, o que é adequado para elas é consultar um psiquiatra. E quanto às "seitas destrutivas" me parece um conceito nebuloso difundido pelas igrejas para atacar seus oponentes. A Igreja Católica pode ser entendida, por sua história de repressão e crimes, e pelo efeito que causa em seus seguidores, como uma perfeita "seita destrutiva"...

Quando se escuta a palavra "Satanismo", a maioria das pessoas costuma imaginar uma religião que adora a um deus do Mal, que um satanista autêntico somente adora a si mesmo, ou como uma filosofia ateista. O que de certo têm estas percepções sobre o Satanismo?

Não entendo o Satanismo como uma religião, e sim como uma filosofia de vida incompatível com qualquer forma religiosa de entender o mundo. Uma forma religiosa de entender o mundo é o que Nietzsche chamava como espírito de rebanho, tanto faz que o "pastor" seja um sacerdote, um líder político ou quem quer que seja. Definitivamente é alguém que pensa e decide por ti.

O Satanismo não é um corpo doutrinal. Creio que há tantos "satanismos" quanto satanistas, ou ao menos deveria haver porque seria a prova de que estamos diante de pessoas independentes que sabem pensar e sentir por si mesmas. Então é difícil estabelecer qual é a posição "do" Satanismo sobre um tema qualquer, exceto no caso de considerarmos que nossa forma própria de entender o Satanismo é a melhor ou a verdadeira. Como afortunadamente não tenho presunções de "mestre" ou "sumo-sacerdote", não pretendo que minha forma de conceber o Satanismo tenha que ser assumida por outras pessoas.

Crê na vida depois da morte? E a propósito disto qual sua opinião sobre essa espécie de campo magnético ou "ego" que, se alguém há realizado-se como homem, pode negar-se a morrer junto com o corpo físico para seguir existindo de maneira independente?

"Vida" na "morte" me parece uma contradição em termos. Absolutamente não creio na sobrevivência psíquica depois da morte biológica. Me parece que a necessidade de esperar uma sobrevivência da consciência depois da morte é uma consequência da péssima vida que as pessoas costumam levar. A vida se faz curta não porque dure muito ou pouco, e sim porque há a sensação de que não se chegou a viver suficiente coisas interessantes. Portanto deseja-se uma prorrogação, como nos jogos. Se a existência fosse vivida com a intensidade para a qual está preparada, não necessitaríamos sonhar com vidas além-túmulo, morreríamos entusiasmados e satisfeitos. Creio que depois da morte nossa consciência regressa exatamente ao mesmo lugar onde estava antes de nosso nascimento, isto é, ao imenso, frio e aconchegante nada.

Você está ciente de que o Satanismo é, geralmente, associado ao sexo, qual sua opinião à respeito?

As religiões necessitam, para alimentar sua "fé", de uma grande repressão dos desejos, incluindo a repressão sexual. Sabe-se bem que os êxtases místicos de tantos santos e fundadores de religiões são somente sublimações, no sentido psicoanalítico, de suas energias sexuais reprimidas. O Satanismo reivindica o máximo desfrute de todas as possibilidades que o fato de estar vivo oferece, e portanto reivindica o desfrute sexual sem entraves morais de nenhum tipo. As relações sexuais, para serem plenas e livres, devem ocorrer entre pessoas que vivam autêntica e conscientemente o que estão fazendo. Por isso LaVey deixou absolutamente claro que o Satanismo é radicalmente contra as relações sexuais com menores ou com animais. Em ambos os casos se trata de seres que não podem decidir conscientemente sobre isto. Do mesmo modo o Satanismo é contrário a toda imposição ou forçamento, contra toda agressão sexual. Minha opinião pessoal é que os violadores deveriam ser executados.

Na grande maioria das religiões a mulher tem sido, de certo modo, discriminada. E no Satanismo qual é o verdadeiro papel da mulher?

Dentro de minha forma de entender o Satanismo, as mulheres e os homens são seres diferentes que evidentemente devem ter o mesmo nivel de direito a dispor de suas próprias vidas em todos os âmbitos. Os homens deveriam aceitar entusiasmados esta igualdade de direitos sem manipular mais as comparações e as diferenças, porque é evidente que, quanto às suas capacidades, as mulheres estão, em geral, muito acima dos homens.

Quais músicos ou bandas com clara inclinação ao Satanismo conhece, Sr. AlgOl?

Conheço muitas que em seus nomes ou em suas letras dizem identificarem-se como satânicas, porém não costumam interessarem-me de maneira especial, porque não vinculo o Satanismo a uma estética particular, ao escutar um tipo de música ou um determinado estilo. Pessoalmente me parece satânico tudo o que seja criativo e genial, independentemente de suas alusões formais.

Ultimamente, do meu ponto de vista e pelo movimento musical no qual desenvolvo, creio que há aparecido muitos novos escritores de livros e artigos sobre Satanismo, Luciferianismo e temáticas ocultistas. Por que está ocorrendo este fenômeno de buscar respostas no Oculto?

Creio que o interesse pelo oculto é muito amplo e há todo tipo de abordagem, muitas delas contraditórias entre si. Em geral, penso que a possível atratividade do ocultismo hoje provém da crise dos valores positivistas e consumistas de nossa modernidade. Porém também da insegurança na qual as pessoas vivem e sua necessidade de encontrar um substituto de seu velho "deus", algo que dê sentido às suas vidas e que lhes ajude a sair da miséria cotidiana. Neste sentido não me entusiasma que haja um maior interesse pelo ocultismo. Sobretudo porque se algo se torna dominante ou da moda é porque está perdendo seu valor, se é que o teve algum dia.

Na Suécia no ano de 1995 foi criada uma corrente de luciferianismo chamada MLO (Misanthropic Luciferian Order) a qual se espalhou pela Europa principalmente através das letras de bandas de black metal. Você já conhecia esta corrente?

É difícil não conhecer a história da MLO e do Temple of the Black Light se você tenta estar ciente a respeito do que se sucede sob o rótulo de Satanismo em nossos tempos. Outra coisa é que tem me interessado especialmente. Pessoalmente creio que o mais promissor do Satanismo na Escandinávia se concentra hoje em torno da editora filandesa Ixaxaar, e da herença mais "setiana" que satanista de Tapio Kotkavuori.

Já ouviu falar de Satanismo anti-cósmico? O que acha de seus postulados?

O conceito de "anticósmico" expressa o confronto com a ordem dos deuses. Os deuses fundaram o Cosmos, sua ordem, após lutar contra os titãs, guerreiros do Caos. Esta metáfora da Grécia antiga representa muito bem, do meu ponto de vista, a rebelião demoníaca contra todo poder imposto, contra toda visão da realidade como predeterminada, sujeita a leis imutáveis. O Caos, o anticosmos, é a opção do Demônio, porque pressupõe um presente totalmente aberto, que depende somente da vontade, do valor e da força.

Dentro de muitas “tradições satânicas” se afirma que Lúcifer (associado ao Leste, o elemento de ar) e Satan (o sul, o elemento de fogo), são dois poderes completamente diferentes em princípios. Qual é sua visão sobre isto, Sr. AlgOl?

Eu considero os demônios dos quatro horizontes (Satan, Lúcifer, Belial e Leviatan) como manifestações de um mesmo e único principio diabólico, ao qual gosto de chamar como o Demônio. A figura de Lúcifer tem sido utilizada por um bom número de correntes ocultistas como uma espécie de símbolo angelical de "luz" (Lúcifer, etimologicamente, como "portador da luz") oposto à "obscuridade" e "maldade" de Satan. Existem luciferianos que vêem a si mesmos como "bons" e se irritam muito quando os confundem com os "maldosos" satanistas. Por outro lado há correntes que dizem pretender alcançar um "equilíbrio" homeostático entre a "luz" e a "obscuridade", o Bem e o Mal, etc. e usam a dicotomia Lúcifer / Satan, tentando integrá-la. Eu não pretendo alcançar um equilíbrio, um ponto eclético ou uma síntese entre o Bem e o Mal, e sim busco situar-me mais além do Bem e do Mal (isto é, criar minhas próprias escalas de valores), por isto não necessito contrapor a "luz" e a "obscuridade", o "angélico" e o "demoníaco", o "ar" e o "fogo", etc. Para mim o Demônio é uma unidade, porque eu sou uma unidade, não um ponto intermediário hipócrita nas dicotomias morais de minha sociedade.

Você se sente diferente dos demais por ser satanista?

Estritamente falando, todos somos diferentes. Não há duas pessoas iguais, como não há duas pedras ou duas flores iguais. Somente os produtos industriais são "iguais", incluindo os produtos informáticos. Deste ponto de vista sou indubitavelmente diferente dos demais, e irrepetível.

Agora, se a pergunta quer dizer se me considero melhor que os demais por ser satanista, a resposta é mais complexa. Creio que a humanidade, especialmente a humanidade moderna, se divide fundamentalmente entre aqueles seguem docilmente as leis do rebanho, sem questioná-las e aqueles que, ao menos, tentam lutar para ser eles mesmos e tomar suas próprias decisões, para serem verdadeiramente responsáveis pelo maior número de coisas que ocorrem em suas vidas. Penso que aqueles que lutam contra a humildade imposta são melhores que quem não o faz. Eu, honestamente, pertenço ao grupo que se rebela, não ao que acata. É dado o nome de Satanismo a esta rebelião pessoal. Então digamos que me considero melhor que muita gente por haver decidido rebelar-me, não por usar o título de satanista ou qualquer outro.

Infernalia é sua casa editorial dedicada à publicação de livros sobre ocultismo, magia, bruxaria, parapsicologia e tradições obscuras. O que deu início ao nascimento desta casa editorial? Por ser independente você controla tudo o que se refere ao conteúdo das obras que publica?

Infernalia surge como um co-projeto com Malina Murnau para publicar textos que difícilmente teriam oportunidade na atual industria editorial castelhana. Publicamos somente aquilo que nos interessa por sua temática e que nos parece reunir qualidade suficiente. É um projeto absolutamente pessoal de ambos, e portanto não pretende apropriar-se de maneira alguma do campo editorial sinistro espanhol. Oxalá apareçam prontamente outros projetos na mesma linha, que contribuam a difundir estes temas ainda mais.

Qual é sua percepção sobre os seguintes escritores: Alejandro Jodorowsky, Fernando Vallejo Rendón e Miguel Serrano Fernández?

Os três me parecem pessoas inteligentes e, portanto, têm de início toda minha atenção e respeito. Todavia não li muito de Fernando Vallejo, espero poder sanar esta carência logo. De Alejandro Jodorowsky me interessam mais seus livros e seus quadrinhos do que suas películas. Seu modelo de "psicomagia" me parece muito original e cheios de sugestões úteis, ainda que, por minha propria experiência no mundo da bruxaria, não compartilhe de seu "paradigma", isto é, de sua explicação dos processos mágicos. Li muito de Miguel Serrano e me parece um autor fascinante, realmente uma mente livre, com uma sensibilidade excepcional.

Como imagina um mundo sem Cristianismo? Se apoiaria o Adversário?

O cristianismo formalmente alcança até onde a cultura ocidental chega. Quando nos finais de ano nossos televisões nos mostram como se celebram os natais "em todo o mundo", estão fazendo um tosco ato de euforia neocolonial. A maior parte do planeta não é cristã, não celebra o natal nem nada. Então para mim o interessante em todo caso é como seria uma cultura de raiz europeia não cristã. Isto já ocorreu e, em partes de Europa, não faz muito tempo: é o que hoje chamamos genericamente como "paganismo". Creio que lamentavelmente a brutal repressão das igrejas cristãs, seus assassinatos em massa e sua destruição de tantas criações culturais magníficas, prejudicaram a possibilidade de que possamos recuperar as tradições pré-cristãs tal como realmente foram. A Wicca, por exemplo, me parece um neopaganismo que escorre moral cristã por todos os lados. O mesmo pode ser dito geralmente do novo celtismo, odinismo, etc. movimentos surgidos a partir do nacionalismo romântico do século XIX e impregnados de uma visão cristã de mundo. Possivelmente o terrível dano causado pelo cristianismo à diversidade cultural da humanidade nunca poderá ser sanado completamente. Como têm feito as culturas de resistência afro.americanas, haverá que se seguir adiante apesar destas marcas impostas, criando novas formas de expressão onde resurjam, talvez com uma linguagem distinta, a criatividade e a força originais.

Devo dizer que considero o cristianismo uma ideologia danosa, porque vai contra a alegria e a vida. Porém não sou contra os cristãos como pessoas: cada um tem direito a desperdiçar sua vida como queira. Tenho conseguido com que o cristianismo não me ensine nada, o que inclui não imitar, em absoluto, sua perseguição e extermínio dos diferentes.

Por último quero dizer que Satan não é uma invenção cristã. Há referências a Satan no chamado Antigo Testamento, isto é, muito antes das histórias sobre as ridículas andanças do Nazareno. E Satan é todavia mais antigo que a religião judaica, porque este não é mais que o nome com que em hebreu se representa ao egípcio Set, que por sua vez os etruscos chamavam de Sethlans. Então um mundo sem cristianismo não seria um mundo sem Satan, e sim, em todo caso, um mundo onde Satan se livraria das falsificações e das mentiras que os sacerdotes judaico-cristãos têm difundido sobre ele.

Entrevista com Graveland



Nota:A entrevista abaixo não expressa a opinião dos autores do blog.


 Abaixo, tradução da entrevista com o Graveland à Decibel Magazine, em janeiro de 2010.

Graveland é considerada uma banda NSBM e parece ser uma inspiração para muitas outras. Você se considera um Nacional-Socialista? Você é um membro de alguma organização White Power ou Nacional-Socialista?



Eu não acho que Graveland é uma banda NSBM. Eu nunca disse nada disso. Graveland é considerada NSBM por causa de minhas convicções políticas, que a maioria das pessoas chamaria de convicções nacional-socilistas de extrema-direita. Isso só é verdade até certo ponto, porque, para mim, o misticismo e as crenças pagãs antigas são mais importantes. A política é menos relevante. Graveland é uma banda. A música é o mais importante na Graveland. A música inspirada pelo misticismo pagão e o culto do guerreiro. Eu acho que o significado do NSBM está distorcido.

Combinar Nacional Socialismo com o Satanismo não é uma verdadeira convicção política. É mais uma forma de algumas bandas alcançarem uma imagem mais maligna. NSBM é uma criação artística que combina escândalo e controvérsia. É uma criação de músicos, não políticos. Se olharmos mais atentamente este fenômeno, veremos algumas diferenças importantes cruciais entre o Nacional Socialismo e as ideologias satanistas. No Terceiro Reich, os satanistas acabariam em câmaras de gás. Estou convencido disso e lembre-se de minhas palavras......

Existem tendências no NSBM que são inspiradas pelo Nacional Socialismo, mas não tem nada a ver com satanismo.

Embora estas bandas ainda toquem BM puro, é importante e eu acho que é hora de definir essa tendência com um nome próprio musical, porque o Black Metal será sempre associado com o Satanismo.

No passado, eu era membro de “Temple of The Full Moon”. Era uma cópia, talvez mais idealista em alguns pontos, do Inner Circle norueguês. Depois eu fui membro da organização pagã "Rodzima Wiara" (Crença Nativa). Mas isto é passado. Eu não quero mais ser um membro de qualquer organização.

Não vejo qualquer sentido em fazer referência ao Nacional Socialismo, porque eu não vejo nada para destacar sobre quaisquer ideologias que perdeu. É contra a lógica e a eterna lei da evolução. Eu acho que o homem branco deve procurar por novas ideias que possam ser adaptadas à realidade atual e aos problemas do mundo contemporâneo.
Entrevistas recentes publicadas no site Graveland parecem indicar que você está tentando se distanciar do Black Metal. Isso é verdade? Em caso afirmativo, por quê? Seu álbum, “Fire Chariot Of Destruction”, parece mais Black metal que qualquer outra coisa.
Eu não quero que minha banda seja identificada com satanismo. Black Metal será sempre identificado com satanismo, porque o satanismo é inseparavelmente ligado ao Black Metal. Desde o início de Graveland, nós combinamos paganismo com o satanismo. Isso aconteceu porque as pessoas com quem eu tocava eram satanistas e eles não estavam interessados no paganismo. E devido a essas diferenças, no fim, começamos a caminhar em direções diferentes e a Graveland se tornou a banda de uma pessoa (one-man band) novamente. E, desde então, eu insiro o paganismo na Graveland.

No passado, eu considerava o satanismo como uma inspiração natural de bandas underground de Black Metal. Uma marca da autenticidade. Mas a minha longa experiência me ensinou que as pessoas inspiradas por satanismo eram pessoas extremamente egoístas, capazes de trair até mesmo os amigos mais íntimos e seus ideais. Laços fraternais no satanismo são puro mito, algo que nunca existiu.

Eu vi que não podia apoiar o satanismo, pois ele era uma parte da religião judaico-cristã. E eu não aceito nada relacionado com a alienadora cultura judaico-cristã e a religião. Nessa altura, o Black Metal se tornou um modismo comercial e eu não quis ser parte desse circo. As verdadeiras pessoas do mal que eu conheci estão hoje na prisão ou mortos. O mal que eles adoravam se voltou contra eles.

“Fire Chariot of Destruction" pode soar como Black Metal, mas se você ouvir essa música com mais cuidado, você vai perceber que as minhas melodias são diferentes das melodias típicas de Black Metal. Minhas melodias são mais pagãs e épicas...
Apenas o caráter e o som da minha voz são elementos imutáveis de minha música. Espero um dia começar a cantar com voz normal. Música antiga e folks são inspirações para os meus riffs de guitarra. No passado, eu fui inspirado por bandas como Emperor ou Bathory. Mas é passado agora. O som de "Fire Chariot of Destruction" é mais forte e dinâmico, as canções mais maduras e mais rápidas. Eu acelerei o tempo, porque meus ouvintes aceitaram que o fizesse assim. Marduk, Watain e 1349 tocam Black Metal, não a Graveland. Não confunda Graveland com Black Metal!

Como você descreveria o seu relacionamento e sentimentos sobre a comunidade que não participa do NSBM?

No passado eu me identificava com o Black Metal e achava que o Black Metal era Cult, enquanto permanecesse um estilo underground. Algumas regras ideológicas também foram muito importantes para mim. Ver essas regras quebradas por bandas de capa das grandes revistas de música foi uma experiência bastante desagradável. Olhando essas revistas e lendo entrevistas poderiam me desencorajar para tocar Black Metal. Mas eu comecei a tocar Black Metal por motivos ideológicos. Black Metal era a música underground, mas a comercialização e a traição das ideias do BM por seus precursores nos fizeram ainda mais radicais e extremos. Nós não queríamos ser como eles. E não cometeríamos os mesmos erros.

Naquela época tudo que eles disseram e foi feito pelo Black Metal foi muito importante para mim. Mas depois ele mudou. As pessoas e as bandas têm se tornado menos importantes para mim. Descobri que eu era a única pessoa em quem poderia confiar e que poderia andar do meu jeito. Agora eu me interesso por bandas e pessoas com quem estou ligado por amizade ou crenças pagãs, e não no que outras pessoas fazem.

O Black Metal tomou o lugar do Death Metal. A universalidade e vulgaridade mataram o culto e o espírito do Black Metal. Eu não vejo mais nenhum ponto na identificação com o Black Metal. Eu toco no meu próprio estilo e eu não me importo com o resto.
Houve inicialmente uma referência à "Norwegian Aryan Black Metal" no encarte do Darkthrone – “Transylvanian Hunger”; uma das bandas de Samoth chama Zyklon (um fumigante usado em câmaras de gás nazista); e Mayhem usa a antiga insígnia da SS, Totenkopf em suas t-shirts - mas as três bandas não vão tão longe a ponto de se denominarem NSBM. Você acha que o uso de símbolos Nacional Socialista e a retórica pró-ariana são fraudulentos?
Eu acho que as convicções e ideias radicais, apoiadas por estas bandas no início de sua existência, vieram da típica rebelião e atitude do jovem perante à vida, e de seu fascínio pelas ideologias e crenças extremas. Essas coisas sempre serão importantes para os jovens. O extremismo irá distingui-los dos milhares de frustrados e vegetais.Naquele tempo, o profano Black Metal teve alguns traços de ideologias de extrema-direita.

Como um tipo musical, o Black Metal se distinguiu na cena metal. Mencionando o arianismo e as conquistas do Terceiro Reich tornam o Black Metal mais radical e maligno. Satanismo misturado com Nacional Socialismo garantiu algumas experiências muito atraentes e sedutoras para que as pessoas comuns se tornassem repugnantes e vergonhosas. Quando as pessoas se acostumaram com o satanismo no metal, a geração de jovens necessitava de uma arma mais forte para aparecer. E ideologia de extrema direita foi a arma perfeita. Esses jovens não tinham nada a perder, eles não se preocupavam com o dinheiro. Eles simplesmente se deliciavam com o escândalo provocado.

Foi o resumo das suas atividades satanistas e a prova de sua autenticidade. Devo mencionar aqui a queima de igrejas e algumas outras expedições de guerra, a fim de intimidar a concorrência e espalhar algum terror satanista. Essa publicidade resultou em número de álbuns vendidos e dinheiro que essas bandas fizeram. Isso teve enorme influência em suas convicções mais tarde. Mas devemos lembrar que essas pessoas não faziam isso por dinheiro. O dinheiro apareceu mais tarde e mudou sua atitude. Além disso, algumas repressões policiais e investigações tiveram uma influência sobre o esfriamento do temperamento subversivo.

Há uma coisa muito interessante. Surpreende-me que a nova geração da cena do metal escandinavo não os imite. Na Polônia, as bandas jovens se identificaram com a ideologia Nacional Socialista, o satanismo ou o paganismo desde o início. Voltando ao Darkthrone e o Emperor... Eu acho que eles esconderam suas verdadeiras convicções para não afetar o número de álbuns vendidos e os contratos com grandes gravadoras. Eu também acho que muitas bandas jovens escondem as suas convicções. Mas eu acho que é apenas temporário. Na Europa, mais e mais pessoas estão “cheias” de imigrantes, habitantes não-brancos e muçulmanos que inundam a Europa. A Escandinávia está em uma situação muito ruim. Oslo lentamente se torna a segunda Meca para os muçulmanos.
Em uma entrevista que fiz com Wodansson do Pagan Front Vinland (ele próprio membro de uma banda NSBM), ele disse que acha que ação é mais importante do que música. Ele disse que tinha vendido a maior parte de sua coleção de discos para comprar armas, em preparação para o RaHoWa. Qual você acha que é um meio mais eficaz de comunicar suas crenças: ação ou música?

Todo mundo tem sua própria vocação. Eu sou capaz de conseguir mais através da minha música, que é a minha arma. Palavras certas podem iniciar a revolução. Claro que invejo o fácil acesso às armas dos americanos. Na Polônia não é tão fácil. Caso contrário, eu teria um monte de diferentes tipos de armas. Agora só posso recolher espadas, machados e arcos. Quando eu estava no exército, eu usei AK47. Uma coisa eu sei, com certeza: se um dia eu visitar os Estados Unidos, alguns dos meus amigos me mostrarão alguns truques de tiro.

As pessoas pensam que a crise que se aproxima é causada pelas aspirações revolucionárias de comunidades não-brancas na Europa e que podem ser interrompidas por lei ou repressões policiais. Mas o que vai acontecer se as pessoas responsáveis pelo sistema de direito e o controle da polícia se converterem ao Islã? O que vai acontecer se esses brancos que se odeiam por serem brancos? E depois? Eu ainda espero que as pessoas brancas acordem. E que eventos como a Intifada Francesa motivem suas ações. Surpreende-me que algumas pessoas que defendem ideologias esquerdistas comecem a criticar a sociedade multicultural. Isso é realmente muito interessante.



Se você pudesse mudar três coisas sobre o mundo de hoje, quais seriam eles?

Os EUA deveriam parar de apoiar Israel. Seria muito útil para adquirir o acesso aos recursos naturais do Oriente Médio, que ainda são necessárias. As políticas de apoio ao inimigo mais odiado do mundo árabe não é útil a todos. Este conflito é muito prejudicial para os EUA e para a sociedade norte-americana não pode dizer o certo eo errado. Sociedade norte-americana ve o conflito com o mundo árabe como uma questão nacional! As massas são manipuladas pela midia controlada pelos judeus que através da programação e outros veiculos fazem propaganda contra os árabes.

Meios de comunicação e  governos devem parar de apoiaro multiculturalismo. Multiculturalismo é muito prejudicial para o nosso povo. Nossas forças de defesa ea integração do país para baixo. Existe um problema com a formação de um exército. Os homens não são homens, mas escória decadente. Eles não são adaptados para a vida. Onde a cor é maioria, a corrupção e a bandidagem aparecem. O multiculturalismo apoia atividades que devem ser proibidas e devem ser punidas como  crime contra o Estado. Espero que um dia esses profetas do multiculturalismo sejam punidos.

Produções de Hollywood devem ser proibidas. Hollywood é um berço de decadência e depravação, o vazio espiritual e superficialidade intelectual. Os requisitos de propaganda política matam a arte. Produções de Hollywood são muito fracas. Eles são marcados pela falta de criatividade, apoiam feminista e homoexuais. É um desfile de palhaços e um teatro de vaidade.


Sobre o Autor:
LORD KRONUS
LORD KRONUS
Admirador do Oculto e cinéfilo. azerate666@hotmail.com Confira mais textos deste autor clicando aqui

ENTREVISTA COM PROPHECY & VEOS

1. Por favor, apresentem-se dizendo quando e onde nasceram, seus nomes verdadeiros e sobre o seu trabalho com o Veritas e o seu próprio ashram na Flórida.
Nossos nomes são Christopher e Daniel Murphy. Nós nascemos gêmeos idênticos em abril de 1988, e vivemos uma vida até mesmo na infância que era dirigida para a espiritualidade. Mais ou menos em torno dos doze anos, Daniel começou a dar aulas online sob o nome de “Prophecy” para vários grupos teológicos, filosóficos e ocultistas. Ele tornou “Prophecy” um personagem ficcional que ele usava para esconder sua idade, sabendo que as pessoas não ouviriam o que ele tinha a dizer se elas soubessem o quão jovem ele era.

Mais ou menos aos 14 anos de idade, Daniel
conheceu dois outros buscadores da verdade que estavam tentando iniciar um lugar de encontro e de informações para a espiritualidade chamado “Veritas”, e ele concordou ser um professor lá e escrever artigos. Usando aquele site como base, ele escreveu trinta e um artigos sobre magia.

Na época em que completamos dezoito anos, tínhamos começado a compreender o estado lastimável em que a magia moderna estava. Havia tão poucos adeptos, e tantas fraudes e impostores, que percebemos que não era por acaso que muitas pessoas pensavam tão baixo sobre a magia. Ela estava sendo exterminada por vários grupos “modernos” de magia sob o falso título de “progresso”, e até as Ordens mágicas que foram uma vez sábias e poderosas tinham se despedaçado e não mais ensinavam as verdadeiras jóias das ciências mágicas. Percebendo isso, decidimos devotar nossos esforços e nossos escritos ao melhoramento da reputação da magia como uma ciência divina, uma ciência feita para revelar a sua divindade interna. Começamos essa iniciativa, pela primeira vez, ao aceitar estudantes em pessoa. Desses estudantes, começamos a permitir que alguns deles viessem e vivessem conosco, e estudassem magia sob a nossa presença física direta. Como o número de pessoas que queria visitar e aprender de nós cresceu, tornou-se necessário abrir um tipo de “ashram” aqui na Flórida.

Encontramos uma boa casa vazia em cinco acres de uma propriedade bastante isolada, e começamos a ensinar magia aqui.

Neste momento, entramos numa fase temporária de isolamento para aperfeiçoar mais as nossas práticas, e nos tornarmos veículos mais adequados para alcançarmos a meta que colocamos à nossa frente.

Nossos estudantes agora vêm e nos visitam, mas não viveremos com estudantes novamente por dois ou três anos enquanto preparamos nossos escritos futuros, escrevemos os livros que queremos publicar, e aperfeiçoamos nossas próprias práticas.

2. Em sua opinião, quais são os maiores obstáculos que os estudantes encontram no início de sua jornada na magia e na yoga, e qual poderia ser um modo para ultrapassá-los?
O maior obstáculo, sem dúvida, é a falta de consistência. O estudante iniciante da magia tem dificuldade de se ver como um mago aspirante, e em vez disso se vê como uma pessoa normal que só está estudando um pouco de magia. Com esse ponto de vista, o estudante nunca será capaz de fazer a magia parecer importante o suficiente para ele. Se a magia não é a parte mais importante do seu dia, todos os dias, então você não será capaz de manter práticas regulares. Se você não consegue manter práticas regulares, então você nunca será capaz de ter sucesso nessa ciência. Portanto, a falta de prática consistente e diária é o escorpião que interrompe o progresso da maioria dos magos em potencial.

O modo mais simples de consertar isso é estabelecer hábitos. Como Franz Bardon diz, “O homem é uma criatura de hábito”. Se você dizer a si mesmo
que vai praticar todo dia, e então cada dia você se força a sentar e praticar pelo menos um pouco, você descobrirá gradualmente que se torna mais fácil praticar todos os dias. Com o tempo, por você estar fazendo progresso e tendo experiências espirituais, você ficará ansioso para fazer suas práticas diárias. Quando isso acontece, você está realmente fazendo progresso.

3. Os seus pontos de vista diferem grandemente de Bardon: sobre celibato, vegetarianismo e sobre os tempos mínimos que Bardon dá para o domínio de seus exercícios. Como vocês podem explicar isso?
Do contrário, não acreditamos que nossas visões diferem das de Bardon, nem um pouco. Franz Bardon é relembrado como tendo uma dieta bastante estrita, e como tendo imposto tais recomendações para seus estudantes. No que diz respeito ao celibato, Bardon nem morava com sua esposa, mas a visitava uma vez por semana (às vezes duas vezes por semana) de modo que ele poderia ficar concentrado em sua missão naquela encarnação. A não ser que tenhamos de acreditar que Bardon masturbava ou traía sua esposa, somos forçados a supor que ele tinha muito pouca atividade sexual.

A coisa citada mais frequentemente em nossos escritos sobre os exercícios de Bardon são as diferenças nos tempos mínimos. Acreditamos que, fundamentalmente, só recebemos essas reclamações de pessoas que não estão realmente interessadas em serem magos, e não querem praticar magia se ela interferir de algum modo com as preocupações “muito mais importantes” da vida diária. Da mesma maneira, não acreditamos que nossos tempos mínimos diferem do que Bardon exigia de seus estudantes, os
estudantes com os quais ele realmente se importava. Dr. M. K., por exemplo, lembra que o primeiro exercício que ele recebeu de Franz Bardon envolvia a meditação nas quatro cores dos elementos por 10 minutos cada, imediatamente seguida por 30 minutos de controle do pensamento. Comparado a isso, o que recomendamos é bastante fácil.

Nós colocamos nossos estudantes em padrões mais elevados do que a maioria dos “estudantes de magia” são acostumados a serem colocados. Queremos criar magos, não amadores, ou pessoas com interesse no oculto. Nós não queremos ter nenhuma ligação com filósofos, românticos, ou amadores. Existem muitos outros escritores e muitos outros professores que são mais adequados a essas pessoas. Estamos interessados apenas naqueles estudantes que estão querendo arregaçar suas mangas, encarar o assunto de forma séria e tornar-se magos.

Tendo dito isso, não estamos aqui simplesmente para repetir o que Franz Bardon disse. O sistema que ensinamos aos nossos estudantes pessoais difere do sistema de magia apresentado em O Caminho do Verdadeiro Adepto, porque mais coisas podem ser contadas de uma maneira individual. O que Bardon deu foi uma quantidade muito pequena de informação a uma audiência que realmente não sabia o que magia era até que leram os livros dele. Do mesmo modo que Franz Bardon ensinava coisas a seus estudantes que não estavam em seus livros, fazemos o mesmo.

4. A Yoga e práticas orientais têm algum efeito no treinamento mágico? Quais diferentes caminhos e tipos de Yoga você recomenda a novos estudantes, e quais caminhos eles deveriam evitar?
O Caminho do Verdadeiro Adepto, de Franz Bardon, é em sua maioria Yoga. O primeiríssimo Grau é totalmente constituído de Yoga, utilizando dois exercícios fundamentais chamados Vritti Nirodha (controle do pensamento) e Swadhya (estudo introspectivo de si). Bardon usava consistentemente terminologia da Yoga, como nos nomes para os elementos, e mostra uma profunda compreensão dos estados de Prayahara, Dharan, Dhyana e Samadhi. Dessa maneira, se estamos seguindo o sistema de Bardon, temos de supor que ele acreditava que a Yoga era muito benéfica ao mago.

Existem muitos caminhos da Yoga, e por Yoga, deveria ser compreendido que não estamos nos referindo totalmente às posturas físicas e aos alongamentos. Estamos referindo aqui a técnicas meditativas. Para a prática da magia, o estudante deveria aprender pranayama e técnicas que elevam a Kundalini. A técnica da Kriya Yoga é a nossa favorita para o propósito do controle da mente e da expansão da consciência.

Formas mais devocionais de Yoga, como Bhakti Yoga, deveriam ser evitadas, porque elas podem causar um desenvolvimento unilateral no mago.

5. Quais são os maiores erros que um estudante pode cometer no início de seu treinamento no sistema de Franz Bardon?
Pular Graus, sem dúvida. Se você pula um Grau, ou passa para o próximo cedo demais, você está gritando para o universo inteiro que você não tem desejo algum de se tornar um verdadeiro mago. O próprio universo se voltará contra você, e lhe forçará para fora do caminho.

6. Uma questão frequentemente perguntada deste site é o problema do mestre e discípulo. Os dizeres “Quando o estudante está pronto, o mestre aparece” são verdadeiros, na sua opinião? Qual é a importância de um mestre no caminho da magia e como o estudante pode proceder para conseguir um?
Quando o estudante está pronto, acreditamos honestamente que o professor aparecerá. Isso não significa que o estudante não terá de olhar ao redor para tentar achar seu professor. Trabalho é preciso. Contudo, de um modo ou de outro, a instrução correta aparecerá exatamente do modo que o estudante precisa. Algumas pessoas estão prontas para serem instruídas, mas não está desenvolvidas o suficiente para precisarem um professor direto, portanto elas serão guiadas a certos livros, websites, cursos de estudo etc. Outras têm de aprender a como se comunicarem com seus Eu Superior, e portanto seus professores podem ser seus próprios Anjos Guardiães. Algumas estão prontas para professores diretos, e elas os recebem.

Ter um professor pessoal, especialmente no início, é de grande importância.

Algumas pessoas dizem que o livro O Caminho do Verdadeiro Adepto é o seu professor, mas isso não pode ser o suficiente. Você não pode perguntar uma questão para o livro, não pode sentar para assistir a uma aula que o livro dará, não pode ser xingado pelo livro por ser preguiçoso ou ter feito algo que não deveria, e, acima de tudo, você não se sente responsável por um livro. Você sabe que, se você não praticar aquele dia, o livro não lhe pressionará a fazê-lo, e não lhe fará se sentir mal por não praticar. Quando você tem um professor direto, ele lhe pressionará a ser o melhor. Se ele for um bom professor, ele sabe mais sobre você (devido a suas faculdades mágicas desenvolvidas) que você sabe sobre si mesmo. Ter um professor é a receita mais certa para o sucesso.

7. Estamos celebrando hoje o aniversário de 100 anos de Franz Bardon. O que vocês pensam sobre a vida dele, o seu trabalho e importância hoje, depois de mais de 50 anos de publicação de seu trabalho, O Caminho do Verdadeiro Adepto?
Acreditamos que o reconhecimento de Franz Bardon como um dos maiores adeptos na história memorável só crescerá com o passar do tempo, e mais e mais adeptos serão produzidos pelo sistema de treinamento dele. As pessoas estão tendo experiências, e estão conseguindo resultados. É um trabalho duro, mas o resultado é um tipo muito particular, muito incrível de pessoa: um adepto. Se uma árvore pode ser conhecida por seus frutos, então os frutos do sistema de Franz Bardon já provaram o quão grande mestre que ele foi.

8. Qual é a sua opinião sobre a descoberta de Emil Stejnar sobre os espíritos de Bardon e os erros que podemos encontrar em seu trabalho?
Foi uma “descoberta” apenas a aqueles que não estavam no círculo de Bardon, mas era muito bem conhecido por seus estudantes diretos que ele usou uma cifra para comunicar os nomes dos espíritos aos não-iniciados quando ele estava falando ou dando aulas. Sobre os “erros” nos trabalhos de Bardon, há dois lados nessa história. De um lado, o próprio Franz Bardon nunca
escreveu nenhum de seus livros. Ele dava aulas ou ditava certas coisas, e a Sra. Votavova as unia do melhor modo que podia. Portanto, alguns erros de soletração ou pedaços de informação em lugares errados são, provavelmente, culpa dela. Sobre as outras coisas, precisamos apenas olhar o que sabemos. Sabemos que Franz Bardon era um adepto. Sabemos que aqueles que seguiram seus escritos corretamente também se tornaram iniciados e adeptos. Aí vêm um ponto em que tentar criticar ou achar erros sobre o que Franz Bardon ensinou ou disse é apenas fútil. Claramente, o que ele fez, funcionou. Desse modo, pessoas têm um mau hábito de comparar informação mais nova a informação mais antiga, e acreditam automaticamente que a informação mais antiga é a correta. Portanto, algumas pessoas encontraram similaridades entre certas coisas que Bardon ensinou e certas coisas que podem ser encontradas em velhos livros ou grimórios, e acreditam que se existe um conflito entre os dois, então o livro mais velho deve ser correto. Isso provavelmente não é o caso.

9. A evocação de espíritos sem treinamento adequado, Magia do Caos, Psiônica, Xamanismo e sistemas de magia criados individualmente são tendências novas e populares no campo contemporâneo de estudos mágicos. O que vocês pessoalmente pensam disso?
Nós éramos bastante abertos à ideia de pessoas praticarem esses sistemas quando éramos mais novos. Mas, na medida em que o tempo passava, não fomos capazes de encontrar nenhum adepto produzido por Magia do Caos e Psiônica, e nenhum do Xamanismo new-age. De vez em quando uma pessoa surge com uma habilidade psíquica ou duas, mas isso parece ser tudo. Portanto, se uma árvore deve ser conhecida pelos seus frutos, os frutos produzidos por esses sistemas até agora são muito poucos. Magia é uma ciência. Se você não segue a ciência, não funcionará pra você.

10. Estamos chegando ao fim desta entrevista. Como dois magos avançados, podem dar dicas e conselhos aos praticantes de CVA? Vocês podem dar listas de leituras recomendadas sobre Yoga e Magia?
O melhor conselho que podemos dar é que mantenham-se praticando. Sejam consistentes, e sejam fortes. Magia não é para todas as pessoas. Não é para filhotes, ou gatinhos, ou pandas. É para Leões. Portanto, sejam fortes, sejam corajosos, sejam aventureiros, e, acima de tudo, sejam dedicados. Os resultados virão, e vocês farão progresso.

Sobre livros, é melhor que o mago aspirante no início de sua prática não se carregue com muito estudo ou leituras. Você ainda não está estabelecido o suficiente nas suas próprias experiências para saber o que é verdadeiro ou falso, ou ser capaz de perceber que duas coisas parecem se contradizer, mas na verdade não se contradizem. Você tem o único livro que precisa por agora: O Caminho do Verdadeiro Adepto. Quando você estiver mais avançado, pode começar a se preocupar sobre livros. Nos ashrams e Ordens da tradição, o estudante não era permitido, por três anos, a ler qualquer livro a não ser aquele que o seu professor tinha escrito. Depois de três anos de prática diária, ele era considerado sábio o suficiente para ler livros de outros professores e de outras tradições, e ainda permanecer concentrado em suas próprias práticas e em sua própria tradição.

Portanto, por agora, apenas se devotem a O Caminho do Verdadeiro Adepto e ganhem as suas experiências.

ENTREVISTA COM MARCOS TORRIGO

Marcos Torrigo – escritor, editor, estudioso de magia, ocultismo e xamanismo – tem a vida multifacetada de alguém que nunca pára no mesmo lugar e dá vazão à sua inquietude espiritual e mental na procura por responder os insondáveis mistérios da vida.

O autor de sucessos como “Vampiros – Rituais de Sangue”, e “Universo Holográfico” nos conta aqui um pouco sobre sua vida e sobre as paixões que o move.

Apreciem e aprendam.

MD: Torrigo conte-nos um pouco sobre o seu inicio na espiritualidade e na magia, como tudo começou?
MT: Quando criança eu escutava sons e tinha algumas visões. Isso me deixava bastante inquieto e apreensivo. Na adolescência a curiosidade superou o medo e comecei a ler a respeito e tentar orientar os fenômenos.

MD: Como um ativo andarilho, uma pessoa que viaja muito pelo mundo afora, à procura de mistérios insondáveis e diversão, diga, qual foi a experiência que mais o marcou?
MT: Por incrível que possa parecer, a experiência mais marcante aconteceu em um “sonho”. Eu estava na casa de uma namorada há alguns quilômetros da minha. Em um dado momento da noite eu tive um sonho lúcido, sabia que estava sonhando. Nele eu falava uma frase em hebraico ligada a Sephira Tiphareth, à minha volta uma escuridão total, mas meu corpo irradiava luz dourada. Em um dado momento fui atacado por uma criatura que lembrava um demônio, no momento do ataque eu gritei: “mãe!”
Automaticamente surgiu um anjo. Fiquei espantado por sua aparência. Um anjo clássico como saído de uma pintura de Gustave Doré. O anjo subjugou o demônio e me informou o nome do ser demoníaco, dizendo que de posse do nome eu teria poder sobre ele.
Acordei, mas não conseguia me mexer devido à catalepsia.
No dia seguinte fui surpreendido ao chegar em casa. Minha mãe disse que acordou com um grito no meio da noite, e meu irmão com o seu quarto no fundo da casa bem distante da rua, também acordou e disse: - Estão assaltando o Marcos em frente de casa. - Só que ao sair na rua não havia nada. Só minha família escutou o grito, nenhum vizinho ouviu.

MD: Que dicas você daria para quem quer se arriscar num caminho tão tortuoso e cheio de surpresas como a Magia?
MT: Saiba que o contrário de uma verdade não é necessariamente uma mentira, pode ser outra verdade. E o universo é um grande teste de Rorschach.

MD: Como você enxerga e reage frente às mudanças dramáticas que estão ocorrendo em nosso planeta?
MT: O que mais me preocupa é o impacto da espécie humana na natureza. Somos responsáveis pela extinção de centenas de espécies, além de provocarmos o aquecimento global que traz mudanças bruscas para todos os ecossistemas do planeta.
Parafraseando o filme do Spike Lee: Faça a Coisa Certa. Tento viver causando o menor impacto, não tenho filhos e nem pretendo tê-los, uso carro o menos possível, em casa reciclamos etc., mas o mais importante é a visão de conjunto, entender o planeta como algo vivo, Gaia (Lovelock).

MD: Qual é a sua opinião sobre a relação Drogas e Espiritualidade? Aqui me referindo não só ao uso de drogas ilícitas, mas a qualquer coisa que possa ser utilizado com instrumento de alteração da mente, como o Daime, por exemplo, ou mesmo a Datura e outras plantas de poder utilizadas por índios e xamãs no mundo inteiro?
MT:É importante salientar que por trás do rótulo de drogas estão substâncias químicas diversas e que atuam no organismo humano de múltiplas formas.
Colocar o crack e o Daime (ayahuasca, yagé, uni etc.), um composto a base de triptaminas, no mesmo rótulo é um preconceito terrível que muitas vezes é perpetrado tanto pela mídia quanto pelas autoridades.
O termo enteógeno cunhado por Carl Ruck e R. Gordon Wasson que significa numa livre tradução a manifestação interior do divino é preferível quando tratarmos de substâncias tradicionais, empregadas com finalidades religiosas ou de expansão da consciência.
Tomando como exemplo a ayahuasca, ela é usada por várias etnias indígenas há séculos e atualmente por igrejas estabelecidas legalmente.
Sem falar das importantes pesquisas tratando dos benefícios da beberagem na cura de alcoolismo ou no combate à depressão como a que é feita pela USP. Países como o Peru reconhecem a importância cultural da ayahuasca tornando-a patrimônio cultural.
Para não me alongar em demasia sugiro a leitura do meu artigo “As Portas da Percepção estão abertas...”

Esta foi uma pequena entrevista com alguém que tem muito a nos ensinar, espero que tenham gostado.

FONTE: OS CAMINHOS DA TRADIÇÃO