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Parte 2: Edição #7 de Lucifer Luciferax: Draconis: 218 A Corrente Anticósmica *POR PHARZHUPH*

* Azerate *
* Divindade - Fórmula - Conceito *
Azerate é formado pelos 11 demônios criados por Tiamat para ajudá-la a vingar a morte de Apsu.
Azerate é o nome da Divindade amorfa e anticósmica originária da reunião dos Onze Arquidemônios das
Qliphoth. É o Deus Híbrido formado pela totalidade dos aspectos de Nahema, Lilith, Adramelek, Baal, Belfegor,
Asmodeus, Astaroth, Lucifuge Rofocale, Beelzebub e Moloch.
Azerate alude aos onze príncipes de Edom que reinaram ao sul do Mar Morto antes das guerras judaico-romanas.
É a fórmula de consecução mágicka que opera a destruição dos véus da Ilusão que aprisiona e aliena.
Azerate é a união das onze potências da Árvore do Conhecimento
que destroem a mentira sobre o
Universo criado.
Azerate é a chave para as dimensões de poder além dos limites da consciência.
Azerate é o Dragão Negro de 11 Cabeças que vomita fogo, morte, destruição e terror.
218 é o número místico de Azerate e da Corrente Anticósmica.
Aleph = 1
Zayin = 7
Resh = 200
Aleph = 1
Teth = 9
1+7+200+1+9=218
218
2+1+8=11
1+2+3+4+5+6+7+8+9+10+11=66

Azerate evoca e manifesta o conceito maldito e banido do Onze sobre o Dez.
O Onze, aquele que sucede o Ciclo Eterno, aquele que traz destruição, antítese e embate ao cosmos.
Azerate é o Onze que é Sessenta e Seis.
66 é o número místico das Qliphoth e da Grande Obra.
Σ(1-11)=66
Azerate é o duplo 109, a dupla Esfera da Iluminação.

* Proposições Básicas da Corrente Anticósmica *
Destruir os véus da Ilusão, trazer a condição de Caos ao universo manifesto.
A implosão impele e impulsiona dolorosa Transformação e Renascimento em Nox.
Fazer ruir estruturas decrépitas nas quais se fundamentam as idéias dos opositores da Vida.
Desfazer laços e cortar amarras que impedem o avanço e a evolução do indivíduo.
Proporcionar desafio ao indivíduo que, por vocação, aprende e faz guerra contra os agentes alienadores
em todos os aspectos.
Trazer ao Universo manifesto as forças que combatem eternamente para que elas possam destruí-lo tal como o conhecemos.
Trazer Morte ao Universo, propiciar Dissolução do Ego plasmado sobre os moldes da restrição imposta por padrões hipócritas, vazios e mentirosos.

* A Corrente 218, Algumas Características Mais *
Podemos dizer que a Corrente 218 é anticósmica, caótica, luciferiana e satânica.
É uma corrente por ser caracterizada pelo movimento acelerado das forças que a compõe.
É anticósmica por estar alinhada à Destruição dos conceitos estagnados de cosmos e logos tal como os conhecemos e por buscar a Dissolução da dispersão do Ego que concorre contra a verdadeira vontade.
É Caótica por não se apegar a conceitos estagnados, superficiais
e submissos; por enfatizar que o
processo verdadeiro de aprendizado e de evolução do indivíduo se dá através da própria experiência, do contato direto com as forças inerentes à corrente; por estar alinhada com muitas das idéias do que se costuma rotular
como magia do CAOS; por ter como uma de suas proposições básicas trazer o CAOS ao Universo manifesto e Destruí-lo como Ilusão, como Maya.
Luciferiana por propiciar ao indivíduo a possibilidade de evolução através do Conhecimento (Luz, Gnose Luciferiana).
Satânica por ser uma força de embate contra valores idiotas, hipócritas, ultrapassados, dominadores e
alienadores.
O motor da Corrente é a força dinâmica de Azerate como
Divindade, Conceito, Chave e Fórmula de
consecução mágicka.
A fundamentação da corrente se dá a partir de um vasto sincretismo de ramos e vertentes do Caminho da
Mão Esquerda. Tal sincretismo busca sintetizar a essência de cada aspecto que compõe a heterogeneidade e
aplicá-la na consecução das proposições fundamentais. Dentre as diversas tradições que coadunam forças que se combinam na Corrente 218 citamos: a magia do Caos, o Satanismo (Tradicional e Moderno), o Luciferianismo
(Tradicional e Moderno), a tradição Draconiana, a tradição Tifoniana, a Bruxaria Sabática, a Qabalah Qliphótica, Thelema, o Tantra, a Quimbanda, o Vodu e cultos ligados à Morte.
Atualmente o Templo da Luz Negra na Suécia é o maior expoente relacionado à corrente anticósmica. O
Templo é a evolução do trabalho iniciado pela Ordem Misantrópica Luciferiana (MLO). Seus principais trabalhos literários publicados são Liber Azerate, Liber Falxifer - The Book of the Left-Handed Reaper e Quimbanda - Vägen
till det Vänstra Riket. O Templo planeja lançar Liber Azerate em inglês durante o ano de 2010.
Uma das principais manifestações artísticas relacionadas à Corrente 218 é o singular álbum Reinkaos, último trabalho da banda Dissection.

* Algumas Divindades Anticósmicas *
Kali

"Porque Tu devoraste Kala, Tu és Kali, a forma original de todas as coisas, e porque Tu és a Origem de todas as coisas e as devoraste, Tu és chamada de Adya Kali. Retomando após a Dissolução de Tua própria forma, negra e sem forma, Tu permaneceste como a Única inefável e inconcebível. Embora tenha uma forma, ainda assim Tu és sem forma; embora Tu mesma não tenhas Princípio, multiforme pelo poder de Maya, Tu és o Início de Tudo, Criadora, Protetora e Destruidora Tu és."

* Mahanirvana Tantra *
* Kali e Shiva *
Deuses hindus que conduzem à liberação removendo a ilusão do Ego. Kali é a toda-consumidora do
tempo (Kal), Deusa que traz Morte à falsa consciência, pois está além de Maya. Kali é uma das variadas formas de Devi, Mãe compassiva que traz liberação (moksha) aos seus filhos.
Seus devotos adoram-na com amor
incondicional. É conhecida e adorada por vários nomes: Kalikamata, Kali Ma, Bhavatarini, Dakshineshvara,
Kalaratri, Kottavei, Kalighat e Negra Mãe Divina.
Kali Ma é a dissolução e a destruição. Foi graças a ela que os deuses, feitos Shiva, puderam destruir
Raktabija, pois Kali consumiu todo o sangue que jorrava dos ferimentos de Raktabija e ele não pôde mais se
reproduzir.
Shiva é o Deus da destruição e regeneração, fogo consumidor da transformação, cujo olhar relampeja e
destrói violentamente. É um dos Três formadores da Trimurti hindu. Shiva é chamado o Destruidor. Shiva e Kali costumam ser adorados em crematórios a céu aberto, pois aludem à transitoriedade da vida material. O Lingam está para Shiva como a Yoni está para Kali: na destruição estão os elementos da geração.

* Apsu *
Deus primevo sumero-acadiano das águas doces do submundo. Primeiro consorte de Tiamat.

* Tiamat *
Deusa Dragão senhora do Caos e das águas salgadas. Deusa das águas abissais e do oceano primevo. Na mitologia
sumeriana é chamada Nammu. É provavelmente uma das divindades mais antigas do panteão sumeriano.

* Kingu *
Deus Dragão, filho de Tiamat. Seu sangue foi utilizado para criar a humanidade segundo o mito babilônio. Tiamat o tomou como esposo após a morte de Apsu.

* Lúcifer *
Insígnia máxima da não-servidão, da rebeldia, do conhecimento aplicado e esclarecido. Beleza sem mácula.
Portador do Archote, da Luz que guia "seus filhos" no tortuoso caminho da liberação.

* Lilith *
Negra Mãe Divina, Rainha da Noite e das Bestas da Escuridão, personificação da plena força feminina. Mãe, Bruxa, Irmã, Anciã e Meretriz. Egrégora primitiva do Lado Obscuro da Alma.

Parte 1: Edição #7 de Lucifer Luciferax: Draconis: 218 A Corrente Anticósmica *POR PHARZHUPH*

* As Bases da Corrente Anticósmica 218 *

As bases da Corrente 218 firmam-se originalmente nos mitos sumérios contidos no poema épico Enuma Elish escrito há mais de 3000 anos. No mito babilônio, Tiamat, um monstruoso dragão feminino, é a mãe de tudo aquilo que existe e de todos os deuses. Ela é a personificação da água salgada, das águas do Caos. Tiamat tem originalmente Apsu como consorte. Apsu é a personificação do
abismo primordial da água doce do mundo
inferior. Da união de Tiamat e Apsu surgiram os primeiros deuses.
O comportamento dos primeiros deuses irritava o casal primordial e Tiamat e Apsu planejaram matar a própria descendência. Ea, o deus da quarta geração após Tiamat e Apsu, descobriu os planos e engendrou um plano para matar Apsu.
Ea aguardou Apsu adormecer e o matou. Tiamat foi tomada por fúria violenta ao saber da morte de seu
esposo, tomou seu filho Kingu como novo consorte e criou um exército de onze demônios para vingar a morte de Apsu. Tiamat pretendia que seu filho e esposo se tornasse Senhor dos Deuses, deu a ele as Tábuas do Destino e o
colocou à frente de sua armada.
Foi Marduk, filho de Ea e Damkina, quem enfrentou e venceu Tiamat e Kingu. A vitória sobre os dragões do Caos conferiu a Marduk "poderes supremos".
Marduk representa os poderes cósmicos que são combatidos pela
Corrente 218 que, por sua vez, é representada pelos deuses anticósmicos e pelos onze poderes criados por Tiamat, ou seja, por Azerate.

* Cosmos e Logos, Um Esboço de Definição *
O cosmos nos é apresentado como a totalidade de um universo "ordenado". Descrevem-no como o
espaço universal, composto de matéria e energia, regulado por certas leis.
À suposta lei universal e fixa, regedora da "harmonia", Heráclito
de Éfeso chamou "Logos". "Logos"
também significa Palavra, Verbo e Razão.
O evangelista João se referiu ao Cristo como sendo o Logos. "Adaptado", o vocábulo passou a ser uma forma de sinônimo para Deus e para seu filho.
Para os filhos do Logos morto o universo está sob a lei de uma pretensa força criadora onipotente,
responsável pela manutência da "harmonia": o funesto e confuso "demiurgo". O Logos Morto, a pretensa força criadora do "demiurgo", os conceitos arcaicos, tolos e estagnados resumem a corrente cósmica, a Grande Ilusão de Maya.
Nesse contexto, encontramos Marduk - o "demiurgo" -associado a Javé.
Ea: deus das águas doces; patrono da magia e da sabedoria; dizia-se que era onisciente.
Tiamat e Kingu são chamados Dragões do Caos.
Segundo o mito babilônio, Marduk criou a humanidade com o sangue de Kingu.


* Da Não Percepção ou da Percepção Ilusória *

O homem ordinário (não) "percebe" o universo ao seu redor através de sentidos comuns, sendo ele
mesmo parte do cosmos. O homem ordinário não percebe nada além de ilusão.
No estado de dormência há uma espécie de sensação de equilíbrio (falso-), um caminho com o qual se conformar, uma senda que se segue guiado por outrem, por algo. Um "ir" junto aos "muitos", um caminhar entre os vários. Um não ver aquilo que é. Um não-ser. Um enaltecer da ilusão. Um doloroso sonho cósmico.
O indivíduo tem o Eu (Ego) plasmado, modelado pelas restrições impostas pelas correntes cósmicas, por Maya. O indivíduo comum É algo que não É.

* Da Dominação do Pão e do Circo *
Servilismo. Subserviência. Alienação. Prostração.
Cega sujeição à vontade alheia e aos interesses manipuladores daquilo que o próprio homem ordinário
criou e que não controla. Alheação. Incapacidade.
O rebanho oprimido sob o jugo se deleita no que é franca e deliberada mentira, ilusão. Os muitos são os Vermes.

* Da Caosofia *
O vazio informe e a vacuidade ilimitada a que se referiu Hesíodo, a desordem e a confusão dos platônicos.
Estado indefinido de não-ordem que antecedeu a pretensa obra do "demiurgo".
Caos, o estado original do que está além e sob o abismo.
Propiciar o Caos é incitar, impelir e impulsionar Transformação.
Somente a transformação é contínua.
O cosmos é tridimensional, linear, causal, previsível. O caos é multidimensional, não linear, é acausal e
imprevisível. No cosmos jazem forças. No caos, energia dinâmica explode mundos e possibilidades sem fim.
O cosmos precisou ser criado. O caos é causado por si, em si. Caos é potencial ilimitado em destruição
(transformação) e criação. Nele estão todas as coisas manifestas e não-manifestas.

* Quadrado Mágico Diabólico de Azerate *
62 48 49 59
51 57 56 54
55 53 52 58
50 60 61 47

Parte 4: Edição #7 de Lucifer Luciferax: PrœlucidusGnose Luciferiana*POR ASENATH MASON ©®*

* A Estrela Guia no Caminho para a Divindade *
No caminho Draconiano, Lúcifer aparece pelo menos várias vezes.
Pela primeira vez as energias Luciferianas podem ser experimentadas na íntegra no nível de
A'arab Zaraq, a quarta (na contagem de
Malkuth/Lilith) qlipha na Qabalística Árvore da Noite.
Este é o nível que se conecta com as energias planetárias de Vênus e um de seus mais significativos
símbolos é a deusa conhecida na mitologia como Afrodite ou Vênus. Na brilhante Árvore da Vida a contraparte de
A'arab Zaraq é a sefira Netzach a qual mantém correspondência com a forma brilhante da Deusa. Sua imagem
negra é Vênus Ilegitima, a deusa da perversão. Ela representa o amor estéril no plano material que, contudo,
produz frutos em níveis superiores. Através dela o adepto renasce como seu próprio filho e torna-se uno com o Daimon, um ser superior. A Vênus Negra é a mãe para o Daimon, o princípio que pertence ao próximo nível da Árvore Cósmica - A qlifa Thagirion.
A'arab Zaraq é a esfera do lado negro dos sentimentos e emoções que emergem à luz da consciência e se
manifestam na forma da expressão criativa. Por isso esta qlifa é
associada com a arte e a música. Aqui nós
experimentamos a liberdade Luciferiana, que é a liberação das estruturas e limites que vinculam a consciência.
Ela é a rebelião contra a realidade circundante - cheia de paixão e energia criativa. Na demonosofia de Rudolph Steiner, Lúcifer é o irmão de cristo, aquele que rejeitou os planos de salvação do mundo de deus e ousou propor
o seu próprio. Ele incorpora o eterno sonho de auto-deificação, o caminho do progresso espiritual individual e a busca pela perfeição. Ele é o patrono das artes, especialmente daquelas que proporcionam extase, emoções, imaginação e criatividade:
"A Perspectiva Luciférica é baseada no idealismo, espiritualidade é incomparavelmente mais importante do que a existência no mundo material... A meta da iniciação Luciférica é a Liberdade ilimitada, a qual é possível alcançar somente quando o indivíduo transcende sua natureza humana
e torna-se um deus. A Liberação dos limites impostos pelo mundo material e de dogmas vinculando o ego nos dão uma possibilidade ilimitada de criação. A Iniciação Luciférica está bem próxima do mágico Caminho da Mão Esquerda." (A Demonosofia de Rudolph Steiner - Uma visão um pouco diferente, Przemyslaw Sieradzan Nos Vislumbres do Caminho da Mão Esquerda, Loja Magan 2004)

Enquanto se estabelece em uma missão em busca da jóia Luciferiana, nós gradualmente passamos através de sucessivos níveis de despertar da consciência, até ao nível de Satariel (Binah) nós experimentamos a
abertura do "Olho de Lúcifer". A serpente Kundalini desdobra suas asas e torna-se o Dragão. Então abre o olho que vê o invisível. Este processo inicia-se no primeiro passo do Caminho Draconiano quando o adepto entra no portal através do "ventre de Lilith" - a primeira qlifa na Cabalística Árvore da Noite. Esta inclui onze níveis
qlifóticos e nove estágios. Eles representam nove noites e nove mundos na mitológica iniciação de Odin. É por isso que o Olho de Lúcifer é também chamado de Olho de Odin, assim como é o símbolo de realização de um determinado estágio no processo iniciatório. A iniciação Draconiana é baseada nas nove fases de despertar da "visão clara" (da palavra Grega "Drakon" - ver), e também inclui o ponto de partida e o objetivo ao qual o processo inteiro conduz. Juntos, compreendem onze níveis. O ponto de partida é o mundo da ilusão no qual vivemos.
Quando estamos cientes do mundo existente além da realidade percebida, nossa consciência volta-se ao "Outro
Lado" ou "O Lado Esquerdo". Uma fenda no véu da ilusão se abre e através dela podemos entrar na realidade alternativa.
Assim, passamos através do portais de Lilith e começamos a jornada iniciatória no mundo da Escuridão.
Gradualmente o Olho de Lúcifer se abre em nossa consciência e sua luz brilha como um tocha na escuridão do
abismo até que ele esteja completamente aberto no nível de Satariel (8.0.) e queima a luz da Divindade no nível
de Ghagiel (9.0.).

* Gnose Satânica *
Na discussão do papel de Lúcifer não podemos esquecer sobre sua função na tradição Ocidental de magia negra e Satanismo. Os Grimórios que apareceram através dos últimos séculos associaram-no com muitos atributos e qualidades. No Grimorium Verum Lúcifer é um dos três principais governantes do mundo, os outros
dois sendo Beelzebub e Astaroth. Ele governa Europa e Ásia, juntamente com dois demônios servos: Satanachia e Agalierap. Neste grimório ele é descrito como um belo jovem que se torna ruborizado quando irritado ou furioso.
De acordo com o Dictionnaire Infernal de Collin de Plancy, Lúcifer é o rei do Inferno. Ele tem a face de uma bela criança, a qual muda para uma monstruosa e inflamada quando ele está com raiva.
No Grimório de
Honório III do século XVI ele também é o Imperador Infernal. Os textos contêm os conselhos para convocá-lo nas
segundas-feiras, entre as três e quatro horas ou entre onze e doze. O operador tem que sacrificar um rato em um ritual, caso contrário a operação falhará.
Em outros textos ele algumas vezes é identificado com Satã ou superior a ele na hierarquia infernal. Ele também é identificado com Lucifuge Rofocale, que, todavia, é uma atribuição incorreta porque "Lúcifer" significa "O Portador da Luz", enquanto "Lucifuge" é "aquele que foge da luz", e estas duas figuras são personagens completamente diferentes na demonologia. Em textos de bruxaria podemos encontrar relatos de que Lúcifer
frequentemente acompanha bruxas em seus vôos para o Sabá. Às vezes, ele as puxa para fora de suas vassouras e lhes dá uma "carona" em seus ombros. Ali Lúcifer é descrito como uma figura cinzenta com braços azuis e culotes
vermelhos decorados com fitas.
Na demonologia tradicional Lúcifer governa o elemento do ar e a direção leste, junto com três outros reis infernais que presidem sobre os outros elementos e direções: Leviathan (água, oeste), Belial (terra, norte), e Satã
(fogo, sul). Na Tradição Faustiana ele é o chefe governante do Inferno. É com ele que Fausto realiza o pacto, enquanto Mephistopheles é o mediador e o executor de suas ordens.

* Conclusão *
Acredita-se que Lúcifer é o personagem principal no poema épico
de John Milton "Paraíso Perdido",
embora no texto ele seja chamado Satã. Mas a palavra "Satã" significa "Adversário", "o Acusador", "o Opositor".
E o Satã de Milton é o oponente de deus de fato. Entretanto, sua imagem está longe de ser o estereótipo de um sombrio e astuto demônio, como ele é descrito pela tradição cristã contemporânea. Em vez disso ele é o anjo que traz luz, que ousa desafiar deus e deixar o paraíso a fim de criar seu próprio reino no abismo de escuridão. Ao mesmo tempo, porém, ele não perde sua beleza, esplendor ou orgulho. Ele é o Adversário, o rebelde que rejeita a
obediência a deus, o governante orgulhoso e o príncipe da escuridão. Ele representa o princípio da "negação", tão
essencial na continuidade da existência do mundo e da harmonia cósmica.
No Caminho da Mão Esquerda ele incorpora a busca da própria divindade - ele não está satisfeito com o espaço e com a função que deus lhe atribuiu. Através de sua queda ele torna-se o emblema da força e vontade livre que provam que o indivíduo pode existir sem deus e luz divina, e que o indivíduo pode tornar-se seu próprio criador e formar o próprio mundo nas profundezas do abismo, onde está o infinito potencial de criação. Lúcifer
inspira aqueles cuja força é suficiente para seguir seus passos e percorrer o Caminho da Mão Esquerda; aqueles que, como ele, acreditam que "É melhor reinar no Inferno do que servir no Paraíso".

Bibliografia:
John Milton: Paradise Lost
Alfonso Di Nola: Diabet
www.wikipedia.org
Grimorium Verum
J.E. Cirlot: A Dictionary of Symbols
A Bíblia: Todas as citações da versão de King James
Jean Duvernoy: Catarismo, a história dos Cátaros
Loja Magan: Vislumbres do Caminho da Mão Esquerda
Thomas Karlsson: Kaballah, Qliphoth e Magia Goética.

* Tradução: Éric Tormentvm Aeternvm 666 (templumofastaroth@hotmail.com)
*Revisão: Fernando War (furiouswyrd@hotmail.com)

Parte 3: Edição #7 de Lucifer Luciferax: Prœlucidus Gnose Luciferiana *POR ASENATH MASON ©®*

* A Interpretação Qabalística *

Nas teorias Qabalísticas Lúcifer corresponde à sephira oculta Daath. Porém, de acordo a entender esta atribuição, devemos primeiro voltar ao momento quando a Árvore da Vida foi uma ideal harmonia cósmica e sua negra contraparte não existia. A perfeita Árvore Cósmica, como
agora, consistia de dez níveis e vinte e dois caminhos, mas não havia nenhum plano material até então. Em vez disso, a Árvore da Vida continha Daath como
a parte integral da harmonia cósmica. Daath era a mais próxima da mais alta tríade: Kether, Chokmah e Binah,
sobre a sephira central Tipharet. Ela foi o segundo sol que brilhou sobre as sephiroth vizinhas. Enquanto Tipharet
foi o sol inferior que lançava seus raios sobre as regiões inferiores, Daath iluminava a parte superior da Árvore
como o segundo místico sol. Suas luzes marcaram dois "mundos"
representados pela Sephiroth: o inferior
(abaixo de Tipheret) e o superior (envolvendo Daath). Ambos foram harmoniosamente ligados um ao outro. O sol inferior foi governado pelo arcanjo Michael, o superior por Lúcifer: O Portador da Luz. Lúcifer foi então o anjo que residia próximo à trindade divina. Ele foi o guardião e o mediador entre a luz divina e as esferas inferiores, que é
refletida em uma antiga lenda na qual ele foi o mensageiro de deus sobre a terra que observou todos os eventos terrestres e os reportou ao criador.
Sobre a original Árvore da Vida, Yesod, e sephira inferior, foi uma reflexão ideal de Kether, a mais alta
sephira. Porque ela foi o mundo astral do homem, e foi considerada como a imagem ideal de deus. Yesod, porém, é também a esfera da sexualidade, existindo sobre a Árvore da Vida de uma forma sutil e dormente. As razões de
Lúcifer e os outros anjos caírem não estão claras desta perspectiva. Talvez eles tivessem começado a cobiçar o
homem por causa de sua perfeição ("Viram os filhos de deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram." Gênesis 6:2). Lúcifer-Daath caiu/desceu ao nível do homem e
despertou nele o poder da criação e energia sexual, que são representados pelo dom dos frutos do Conhecimento, oferecidos pela Serpente bíblica. Desta maneira o homem ganhou acesso ao conhecimento que
até aquele momento era reservado para deus e as mais altas entidades. A queda dos anjos e sua união sexual com o homem foi a proibida união dos mundos. O homem ganhou o potencial da criação (de dar a luz a uma nova vida), e a ideal harmonia cósmica foi perdida. Onde antes existia Daath, um abismo se abriu e separou a divina
tríade dos níveis inferiores. O homem foi derrubado de seu éden astral e habitou a nova sephira Malkuth, no
plano material, enquanto os portais para o jardim divino foram fechados para ele: "Então, ele expulsou o homem,
pôs ao oriente do jardim do éden os querubins, e uma espada flamejante que se revolvia, para guardar o caminho
da Árvore da Vida" (Gênesis 324). A sephira Daath junto com Lúcifer perdeu seu lugar próximo ao trono de deus
(Kether) e tornou-se o abismo, o portal para os anti-mundos
Qlifóticos no qual Lúcifer estabeleceu seu Pandemônio.
Um adepto do caminho da Luz procura reconstruir a original ordem cósmica e a reunião com a perfeição
divina. A morte de cristo sobre a cruz é uma matáfora da criação da ponte sobre o abismo e unindo o homem
com deus. O adepto do Caminho da Mão Esquerda visa aprofundar a Queda e trazer o processo de destruição ao
fim, a fim de ascender a própria centelha de divindade na absoluta escuridão do abismo. Pelo cumprimento da
obra que foi iniciada com a degustação dos frutos do Conhecimento, o homem pode alcançar os frutos da Árvore
da Vida.

* A Jóia do Abismo *
Quando Lúcifer estava caindo do paraíso para o abismo da escuridão, uma jóia caiu de sua fronte, o
emblema de sua beleza e perfeição. Era uma esmeralda, a jóia considerada pelos alquimistas como a pedra de Mercúrio, o personagem que pertence à esfera do meio, tanto no sentido alquímico como mitológico. Mercúrio é o mensageiro celestial, o intermediário entre os mundos, e o guia das almas mortas (psychopompos) em direção ao Outro Lado. Na alquimia ele é o emblema do fluxo e transmutação - transmutação da matéria e espírito do
menor para o maior, do efêmero para o sólido. Ele é, portanto, a conexão entre o paraíso (espírito) e a terra (matéria). Na versão bíblica de São João: "E esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de
jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda." (Apocalipse 4:3).
O arco-íris é um símbolo popular de uma ponte entre mundos (e.g.: o nórdico Bifröst). A esmeralda que
caiu da fronte de Lúcifer é também a conexão entre o céu e a Terra, e representa a perda do monopólio da imortalidade que até aquele momento tinha sido reservada somente para a divina trindade. De acordo com a lenda, desta jóia os anjos esculpiram o Graal e, quando ele foi preenchido com o sangue de cristo, os portais do paraíso que estavam trancados após a queda de Lúcifer agora se abriram novamente. A esmeralda também se
assemelha à pérola da fronte de Shiva que no simbolismo Hindu representa o terceiro olho e é relacionada ao conceito de infinidade.
A esmeralda também é a jóia que os antigos Romanos associaram
com o planeta Vênus. Como já dissemos, Vênus é relacionado com Lúcifer em muitos aspectos
mitológicos. Ele foi considerado o planeta
representante tanto da vida como da luz, bem como da escuridão e da morte. Ele era chamado de a Estrela da Manhã e Estrela da Noite. Os antigos Romanos acreditavam que ele
anunciava tanto a morte quanto o
renascimento. No México ele foi temido como uma estrela de destruição. Jacob Boehme, o famoso místico, o identificou com a Divina Luz do criador.
A procura pelo Graal significa o errante sobre os diversos caminhos espirituais de acordo a encontrar a luz interna e poder oculto que subjaz toda a existência ele é representado pelo princípio alquímico V.I.T.R.I.O.L (Visita
Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem) e a jóia que representa a coroação do caminho espiritual é a esmeralda ou diamante - o emblema da perfeição e da luz que brilha mesmo nos máximos recessos do abismo.