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DESTRUIR SEUS SIGILOS. UM GRANDE ERRO?

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Sigilos — pelo menos como são comumente conhecidos no contexto caótico — são baseados em teorias de funções cerebrais e mentais que já estão completando cem anos de idade.

E cem anos é muito tempo.

A teoria básica de funcionamento dos sigilos baseia-se na ideia de que o seu inconsciente é o lugar onde "tudo acontece" e você deve de alguma forma "enganar" ou "driblar" sua mente consciente para enviar a mensagem correta para o subconsciente, onde ela pode ser trabalhada.

Por isso, você transforma uma série de palavras em um "rabisco" que sua mente consciente não reconhecerá.

Então você precisa "fazer alguma coisa" (o que muitas pessoas parecem interpretar como se masturbar) para forçadamente enviar o rabisco para o seu inconsciente, como se você estivesse fazendo algum tipo de foie gras sobrenatural.

A teoria da mente por de trás do sigilo mágicko é simplista, desajeitada e em nada se assemelha com como conceituamos isto atualmente, mas hey, ela funciona, certo?

A questão é que ... entre The Alphabet of Desire e agora, com a mídia de massa atuando, a nossa compreensão de como o cérebro é influenciado mudou bastante.

Quando a propaganda televisiva começou, a ideia era de que a mensagem precisava ser percebida conscientemente. Como o Dr. Robert Heath escreveu em AdMap:

"As teorias tradicionais de como funciona a publicidade foram baseados na hipótese de que ela deve ser processada cognitivamente pelos consumidores para ser eficaz — em outras palavras, ela deve captar sua atenção e interesse, e fazê-lo 'pensar' sobre e lembrar-se do anúncio e da mensagem. A publicidade que não 'seguir' este caminho é considerada inútil."

Mesmo agora, as agências de publicidade, por vezes, ainda usam métricas de recordação como mensagens-chave para avaliar a eficácia das campanhas de TV. Após esta fase inicial, os publicitários descobriram que poderiam subliminarmente influenciar as pessoas — ou fazer uma lavagem cerebral — a tomar diferentes decisões de compra.

Algumas mudanças de legislação mais tarde e estamos felizmente livres da influência subliminar.

Ou nós não estamos?

Você vê uma coisa engraçada enquanto assiste uma campanha publicitária na TV. As vendas da marca aumentam. Mesmo que ninguém lembre do anúncio. Isto é conhecido como processo de baixa atenção.

No maior estudo já feito sobre o impacto das propagandas televisivas, os indivíduos foram expostos a uma hora de drama com intervalos comerciais. Mesmo os que demonstraram o nível mais baixo de atenção experimentaram uma mudança de marca para os produtos que foram anunciados. Produtos dos quais não conseguiam lembrar conscientemente que estavam sendo anunciados. Não é subliminar, só não é percebido conscientemente.

Uma exposição única é suficiente para mudar a sua percepção sobre um produto. O impacto aumenta com repetidas exposições.

Isto me fez pensar sobre a magia... Particularmente sobre sigilos mágickos.

→ Por que destruir um sigilo quando você pode, potencialmente, melhorar a sua "pegajosidade" vendo-o regularmente e lembrando-se vagamente dele? Fixe-o em seu espelho.

→ Fixe-o ao lado de imagens de outros intuitos mágickos: festividades, riqueza, divindades, etc. O objetivo aqui é tê-lo em algum lugar onde você possa vê-los sem os ver.

→ Deixe que estas imagens fiquem no fundo de sua vida cotidiana.

"Esquecer" parece ser menos importante do que "realmente não perceber". Além disso, é uma maneira muito mais fácil de remover a ânsia pelo resultado, porque exige menos esforço.

Por fim, considere as implicações do processo de baixa atenção no caso de você cerca-se com imagens e lembranças que não gosta, fotos de si que você não suporta, imagens de relacionamentos anteriores problemáticos, mesmo acreditando que não precisa mais destas.

Nossos cérebros são — ironicamente — estúpidas esponjas. Saber disso é o segredo para tirar proveito dele.

Traduzido por Lizza Bathory a partir de RUNE SOUP (original escrito por Gordon).

O QUE SÃO SIGILOS E QUAIS SEUS USOS PRÁTICOS?

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Provavelmente, não há outro aspecto da magia que seja tão amiúde mal-compreendido como estas icônicas figuras lineares. Muitas vezes, a elas são atribuídos um poder magicko intrínseco e algumas são tão comumente usadas que a maioria das pessoas sequer as reconhece como sigilos.

Simplificando, um sigilo é um símbolo que representa uma força específica, geralmente, uma entidade em um ícone gráfico simples, reconhecível. O Dicionário Inglês Oxford define sigilo como um selo ou sinete, derivado de signum, uma marca ou um token que sobrevive no uso arcaico da palavra, significando uma pequena imagem. Além disso, define-o como um símbolo ocultista ou dispositivo que supostamente tem poderes misteriosos e esse uso aparece originalmente na literatura a partir de 1650. Há outra escola de pensamento que deriva a palavra do hebraico סגולה que tem sido erroneamente traduzida como um item de efeito espiritual ou um talismã, mas a tradução mais exata seria pequena possessão/encanto fazendo desta derivação duvidosa.

Uma definição mais prática de um sigilo foi escrita por Israel Regardie: "A palavra Sigilo significa simplesmente 'assinatura'. Assim o sigilo de um Arcanjo é a assinatura simbólica deste ser. Estes sigilos foram originalmente extraídos dos tradicionais Kameas ou quadrados mágicos". Mesmo esta apenas define um pequeno conjunto de símbolos do grupo maior chamado sigilos e realmente apenas se refere aos símbolos utilizados por magos cerimonialistas para representar os vários espíritos e anjos que eles evocam em suas operações. Para realmente compreender a natureza dos sigilos, discernir sobre seus usos fundamentais e os tipos de entidades que podem representar se faz necessário um exame mais detalhado.

Diferentes Classes de Sigilos

Existem quatro tipos gerais de sigilos que representam entidades, forças planetárias ou específicas identidades espirituais. Alguns destes sigilos são universalmente reconhecidos e entendidos como é o caso dos signos astrológicos, alguns sigilos são símbolos bem conhecidos no meio ocultista como os selos dos espíritos da Goetia e outros são únicos e contém a identidade de uma entidade em um símbolo misterioso, muitas vezes especificamente concebido por um mago para um propósito imediato. Há também os selos e símbolos pessoais ou sinais identificativos que podem ser classificados como sigilos tais como aqueles utilizados no sistema de magia enochiana ou o selo de uma ordem mágica.

1. Sigilos Gerais

Os símbolos que são usados para representar os planetas e os signos na astrologia são, estritamente falando, os sigilos mais simples. Os símbolos para os planetas pode ser rastreados até o século II d.C. onde aparecem, em forma proto-moderna, no Planisfério de Bianchini e tiveram a sua forma familiarizada no Renascimento ou após o século XII. Esses símbolos foram primeiramente concebidos como monogramas dos deuses que eles representam assim Mercúrio é representado por um caduceu e Marte por um círculo (escudo) e uma seta (lança). Da mesma forma os glifos astrológicos são ideogramas das criaturas do zodíaco que eles representam, de modo que Escorpião é representado pelo movimento ondulatório de um ferrão de escorpião e Capricórnio pela cabeça e corpo de uma cabra com a cauda de um peixe.

Os alquimistas também empregaram um conjunto semelhante de sigilos para representar muitos de seus princípios e estes têm sido adotados por magos para uso próprio. O símbolo para o sal coincide com o elemento Terra, enquanto o símbolo de Mercúrio é universal em todos os estudos ocultistas. Estes sigilos alquímicos são geralmente constituídos de formas simples, básicas, como triângulos, cruzes ou círculos representando forças específicas da natureza ou elementos alquímicos.

2. Sigilos de Entidades

A forma mais desenvolvida de sigilos é usada para simbolizar uma entidade específica. Esta classe de sigilos inclui os clássicos ícones utilizados para representar os 72 espíritos da Goetia que a maioria das pessoas associam com magia cerimonial. A criação destes sigilos deriva das letras dos nomes das entidades que eles representam e geralmente tem o formato de um monograma.

Esses tipos de sigilos apareceram pela primeira vez em textos sobre magia no século XIII, sendo o mais famoso o Heptameron de Pedro d'Abano publicado em 1287 em que os sigilos ainda são quase reconhecidamente letras. Quando os Três Livros de Filosofia Oculta (De Occulta Philosophia libri III), de Cornélio Agripa, foram publicados em 1533 a forma dos sigilos tornou-se mais linear e desenvolveu o estilo das imagens que são utilizadas na moderna magia cerimonial.

A próxima evolução significativa dos sigilos veio com a publicação, em 1575, do Arbatel of Magic de um autor desconhecido. Este livro introduziu os Espíritos Olímpicos e deu sigilos para representá-los. Esses sigilos foram provavelmente derivados dos quadrados mágicos dos planetas e tornaram-se estilizados pelo uso.

Talvez a forma mais desenvolvida de sigilos é a encontrada no conjunto utilizado para representar o 72 espíritos na Goetia, ou Chave de Salomão. Este grimório apareceu pela primeira vez no século XVII, embora a maior parte do material tenha sido retirado de fontes anteriores, mais notavelmente do De Praestigiis Daemonum (A Falsa Hierarquia dos Demônios) de Johann Weyer publicado em 1563. A importância da Goetia foi padronizar esses sigilos e apresentá-los como o ponto focal de um sistema de magia cerimonial.

Esta sistematização dos símbolos que tornaram-se os sigilos da moderna magia cerimonial começou em sua plenitude na obra fundamental do ocultismo publicada por Francis Barrett em 1801, Celestial Intelligencer, vulgarmente conhecida pelo título, The Magus (O Mago). Este livro reúne os ícones gráficos que são usados para representar as forças planetárias em Magick reunidos em um formato reconhecível pela primeira vez. O Mago é conhecido por ter tido uma profunda influência sobre Eliphas Levi e pela Golden Dawn ter usado suas ilustrações como uma parte essencial de sua literatura instrucional  para a prática magicka.

Estes sigilos modernos são criados através de um método simples onde se considera o valor de cada uma das letras de um nome no quadrado mágico do planeta correspondente. Por exemplo, o Espírito de Saturno é nomeado Zazel ( זזאל) que é então traçado a partir do quadrado mágico de três produzindo uma figura linear simples. O início do sigilo é marcado por um pequeno círculo e este é atravessado por uma reta terminando o nome. Há regras simples como usar uma curva dupla para marcar uma letra dupla e adicionar uma corcova a uma linha para indicar que esta cruza outra. Desta forma, um simples desenho linear pode ser feita para representar o nome de qualquer entidade.

Os magos modernos continuaram a desenvolver o design e uso de sigilos e eles são muitas vezes relacionados com a Magia do Caos. O mais notável mago que desenvolveu um sistema para criação e utilização de sigilos foi Austin Osman Spare que publicou seu método n'O Livro dos Prazeres, em 1913. Spare era ao mesmo tempo associado com a O.T.O e com a A.·.A .·. , e criou seu método a partir da prática de criação de sigilos desenvolvida em Herméticas Ordens de Magia Cerimonial, principalmente entre os Adeptos da Golden Dawn do início do século XX.

Segundo a teoria de Spare, o objetivo da operação toma a forma da entidade para a qual o sigilo precisa ser projetado. Isto é feito através da síntese de um símbolo gráfico a partir das palavras que melhor expressam o resultado desejado e, em seguida, usando um dos vários métodos simples para concentrar a energia para carregar o sigilo.

3. Sigilos Talismânicos

O terceiro tipo de sigilos também é baseado nos Kameas ou quadrados mágicos planetários. Os selos usados para representar os planetas são um pouco mais complexos do que simples sigilos de muitas entidades menores, mas também são criados a partir da conexão entre os números nos quadrados mágicos. Neste caso a imagem é composta seguindo o toque em cima de cada número em um quadrado mágico de forma que este seja uma representação equilibrada da força planetária que está sendo retratada. Como estas imagens são utilizadas para mostrar a natureza fundamental de um talismã e sua autoridade/poder invocada para ser utilizada para dirigir o espírito que vai ser confinado no talismã ou controlado por este, esses símbolos são geralmente considerados juntamente com os próprios quadrados mágicos.

Outros projetos gráficos simples que se enquadram sob o título geral de sigilos talismânicos são as figuras lineares, como o pentagrama e o hexagrama, que são utilizadas para expressar uma força espiritual específica. Todos os sigilos são usados em conjunto para criar um design talismânico exclusivo que  expressa o objetivo do mago. Os sigilos gerais mostram a natureza da cerimônia com os sigilos específicos sendo o meio através do qual a entidade invocada pela operação é controlada pelo talismã.

4. Sigillum e Pentáculos

No sentido mais amplo da palavra sigilo é o sinal que o mago utiliza para representar a si mesmo ou, mais precisamente, sua Grande Obra. Sigilos deste tipo muitas vezes representam a conquista de um nível específico de realização espiritual como o Selo de Babalon de Crowley que representa a incorporação do segredo de Babalon e a Besta em sua Grande Obra. Esses sigilos funcionam na medida em eles são utilizados cada vez que o mago realiza uma cerimônia e estes conectam-no em uma coesa série de medidas em direção à iluminação.

Este tipo de sigilo pode ser composto a partir de componentes de todas as outras classes de sigilos para criar um potente e único símbolo que representa todo o curso de vida do mago. Em outros casos, esses super-sigilos são utilizados como um mapa simbólico do universo do mago expresso num sistema específico de Magick como o Sigillum Aemeth de John Dee que é o pentáculo para a operação da Magia Enochiana.

Usos Práticos dos Sigilos

O uso prático de sigilos se estende muito além de qualquer cerimônia individual, eles também são comumente usados para marcar as armas magickas a fim de indicar os poderes específicos para os quais estas foram consagradas. Por exemplo, o Bastão Magicko deve ter os sigilos do Nome Divino do Fogo, YHVH Tzaboath ( יהוה צבאות ) e do Arcanjo Miguel ( מיכאל) inscritos sobre ele para mostrar de onde vem seu poder. Da mesma forma os símbolos que o magista usa em seus pentáculos e lamens também devem mostrar a competência e a autoridade que estes tem para dirigir as entidades representadas pelos sigilos específicos usados em uma cerimônia.

Quando sigilos são usados para representar o objetivo de uma cerimônia eles se tornam o foco da força espiritual ou magicka que é invocada pela operação. Neste caso o sigilo torna-se um símbolo da vontade do mago que é tratado como a entidade a qual o símbolo representa. Personificando os desejos do mago e os sintetizando em ícones gráficos, sigilos tornam possíveis criar um símbolo para cada objetivo magicko, ao mesmo tempo permitem uma interpretação mais ampla do significado dos glifos e assim, talvez, um menor acerto no desfecho das operações.

O uso mais comum para sigilos é a construção de talismãs e amuletos. Eles são usados para representar as entidades que estão sendo invocadas ou conjuradas durante a cerimônia que é realizada para consagrar o talismã. A confecção de talismãs geralmente inclui o quadrado mágico do planeta que rege a área de atuação do talismã e, portanto, a chave para interpretar os sigilos que foram utilizados na sua concepção transmite a legibilidade dos símbolos que foram utilizados. Desta forma, os sigilos que são usados para criar uma imagem/talismã podem ser representações simbólicas muito precisas do objetivo pretendido pelo mago.

O exemplo clássico do uso de sigilos como um dispositivo talismânico é na Goetia, onde o magista utiliza o sigilo em um talismã que ele coloca no Triângulo Magicko como base para o espírito que ele está a evocar manifestar-se. O mesmo sigilo é copiado em um amuleto que o mago usa como um lamen e a partir do qual ele manifesta a autoridade para dirigir o espírito que está a conjurar para realizar o seu desejo.

Sigilos são as mais elásticas e versáteis ferramentas disponíveis para magos cerimonialistas, porque eles podem ser usados para representar quase qualquer tipo de entidade ou objetivo. Muitos magistas colecionam uma boa quantidade de sigilos pessoais à medida que desenvolvem suas habilidades e progridem em sua iniciação e estes misteriosos símbolos são uma importante parte da prática da magia cerimonial.

Traduzido por Lizza Bathory de Ankhafnakhonsu Esoterica



Experimentos Visuais

Trago aqui um estudo experimental que conduzi há mais de um ano atrás. Trata sobre a percepção visual e a composição de sigilos virais. Afinal, não é raro ver LOGO de empresas que utilizam de composições de objetos geométricos simples e aparentemente desconexos, para transportarem seus sigilos empresariais, imbuídos de forma carga simbólica e significados poderosos. 


LOGO do banco Santander, simbolizando uma Tocha.
LOGO da rede de supermercados Carrefour, simbolizando um "C" oculto.
Com isso em mente, decidi criar uma imagem composta por elementos aparentemente bidimensionais, mas que oculta em sua forma um elemento tridimensional. Para tanto apresentei aos experimentados a seguinte imagem:
Figura 1.
 Perguntei aos participantes quais objetos geométricos eles eram capazes de identificar na imagem. As respostas não foram muito além das figuras mais óbvias: Triângulos, retângulos e trapézios. Com isso eu passei para o segundo momento do experimento, apresentei eles à figura a seguir:
Figura 2.
Indiscutivelmente, um paralelepípedo observado de uma perspectiva e um ângulo bem distinto das representações mais usuais. Com um ponto de fuga unidimensional. Eu poderia perguntar aos candidatos se eles eram capazes de perceber traços da primeira figura, nessa segunda figura. Mas em via de regra, eu geralmente apresentava logo a terceira figura:
Figura 3.
A esse ponto, eu deixava em total evidência a relação da primeira figura com a segunda figura. Eu mostrava como os aparentes triângulos, retângulos e trapézios eram, em realidade, partes que compunham um objeto tridimensional - o paralelepípedo. A partir disso, o desafio consistia em apresentar novamente a primeira figura e perguntar se eles conseguiam observar o paralelepípedo onde antes só percebiam figuras bidimensionais:
Consegue ver o paralelepípedo?
Mais de 90% dos candidatos (em média) conseguiram ver o paralelepípedo. Contudo, a minha suposição não é a de que eles não conseguiam enxergar-lo antes, mas sim, que o meu esforço foi apenas o de trazer a tona uma imagem que já havia se formado no inconsciente dos entrevistados. Afinal, somos bombardeados por mensagens subliminares a todos os instantes, na televisão, no jornal, nas histórias em quadrinhos, em qualquer área do entretenimento. 

Essas mensagens subliminares não passam de imagens ou impressões que não percebemos de forma consciente, mas que o nosso inconsciente as registra independente da nossa vontade. Quando trazemos uma imagem que entrou "vazada" no nosso inconsciente, à luz da consciência, geralmente, nunca deixamos de notar-la em qualquer outro momento. E assim, o caráter subliminar dessas imagens sob o nosso inconsciente, perde a força.

A minha proposta com esse experimento, diz justamente sobre a utilização de composições de imagens mais simples, para ocultar significados em suas composições, de forma oculta, velada. Isso pode ser extremamente útil para sigilos virias, LOGOS de empresas, sites, blogs pessoais. É como bombardear o leitor/expectador/consumidor com uma ideia sobre aquela MARCA, sem que ele perceba e lute contra essa impressão, conscientemente.

Sigilos de ação, por Ray Sherwin

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Um dos problemas, talvez o único, do processo de sigilização, tal como este tem se desenvolvido nos, aproximadamente, últimos setenta anos, é a dissociação entre a intenção e a operação. Os pioneiros da sigilação têm defendido sempre que é essencial que, uma vez desenhado e alimentado/energizado o sigilo (usando qualquer método), o operador deve, ao menos, esquecer o objetivo do trabalho e, se possível, olvidar também o sigilo uma vez que este tenha sido destruído ou enviado aos territórios da consciência mágica. Por tal razão, alguns sigilizadores têm adotado o esquema de fazer sigilos e guardá-los com outros muitos sigilos, resgatando alguns em particular de maneira aleatória e os carregando sem saber sua intenção. Assim se conseguia o efeito desejado de separar o resultado que se pretendia do próprio trabalho, porém também se fragmentava assim as energias empregadas. Supostamente um experimento útil, ainda que pouco.

Há duas classes de sigilizadores: os que estão fazendo isto durante um bom tempo e os que acabam de começar. O primeiro grupo costuma experimentar poucas dificultades, salvo no referente ao estilo pessoal e à sofisticação da técnica. O segundo grupo, devido fundamentalmente à insegurança, sofre dificuldades mais tangíveis: os experimentos com sigilos de ação são realizados em grande medida pensando-se neles.

A premissa inicial deste esquema de sigilos é que o componente intelectual normalmente implicado no desenho de um sigilo seja suprimido completamente. Isto requer duas operações mágicas no lugar de uma. As duas operações separam a criação do sigilo no primeiro ritual e seu carregamento no segundo, conseguindo tornar mais simples carregar o sigilo sem reestimular conscientemente as
recordações de sua intenção. E dado que este método de criar um sigilo produz uma forma mais abstracta que simbólica, é muito mais fácil entrar no estado de não-desejo progressivo e trabalhar sem "cobiça de resultado".

Devo salientar neste ponto que somente experimentei esta técnica em grupo, que não a trabalhei solitariamente, ao menos em teoria, isto não produz grande diferença, exceto no que concerne à nota sobre o abandono da identidade individual (veja 12 mais abaixo). Para não alongar-me, passarei a descrever o ritual.

1. Os operadores definem com precisão a intenção do sigilo.

2. É composto um incenso que será usado somente para este trabalho.

3. É escolhida e gravada uma música que será usada somente para este trabalho (veja também 10).

4. Fixa-se firmemente à parede do templo uma grande tela branca.

5. São escolhidos e colocados, em recipientes abertos perto da tela, pigmentos apropriados para o trabalho.

6. Deve-se prestar atenção especial à iluminação, seja esta do tipo tradicional, em cujo caso serão usadas várias velas ou lâmpadas, seja estroboscópica, ou conseguida mediante outros utensílios do
Império do mal.

7. O incenso, a música e a iluminação devem ser preparados de modo que, uma vez iniciados, não necessitem de posterior atenção durante o resto do rito.

8. A abertura: Um rito dentro de um rito, realizado coletivamente por consenso de todos os participantes. Suas funções são:

♦ Criar predisposição para o rito.
♦ Começar o rito.
♦ Fazer os operadores recordarem forçosamente sobre a intenção do rito.
♦ Proporcionar a oportunidade de compartilhar uma forte comunhão.

9. Um período de silêncio, no qual cada um convoca seus aliados, deuses, demônios, ou o que quer que sejam.

10. A música começa. O operador que tenha posto o cd deve levar em conta o tipo de atividade que será desenvolvida e deve assegurar-se de que a música é, pelo menos, tão longa quanto o rito a partir deste momento.

11. Com o propósito de alcançar um estado de gnose, os participantes começam a girar. Esta é uma técnica por si mesma e deve ser praticada várias ou muitas vezes antes de ser utilizada ritualisticamente. É melhor começar lentamente e estabelecer um ritmo, aumentando gradualmente a velocidade até que os braços se levantem devido a força gerada. Esta velocidade deve ser mantida enquanto a atenção é  focalizada no objetivo do rito, com os olhos abertos. Os participantes experientes podem entoar um mantra ao mesmo tempo. A duração aproximada deste processo está sujeita a quatro variáveis:

♦ A força da comunhão.

♦ O efeito criado pela iluminação, o incenso e a música.

♦ As preferências ou tendências individuais dos participantes.

♦ O caos.

Porém menos de uma hora seria um
tempo mal gasto. Girar é uma técnica usada muito amiúde para conseguir a  habilidade de caminhar sobre carvões ardentes. Se sentes que estás preparado para isto, hás alcançado o estado desejado. (Antes de usar o giro em um ritual é útil andar sobre um caminho de brasas, para demostrar a si mesmo a efetividade desta técnica). Se alcança o estado de gnose quando a consciência do corpo desaparece e a identidade está centrada dentro ou totalmente fora do corpo.

12. Uma dificuldade deste tipo de rito é organizar a transição entre uma atividade e outra, especialmente quando cada participante tem que alcançar o estado mental requerido em seu próprio tempo. Isto supõe que a transição é gradual e que durante certo tempo duas
atividades ocorrem simultaneamente.

13. Cada um a seu tempo, todos deixam de girar (não de repente, para evitar enjoo). Mantendo a concentração no objetivo do rito, cada um se aproxima da tela, besunta seu corpo com a tinta e a transfere à tela, usando qualquer parte do corpo exceto os pés ou as mãos, pois estes deixariam marcas demasiadamente reconhecíveis e simbólicas. Conforme os participantes se juntam para esta atividade, todas as ideias de individualidade em termos de "corpo" ou "identidade/self" são superadas pela noção de um só Corpo, uma Identidade, um organismo com uma intenção. Não deve haver diferença na mente dos participantes entre meu corpo e vosso corpo, esta identidade ou aquela identidade. Todos são um só Corpo, independentemente de quem seja o membro que besunta ou a marca que se faz na pintura. Esta superação, este abandono temporário da identidade individual tem quatro vantagens:

♦ Na ausência da identidade individual, não há diálogo interno.

♦ Na ausência da identidade individual, a atenção pode ser concentrada mais facilmente.

♦ Paradoxalmente, na ausência da identidade individual, a exteriorização é mais fácil, porque se abandona a noção de possuir um corpo particular ao qual deve-se necessariamente estar vinculado. Tornar-se exterior ao corpo é a condição ideal para criar efeitos mágicos.

♦ Na ausência da identidade individual, olvida-se automaticamente que se está realizando um ritual e isto lhe deixa livre para operar no tempo presente, sem preocupar-se com a estrutura do rito, ou prender-se a ela. Isto constitui um bônus magnífico. É o que qualquer ritualista praticante deseja conseguir.

14. Esta parte do ritual deveria durar tanto quanto os participantes consigam manter sua concentração e cada um esteja satisfeito com a operação.

15. É realizado um encerramento, previamente planejado mediante consenso. Suas funções são:

♦ Assegurar que cada participante está
centrado em seu próprio corpo.

♦ Encerrar a concentração no objetivo do rito.

♦ Dar conclusão ao rito.

16. Os participantes abandonam o templo, se banham, e relaxam na companhia uns dos outros. O primeiro rito está terminado e foi criado um sigilo abstrato. Deve haver um intervalo de vários dias, ou melhor uma semana ou duas, até o segundo rito.

17. Há numerosos pontos de partida possíveis para o ritual de carregamento, e estes dependem dos métodos de trabalho preferidos de cada participante. Pode preferir-se, por exemplo, trabalhar com o próprio sigilo, embora seu tamanho físico possa ser inconveniente em termos práticos. Pode ser usado uma fotografia grande e colorida ou um vídeo com as cores intensificadas. Seja qual for, o praticante recorre agora ao seu método favorito de lançar o sigilo ao Caos para ativá-lo. A única restrição é não considerar o propósito do sigilo, e o templo deve ser arrumado tendo isto em mente.

© Ray Sherwin

© da tradução Lizza Bathory

A Caixa do Esquecimento de Mnemosine

Quando Austin Osman Spare veio com a ideia de sigilização poucas pessoas lhe deram ouvidos. Hoje entretanto este é um dos métodos favoritos entre os adeptos iniciantes por se tratar de uma ferramenta simples mas eficiente de realização mágica. Todavia justamente por sua simplicidade ela costuma ser feita por pessoas sem qualquer preparo mágico prévio e sem muita disciplina mental e os resultados podem não ser tão satisfatorios. A lógica por trás do funcionamento dos sigilos é a da supressão consciente de um desejo de modo a reprimí-lo na mente subconsciente. Nesse sentido Spare usa o mesmo mecanismo psicológico que costuma gerar complexos e neuroses para o seu próprio benefício.

Assim um dos fatores chaves para atingir resultados em magia é a completa eliminação do desejo consciente por resultados de modo a conseguir armazenar o desejo na mente subconsciente. O processo é semelhante a um estudante que pensa tanto nas notas que deve tirar que trava na hora da prova ou a um apaixonado que está tão dominado por seu objeto de desejo que na frente dele mal consegue falar e arruína cada possibilidade de sucesso que surge. Isso acontece porque a mente consciente projeta tantas imagens diferentes do resultado que é como se uma canibaliza-se a outra enfraquecendo a Vontade.

O grande problema é que é apesar do sigilo ser um desejo disfarçado é muito difícil para os iniciantes realmente esquecerem o que aquele desenho ou mantra significa porque na verdade eles acabaram de criá-lo. Entretanto se isso não for feito nenhum sucesso pode ser esperado.

Em geral o sigilo é carregado poucas horas após ter sido concebido. Está demasiadamente fresco para que possa de fato passar pela mente consciente de forma ilesa. Para adquirir esta disciplina mental é necessário um forte domínio sobre sua própria mente.

Recomendo fortemente para isso a prática do Liber E vel Exercitiorum sub figura IX de Aleister Crowley, o liber MMM de Peter Carroll, as instruções mágicas de Franz Bardon ou um quaisquer dos muitos exercícios de Vontade sugeridos por autores mais tradicionais como Levi e Papus. Vale dizer que o domínio dos exercícios passados nestes livros podem fortalecer a Vontade a tal ponto que realizar uma sigilização com eficiência se tornará apenas uma entre inúmeras habilidades adquiridas.

De fato, o esquecimento é uma chave importante que deve ser observada para qualquer cerimônia mágica, com algumas exceções que deverão ser pontuadas. A primeira é quando você consegue sair do ritual tão satisfeito que o problema original que o levou a executá-lo simplesmente não o incomoda mais e você consegue naturalmente sublimá-lo. Este é o caso, por exemplo, dos rituais descritos por Anton LaVey em sua Bíblia Satânica. O segundo caso é quando o ritual em si é o objetivo. Isso acontece, por exemplo, em rituais de iluminação, divinação e em alguns casos de evocação e invocação.

Dito isso apresentarei agora uma solução engenhosa, um tanto trabalhosa mas certamente eficiente para ajudar os iniciantes a esquecer do que os sigilos são feitos sem a necessidade de um rígido yoga mental.

A Caixa do Esquecimento

A Caixa do Esquecimento é uma prática pré-ritualistica que pode ajudar os magistas de fato lançarem seus sigilos para o subconsciente sem mentirem para si mesmos que conscientemente não sabem do que se tratam. Seu funcionamento é simples e deve ser incorporado à rotina mágica dos interessados.
- Adquira sua própria caixa do esquecimento. Devido à sua importância psicológica ela deve ser construída pessoalmente pelo adepto. Caso lhe faltem habilidades de bricolagem será suficiente que a caixa seja decorada ou pintada de modo a se tornar uma representação da Vontade do adepto. Ela não deve ser muito grande, pois deve ser facilmente armazenável. O tamanho de uma caixa de charutos deve bastar.

- Limpe a caixa com seu ritual de banimento favorito. Após isso desenvolva um ritual específico de consagração à deusa grega Mnemosine, ou a algum deus/deusa da memória de sua preferência. A essência da intenção deste ritual é a que a divindade leve embora com ela toda lembrança do que for colocado dentro da caixa.

- Feito isso liste 23 desejos que você gostaria de realizar nos próximos cinco anos. Não é necessário que sejam coisas grandiosas, o ideal é que seja uma mistura de intenções importantes e triviais. "Vender a casa com uma altíssima margem de lucro" pode estar nesta mesma lista ao lado de "Achar um novo corte de cabelo". Certifique-se apenas que todos eles tornem sua vida mais completa e agradável e que eles não sejam contraditórios.

- Agora crie 23 sigilos para cada um dos 23 desejos. Mantenha o mesmo estilo de traçado para todos eles e desenhe-os em papeis de igual tamanho. Dobre cada papel de forma idêntica e coloque todos eles dentro de sua Caixa do Esquecimento. Por fim, guarde sua caixa em algum lugar impregnado da própria essência do esquecimento, algo como o fundo do armário ou um quarto onde você raramente vá.

- A partir de agora, sempre que você quiser lançar um sigilo, você não vai lançá-lo. Ao invés disso, crie-o e coloque-o em sua caixa exatamente como fez com os 23 sigilos iniciais. Em seguida sorteie da caixa um outro sigilo e carregue-o na sua forma de gnosis preferida. Lembre-se você só pode tirar um sigilo da Caixa do Esquecimento se colocar outro no lugar.

Conclusão

O processo descrito acima se provará muito útil pois sem dúvida aumentará perceptivelmente a taxa de sucesso em magia. Pela própria maneira como a Caixa é construída o praticante não deve se espantar caso perceba que mais de um intento se realize em um período muito curto de tempo, ainda que o número de sigilos lançados não tenha sido suficiente.

Para concluir devo dizer que espero sinceramente que este pequeno atalho apresentado não desestimule os estudantes a aprimorarem suas próprias mentes com os livros sugeridos acima. Caso procedam desta forma, o farão para seu próprio prejuízo. A soberania da própria Vontade é o bem mais valioso que um magista pode ter.

Fonte: Morte Súbita