Publicação em Classe CEscrito em 07/08/07 na Abadia de Thelema, em Petrópolis
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Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.
Aleister Crowley disse certa vez que a humanidade passou por três fases distintas de Aeons, conhecidos por Isis, Osíris e Hórus, e que as religiões que predominaram e que predominariam correspondiam a estes três conceitos básicos. No entanto, percebemos que são poucos os Iniciados que compreendem verdadeiramente o que estes conceitos representam.
Como já escrevemos em um outro artigo, se calcularmos cada Aeon possuindo apenas dois mil anos, todo esse conceito não se encaixaria. No texto em questão expusemos a nossa teoria de que, verdadeiramente, cada Aeon corresponderia à oito mil anos e aí sim, esse conceito se encaixa como uma “luva”. No entanto, este livro que iniciamos a escrever agora procurará mostrar como o sexo foi e deverá ser utilizado nessas épocas, apesar de não tentarmos explicar mais do que já foi exposto em outros documentos escritos por nós ou por outros Iniciados.
Colocando os Aeons em suas respectivas Esferas na Árvore da Vida, precisaremos primeiramente compreender a Fórmula de Iniciação de cada uma dessas Eras, para que possamos compreender a utilização do sexo em cada uma delas. Seguiremos as Esferas que compõem a coluna central da Árvore e então parece que tudo fica mais claro e mais fácil de ser visualizado. Cada período tem sua “Saída à Luz” e a luz tem a capacidade de, primeiramente, gerar claridade, mas que posteriormente acaba por provocar sombras e isto representa uma evolução natural de tudo que se manifesta.
A Esfera de Malkuth está relacionada ao período anterior à pré-história, quando o homem ainda era um animal como tantos outros ao seu redor, sem qualquer noção de coisa alguma além da auto-sobrevivência instintiva. Onde sequer existia os princípios que mais tarde chamaríamos de magia. A sexualidade sequer existia nesse período como ainda não existe para a grande maioria dos animais. Obviamente que a sexualidade está diretamente relacionada com a evolução intelectual e mental, com o amadurecimento do prazer. O refinamento mental e das relações humanas é que fez com que o sexo deixasse de ser algo apenas como perpetuação da espécie e passasse a ser visto como algo prazeroso e que pudesse ser feito a qualquer momento. Na esfera de Malkuth isto não ocorria, porque o homem, ou aquilo que viria um dia a ser, era um simples animal que reage e não age.
Podemos compreender cada uma dessas etapas com as características observadas com o desenvolvimento dos Chakras. Observaremos desde o Chakra mais básico e animal, até o mais refinado que gera as mais elevadas visões espirituais. No entanto, deixaremos para o leitor as suas próprias observações, assim como o estudo da Árvore do Esplendor de treze Esferas, que citaremos no decorrer deste livro.
A segunda etapa, representada pela Esfera de Yesod e que está diretamente relacionada ao Aeon de Ísis, se deu início do período neolítico. Por causa da evolução da inteligência e pela formação do Ego, descobriu-se muitas coisas que o sexo podia proporcionar, entre essas coisas a mais importante foi a capacidade de se atingir estados alterados de consciência. Tal descoberta foi de extrema importância, pois foi a partir daí que o homem começou a explorar mundos além da sua realidade do dia-a-dia. Como esse período era influenciado pela Lua, temos o surgimento da Feitiçaria e, consequentemente, da manipulação nos mundos astrais. Devemos compreender que o homem se maravilhou com a sua capacidade de conseguir manifestar no mundo físico os seus desejos mais íntimos.
A feitiçaria estava diretamente relacionada à mulher, o período era matriarcal, e a sua influência sobre a Lua era natural. Sua capacidade mental e sua passividade sexual eram as chaves da eficiência nos ritos. O fenômeno era o que aproximava o restante dos homens aos novos ritos que começaram a surgir.
Devemos dizer, sob a Luz de Hadit, que não existia qualquer Sagrado Anjo Guardião nesse período. A feitiçaria era utilizada para quase tudo nesse período e o homem só não conseguiu se exterminar por não possuir tecnologia para tanto.
O período lunar ainda pode ser visto nos dias atuais nos ritos dos povos africanos e aborígenes, mas mesmo estes já estão bem modificados. Esse período se caracterizou pelo começo da utilização de diversos tipos de sangue nos ritos. A descoberta do sangue e do sexo foram tão importantes para a magia como o fogo foi para a história da evolução da humanidade.
Os ritos de sangue eram algo que fascinava a mente humana, que podemos afirmar que foi a partir desse momento que o inconsciente individual e coletivo, além do racial, começaram a se formar nas Esferas de Yesod, Hod e Netzach.
Precisamos dizer que o inconsciente racial começou a ser moldado pela maneira como cada raça utilizava o sangue e o sexo nesse período. A visão do rito e sua consequente utilização é de extrema relevância para a sua própria formação. Temos grandes diferenças entre as diversas raças e seus povos quanto ao objetivo do rito. O que não quer dizer que um seja mais evoluído do que o outro, mas que cada um tem uma particularidade específica.
Como o próprio Crowley admite, todos esses Aeons se interpenetram e podemos encontrar ritos Isíacos ainda nos tempos de Hórus, uma vez que cada alma humana se encontra em um período particular de sua experiência. Esse assunto, aparentemente fácil de ser compreendido, é por demais complexo e não nos esforçaremos em explicá-lo em por menores.
O processo de evolução da Lua é o Sol, Tiphareth, o culto patriarcal e a veneração à Osíris: e a todos os deuses que representavam o Sol. Um resquício histórico que ainda podemos encontrar nos tempos atuais é a adoração ao Sol como um elemento feminino e não masculino, para algumas culturas. O centro de atenção deixou de ser a mulher e a feitiçaria passou a ser visto como algo nefasto e o homem passou a utilizar a magia para atingir cada vez mais profundos estados alterados de consciência. Descobriu-se e surgiu o Sagrado Anjo Guardião. Contatos começaram a serem feitos com seres angelicais e o eixo da magia se modificou. O homem deixou de ser um simples objeto para se tornar em um personagem dos mundos que agora ele experimentava. É claro que com isso, a mente e, consequentemente, o Ego se tornaram mais refinados.
Os ritos eram explorados em locais elaboradamente consagrados e preparados para os mesmos. Acreditava-se que onde o Sol morava, a presença da Lua não era desejada, daí surgiu o conceito de magia branca e negra, e de símbolos que exploravam um e o outro. A grande descoberta do período era o símbolo que exaltava o rito e não foi difícil fazer com que a magia se tornasse em algo extremamente complexo, com treinamentos rebuscados para a sua realização.
Nesse mesmo período e por causa da influência do antigo rito, descobriu-se que a magia gerava poder, não apenas espiritual mas financeiro. Por isso, algumas culturas e religiões, começaram a espalhar que o sexo deveria ser algo realizado com responsabilidade, mas isso também gerou repressão sobre a sexualidade. Para não perderem o poder secular adquirido, começou a se desenvolver gradativamente toda uma maneira para afastar a população dos prazeres do sexo, pois ela poderia voltar a descobrir que a sexualidade a aproximaria de Hadit e que isso gera liberdade.
Os ritos sexuais empregados nesse período eram com o objetivo de se atingir o Sagrado Anjo Guardião e artes extremamente refinadas como a Alquimia foram desenvolvidas para velarem as etapas necessárias para tal intuito, uma vez que as religiões começaram a se degradarem gradativamente ao longo dos séculos. Criou-se ao redor do planeta uma classe diferenciada de Iniciados que tinham por objetivo perpetuar a verdade da religiosidade humana. Como não podia deixar de ser, se gerou, também, ao redor do planeta uma outra classe cujo objetivo era outro que não a verdadeira religiosidade.
O período solar se caracterizou pela observação da natureza e do cosmo, e da representação simbólica das mesmas nos ritos. Com a evolução da ciência e pela vitória parcial daquela segunda classe de “religiosos”, os ritos e a ciência começaram a se afastar gradativamente. Os ritos se tornaram mais importantes que a religiosidade e as seitas prosperaram. O sangue e o sexo, foram sobrepujados pelos símbolos e os símbolos passaram a responder com outros símbolos. A representação máxima disso ocorreu quando se descobriu que o Sol não nascia e nem morria, mas que a era a Terra que girava ao redor do Sol. Quando isso ocorreu os antigos ritos solares começaram a se desmoronar e a reação foi violenta.
Ainda nesse período o homem começou a entrar em contato com suas ressurgências atávicas - Tiphareth -, ou memórias anteriores. Descobriu que existia uma continuidade entre suas diversas vidas e entre a vida e a morte. Aprendeu como saber o que ele era e que havia um laço que o ligava à eternidade. Que morte e ressurreição era uma ilusão provocada pelo medo do Ego de deixar para trás aquilo que ele acreditava ser valioso.
Graças aos verdadeiros Iniciados do Sol, pode o Sol se manifestar aos homens da forma como ele é. Por causa do Sol, pode o homem contemplar a Noite ou aquilo que está mais perto do homem e que se aproxima verdadeiramente da Noite - N.O.X..
A evolução do Sol, como nos ensina a moderna física, é a sua destruição (i.e., implosão) ou a sua transmutação em um Sol Negro, extremamente denso, extremamente concentrado e pequeno como uma cabeça de alfinete - simbolizado pelo ponto. Esta nova matéria é Daath, representada por Hórus, o Aeon da Criança e da androginia. O objetivo da sexualidade não é o de atingir Had, mas de Hadit, de nos ensinar como nós devemos destruir a nós mesmos, até que reste apenas aquilo que é extremamente necessário para a continuidade. Concentrar, densificar, no homem aquilo que ele é que jamais poderá ser destruído, trazer conscientemente L.V.X. para todos os seus atos.
O homem se torna no ponto concentrado de toda a Luz ao ponto de se tornar mais negro que a mais negra das cores, destruindo nele toda noção de rito, religiosidade, de vida, de morte, de existência...
O sexo acompanha este conceito, o objetivo não é mais se expandir, mas a de implodir. Isto se tornou tão complexo no início deste atual Aeon que poucos são os Iniciados que conseguem atingir algum sucesso efetivo neste processo. O contraste entre luz e treva se acentuou, e compreendeu-se da necessidade de trafegar de uma para a outra, como exercício de superação dos próprios contrastes. Ritos de sangue e ritos simbólicos começaram a se mesclar, deixando de serem meros conhecimentos práticos ou teóricos. É claro que com esta evolução, os atuais Iniciados têm muito mais necessidades do que em qualquer outro período histórico, uma vez que eles precisam aprender e a superar cada período.
Uma grande beleza deste processo todo é a sua capacidade de levar mentes medianas à se tornarem em mentes refinadas. Aquilo que era restrito agora é visto como algo “banal” e todos acreditam que sabem do que estão falando.
A perfeição consiste em se ser perfeito e como não existe perfeição, a perfeição consiste em atingir o impossível, o inatingível. Isto é assim devido ao fato do Aeon de Hórus estar no centro da Árvore do Esplendor, que é o seu Anahata Chakra. O coração da Iniciação é negro não por ser um Aeon de Destruição como muitos superficialmente acreditam, mas pelo negro representar a não-manifestação, a não-luz do Sol Osiriano: é isto o que aproxima o homem da Noite.
A destruição consiste em eliminar tudo o que não é mais necessário de agora em diante. Nisso entra a reformulação dos ritos de sangue e da utilização do sexo nas práticas mágicas. Esta reformulação é ensinada diretamente por Had a cada um de nós.
Ra-Hoor-Khuit passa a ser, então, aquele que segue o caminho que o leva a se tornar no próprio Espírito que vivifica. Este é o caminho que o leva a ser a divindade e não o caminho que o leva à divindade, esta sutilidade demarca o processo inicial da dissolução da mente tal como ela se processou, além de ser a dissolução do Ego, consequentemente. Digamos que este é o processo evolutivo da própria mente sem a presença do Ego dominando e controlando tudo.
Percebe o homem que existe uma cadeia de evolução onde tudo e todos estão intrinsicamente ligados eternamente e a nomeamos de Fraternidade da Estrela de Prata, para dizer que a união de Todos é aquilo que chamaram, antigamente, de Deus.
A evolução do sexo se iniciou com o vislumbre do homem em conquistar o universo ao seu redor, manifestando os seus desejos mais íntimos. Passou pelo conhecimento da espiritualidade, através do Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, que chegou a ser cultuado como um Deus, apesar de todas as reações contrárias. Agora, o sexo é visto como a etapa final para a destruição da ilusão provocada pela manifestação que o próprio homem criou lá no início.
Portanto, compreendendo a finalidade do sexo ao longo da evolução humana, compreedemos a evolução da religiosidade e das fórmulas mágicas que acompanharam o homem desde o seu início.
Esperamos, também, que este pequeno livro possa vir a esclarecer outros textos como aquele do Crowley que citamos no início. A grandiosidade do sexo não está no ato em si, mas nas mudanças elétricas que se processam nos corpos, podendo inclusive a curar as nossas doenças mais terríveis.
Amor é a lei, amor sob vontade.






