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Testemunho de uma ex-cristã sobre o sacerdócio magístico (Soror Asenat).




Para quem  nasceu com certos dons paranormais crescer no seio de uma família ortodoxa cristã às vezes é difícil. Sempre tive certa inclinação pelo misticismo, pela magia e isso – para a maioria de meus familiares – sempre foi  rotulado como "coisas satânicas".

Ver seres invisíveis (vidência astral), capacidade de telecinese, premonição etc  sempre foram para mim – desde que me lembro –  dons muito naturais e achava em minha infância que todos teriam a mesma facilidade, mas logo notei que estava enganada. Eu não só percebia espíritos humanos como também não-humanos (elementais, daemons goéticos, metamorfos etc). Nas poucas vezes que expressei o que sentia, e via no astral, logo percebi que isso assustava as pessoas. Elas ficavam me olhando de modo estranho. Algumas crianças possuem mediunidade, na verdade a maioria, e às vezes escondem de seus familiares por medo que considerem parte de sua imaginação ou  de interferência demoníaca. Era isso que invariavelmente me acontecia. Eu cheguei me abrir para algumas pessoas líderes da Igreja que participava. Eles diziam que era tudo tentação do mal, coisa de satanás, para que eu rezasse e fizesse jejum para que os “demônios não tivessem o controle sobre mim”. Isso me deixava cada vez mais isolada e com medo de me expor, me fechava e simplesmente comecei a reprimir tudo que sentia e ignorar tudo que acontecia de sobrenatural a minha volta.

Quando ainda muito pequena lembro-me que vivia em um Universo Místico povoado de fadas, gnomos e outros seres – alguns não tão amistosos. Objetos inanimados como meus ursos de pelúcia e bonecas pareciam cheios de vida, como veículos para forças invisíveis que pareciam querer se comunicar comigo. Com o tempo minha fascinação pelo mundo mágico só aumentou e o interesse  por energias e seres invisíveis não terminaram, mas as dúvidas e os questionamentos começaram a surgir. 


Quando você percebe que já cresceu e aquele pensamento típico de criança sonhadora se torna um dos seus principais interesses é hora de dar uma direção a tudo isso. Foi assim que aconteceu comigo. Desde minha pré-adolescência, meu interesse pelos estudos esotéricos foi crescendo, existia uma força dentro de mim que me incentivava a buscar qualquer coisa que estivesse ligado a Magia e ao Miraculoso. Lembro-me que foi quando completei 12 anos que o contato com seres de outras dimensões se tornou mais real, e às vezes até perigoso. 

Sentia uma conexão com seres elementais, conhecidos como daemons. Na verdade a palavra 'demônio" passou a significar uma palavra malévola, inclinada a destruição ou no mínimo ao molestamento da humanidade. Mas a apalavra vem do grego "daemon", que significava qualquer espírito de natureza elemental, bom ou mau.  Então esses seres  possuem um caráter ambíguo, às vezes são bons,  outras vezes ruins. Algumas vezes sentia que me “mandavam” fazer certas coisas, cumprir determinadas ações e caso não fizesse eles me puniam. Em contrapartida, me davam receitas de elixires e poções para realizar meus propósitos. Outras vezes revelavam as intenções e até os pensamentos de outras pessoas (fazem até hoje). Ajudavam-me a conseguir coisas que desejava, desejos fúteis como um livro que não tinha dinheiro para comprar, uma peça de roupa que em minha cabeça adolescente achava o máximo e etc.  Muitas vezes recebia esses objetos de forma repentina, inusitada, como um presente dos daemons  kk

Foi na minha pré-adolescência que conheci a Tradição Wicca. Comprei uns livros lindos de “Wicca” na banca de jornal. No bairro onde morava não tinha livrarias, nem sebos. A livraria ficava bem longe, tinha que pegar ônibus, sem chance minha família permitir. Eu tinha várias revistas e livros de “Wicca”, comprava toda semana, e algumas eram quinzenais. Não foi uma nem duas vezes que eu deixava de comprar coisas que necessitava para comprar esses livros e revistas. Eu nasci em família humilde, então tudo era um sacrifício mesmo.

Maior sacrifício era esconder essas revistas e livros da minha família, sobre risco de - caso fossem descobertos - serem queimados !!  Minha família é Cristã Católica, daqueles bem ortodoxos mesmo! Se vissem um desses livros comigo iriam queimá-lo e eu corria o risco de até mesmo ser expulsa  de casa.  Então criei um compartimento secreto no guarda roupa, existe até hoje kk. Aonde colocava os livros e os lia sempre de madrugada kk.

Difícil era seguir os ensinamentos dos autores sobre Magia prática. Não tinha nenhuma privacidade, faltava espaço  (dividia o quarto com mais duas irmãs ) e não possuía os instrumentos necessários. Então só os lia mesmo. O que considerava mais difícil era entender a existência de vários deuses já que tinha nascido dentro da religião cristã, não tinha fé na existência de tais deuses pagãos. Mas, acreditava no restante kk

Teve um período na minha adolescência quando tinha 15 anos que fiquei bem confusa, por causa da pressão psicológica exercida sobre mim, por meus familiares, dos dogmas da Igreja a respeito da salvação da alma, pecados etc... Isso me deixou com receio de ler livros sobre Magia ou qualquer assunto dito esotérico. Acabei me afastando por um tempo e me ligando a uma religião cristã conhecida como Mórmons. Mas, o fato de ter deixado de ler sobre Magia ou Ocultismo não impediu  de eu continuar tendo minhas experiências espirituais. Ao contrário, elas estavam ficando cada vez mais intensas, como se não já o fossem. Os daemons ou minhas energias reprimidas do subconsciente – eles estão ligados – começaram assumir formas densas e a pegar  pesado! Começaram a me atacar fisicamente, psicologicamente, de todas as formas possíveis e imagináveis! Acontecia por vezes de acordar de madrugada e notar formas fluídicas deslizando pelo ambiente e sentia medo de ser atacada. Muitas vezes chegava a desmaiar quando me cercavam. Parece que queriam que eu trabalhasse com eles de alguma forma e, como na época eu repudiava tudo relacionado à Magia ficavam furiosos!

Essas entidades usavam minha própria família contra mim, que discutia comigo do nada e sem motivo. Efeitos poltergeist também começaram a surgir. Coisas se moviam e objetos se deslocavam, desapareciam e apareciam em outro lugar magicamente. No meio de tudo isso, me perguntava, por que Deus me odiava tanto? Por causa desta situação, chorava inúmeras vezes, e entrava em melancolia. Por mais que buscasse um meio para controlar esses espíritos e forças não encontrava.  

Enquanto estava na Igreja Cristã não me faltaram eventos semelhantes e piores. A explicação dos lideres sobre esses acontecimentos é que  tudo não passava de “tentações do adversário, do inimigo etc”, ou seja: Satã.  Mas, isso não explicava os outros seres que se comunicavam comigo,  que me inspiravam positivamente e que hoje vejo como guias e espíritos superiores. Apesar do fato de muitas das várias experiências sobrenaturais que tive fossem boas e encorajadoras eles não aceitavam como verídicas. Sem falar em minhas vidências e premonições. Para eles, só quem poderia ter o “dom de revelação profética” eram homens!

Então... por que eu tinha? Não eram apenas coincidência, as visões que tinha se concretizavam mais cedo ou mais tarde.  Ainda assim tinha que me calar e asfixiar tudo dentro de mim para não correr o risco de ser chamada de esquisita ou de inventar mentiras. Comecei a ficar incomodada, por sempre tentar seguir  os padrões cristãos (que considerava virtuosos) e mesmo assim sofrer tanto.

Meu cotidiano não era como de outras pessoas, sofria diariamente, tinha inveja de pessoas normais, muitas vezes implorei chorando para Deus me livrar de minha paranormalidade, ou seja lá o que fosse isso. Não queria  ver nada mais, ter revelação alguma, queria apenas a paz de uma vida normal, que me deixassem em paz! 

Acreditava que existia algo de errado. Ou era comigo ou com a religião que professava. Então cheguei ao meu limite, quando não aguentava mais a pressão psicológica do cristianismo ditando o que era certo ou errado, que era bom ou mal etc.. de pessoas querendo comandar minha vida e decidir com quem deveria fazer amizades ou namorar!  Não aguentava mais seguir aqueles padrões! Mesmo que isso significasse a condenação eterna nos termos cristãos! Ou rompia com tudo isso ou iria enlouquecer literalmente! É indescritível o quanto que sofri dentro desta estrutura dogmática, quanta tortura psicológica isso me causou por causa do medo de ir para o inferno. 

O que aprendi depois de passar 2 anos negando/reprimindo minha natureza livre e questionadora e me dedicando ao cristianismo? Que não vale a pena viver uma vida cheia de restrições, se limitando a fazer o que uma religião ou um líder qualquer, impõem como certo e verdadeiro. Em vez de ser feliz e viver a vida a sua maneira. Até porque, quem poderá te garantir que tem um inferno te aguardando? E se Deus existe e realmente é justo, iria mandar uma pessoa para o inferno por esta tendo uma vida feliz? Se fosse, um Deus assim não vale a pena ser adorado!

Com esse pensamento em mente rompi definitivamente com a Igreja e tudo que ela representava.

Depois de minha auto-libertação do Igrejismo militante eu voltei minhas forças para aquilo que me fascinava desde pequena: a Magia. Passei a reler tudo o que podia sobre o assunto, frequentava grupos na internet sobre o tema ocultismo, comprei novos livros e adquiri diversos conhecimentos  mágicos, com eles pude ajudar não só a mim, mas também minha família e outras pessoas.

Através de minhas leituras descobri um mago/filósofo chamado Therion que escreveu certa vez que homem ou uma mulher pode tornar sua própria vida miserável por ter feito um retrato errado/caprichoso de si mesmo. Se ele/ela acreditar que seguir uma conduta ou princípios (sejam eles familiares, religiosos ou sociais) devem ser priorizados em detrimento de seus sentimentos, de sua natureza, ele caminha em direção ao abismo. Ao contrário: o ser humano deve investigar a sua real natureza  pois – como dizia Therion -  um ser humano cujo desejo consciente está em choque de colisão com sua Vontade Real está desperdiçando suas forças. Ele não pode esperar influenciar seu ambiente eficientemente dessa forma. Isso acontece porque toda mudança seria forçada, artificial, e não corresponderá ao que sente em seus níveis mais profundos. Agindo assim as coisas, por mais organizadas e certinhas que pareçam externamente cairão por terra, ruirão um dia pois Set (o Caos necessário) agirá mais cedo ou mais tarde.  Se existe uma coisa boa que aprendi praticando Alta Magia é que nossa Vontade Real está muito ligada aos nossos instintos mais primitivos e devemos direcionar essas energias, de nossa herança animal, positivamente. Nós devemos aprender a cavalgar o diabo/dragão e utilizar suas energias a nosso favor. Não é reprimindo as forças de nossa alma animal que evoluiremos como seres humanos. Ao contrário é direcionando as forças de nosso lado sombra para algo realmente construtivo (como a realização de nossa Vontade Real) que um dia seremos deuses. E isso é maravilhoso! Também aprendi que todo Homem que esteja realmente empenhado em descobrir sua Vontade Real (seu dharma) ou missão aqui na Terra tem a inércia do Universo a lhe assistir. Cada ser humano deveria ser como uma estrela viajando em sua própria órbita, não deveria agir como uma ovelha em um rebanho. 

Depois de chegar a estas conclusões, descobri o que é a liberdade: não ter medo de um inferno te esperando, nem de cometer pecado, nem de demônios, nem de Satã. Senti um enorme peso saindo de mim e encontrei a paz de consciência finalmente.

Por um tempo me senti até estranha, então poderia fazer o que quisesse? Sem ter medo de está pecando? Isso era tão bom... Senti como se tivesse entrando em um mundo novo que só estava disponível para aqueles que quebravam os seus paradigmas. Não podia perder mais nenhum tempo. Imediatamente intensifiquei a minha busca por conhecimento mágico, mas agora sem bloqueios, sem restrições, de forma plena e completa.

E com o tempo meus problemas foram se resolvendo, tudo foi se organizando, até que um dia conheci o trabalho de meu marido Helio (Dharmagupta), que através de sua Magia me encontrou e eu através de meus Mestres espirituais o encontrei. Como consequência desse encontro fui iniciada no sacerdócio magístico da O.L.N (Ordem do Lótus Negro). Eu passei acreditar nos Deuses, que eram muito diferentes como diziam no cristianismo, Eles existiam – pelo menos em seu próprio plano - e eram muito fortes e bem reais, fora o carinho e amor que emanavam. Também a proteção espiritual que sentia quando realizava certos ritos esotéricos da ordem era muito maior da que tinha quando apenas orava servilmente. Sentia minha força interna crescer e a confiança em algo transcendente, que ia além de minha compreensão.  Sabia que o que sentia não era algo hipnótico - como acontece em alguns cultos religiosos - quando tentam alienar  você. Não! Vinha de dentro para fora, da aurora de minha Luz Interior.

A diferença foi gritante, quase risória, quando aprendi o que era um verdadeiro banimento... Eu descobri com meu mentor (Helio) que apenas rezas e uma boa intenção nem sempre bastam para lidar com forças e entidades do baixo astral. Foi quando sinceramente fiquei com raiva de ter perdido meu tempo pedindo ajuda para os lideres das igrejas que frequentei. Foi também quando eu pude me vingar pessoalmente daqueles daemons (haha) e colocá-los ao meu serviço!

Depois de aprender a fazer um simples banimento minha vida nunca mais foi à mesma, a partir daquele momento agir sem ter interferência de nenhuma entidade maliciosa. Se não podia liquidar de vez meus débitos cármicos poderia, sem dúvida, abrir caminho para uma vida melhor e começar a ser dona de meu destino.

Antes de ser iniciada na O.L.N muitas vezes eu  sentia bloqueios energéticos terríveis, principalmente no meio da coluna vertebral – parecia que uma lâmina estava lá fincada -  logo depois da iniciação eu nunca mais senti isso ( e olha que essa sensação de dor me acompanhou durante anos). No outro dia, assim que acordei, parece que uma armadura que eu carregava a vida toda foi arrancada de meu corpo. Eu sentia-me verdadeiramente estranha, como se tivesse nascida novamente.

Hoje sou muito feliz ter abraçado o Sacerdócio Magístico, por acreditar nos Deuses,  de pertencer e seguir a Tradição Draco-Lemuriana da Ordem do Lótus Negro.

Minha vida mudou? Sim e muito! Eu também sou uma nova pessoa, não tenho mais medo das forças do mundo invisível que antes me obsediavam.  Helio  explicou-me que nem tudo de ruim que acontecia comigo vinha de influências externas. Existe também a auto-obsessão e que nós também podemos criar, inconscientemente, entidades artificiais autônomas com raízes nas forças de nosso próprio subconsciente. Essas entidades assumem formas e materializações no astral e passam a sabotar nós mesmos.  Mas ele dizia que independente do que fossem nós podemos reverter tudo e utilizar a nosso favor e que nunca devemos deixar as coisas “correrem soltas” pois, como diz sempre, “a Natureza desassistida fracassa” (provérbio alquímico).

Ele me disse também que logo após a minha iniciação eu comecei a gerar um Corpo de Luz dentro de mim. Falou –com ar sério- que doravante deveria cuidar de meu Corpo de Luz como uma boa Mãe cuida de seu bebê, mesmo antes dele nascer. Desde então é exatamente o que tenho feito. Mas como ainda tenho muito o que aprender (e evoluir) sigo aquele pensamento: caminhante, não  caminho, se faz caminho ao caminhar.

O Culto de Ganesha na Ordem do Lotus Negro (Dharmagupta)



Nos ritos teúrgicos da Ordem do Lotus Negro (O.L.N)  o Deus Hindu Ganesha é o primeiro invocado. A primeira prece é sempre dirigida a Ganesha. Existem muitas razões para isso conforme segue abaixo:

Ganesha é uma divindade popular. É o Deus removedor dos obstáculos ao desenvolvimento espiritual e material, possibilitando aos seus devotos alcançar as riquezas e assegurando o êxito em todos os empreendimentos. 
Ele é tradicionalmente invocado antes de qualquer empreendimento, pois é o protetor de tudo o que possa ser considerado auspicioso.

Ganesha possui duas esposas, uma chamada Siddhi (êxito, forca mística, poder) e a outra Buddhi (intuição, intelecto, discernimento), filhas de Vishvarupa (senhor dos mundos), que ajudam a proteger o conhecimento, as escrituras sagradas e a educação. Na imagem contemporânea de Ganesha nós vemos uma estranha composição de elefante e homem, e na parte de baixo do quadro um camundongo ou um rato. Este é um glifo dos três mundos - do céu, da terra e do submundo, ou sol, lua e fogo. Devido a este tríplice simbolismo Ganesha está associado as três gunas. Sua associação com "obstáculos" provém  da grande força do elefante, a inteligência do humano e a sutileza ou habilidade do camundongo ou rato de penetrar pequenos espaços.

Shiva designou Ganesha como o guardião de passagens, cruzamentos e portais de todos os tempos e mundos possíveis. Projetado no corpo humano, Ganesha também é o Protetor dos Chakras. Ele guarda a entrada do chakra sexual, a fonte do poder shamânico curador. Esse chakra fundamental (muladhara chakra) é a fonte de toda a energia (kundalini), sem o qual nenhum ser humano pode viver.

Ganesha também pode aparecer segurando uma flor de lótus, que nasce no pântano, porém nunca é suja por este, representando assim a pureza do espírito. Devido a isso muitas vezes Ganesha é visto como um Rei do Muladhara Chakra, no qual reside a Kundalini, e seu principal aspecto é a inocência.

Assim Ganesha é filho da Mãe Deva-Kundalini, da qual é Guardião, o Protetor e encarna a completa inocência da criança. Invoca-se às bênçãos de Ganesha antes de se iniciar qualquer atividade, porque é Ele que vence os obstáculos.





                                           GANESHA NO BUDISMO


No mês de setembro, comemora-se o mês de Ganesha, que os budistas chamam de MAHAKALA, “O Grande Tempo”. Em muitos templos budistas do Nepal, Ganesha em sua forma hindu, como é amplamente conhecida, está na porta, guardando a entrada, tomando conta. Isto quer dizer que Ganesha é uma das divindades protetoras, guardiãs do Dharma, a doutrina budista, e protege os praticantes e devotos.

Ganesha é geralmente apresentado com quatro braços - estes representam as quatro direções do espaço ou os quatro elementos - o Deus sendo o Espírito ou Quintessência destes. Isso também é uma indicação de como os quatro se transformam em três e os três em Um.

Ganesha significa Senhor das Hostes. Como é comum no simbolismo Tântrico o Nome é realmente um adjetivo. Esse adjetivo também é aplicado a Shiva. As Hostes são as hostes de Espíritos ou habitantes dos Três Mundos.


Na tradição xamânica mundial, os xamãs são aqueles que vêem o mundo como um composto de três mundos. Um físico, povoado pelos espíritos da natureza, um mundo subterrâneo e um terceiro, sublimado ou espiritual. Em todos os grupos, seja na Sibéria ou na Nova Zelândia, as tradições sempre batem: são três mundos ligados por um eixo central. A imagem varia. Pode ser uma corda, uma escada, uma montanha. O dom do xamã é viajar pelo intermundo, ao longo dessa corda que atravessa os três mundos.

Embora se pense em Ganesha geralmente como filho de Shiva e Parvati, o ponto de vista mais cósmico é de que Ele é, simplesmente, um aspecto ou símbolo do Deus Primordial.

Algumas vezes, ele aparece com oito braços, o nobre caminho óctuplo:

1- palavra correta
2- ação correta.
3- meio devida correto.
4- esforço correto.
5- plena atenção correta.
6- concentração correta.
7- pensamento correto.
8- compreensão correta.

Em alguns casos, é visto até com dez braços, as direções do universo, ou seja, os quatros pontos cardeais – norte, sul, leste, oeste; os quatros pontos colaterais – nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste e os dois pontos místicos: o Nadir e o Zênite – o centro da terra, a partir do chão que pisamos, e o alto da cabeça representando o infinito. Isto quer dizer que este Deva nos protege em todas as estas direções.


Ganesha também é visto como Ganapati a divindade protetora das escrituras, da sabedoria, da força mistíca, da profundidade e do discernimento. Em algumas regiões, é conhecido como Heramba e possui cinco cabeças de elefante, são o que os textos canônicos denominam de cinco skandas:

O corpo.
As sensações.
As percepções.
As formações mentais.
A consciência.

“Em muitos sutras – os textos sagrados do budismo – o Buda era visto como “O Grande Elefante”.

“O Sábio Elefante”. Diz à lenda que a mãe do Buda sonhou com um elefante branco entrando em seu ventre. Logo depois ela estava grávida de Sidarta, que veio a ser conhecido como “o Buda”. Observe as imagens do Buda, ele tem uma orelha proeminente grande, comprida; são o símbolo da paciência, de ouvir bem, com carinho e atenção os outros, o respeito para com o próximo.


                                        GANESHA NO XAMANISMO

Todos os jhankris (xamãs nepaleses) invocam Ganesha primeiro, antes mesmo de Shiva e Agni. Eles fazem isso com a oração que disponibilizamos abaixo. O rabanete (Raphanus sativus ou radicula) conhecido como "mula" no Nepal é a planta sagrada do Deus Elefante. Ele pode ser visto em máscaras ou em ilustrações pictográficas. Mas, na verdade, não há nenhuma relação real com o rabanete. Ao invés disso, trata-se de uma planta chamada "ban mula" (rabanete selvagem), "daling", "belu chare" ou "pangla bung".

O gosto é similar ao do rabanete. Ela é comida afoitamente pelos xamãs, já que seu consumo fortalece o shakti (energia vital). Essa planta é um símbolo de Ganesha: é metade animal, metade vegetal. O rabanete selvagem é metade raiz, metade folhas -- assim é um símbolo similar à mandrágora da Europa.

                                           Oração a Ganesha, o Guardião da Passagem

"Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Mata Shrii Parvai, Pita Mahadeva
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva
Ek danta, dua danta, char bhuja dhari
Kapal bhari raato sindoor musa ko sawari
Jai Ganesha, Jai Ganesha, Jai Ganesha Deva"

Oração a Ganesha, o Guardião da Passagem (TRADUÇÃO)


"Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Sua mãe é a senhora Parvati, seu pai Mahadeva
Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses
Você que tem dois tipos de dentes e quatro braços fortes
Você que tem vermillion na testa
E cavalga em um rato

Oramos a ti Ganesha, Pai dos Deuses"

Obs: Vermillion significa vermelho, este é o nome do mineral que deu origem ao pigmento vermelho utilizado na antiguidade, antes de reproduzirmos quimicamente as cores.

Foto: Imagens de Ganesha e Shiva em sua forma de Daksinamurti. Muito embora se pense em Ganesha geralmente como filho de Shiva e Parvati, o ponto de vista mais cósmico é de que Ele é, simplesmente, um aspecto ou símbolo especializado do Deus Primordial. Logo abaixo de Ganesha aparece a representação de Adinath Daksinamurti. A palavra Adinath em sânscrito significa "Primeiro Senhor” por sua vez  Daksinamurti é um aspecto de Shiva como um mestre de todos os tipos de conhecimento (jnana), e sua personificação como ou a suprema  consciência definitiva, compreensão e conhecimento. 

Daksinamurti (दक्षिणामूर्ति)  cumpre o papel de Guru Divino e primeiro mestre da linhagem supra-humana na Ordem do Lotus Negro.



A sacerdotisa como oráculo-vivo nos ritos da Serpente de Fogo (Dharmagupta)





A sacerdotisa como oráculo-vivo nos ritos da Serpente de Fogo



"A mulher é o portal ou Shakty, a potência negativa do Universo, cujo magnetismo atrai para si a energia cósmica, que ela armazena e absorve (como um Cálice Sagrado ou Santo Grall ) para ser direcionadapelo sacerdote para fins gnósticos ou materiais."  (Kenneth Grant)

Na Ordem do Lotus Negro (O.L.N) a sacerdotisa atua como uma Avatar de Maha Devi (a Grande Deusa), ou Shakti (a Poderosa) e traz o poder para o Templo enquanto o sacerdote direciona esse poder para propósitos mágicos ou místicos. No rito a alta-sacerdotisa torna-se investida com os poderes de Adi-Shakti (a Deusa Primordial), que é a fonte de tudo, o princípio universal de energia, poder ou criatividade. Ela é a Taça Gloriosa ou Graal que recebe o Poder Elemental da Kundalini ou a Energia do Espírito Santo que se manifesta como sagrado feminino. A sacerdotisa é também um Espelho do Cosmos através da qual reflete as realidades dos Mundos Superiores, transmitindo visões e sons percebidos apenas por ela. 


                                                  A doutrina da polaridade sexual

Os ritos mágico-sexuais de Alta Magia frequentemente envolvem a união física entre o sacerdote e a sacerdotisa. Em outro momentos essa união física é irrelevante e pode-se invocar os poderes superiores com a simples tensão energética entre os sexos, que por si mesma é o suficiente para abrir um portal dimensional através do qual forças e entidades são atraídas à manifestação. Seja de uma forma ou de outra a base metafísica desses ritos baseiam-se na doutrina ocultista da polaridade sexual - que é de perspectiva tântrica. Essa doutrina nos ensina que quando os dois sexos estão misticamente unidos eles canalizam as forças duais do Universo, que devem ser descritas como positivas e negativas; os pólos dos pares opostos entre os quais se teceu a urdidura do Universo. Uma regra básica da Alta Magia afirma que quando há polaridade de sexos num templo, a sacerdotisa traz o poder para dentro e o sacerdote o dirige. O sacerdote representa a corrente positiva-solar da Vontade e a sacerdotisa a corrente positiva-lunar da Imaginação.  


Quando se produz a união mística entre o masculino (elétrico-positivo) e o feminino (magnético-negativo), o casal abre um Portal espacial para que a força cósmica possa fluir através deles com tremendo poder. A invocação da Kundalini Cósmica nos ritos de Alta Magia tem um duplo objetivo: místico e mágico. Quando místico significa que a energia canalizada é direcionada para fins espirituais ao passo que mágico visa trabalhos de resultados materiais como por exemplo: saúde, prosperidade e potência sexual. Existem muito detalhes sobre a aplicação prática da doutrina da polaridade sexual que foge ao objetivo deste pequeno artigo. Em nossa ordem eles pertencem à esfera do conhecimento secreto, compartilhado apenas por poucos iniciados. A doutrina da polaridade sexual incorpora os Mistérios da Serpente de Fogo " a Kundalini Universal", da qual nosso Logos Solar, é ao mesmo tempo, a alma e o corpo.  


O Fogo Sagrado da Kundalini

Para nós, o Sol é a Kundalini in Excelsis, no qual vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. A Kundalini, a Serpente de Fogo, é uma projeção da Força Solar de nosso Logos. Ela ficou conhecida como Ruach Há Kodesh nos textos hebreus e também como Espírito de Deus ou Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade Cristã. Para muitos gnósticos (antigos e modernos) o Espírito Santo é de natureza feminina e pode ser personificado como uma Deusa Pagã. No Novo Testamento o Espírito Santo é o Fogo de Pentecostes que desceu para inspirar os discípulos, em Atos 2. A Kundalini, é semelhante à Força Solar ou ao Fogo da Serpente que falam os tântricos. Todos esses são os nomes para o mesmo princípio.

As mulheres desempenham um papel importante nos ritos teúrgicos porque sua polaridade é similar à do mundo angélico e dévico. Nesse sentido, a mulher é considerada o veículo pelo qual Shekinah é trazida ao templo. Atuando como uma Sacerdotisa de Shekinah a mulher transforma-se na incorporação mágica das forças vivas da Natureza e, portanto, uma encarnação (avatar) da Grande Deusa do Universo, como ela deve ser apreciada durante os rituais tântricos. “Isso certamente representa uma alta forma de asceticismo. Significa que a mulher deve ser contemplada como um veículo da influência divina ou praeter-humana.” (Kenneth Grand) 



No microcosmo humano a Kundalini é a energia Ígnea adormecida no chakra fundamental (muladhara) a qual, após o seu despertar, ascende pelo sushumnadi (coluna espinhal) e ativa as zonas de poder (chakras) do corpo humano. 

Se os chakras inferiores estiverem devidamente lacrados a energia ascende e força seu caminho para cima através da coluna espinhal e, desta maneira, a elevação (da kundalini) é marcada por visões e aquisições de poderes latentes até sua culminância no centro do cérebro. 

Na prática visamos fazer subir a Kundalini da Sacerdotisa, concentrada no muladhara-chakra (chakra básico) até o ajna-chakra despertando a terceira visão, tornando-a oracular e divinamente inspirada. A figura da mulher-profetisa pertence a uma longa tradição de sacerdotisas, pitonisas, sibilas e velhas-sábias, dos ritos religiosos pagãos gregos, egípcios, escandinavos e, os vastamente mais antigos, ritos africanos. Neles, as sacerdotisas se comunicavam com espíritos dos mortos, elementais, daemons, e – se fossem Iniciadas de uma alta ordem – com Entidades Cósmicas que são entidades excelsas, Logoi ou Mônadas ligadas a centros planetários, consciências que sustentam a vida manifestada.

Um ser humano que ativa seu psiquismo superior torna-se um médium cósmico, um Tulku: um aparelho orgânico que processa informações dos Planos Ocultos do Universo ou de Inteligências Superiores Não-Físicas. 

Na ascensão da kundalini sobre diferentes níveis de realidade (planos invisíveis) a energia pode também assumir inúmeras manifestações de seres espirituais os quais o sacerdote exercerá seu controle. Ele deve de fato evocá-las e exercer sua autoridade espiritual sobre elas.  Essas forças são uma manifestação da Anima Mundi (Alma do Mundo) a corrente mágika universal que deve ser absorvida ou "aterrada" pelo mago.


Yoga e Teurgia

Na prática da Yoga a energia deve elevar-se através da escala de todas as aparências até o ponto culminante em que o yogue identifica-se com o Uno Transcendental além de toda imaginação. 




Ao contrário do puro misticismo da Yoga na Teurgia o trabalho com a kundalini exige o aterramento da corrente mágicka. Isto significa que o mago tem que atrair as forças do Não-Manifesto à Terra, revivendo o processo o processo divino da Criação, onde ocorre a encarnação do Espírito no Reino de Malkuth (Matéria). Parafraseando Dion Fortune: "Deve haver, em nós, um circuito entre o Céu e a Terra, não basta tirar kundalini da base da espinha, fazendo-a subir, mas também devemos fazer descer a Luz Divina através do Lótus de Mil Pétalas".




A sacerdotisa faz o papel de um portal dimensional onde as energias extraterrestres são atraídas para se manifestarem na Esfera de Malkuth.

Também as memórias mortas e esquecidas de nosso passado antropológico podem ser ressuscitadas no corpo (Ressurgência Atavística) através de certos ritos utilizando o poder da Serpente de Fogo sob alta emotividade.


Gostaria de finalizar esse artigo esclarecendo que um portal oferece entrada para outro espaço dimensional, outro estado de consciência, outra realidade. Os portais existem em todas as formas e em todos os níveis de consciência inclusive no corpo humano. O nome que recebe os portais do corpo humano é chakras. Os chakras - ou portais corporais - abrem e fecham de acordo com o estado emocional ou mental da pessoa. Neste artigo descrevemos a base teórica para a abertura ritualística destes portais/chakras corporais. Os chakras são as conexões com a nossa herança planetária, estelar e galáctica. Eles absorvem e expelem energias do nosso meio ambiente principalmente a energia universal (chi, orgone, prana, vrill etc) transmitidas pelas estrelas, planetas e das profundezas da terra. A experiência comprova que combinando alguns dos métodos acima sugeridos os portais do corpo podem ser abertos facilitando a penetração da consciência em dimensões metafísicas e, como resultado, a comunhão voluntária e consciente com inteligências superiores não-humanas.

Mistérios do Templo de Salomão ( Dharmagupta)





Mistérios do Templo de Salomão
( Dharmagupta)

"oc
"ocultismo... não é necessário que perpetue esta ciência entre os ignorantes, já que isto seria algo tão reprovável como atirar pedras preciosas na garganta de um porco."  (Salomão).

Os antigos egípcios davam grande importância a estrela Sírius, o Grande Sol Central da Via Láctea. Ela é o centro de gravidade de nossa constelação e era conhecida pelas antigas Escolas de Mistérios como “o Sol por detrás do Sol”, o “Sol Oculto” e, portanto, a verdadeira fonte de potência do nosso Sol. 

Para os antigos egípcios o Sol era o deus Rá, conhecido também como Amon-Ra.

Amon significa "escondido ou oculto" é o Sol Oculto ou “o Invisível” e representava o Sol por detrás de nosso Sol relacionado a Siriús. Ele é Sol que não pode mais ser visto quando desaparece no Oeste, o Sol em Duat ou Mundo subterrâneo (submundo) dos egípcios.


Na Religião Kemética do Egito Antigo, a Estrela Siriús, o Grande Sol Central da Via Láctea, era a morada dos deuses e teria relação com o Logos Galáctico, o verdadeiro Pai ou Deus de nosso Universo.

Assim Amon-Rá era um simbolismo para a dupla corrente Sírius-Sol.

A origem do Universo estava resumida na Luz. E a Luz Primeira, Incriada, estava contida em Amon. Esta Luz deveria passar pelas transformações que lhe permitiriam construir um Universo em diferentes estados de vibração. 


A Luz Criadora (Kundalini Logoidal) emanada de Amon-Ra era representada no Egito pelo Faraó que como representante de "Deus na Terra" encarna "a Luz do Mundo", um dos títulos de Hórus. 




                             A Linhagem Sacerdotal dos Reis Divinos


O Faraó pertencia a “Linhagem dos Reis Divinos” uma linhagem sacerdotal de origem lemuriana cujos segredos eram preservados pela Ordem Mística de Shensu-Hor (Seguidores de Hórus). Essa ORDEM SECRETA teve Melchizedek como primeiro “grande iniciado”. Melchizedek ficou conhecido entre os antigos kemitas (egípcios) como Thot, o escriba divino e língua (e palavra) de Amon-Ra. Melchizedek, como um grande enviado do Logos ou Deus Tri-Uno assume inúmeros nomes e formas.

No Antigo Testamento está escrito que Melchizedek é: “sem pai e sem mãe, sem genealogia, que não teve princípio dos dias, nem fim da existência”; portanto Melchizedek é um personagem fora do nascimento humano, sua origem sendo não-humana. Para os cristãos gnósticos Melchizedek é o arquétipo do homem superior, feito à imagem e semelhança de Deus, já que pela Lei que formula, ele é, para este mundo, a expressão e a própria imagem do Verbo Divino; o “Grande Recebedor da Luz Eterna” entre os gnósticos alexandrinos.

Como um "Seguidor de Hórus" o Faraó é o único "Deus na Terra" e sua presença implica uma magia que é abrangente e permite a força divina brilhar tanto que toda escuridão do caos ser transformada em matéria luminosa.


A influência de Anúbis

Entre os deuses do Egito, Anúbis era descrito com cabeça de cachorro ou chacal, isso não significa que tivesse realmente a cabeça assim - era apenas um símbolo como as cabeças de Seth e Hórus- mas que havia nele algo relacionado a Siriús, a Estrela Cão, a mais importante do Egito. 

É  Anúbis quem realiza a mumificação, e leva na cintura o Nó de Ísis, o laço que permite ao iniciado reunir todos os conhecimentos, passar pela prova da morte, diferenciar seus princípios e unificar-se com sua consciência superior.

O deus chacal Anúbis equivale ao Arcanjo Azrael, os dois têm Plutão como veículo planetário. 
Na Ordem do Lótus Negro Anúbis representa o vigilante mudo que guarda os limites externos do sistema solar. Ele também assume o papel mensageiro de Amon (O Sol Espiritual Sírius).


Dessa forma Anúbis é uma ligação entre a consciência solar, representada por Hórus, com outras esferas/dimensões de vida para além de nosso Universo local. 


Para o Adepto canalizar energias transplutonianas (i.e além de Plutão) e alinhar-se com a força estelar de Sírius, e de outras grandes estrelas que estão influenciando a humanidade agora, ele precisa atravessar os Pilares de Seth e Hórus e mover-se para além do “círculo-não-se-passa” que guarda os limites de nosso Sistema Solar. 

Apenas assim o iniciado consegue mover-se em direção a uma Luz maior que a Luz do Sol, maior mesmo que a Grande Entidade Angélica que concentra a Luz do Sol, pois será a Luz irradiada desde Sírius - o Sol Central de Alpha e Ômega.

As sociedades secretas do mundo inteiro usam o Olho de Hórus como uma insígnia. De fato o "Olho-Que-Tudo-Vê" é um símbolo dos aliados de Sírius na Terra e remonta os mistérios egípcios.

Na 
fórmula alquímica de Salomão (Sol Amom = SOLOMON) o Adepto deve transmutar o seu Ser, alquimizar suas energias para realizar novamente o movimento inverso à queda (perda da consciência divina) e retornar aos seio do invisível, ao coração de AMON (Sírius).



Os Pilares do Templo de Salomão

No ocultismo egípcio os deuses Seth-Hórus representam a Alma da Escuridão e a Alma da Luz respectivamente. Os dois simbolizavam a divisão geográfica do antigo Khen (Egito) e a natureza dupla da alma humana. 

Havia no vale do Nilo, dois importantes Reinos: o Sul no Alto Egito, cujos habitantes veneravam o deus Hórus, representado por um homem com cabeça de Falcão; o Baixo Egito ao Norte situado no largo delta do rio Nilo, onde os nomos (tribos) se uniram sob o culto do deus Seth, representado por um homem com cabeça de um animal com cabeça de asno.

Era por isso, chamado o Egito de "O País das duas Terras". Dois países diferentes em tudo por tudo - até mesmo na filosofia de vida. No Sacerdócio de Melchizedek o iniciado deve iniciar sua transformação em Faraó, o Senhor da Casa da serpente. Para isso, ele precisa unir o Alto e Baixo Egito, lançar uma ponte entre o Céu e a Terra (Hórus e Seth). precisou de passar por guerras para conseguir a unificação e ter a cidade de Mênfis como capital. 

Hórus encarna a Luz Solar ou Presença Eu Sou, a Presença Divina na alma humana. já Seth representava o lado sombra da alma humana, os instintos primitivos, a guerra e o calor do deserto. 

Hórus (“Heru”) o Antigo (ou Hórus o Grande), era filho  de Amon-Rá e Hathor (de Qesqeset)  não era o mesmo Hórus filho de Isis e Osíris (o Deus Sacrificado), é o redentor da Luz ou Gnosis, aquele que encarna a “palavra perdida” proferida por Thot. Essa palavra é o som primevo ou vibração que deu origem a criação.

Assim, Hórus é considerado a encarnação de Amon-Rá (o Demiurgo dos Antigos Kemitas) e simboliza o antakarana, a presença divina em nós, uma encarnação de seu próprio Pai Espiritual (Rá) e que também carrega consigo seu duplo que é Seth – a encarnação de nossos instintos animais, nossa sombra. O DEUS SETH — nos conta o egiptólogo Wallis Budge - foi considerado, num período muito primitivo, irmão e amigo de Hórus, o antigo. Seth representava a noite, ao passo que Hórus representava o dia.

Precisamos da união dos dois (Alto e Baixo Egito) para alcançar a iluminação espiritual.  


Muito tempo depois os Mistérios dos Pilares de Seth e Horus (sombra e luz) deram origem ao conceito dos “Pilares do Templo de Salomão”(Sol-Amon).

O deus Seth era visto como a sombra (duplo) de Hórus. Em termos esotéricos Seth simboliza o Corpo Lunar ou Astral, o Sol no Oeste, aquele que jaz no Amenti (a morada do deus Amen, ou Amon, o “Oculto") e Hórus representa a Luz Solar ou Presença Eu Sou, a Presença Divina na alma humana.

Foi assim que Hórus, o deus com cabeça de Falcão, passou a simbolizar no Egito a encarnação (avatarização) do Sol Espiritual que no homem assume a forma de Sagrado Anjo Guardião (SAG).

Os dois unidos (alquimia interior) representavam a fórmula de unificação de Ka e Ba (Nephesh e Ruach) o que venceria a morte tornando a pessoa imortal, o que nós interpretamos como sendo um iluminado.

Como no sacrifício místico do Cristo que depois de sacrificado ou morto (Morte do Ego) desce aos infernos e ressuscita ao terceiro dia o Adepto, após estabelecer um contato com seu Anjo Solar, deve “descer “aos infernos do subconsciente (Hades, Duat) e abraçar sua sombra, seu reflexo astral na forma de Seth, o mesmo Shaitan dos Yezides*, mais tarde o Satã Medieval ligado a Saturno, Enxofre e ao Chumbo. Assim, e mais precisamente, Seth chegou a representar o adversário (da Luz) através da identidade com Satã.

Hórus simboliza o antakarana, a presença divina em nós, uma encarnação de seu próprio Pai Espiritual (Rá) e que também carrega consigo seu duplo que é Seth – a encarnação de nossos instintos animais, nossa sombra. Precisamos dos dois para alcançar a iluminação espiritual.

Esse artigo é uma amostra do Sacerdócio de Melchizedek – curso em forma de Workshop ministrado pelo Mestre Dharmagupta.


Obs: Duat, Douat: (egípcio e sânscr.) O lugar onde residem os espíritos dos defuntos. Este Duat era, segundo a crença popular dos egípcios, um espaçoso vale circular ou semicircular que rodeava o mundo, um sítio de sumo horror. O mundo subterrâneo que a alma deverá percorrer sorteando perigos. Esotericamente, o Iniciado logrará ingressar a seus submundos internos para ser provado pelos Espíritos Guardiães de suas Portas. No Extremo Oriente, Duat (ou Douat) é a região subterrânea onde existem cidades sagradas que abrigam nobres e honrados moradores espiritualmente evoluídos. Muitos desses moradores são Mestres Ocultos da Grande Fraternidade Branca. A principal cidade do Duat chama-se Shamballah (ou Cidade Onde Moram os Deuses).