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Um mundo às avessas!

Por Alessandro Lyra Braga

Imaginei um
mundo às avessas. Neste mundo, tudo seria diferente do usual. Já pensaram como seria um filho chamar seus pais para uma conversa e dizer-lhes que tem uma revelação a fazer: “Pai, mãe, eu sou hétero!”? Diante de tal revelação, seus pais ficariam em silêncio e logo sua mãe, estarrecida, se levantaria, coçaria o púbis como se tivesse um “saco escrotal” e diria com voz grossa: “Fora de casa!”. Aí seu pai se levantaria e diria, todo afeminado: “Eu te amo mesmo assim!”.

Num mundo às avessas os pais recomendariam quando seus filhos saíssem de casa para voltar bem tarde, beber muito e dirigir feito loucos, sem nenhum cuidado.

Num mundo às avessas, os pais adorariam saber que suas filhas, menores de idade, estariam grávidas sem saber quem é o pai.

Num mudo às avessas, os casais levariam seus avós a festinhas em casas de festas, aos moldes das atuais casas para festas infantis. Lá estaria tocando, bem baixinho para que todos pudessem conversar à vontade, músicas de Carmem Miranda, Sílvio Caldas e Ataulfo Alves. Os velhinhos disputariam corridas com o andador, provas de escarro à distância e excitantes partidas do dominó e jogo de damas. E lógico, disputariam também quem teve mais AVCs. Seriam festas de arromba!

Num mundo às avessas, as concessionárias venderiam carros semi-velhos, os eletrodomésticos durariam muito e ninguém de telemarketing telefonaria de manhã cedo nos oferecendo assinaturas de jornais.

Num mundo às avessas o América Futebol Clube teria uma grande torcida, o Vasco seria um excelente time de futebol e ninguém seria flamenguista ou corintiano.

A Beija-flor seria uma escola de samba pobre e os cariocas adorariam passar o carnaval em São Paulo!

Num mundo às avessas os gordos seriam bonitos, desejados e conseguiriam comprar roupas com facilidade. Os homens admitiram publicamente que estão broxas e as mulheres jamais teriam dor de cabeça na hora de deitar. Inclusive, todos os homens só iriam querer as mulheres feias, que seriam disputadas e elegantemente cortejadas, até porque elas seriam vistas como bonitas. Aliás, até as sogras seriam agradáveis e os cunhados jamais pediriam dinheiro emprestado ou então pagariam quando algum lhes fosse, de livre e espontânea vontade, oferecido.

Num mundo às avessas ninguém seria chato, mal educado, ignorante ou desonesto. Todos seriam respeitados e amados. Não haveria traíções ou brigas de família ou entre vizinhos. Todos tratariam bem os animais e não desmataríamos nossas florestas. Ninguém faria xixi em árvores ou em praças públicas. Não seriam vendidos cigarros e não haveria drogas.

Seria um mundo de harmonia.

Num mundo às avessas todo o mundo espionaria o Obama, que seria loiro de olhos azuis. Já a presidente Dilma seria bonita e inauguraria as obras públicas, que seriam feitas no prazo e por menos dinheiro que o orçado. Uma grande vantagem de um mundo às avessas é que os políticos não roubariam, haveria boa escola e hospitais públicos, e o Lula seria abstêmio e teria os dez dedos, ou teria apenas um?

Num mundo às avessas, fast-food seria comida saudável e não aumentaria o colesterol e refrigerante, sorvete e chocolate não engordariam. As empadinhas não iriam esfarelar, nem dar azia a ninguém! Ninguém seria diabético e nem teria nenhum tipo de dor. Os enterros seriam alegres e ninguém mais precisaria usar terno no verão e só trabalharíamos nos finais de semana ou nos feriados, e não haveria engarrafamentos, porque o trânsito seria organizado.

Não seria perfeito?

Num mundo às avessas não existiriam segredos, porque ninguém jamais se meteria na vida dos outros. Todos seríamos sinceros e verdadeiros. Então, já seguindo a ideia de um mundo às avessas, devo confessar que esta doida concepção de mundo surgiu de uma hostil conversa que tive recentemente com um grande diretor de cinema e televisão. Devo até imaginar que neste mundo às avessas, este camarada seria gordo e a pessoa mais simpática e agradável que poderíamos encontrar. Até porque, só mesmo assim que ele receberá tais adjetivos…

Fica a idéia e uma pergunta: como seria seu mundo às avessas?


* Alessandro Lyra Braga é carioca, por engano. De formação é historiador e publicitário, radialista por acidente e jornalista por necessidade de informação. Vive vários dilemas religiosos, filosóficos e sociológicos. Ama o questionamento.

O FENÔMENO CHAMADO DE "TEMPO PERDIDO"

Centenas de pessoas alegam ter tido uma experiência estranha chamada de "tempo perdido". Há inúmeros casos em todo o mundo onde as pessoas relatam que seus relógios perdem a sincronia em tempo real, e às vezes essa falta de sincronização cronológica é acompanhada por memórias estranhas. Este fenômeno é conhecido como o "Efeito do Tempo Perdido". Alguns parapsicólogos afirmam que este fenômeno está diretamente relacionada com sequestros e ocorre quando uma pessoa é
supostamente sequestrada e devolvido nas condições em que se encontrava sem saber o que aconteceu.

Devido ao grande número de casos o mundo da ciência também teorizou sobre esse estranho fenômeno.

Definição do Tempo Perdido

Há ausência de recordações e um vácuo ao mesmo tempo na memória consciente identificados em um período de tempo. Esta "perda" pode variar de alguns minutos a algumas horas a vários dias. Memórias dos casos que ocorreram durante esse período de tempo pode por vezes ser recuperadas através de técnicas como a hipnose ou através de sonhos. Uma perda de tempo individual é experimentada geralmente quando ocorrem viagens. Em algum momento, essa pessoa "desperta", observa uma variação incomum no tempo de vários minutos ou mesmo horas, durante as quais você não tem memória ou consciência. De acordo com os psicólogos, os "experimentadores" de tempo perdido são pessoas perfeitamente saudáveis, e geralmente não sofrem de doença mental.

Alguns casos de Tempo Perdido

Duas meninas da faculdade iam em um fim de semana visitar um dos namorados das meninas em outro estado, na viagem de regresso, uma das meninas cai no sono enquanto a outra garota leva todo o caminho de volta para a universidade. Em um ponto no caminho de volta a menina que dirigia senti uma sensação estranha, quando perceberam estavam no estacionamento da universidade, tinha feito uma viagem de cerca de 1.000 km em poucas horas. Sua amiga acordou e viu o tempo e a forma e elas concordaram que o foi feito era impossível.

Uma mulher estava carregando o seu filho de dois anos para casa, como de costume, em uma noite de sexta-feira. No caminho ela "despertou" de uma vez em casa, com o som da campainha da porta de sua casa. Era manhã de segunda-feira, ela "perdeu" dois dias.

Um grupo de mulheres reuniram-se ocasionalmente para desfrutar de uma noite de folga. No final da noite, cerca de 22:15 pm, uma das mulheres desviou para um cemitério para alguns minutos de paz e sossego, a poucos minutos de volta para casa. Na manhã seguinte, seu namorado perguntou por que ela não chegou em casa até 1:30 da manhã. Neste caso, lembra-se com perfeição o tempo todo até sua casa, chegada às 22:30. Ela não perdeu tempo, ele tinha vencido(?).

Abduções e tempo perdido

Um dos casos mais famosos relacionados com a perda de tempo foi a história de Betty e Barney Hill, em New Hampshire, EUA, em 1960. Dirigiriam em uma estrada deserta no escuro da noite, quando viram uma luz estranha aproximando do seu carro. A próxima coisa que eu lembrava era que eles estavam vários quilômetros abaixo da estrada, tendo "perdido" cerca de três horas. A hipnose posterior revelou que eles foram vítimas de uma abdução alienígena. A psicanálise feita com Betty e Barney Hill determinou que psicologicamente pareciam perfeitos e não tinham mentido em sua declaração.

Em novembro de 1980, em West Yorkshire, na Inglaterra, um policial chamado Alan Godfrey estava em patrulha de rotina durante a noite. Sem que ele soubesse, um caminhoneiro e outros testemunharam uma estranha luz que pairou sobre o Godfrey veículo.

O policial viu um desperdício de tempo, durante o qual lembrou que foi questionado por um homem chamado José, vestindo roupas bíblicos. Após o incidente, foi realizada uma sessão de hipnose foi revelado que psicologicamente ele estava normal, mas ficou chocado com a experiência.

Teorias

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As pessoas que sofrem perda de tempo aparentam ter tido uma das experiências mais enigmáticas. Projeção astral e bilocação podem ser uma das razões pelas quais as mentes, corpos viajem para lugares desconhecidos. A física quântica tem ensinado a estes "experimentadores" que a viagem no tempo é possível e que pode ocorrer com diferentes frequências. Mas essas pessoas, enquanto estavam com a mudança de tempo, de volta sofreram jet lag entre as frequências. Mas, por outro lado, alguns relatórios relativos a pessoas que sofrem perdas de tempo dizem ter encontrado casos de implantes metálicos ou objetos estranhos que reforçam a hipótese de que essas pessoas foram sequestradas. Medo irracional ou distúrbios do sono são alguns dos "efeitos colaterais" que podem ocorrer depois de uma experiência de tempo perdido, e que a qualquer momento você pode ser a vítima.

FONTE: MUNDO ESOTÉRICO PARANORMAL

UNIVERSOS PARALELOS, UMA VIAGEM PARA A REALIDADE ALTERNATIVA

É possível viver outra vida em um universo paralelo ou omniverso? Quando você experimenta um déjà vu, você está tendo uma experiência em um universo paralelo? A ideia de dimensões extras levou a muitas teorias ao longo dos anos, bem como sendo a pedra angular de muitas religiões. Albert Einstein especulou sobre a possibilidade da existência de um universo paralelo. Um universo paralelo é uma realidade alternativa que coexiste em prazos diferentes. Um grupo específico de universos paralelos é chamado de "multiverso" embora este termo pode também ser usado para descrever os possíveis universos paralelos que constituem a realidade. Enquanto a realidade paralela e o universo alternativo geralmente são sinônimos, podem ser usados ​​alternadamente na maioria dos casos, por vezes envolve conotações adicionais para a "realidade alternativa" como uma variante da nossa própria realidade. De acordo com a ciência, a definição de universos paralelos é "universos que são separados um do outro por um único evento quantum".

Albert Einstein e a teoria dos "outros universos"

A teoria de Einstein reconhece o potencial de haver outras "Terras" em universos paralelos. A teoria de Einstein também reconhece que os seres humanos de outras realidades pode parecer tão humanos quanto os humanos na Terra, mas com diferentes níveis de consciência. Seres humanos em universos paralelos com consciência espiritual altamente desenvolvida podem estar vivendo em uma utopia virtual. Por outro lado, pode não haver vida na Terra em dimensões paralelas, como resultado da auto-aniquilação ou seres humanos em outros universos paralelos conduzidos pelo ego puro e selvagem, onde o livre arbítrio humano foi substituído pelo controle total. Essas terras têm poucas tecnologias alternativas desenvolvidas para impor um regime totalitário, com a necessidade de conquistar outros reinos em uma agenda expansionista.

A viagem entre os diferentes universos

Universos paralelos são considerados paralelos porque, em princípio, não há nenhuma maneira de alcançá-los. Mas, às vezes, se pode romper as barreiras das dimensões por "pontes de Einstein-Rosen" ou, mais comumente conhecido como "buracos de minhoca".

Mas tenha em mente que a viagem através do espaço-tempo pode ter um impacto negativo sobre a pessoa, como a idade ou mesmo destruir a nossa existência, para não mencionar que quando você atingir a dimensão alternativa não teria nenhuma memória de como chegou lá.

As diferentes realidades

Universos paralelos, principalmente, se dividem em duas classificações. O primeiro tipo pode ser mais precisamente chamado de "universo divergente", em que muitos especialistas sugerem que a vida acontece de forma diferente entre duas Terras e as ações são diferentes conforme o tempo passa a partir desse ponto. A segunda teoria é a de que as duas Terras existentes têm certas semelhanças. Neste caso, é comum que cada pessoa em seu universo teria uma parte no outro universo, com o mesmo nome, a mesma origem, o mesmo olhar, os mesmos gostos, mas com uma personalidade muito diferente.

Universos paralelos de acordo com a ciência

Alguns cientistas têm a crença de que pode realmente haver um universo paralelo, de fato, poderia ter um número infinito de universos paralelos, e nós vivermos em um deles. Esses outros universos contém espaço, tempo e estranhas formas de matéria exótica.

Os cientistas acreditam que esses universos paralelos existem há menos de um milímetro de distância de nós. De fato, nossa gravidade é apenas um sinal fraco de outro universo para o nosso.

Existe uma relação entre universos paralelos e os paranormais?

Os médiuns e investigadores paranormais têm teorizado há muito tempo sobre a existência de universos paralelos, até mesmo aventuram-se a especular que pode haver "portais" em determinadas áreas que permitem que determinadas entidades possam viajar para a nossa dimensão. Estas entidades podem ser espíritos, demônios, aliens, ou algo atualmente desconhecido. Portais podem ser encontrados em locais específicos em todo o mundo. Alguns estudos têm mostrado que as flutuações de temperatura são definidas em torno de um portal. Fotografias obtidas nas áreas de portais têm produzido resultados notáveis, como névoas, esferas de luz, listras, figuras estranhas, objetos estranhos, mesmo as pessoas relataram sensações estranhas. As pessoas mais sensíveis frequentemente relatam uma sensação de "magnetismo". Muitos especialistas paranormais sugerem que o contato com entidades, espíritos ou fantasmas poderia ser devido a uma interligação de diferentes dimensões no espaço-tempo.

O poder de mudar de direção

Existem muitas linhas de tempo rodando simultaneamente e elas podem mudar de direção. Você pode começar em uma linha, em seguida, mudar de direção para produzir um resultado diferente do que o inicialmente esperado. Isto significa que existem múltiplas possibilidades que existem em qualquer momento, sujeitas à nossa escolha consciente e deliberada. Este é o poder de dirigir a nossa atenção através deste campo de inteligência que os cientistas chamam de "holograma quântico". E através do pensamento poderoso, poderia desencadear outra fio vertical de tempo, onde estaríamos fisicamente saudáveis, porque não teríamos doenças. O mesmo se aplica a todas as áreas da vida, relacionamentos, finanças e sucesso. O desempenho máximo em todas as áreas da vida é uma realidade em outra dimensão. O salto para um saudável, mais abundante, mais atraente para o sucesso, um mais jovem, alguns existem em uma dimensão paralela, sempre que possível quebrar as barreiras do pensamento atual seu pensamento corrente cria uma prisão que nos prende nesta causalidade realidade linear.

Universos paralelos, uma realidade

Todos nós poderíamos estar vivendo várias vidas paralelas, como os cientistas que exploram os limites da física e do cosmos, estão começando a acreditar que existem universos paralelos e que poderiam determinar o destino da humanidade. A palavra "universo" supostamente significa tudo o que existe. Hoje, cada vez que há muitas pessoas que acreditam que o nosso universo é tudo o que existe, outras que há Terras paralelas e "eu's" paralelos. É difícil não se perguntar se você realmente único ou se pode haver vários seres como nós vivendo vidas diferentes em dimensões diferentes, e porque não, até podemos ser nós mesmos, o sonho do nosso outro "eu" no universo paralelo.

FONTE: MUNDO ESTRANHO

DICAS DE USO DO NARGUILE

As dicas abaixo foram retiradas da page Narguile:

DICA 1 - Para conseguir o sabor máximo de uma essência doce, guarde-a em um recipiente com o mínimo contato possível com o ar e à temperatura ambiente. Evite guardá-la na geladeira, pois isso poderá alterar o sabor.

Dica 2- Para uma fumaça mais fria, coloque o vaso (com água) no freezer até formar uma camada fina de gelo na superfície da água. Isso fará com que a fumaça da essência fique bem mais fria e agradável do que simplesmente usar cubos de gelo. Mas não deixe o vaso no freezer por muito tempo, senão a água irá congelar completamente e poderá quebrá-lo.

DICA 3- Nunca faça muito furo no papel, se você fizer três juntos sairá mais fumaça.

BISPO PEDE MATANÇA DE CÃES

Na cidade de Punta Arenas, no sul do Chile, dezenas de cães apareceram mortos após o último fim de semana. Ainda não se sabe a causa das mortes, mas entidades de proteção aos animais denunciam um possível envenenamento em massa, segundo notícia do site Opera Mundi.

O caso acontece após declarações de Dom Bernardo Bastres, bispo local, citando a Bíblia para justificar o assassinato de cachorros. Em artigo no jornal regional Hoy por Hoy da última quarta-feira (09/01), o bispo lembrou de cidades europeias com autonomia para eliminar os cachorros de rua quando eles são um incômodo para a sociedade.

“Deus criou todas as coisas e as colocou à disposição do ser humano, esse é um princípio do Gênese, tudo está ao nosso serviço, e, portanto, também podemos nos desfazer dos problemas criados pela natureza”, afirmou o religioso em seu artigo. Ele queria que as autoridades chilenas sacrificassem os cães sem donos.

Revoltados com a morte dos cachorros, dezenas de pessoas se reuniram neste domingo (13) em frente à catedral da cidade e responsabilizaram o bispo pelo ocorrido. Os manifestantes impediram a realização da missa e informaram que iriam se reunir novamente nesta segunda (14) no mesmo local.

Ontem, Dom Bernardo Bastres negou as acusações de envolvimento com a matança e lamentou as possíveis consequências de suas declarações. "Eu acho que as pessoas que mataram esses animais são pessoas desequilibradas. Não existe espaço dentro de qualquer sistema democrático para o povo fazer a justiça com suas mãos", disse ele.

Com informações de: http://br.noticias.yahoo.com

Fonte: Rede Esgoto de Televisão

CEGUEIRA EMOCIONAL

Na prática, a expressão "cego de emoção" existe, e pode acontecer com
qualquer pessoa dita normal. Este fenômeno foi descoberto recentemente
por pesquisadores da Universidade de Yale, EUA. Depois de olhar para
um a imagem forte, principalmente com conteúdo pornográfico, a maioria
das pessoas perde a vista por um curto espaço de tempo - décimos de
segundos na verdade. Até agora, ninguém conseguiu explicar o porquê. A
descoberta da cegueira emocional deu origem a um movimento particular
no Congresso norte-americano para que seja banida toda e qualquer
publicidade de caráter erótico nas estradas de maior tráfego do país.

SÍNDROME DE SILEY-DAY

As pessoas que sofrem desta doença não sentem dor, o que acaba por ser
um problema. Ficam sujeitas a maiores riscos de doença pois deixam de
conseguir registar danos no corpo. Não sofrer implica não se salvar. A
doença é causada por uma mutação num gene em particular e foi
descoberta por dois médicos, Milton Riley e Richard Lawrence Day. Sem
o aviso de perigo que a dor proporciona às pessoas comuns, os
portadores desta síndrome tendem a morrer jovens, antes dos 30, por
causa de ferimentos (alguns que seriam facilmente curados).

MALDIÇÃO DE ONDINE

A Síndrome de Ondine (Hipoventilação alveolar primária) é uma doença na qual a principal causa é uma mutação ou várias do gene PHOX2B, de herança autossômica dominante. Nessa doença os mecanismos da respiração involuntária não funcionam adequadamente. Ao dormir, os receptores químicos que recebem sinais (baixa de oxigênio ou aumento de dióxido de carbono no sangue) não chegam a transmitir os sinais nervosos necessários para que se dê a respiração.

O nome é uma referência à Ondina, ninfa das águas na mitologia germânica.

Em 2006 havia apenas 200 casos conhecidos em todo o mundo, mas na realidade estima-se que o número de casos seja muito maior (cerca de 1 bebê a cada 200.000 nascimentos), por ser causa de morte de morte súbita, a maioria dos bebês morrem sem que muitas vezes se saiba da causa.

Na maioria das vezes a síndrome é de leve a moderada, ou seja,a pessoa poderá viver normalmente, mas na maioria dos casos vai precisar de suporte de ventilação mecânica para dormir.

Nas formas mais graves a pessoa precisa de ventilação mecânica 24 horas por dia, nesses casos é indicado uma cirurgia para colocação de um marca-passo no nervo frênico, a cirurgia e o aparelho (MARK IV) tem um alto custo e mesmo nos países de primeiro mundo são poucos os hospitais que a realizam.

Omayra Sánchez

Omayra Sánchez foi uma das 25.000 vítimas do vulcão Nevado del Ruiz (Colômbia) que entrou em erupção em 14 de novembro de 1985. A jovem de 13 anos havia sido presa em água e concreto por 3 dias. A foto foi tirada pouco antes de morrer e que causou controvérsia devido ao trabalho do fotógrafo e da inação do governo colombiano no meio da tragédia, quando foi publicado em todo o mundo após a morte da jovem.

Fotógrafo: Frank Fournier
Fonte: wikipedia.org

Village of the Damned (VILA DOS AMALDIÇOADOS)

Village of the Damned de 1960 é um filme de horror e ficção científica britânico do diretor alemão Wolf Rilla. É uma adaptação fiel do romance The Cuckoos Midwich de John Wyndham. O papel principal do professor Gordon Zellaby foi interpretado por George Sanders. O filme teve uma sequencia, Children of the Damned, lançado em 1963. E, um remake de 1995 pelo direto John Carpenter.

Sinopse:
Em uma pequena cidade da Inglaterra todas as pessoas, de forma inexplicável, desmaiam por algumas horas. Dois meses depois do acontecido todas as mulheres com possibilidade de ter filhos ficam grávidas. Quando as crianças nascem elas se revelam extremamente inteligentes e com traços desconhecidos da raça humana, sugerindo serem alienígenas.


A INVASÃO DAS CRIANÇAS DE OLHOS NEGROS

Imagine, você e sua cara-metade estão no seu caminho para casa depois de uma noite na cidade. É tarde, é escuro, e você para no posto de gasolina para comprar um maço de cigarros. Ele corre, você espera no carro. Você está sentada lá, de braços cruzados à espera de que ele volte, quando de repente você tem esse sentimento, inexplicavelmente esmagador de terror. Você senta-se um pouco mais reta e olha em direção à janela do lado do motorista, e lá, olhando para você, estão duas crianças. Mas não são apenas crianças. Estes são crianças de olhos negros. E eles querem entrar em seu carro com você.

Soa como algo da Aldeia dos amaldiçoados, certo? Bem, não é. Esta é a vida real. E este é apenas um dos milhares de relatos de avistamentos. Crianças com olhos negros batendo nas portas e nas janelas, pedindo para entrarem, em todo o mundo.

Eles tem, como o nome indica, os olhos negros, completamente vazios de cor ou luz. Apenas a íris, morta de aparência, olhos negros.

Na verdade, algumas testemunhas dizem que seus olhos parecem ser fundas piscinas de negrume.

Essas crianças, geralmente entre as idades de 8 e 16 anos, tem a pele muito clara, algumas pessoas dizem que até parece de plástico, ou artificial.

Testemunhas dizem que eles vestem roupas desbotadas, jeans geralmente azul e um casaco com capuz, ou eles usam roupas muito antiquadas, roupas feitas à mão, semelhante ao que as pessoas Amish vestem.

Às vezes, eles viajam em pares, às vezes em grupos e às vezes você vai ver apenas um. Independentemente disso, estes parecem evocar uma sensação instantânea de terror. Não apenas suspeita ou até mesmo medo. Mas puro, angustiante e entorpecente terror.

O que eles fazem que é tão terrível? Eles pedem para entrar em sua casa ou no seu veículo. Mas não é o que eles pedem - é como eles perguntam isso.

Testemunhas relatam que a abordagem deles é tentar fazer com o levem para sua casa afim de usar o telefone ou pedir-lhe para dar-lhes uma carona para casa porque eles estão perdidos. E quando eles falam é em tom monótono, quase hipnótico. Uma testemunha chegou a comparar à hipnose que ela tinha sofrido para parar de fumar.

Não importa o que você diga para essas crianças, elas não respondem a perguntas ou falam sobre qualquer outra coisa. Elas apenas continuam dizendo: "Deixem-nos entrar. Nós não vamos te machucar. Isso não vai demorar muito."

Isso não vai demorar muito?! Para mim, parece que as crianças de "Village of the Damned"!

Agora, eu sei que você está pensando provavelmente estas são apenas crianças que usam lentes de contato pretas. Mas David Weatherly, que escreveu um livro chamado "crianças de olhos negros" diz que isso pode ser verdade em alguns casos. No entanto, as lentes pretas, que cubra toda a superfície do olho são muito caras e extremamente desconfortáveis. Tendo em conta que a média de idade é de 13, ele não acha que a maioria das crianças seria capaz de suportar as lentes, e que nem seria capaz de usá-las por qualquer período de tempo.

Jason Offutt é outro pesquisador paranormal que fez algumas escavações no fenômeno crianças de olhos negros e eu acidentalmente tropecei em seu blog. E foi lá que eu encontrei a seguinte história:
Por volta das 10:45, em uma noite quente, Carris Holdsworth estava andando para o apartamento de amigos em Lisburn, uma cidade na Irlanda do Norte perto de Belfast. O apartamento estava em uma seção ruim da cidade, e quando ela se aproximou percebeu dois adolescentes, em hoodies e jeans, de pé em seu quintal de costas para ela.

Claro, ela foi imediatamente cautelosa e colocou a mão em sua bolsa para pegar seu spray de pimenta. Como ela estava se esgueirando nos cantos os dois meninos se viraram, simultaneamente, para enfrentá-la, o que realmente a assustou. Ela diz que sentiu medo quando viu seus rostos. No entanto, a Carris pegou seu spray de pimenta em sua bolsa e ela ainda estava alerta o suficiente para se defender se os meninos aproximassem. Mas eles não fizeram. Em vez disso, eles pareciam capazes de ler sua mente.

"Não há necessidade para isso", o mais velho falou, com calma e madura. "Nós só queremos pedir seu telefone, senhorita."

Carris disse que parecia com dois meninos normais - até, que ela viu seus olhos. "Eles eram um breu. Nenhum traço de branco." Ela sentiu que estava em perigo terrível e tinha que ir embora. Correu para a porta se atrapalhando com as chaves, os meninos seguem de perto os saltos, eles continuaram a pedir para usar o telefone. "Por favor, senhorita, minha mãe não vai ficar feliz se ela não souber onde estamos."

"Eu queria obedecer-lhes em primeiro lugar, considerando que eles eram jovens", disse ela. "Mas, vendo seus olhos quis ir embora. Eu só tinha que ficar longe de ambos e eu sabia que se eu obedecesse a eles eu seriamente me
arrependeria."

Carris conseguiu entrar no apartamento e trancou a porta. Mas, quando ela estava prestes a sentar-se com uma xícara de café, veio uma batida. Ela a ignorou, a batida veio novamente e ela imediatamente sentiu uma sensação de terror esmagador. Quando ela olhou para fora do buraco, lá estavam eles, os dois garotos olhando para ela. "Só vamos usar o telefone", disse ele. "Nós não vamos te machucar. Nós não temos armas para ferir-lhe."

Carris abriu a porta e ordenou que as crianças a deixassem sozinha, trancou tudo apertado como um tambor, e ligou para um amigo. Quando o amigo chegou, finalmente, os meninos foram embora de lá, mas não antes que ele, também, sentisse uma imensa sensação de perigo.

Carris logo se mudou para outro bairro, mas diz: "Eu sempre verifico através desse antes de ir dormir", disse ela. "Eu não sei exatamente o que aqueles meninos eram, mas eu sei que eles queriam fazer-me mal e que eles não eram humanos de forma alguma. Eu ainda fico com medo de pensar nisso."

O que são estes BEC (Black Eyed Children)? Weatherly parece pensar que eles são um híbrido humano-alienígena. Especialmente porque eles têm uma forte semelhança com MIBs. Ele também é um pouco inclinado a acreditar que eles podem ter algum tipo de origem demoníaca porque muitos dos relatórios dizem que essas crianças parecem desaparecer no ar. Algumas testemunhas também relataram uma corrida enorme de má sorte, ou até mesmo a morte, depois de encontrar uma dessas crianças sem alma.

Eu poderia falar mais sobre relatos de testemunhas oculares, mas são todas as notícias de segunda mão, o que é assustador o suficiente, mas eu gostaria de ouvir as suas próprias histórias de crianças de olhos negros sem desentendimentos.

Se você os visse não os convidaria, não é?

FONTE: http://whofortedblog.com/2012/07/03/invited-black-eyed-children-home/

A Casa dos horrores em Amityville

Tenho certeza que muitos conhecem essa lenda que é baseada em fatos reais, mas, você já viu de perto o que de fato aconteceu por lá? Já viu as imagens?

Conhece os detalhes ou apenas o que alguns sites murmuram?

É certo que muitos conhecem a história, mas, existem fotos e fatos que a maioria das pessoas desconhecem.

13 de Novembro de 1974, Ronald DeFeo Jr., também conhecido como Butch, filho mais velho de Ronald DeFeo (pai) e Louise (mãe) cometeu um terrível assassinato. Ele matou seu pai, sua mãe, as suas duas irmãs e seus dois irmãos. Tudo aconteceu em Amityville, na Avenida Ocean nº 112 (atualmente a casa mudou de número).

Em um bar bem próximo à casa, às 6:30 pm, Butch entrou apavorado e pedindo ajuda aos que lá estavam, ele disse: “Por favor! Você tem que me ajudar! Acho que minha mãe e meu pai levaram um tiro.” Alguns dos que estavam no bar conheciam Butch e foram com ele até a casa na avenida Ocen 112. Depois de entrarem na casa e subirem as escadas, o grupo de homens que estavam com Butch tiveram uma lamentável surpresa: Ronald DeFeo e sua esposa Louise foram mortos à bala… Seguindo para os outros quartos, também encontraram os corpos de Dawn, Alison, Marc e John-Matthew (duas irmãs e dois irmãos de Butch).

Butch negou ter cometido o crime, mas, foi preso por medidas de prevenção e depois de negar diversas vezes, quando lhe perguntaram “Se tudo aconteceu conforme ele disse”, então Butch respondeu: – “Não. Quando eu comecei não conseguia parar e tudo foi tão rápido.”

A sétima vítima:

Como acabamos de ver, foram seis o número de vítimas, no em tanto…

Por muitos anos uma foto de uma suposta sétima vítima teria deixado os curiosos e o público geral de cabeça quente. Acontece que no meio dos negativos dos filmes do caso DeFeo havia uma foto de uma outra pessoa. A pessoa da foto parece muito com uma das irmãs de Butch, inclusive o tipo de ferimento e a posição do corpo são semelhantes.

Mas quem é a pessoa da foto? O que essa foto fazia no meio dos filmes do caso da familia DeFeo? Por que o local da foto é diferente da casa dos DeFeo’s? Essas eram apenas algumas das muitas perguntas…

Chegaram até mesmo a levantar a hipótese de que o corpo de uma das vítimas havia sido levado e mais tarde trazido de volta para uma nova reconstituição e que a cama (que é diferente) seria uma outra cama no porão, junto com a decoração (que é diferente também), pois, naquela época era comum casas com porão decorado.

Essa história demorou muitos anos para ser desvendada, mas, em resumo, não há uma sétima vítima. A foto é de uma moça chamada Karen DeGennaro, assassinada em 19 de Novembro de 1974 em Lake Ronkonkoma, região essa que pertence à jurisdição de Suffolk, assim como Amityville.

Por algum motivo essa foto e o filme foram parar junto dos arquivos da familia DeFeo, ocorreu uma confusão, pois, o nome é Karen DeGennaro, ou seja, DeGennaro, DeFeo, Letra G, letra F, assim sendo, a misteriosa “sétima vítima” nada tem a ver com o caso DeFeo.

Nota: Um homem chamado Vito Cosci foi considerado culpado pelo o assassinato de Karen DeGennaro, condenado, morreu na prisão em 16 de setembro de 2006.

Rumores, sobrenatural… Um crime que virou lenda!

O caso de Amityville tomou muitos rumos, existem diversas especulações, lendas e fatos em torno do caso.

A lenda mais conhecida envolvendo o caso é a história que contam por aí dizendo que a casa é assombrada. Não sabemos se é ou não, mas a origem dessa lenda pode ser explicada da seguinte maneira:
Butch, o assassino. – As pessoas dizem que Butch teria alegado que cometeu os crimes por que uma voz havia dito para que ele assim fizesse. Nós procuramos e pesquisamos e da fato existe essa afirmação, mas, não conseguimos encontrar nenhum documento oficial que comprove que Butch tenha dito isso, além disso, suponho o seguinte: Se Butch disse isso, então poderia ter acontecido três coisas, e são elas:
a) Ele realmente ouviu a voz de um demônio?
b) Ele ouviu a voz, mas, é algum problema de doença, por exemplo: Esquizofrenia?
c) Ele pode ter mentido isso para que fosse considerado doente e assim tentar aliviar sua pena de condenação?
Realmente não sabemos se Butch ao menos disse que ouviu coisas, mas caso tenha dito devemos pensar nas possibilidades acima certo?

O problema é que as coisas não param aqui, o crime ocorreu em 1974 e no ano de 1979 o fotógrafo Gene Campbell trouxe à público uma horripilante revelação.

Gene Campbell havia fotografado a casa no ano de 1976, (embora tenha tornado isso publico em 1979), Campbell utilizou um método diferente para fotografar, ele montou um equipamento com câmera automática que trabalhou a noite toda fotografando, foram utilizados recursos como infra-vermelho e disparo automático para que durante toda a noite a máquina fizesse as fotos.

Veja a foto:

Podemos notar que na imagem tem alguém, essa foto foi tirada dentro da casa onde Butch matou as 6 pessoas, compare com o garoto da foto abaixo, no caso, o garoto do lado direito.

Esses são os dois irmãos mais novos de Butch, eles foram vítimas naquela noite.

A foto de Campbel sugere semelhança ao irmão de Butch e certamente esse fato foi responsável por alavancar as lendas que estão em torno de toda essa história da família DeFeo, nos resta saber o seguinte: Será que Campbel forjou essa foto? Será que a foto é forjada mas sem que Campbel tenha participação nisso?
Será que alguma criança entrou na casa durante a sessão de fotos? Ou seria realmente um fantasma?

Não se sabe, é justamente tudo isso que faz da história de Amityville um horrível crime real misturado a lendas e fatos.

Outros rumores:
São tantas as lendas que realmente fica difícil contabilizar e explicar uma por uma, mas, as fotos abaixo são parte de um contexto rumoroso que alimenta ainda mais a lenda do fantasma de Amityville.

Foto 1 -
Conclusões:
A) – Note a textura em reflexo com o vidro sendo exibida junto com a textura do outro lado da janela, é uma distorção de ambas texturas da parede e não um rosto.

B) – Note que há uma espécie de prateleira por trás da janela que se mistura com a janela.

C) – Podemos ver que sobre a prateleira está um pequeno vaso de plantas, ou seja, também não é um rosto.

Foto 2 -
Conclusões: O artefato sobre a mesa sugere a face de um fantasma, mas, na verdade é apenas a própria pintura do artefato em contraste com a luz.
A casa nos dias de hoje:
A casa passou por algumas reformas, as suas janelas que pareciam dois olhos foram removidas e janelas quadradas foram colocadas no lugar, a casa também mudou de número na tentativa de espantar curiosos.

Outras pessoas moraram na casa após tudo isso, alguns disseram que realmente é assombrada, mas, outros dizem que nunca tiveram nenhum tipo de experiência do gênero, mas e você? O que realmente acha de tudo isso?

Mitos aproveitando-se de uma tragédia ou espíritos demoníacos causando transtornos?

FONTE: ACERVO MALDITO

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (SOME LIKE IT HOT)

SINOPSE
Chicago, 1929. Joe e Jerry são músicos desempregados, que estão desesperados por trabalho. Eles acidentalmente testemunham o Massacre do Dia de São Valentim, assistindo o criminoso Spats Colombo e seu cúmplice aniquilarem Toothpick Charlie e sua gangue. Forçados a apressadamente deixarem a cidade, Joe e Jerry pegam o primeiro trabalho que podem arrumar: tocar na banda de garotas da Sweet Sue e suas Sincopadoras. Em trajes femininos, os dois se juntam ao resto da banda em um trem que vai para Miami, Flórida. Diante desta situação, Joe adota o nome de Josephine e Jerry torna-se Daphne. De repente eles vêem Sugar Kane, a vocalista da banda de Sweet Sue. Jerry se apaixona na hora, mas Joe o lembra que ele não pode se fazer notar. Porém, após chegarem a Miami, um milionário se apaixona por Daphne e Joe resolve se fazer passar por um milionário para tentar conquistar Sugar, tudo isto em meio à uma reunião dos Amigos da Ópera Italiana, uma convenção de criminosos que traz à cidade Spats Colombo e sua gangue.

LSD

Dietilamida do ácido lisérgico, mais conhecido por sua sigla em Inglês LSD é uma droga alucinógena, que em pequenas doses, produz efeitos poderosos. Uma "trip" (viagem) pode levar de oito a 24 horas, durante a qual a pessoa entra em um mundo surreal de cores vivas e uma infinidade de pensamentos confusos e sensações que podem variar de alegria e euforia, mais intensos pensamentos terríveis de medo e temor.

Por muitos anos, dietilalamida ácido lisérgico ou LSD, era conhecido apenas por um pequeno número de psiquiatras ou psicoterapeutas, que encontraram algum uso dele no estudo de algumas doenças mentais. No entanto, na década de sessenta, devido à propaganda realizada no fato de que o LSD poderia trazer um conhecimento "mais do eu interior, o abuso de drogas se espalhou rapidamente.

No entanto, o uso de cocaína caiu consideravelmente, embora ainda alguns jovens usem regularmente.
Atualmente, a maioria do LSD é produzido ilegalmente, conseguindo com algumas gramas de droga quantias enormes de dinheiro no mercado negro.

LSD puro é um pouco insípido e incolor, o qual é obtido a partir de um fungo ergot, uma vez sintetizado, milhares de vezes diluído com água, misturando pequenas quantidades de LSD dissolvidos em água, juntamente com uma base inerte formando os comprimidos ou pílulas coloridas de formas anormais. Ergot é o micélio de um fungo, Claviceps purpurea, que cresce em certas gramíneas, especialmente de centeio.

A contaminação da planta é feita pelo estigma na altura da floração, e o fungo cresce no ovário, onde forma uma grande escleródios, ou cravagem preto, substituindo a semente e contém várias substâncias, tais como alcalóides, entre os quais o ergotoxina e ergotamina.

LSD atua vem alterando a maneira em que as mensagens são transmitidas entre as células cerebrais.

Algumas vias nervosas são superexcitadas cerebrais. Mensagens sensoriais ou sensoriais dos olhos, ouvidos e outros sentidos, não recebem qualquer tipo de filtração, liberando torrentes de informações feitas por áreas conscientes do cérebro. Essas idéias ou conceitos, que normalmente seriam armazenados separadamente no cérebro estão ligadas, produzindo espécies fantásticas de associações mentais.

Além disso, nos olvidades inconscientes memórias podem reaparecer com grande lucidez e clareza na mente do indivíduo. Do ponto de vista físico, a droga pode causar náuseas, tonturas, tremores,
descoordenação e midríase ou ampliação das pupilas dos olhos de pessoas que consomem continuamente.

LSD não tem nenhuma dependência física, no sentido em que, quando consumido regularmente, não são deixa as pessoas fisicamente viciadas. No entanto, os efeitos de uma "viagem" pode ser muito perigoso. Muitas vezes, aqueles que usam o LSD, têm graves problemas sociais ou de personalidade e psicologicamente em risco de dependência de drogas o que pode provocar uma dependência mental de seu uso.

THE TRIP - LEGENDADO

No caso de “The trip”, o diretor investe na onda das drogas psicodélicas que se tornavam cada vez mais populares no cenário da época (1967, o ano do famoso “Verão do Amor” e do Festival de Monterey). Com roteiro escrito por Jack Nicholson, baseado em suas próprias experiências com o LSD, The trip é uma fascinante viagem pelos caminhos da mente.

Abby e Brittany Hensel, siamesas de 22 anos de idade, as gêmeas, obtêm a sua própria série de reallity show na TV na TLC, mostrando como se formaram juntos e procuram um primeiro emprego - NEW YORK DAILY

Abby e Brittany Hensel - as gêmeos siamesas de 22 anos de idade que alcançaram a fama no programa de Oprah Winfrey - estão de volta no centro das atenções com seu próprio reallity show de TV.

TLC - "Abby e Brittany" - segue as irmãs como e mostra como se formaram a partir de Bethel University, em St. Paul, Minnesota e embarcam na busca de emprego.

"Em todo lugar que vão, obtém os olhares", diz um amigo das gêmeas em uma prévia para o show. "Eu não sei como elas fazem isso todos os dias."

As irmãs - que compartilham um corpo, mas tem duas cabeças - primeiro fascinaram a nação quando elas foram destaque na capa da revista Life em 1996 - com apenas 6 anos de idade na época. No mesmo ano, apareceram duas vezes no "The Oprah Winfrey Show".

As gêmeas Hensel também foram destaque em documentários no Discovery Channel, The Learning Channel, e na revista Time.

As irmãs gêmeas compartilhando vários órgãos, mas cada uma tem sua própria personalidade distinta - e sua carteira de motorista própria. Brittany controla o lado direito do corpo, enquanto Abby dirige a esquerda (e é o pé no acelerador).

"Abby e Brittany" vai também acompanhar as gêmeas em uma viagem através da Europa.

O show estreou em 28 de agosto na TLC.

Uma observação sobre o controle da sociedade pela manipulação de informações e consumo, com base na obra; "Admirável Mundo Novo" - Por Assis Ribeiro

O livro "Admirável Mundo Novo" ( 1932) de Aldous Huxley, descreve uma sociedade extremamente científica, onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais da sociedade, essa sociedade não possui ética religiosa e valores morais. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeito colateral aparente chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.

O livro traça o contraste entre o ‘moderno” e o “atrasado”, tecendo críticas pungentes ao desenvolvimento “prodigioso” da ciência, que, segundo o autor, ao contrário de promover benesses à sociedade, contribuiu para o surgimento de diversos problemas de ordem social que posteriormente não seriam resolvidos. Sob esta perspectiva, a personagem John – “o Selvagem” – confronta-se diretamente com o mundo moderno, reiterando a impossibilidade de convivência entre o tradicionalismo e o mundo da ciência. Neste Mundo Novo a reprodução humana está inteiramente baseada na reprodução artificial.

Dependendo da classe genética a que determinado grupo pertencia (Alfa+, Alfa, Beta+, Beta, Gama, Delta ou Épsilon), eram tratados com substâncias diferentes durante a gestação.

Quanto ao controle e difusão de informações, em geral eram subliminais. Durante a infância, as informações eram transmitidas às crianças por hipnopedia (método de ensinar durante o sono). Esse método não era eficiente quando se precisava raciocinar sobre as informações, essa era a intenção. Não é muito diferente do que acontece hoje em dia com músicas e mesmo com frases de propagandas publicitárias. A diferença está no conteúdo das mensagens: ao invés de usá-las para vender um produto, criavam - se regras morais cujo objetivo era, por exemplo, constantemente afirmar a perfeição do Estado vigente, ou uma receita em forma de versos sobre quantas doses de Soma eram necessárias em cada tipo possível de esgotamento mental (impulso de querer raciocinar).

Como se vê, tratava-se de uma sociedade de autômatos, na qual não era necessário recorrer à repressão violenta porque simplesmente não havia o mínimo risco de ocorrer qualquer tipo de revolta. Uma sociedade em que cada indivíduo se sentia feliz com a função exercida (pois desde o início haviam sido condicionados a exercerem tal função). Pode-se questionar que havia sido eliminada a criatividade humana, e que isto poderia gerar revolta. Não é verdade: a criatividade reprimida era perfeitamente compensada com a ingestão regular do Soma, droga aparentemente inócua que era produzida e distribuída pelo Estado, e que poderia aliviar qualquer desejo de criatividade que o indivíduo sentisse estar reprimida, sem que isto pudesse afetar de alguma maneira a ordem que já estava mantida há muito tempo.

Livro:
O personagem Bernard Marx rebela-se e se torna insatisfeito com o mundo onde vive, em parte porque é fisicamente diferente dos integrantes da sua casta (por um defeito de fabricação) e por isso é perseguido pelo seu superior.

Ele conseguiu uma informação de que seu desafeto chefe tinha realizado, com uma amante (o amor era livre), uma viagem para um “reduto” onde vivem pessoas dentro dos moldes do passado, uma espécie de "reserva histórica" - semelhante às atuais reservas indígenas - onde se preservam os costumes "selvagens" do passado. Desta viagem só retornou o seu chefe. Bernard viaja para este local “primitivo” e lá ele encontra uma mulher oriunda da civilização, Linda, e o filho dela, John.

Bernard vê uma possibilidade de conquista de respeito social pela apresentação de John como um exemplar dos selvagens à sociedade científica e civilizada. Linda era a amante do seu chefe e John um filho concebido do amante por descuido.

Para a sociedade civilizada futura idealizada por Huxley, ter um filho era um ato obsceno e impensável, ter uma crença religiosa era um ato de ignorância e de desrespeito à sociedade. Desta forma, Linda, quando chega à civilização é rejeitada pela sociedade.

Seu filho John é recebido como algo aberrante, mas cria um fascínio estranho por suas impressões humanas e sensíveis entre os habitantes do "Admirável Mundo Novo".

A sensibilidade e liberdade de pensamento que John expressa provoca um contraponto com a sociedade que eles acreditavam perfeita e muitos preferem partir para novas experiências.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/uma-analise-sobre-o-livro-admiravel-mundo-novo

Imagens Históricas - Edward Mordrake, o homem com duas faces

Edward Mordrake era um herdeiro de um título de nobreza do século XIX, na Inglaterra, considerado um talentoso e brilhante músico. A história completa desse sujeito foi perdida no decorrer do tempo, pois seu caso ocorreu no início da história médica. Sua anomalia é conhecida como Craniopagus Parasiticus.

Ele tinha uma face extra na parte de trás de sua cabeça. Essa face, ocupava uma parte menor do crânio e exibia certos sinais de inteligência, contudo, dizia-se que essa face apresentava intenções malignas. O próprio Mordake relatava que havia situações em que ele estava triste e sua face de trás ficava rindo como se estivesse zombando de seus sentimentos, ou que quando Mordake chorava, sua face de trás sorria em tom de desprezo. Foi dito também que seus olhos acompanhavam o movimento das pessoas ao redor e seus lábios constantemente faziam barulhos e sussurros assustadores. Embora nenhuma voz sussurrada fosse compreensível, Edward jurou que muitas vezes ele seria mantido acordado durante a noite por conta dos sussurros de ódio de sua face gêmea maligna (como passou a chamá-la) e dos murmúrios que só poderiam ser ditos no inferno.

Os relatos sobre a vida de Mordake apontam que ele tentou suicídio diversas vezes, depois que seus médicos desistiram de fazer a remoção cirúrgica de sua segunda face, pois a cirurgia seria fatal. Por conta disso, ele cometeu suicídio aos 23 anos de idade. Existem duas versões sobre a morte de Edward, uma com veneno e outra com um tiro em um dos olhos da sua outra face.

Em ambas as versões, Edward deixou para trás uma carta pedindo que a "face demoníaca" fosse destruída de sua cabeça, antes de seu sepultamento, para que ela não continuasse com seus terríveis sussurros em seu túmulo. Ele viveu em completo isolamento, recusando-se às visitas, até mesmo dos membros da sua família. Ainda na carta, ele queria que fosse enterrado em um lugar deserto, sem pedra ou legenda para marcar seu túmulo.

Fonte: Livro Anomalies and Curiosities of Medicine.

RETIRADO DA PAGE: http://facebook.com/HistoricasImagens

PSEUDO-DIONÍSIO AREOPAGITA, SOBRE A TEOLOGIA MÍSTICA PARA TIMÓTEO - TRADUÇÃO E NOTAS DE BERNARDO GUADALUPE S. L. BRANDÃO (Faculdade de Letras da UFMG)

O autor dos quatro tratados (Hierarquia Celeste, Hierarquia Eclesiástica, Sobre os Nomes Divinos, Teologia Mística) e dez cartas que formam um dos corpus mais influentes da teologia cristã apresenta-se como Dionísio Areopagita – o ateniense convertido no Areópago por São Paulo (Atos XVII, 16-34). No decorrer de sua obra, escreve a São João em Patmos, diz ter assistido ao eclipse do dia da morte de Jesus (Carta VII) e ter estado presente com São
Pedro e São Tiago à morte de Maria (Sobre os Nomes Divinos, cap. III). Manda cartas a Policarpo, discípulo de São João (Carta VII), a Tito (Carta IX) e dedica seus tratados a Timóteo, discípulo de São Paulo. A primeira menção que temos de suas obras data de 533, por ocasião do Concílio de Constantinopla. Na ocasião, seguidores de Severo, patriarca de Antioquia (+538) que contestava a definição calcedônica da unidade de Cristo, buscaram na autoridade do corpus dionisianum o apoio para suas teses. Já nessa ocasião, essa autoridade foi contestada pelo bispo de Éfeso, Hipácio, que, em nome dos calcedônios, dizia que, se os escritos fossem autênticos, teriam sido citados pelos padres anteriores. Até hoje não se sabe a verdadeira identidade do pseudo-Dionísio e esta é provavelmente uma questão sem solução, dada a escassez de dados que poderiam apontar a um indivíduo concreto. Sabemos, no entanto, que se trata provavelmente de um monge sírio de formação neoplatônica e que escreveu na segunda metade do século V ou no início do VI.

O texto que cuja tradução comentada apresentamos aqui é o menor dos tratados do pseudo-Dionísio, mas certamente um dos mais influentes da mística ocidental. Seu tema principal é o discurso apofático, como conhecer e dizer as realidades que não podem ser conhecidas nem ditas. Esse tipo de reflexão já aparece nos textos bíblicos, em Fílon de Alexandria e, principalmente, na tradição médio e neoplatônica (Numênio, Plotino, Proclo, Damásio, Clemente de Alexandria, Gregório de Nissa e outros).

Entretanto, é principalmente através de pseudo-Dionísio que tais considerações se tornam um elemento integrante no pensamento ocidental: Hugo e Ricardo de São Vítor, São Tomás de Aquino, Eckhart, Nicolau de Cusa, Marcilio Ficino, São João da Cruz, Fenélon e até mesmo o pintor espanhol El Greco leram e meditaram os textos do corpus areopagítico.

A edição do texto grego utilizada é a do tomo III da Patrologia graeca, col. 997 a 1048 de J. P. Migne (Paris: Garnier, 1889), que, por sua vez, provém da edição de Cordier, de 1634, baseada em sete manuscritos diferentes.

SOBRE A TEOLOGIA MÍSTICA [1] PARA TIMÓTEO [2]


CAPÍTULO I

O que é a bruma divina

Trindade supra-essencial[3], supradivina e suprabondosa, guardiã da sabedoria divina dos cristãos, conduz-nos ao supradesconhecido, supraclaro e altíssimo cume das Escrituras místicas[4], ali onde os simples, livres e imutáveis mistérios da teologia estão escondidos sob a bruma supraluminosa do silêncio iniciático oculto[5], no mais obscuro supra-resplandecem o mais supraclaro e, no totalmente intangível e invisível, suprapreenchem de esplendores suprabelos as inteligências sem olhos.

Com relação a mim[6], portanto, isso esteja suplicado[7]. Quanto a ti, ó caro Timóteo, na concentrada ocupação[8] da contemplação mística, abandona também os sentidos e as operações intelectuais, todas as coisas sensíveis e inteligíveis, todas as coisas que não são e que são[9] e, na medida do possível, sê erguido[10] no desconhecimento[11], à união[12] com o que está acima de toda essência e conhecimento. Assim, no êxtase[13] puramente irresistível e livre, fora de si mesmo e de tudo, serás elevado[14] para o raio supra-essencial da treva divina, tendo afastado tudo e de tudo tendo-se libertado.

Mas isso, vê que nenhum dos não-iniciados escute. Digo aqueles retidos nos seres [15] e que não imaginam nada supra-essencialmente existir acima dos seres, mas que presumem ver com o seu próprio conhecimento aquele que estabeleceu as trevas como seu esconderijo[16]. E se as divinas mistagogias[17] estão acima destes, o que dizer dos menos iniciados, quantos caracterizam a causa transcendente de tudo a partir das últimas coisas nos seres e dizem que esta não supera em nada as imagens ímpias e de muitas formas forjadas por eles[18]?

É necessário, no que diz respeito à causa transcendente, estabelecer e afirmar todas as atribuições dos seres, enquanto ela é causa de tudo, e principalmente, negar todas elas, enquanto ela está supra-essencialmente[1ra-essencialmente[19] acima de tudo. E que não seja presumido que as negações são opostas às afirmações, mas muito antes, que a causa transcendente, que se encontra acima de toda supressão e atribuição, está acima das privações.

Assim, por exemplo, o divino Bartolomeu disse que a teologia é tanto extensa quanto pequeníssima e o Evangelho vasto e amplo, mas, por outro lado, resumido[20]. Parece-me que ele percebeu extraordinariamente isto: que a boa causa de tudo é de muitas palavras e, ao mesmo tempo, pouco dizível e sem palavra, já que não tem nem palavra, nem pensamento, por ser supra-essencialmente transcendente a tudo[21]. Ela se mostra desvelada e verdadeiramente apenas para aqueles que atravessam todas as coisas sacrílegas e as puras, ultrapassam toda ascensão de todas as sumidades sagradas[22], abandonam todas as luzes divinas, sons e palavras celestes[23], penetrando na bruma[24], onde realmente está, como dizem as Escrituras, o que está além de todas as coisas[25].

Com efeito, não simplesmente, o divino Moisés[26] é exortado a ser purificado primeiro[27] e, em seguida, a ser separado dos que não são assim.

Depois de toda purificação, escuta trombetas de muitos sons e vê muitas luzes que lampejam raios puros e difusos[28]. Então, separa-se da maioria e, com os sacerdotes escolhidos[29], alcança a sumidade das ascensões divinas. Mesmo se, por um lado, não tem relação direta com o próprio Deus, por outro lado, contempla não a Ele (pois é invisível), mas o lugar onde Ele está[30].

Presumo que isso significa que as mais divinas e mais altas das coisas vistas e inteligidas são certos discursos indicativos das coisas submetidas ao que supera todas elas, através dos quais é mostrada a sua presença acima de toda concepção, presença que repousa nas sumidades inteligíveis de seus mais santos lugares[31]. E então também se liberta disso, do que é visto e do que se vê[32], e penetra na bruma do desconhecimento[33] realmente mística, de acordo com a qual instrui[34] todas as percepções cognoscitivas e se engaja no totalmente intangível e invisível. Sendo todo do que está além de todas as coisas e de ninguém mais, nem de si mesmo, nem de outro, une-se conforme o que é superior[35] ao inteiramente desconhecido, na inatividade[36] de todo o conhecimento e, com o não conhecer nada, além da inteligência conhece.

CAPÍTULO II

Como se deve unir e dedicar hinos[37] ao autor de todas as coisas, que também além delas se encontra

Nós rogamos por estar nessa bruma supraluminosa e através da cegueira e do desconhecimento ver e conhecer o que está além da contemplação e do conhecimento, o próprio não ver nem conhecer[38]. Pois isso é realmente ver e conhecer, e o supra-substancial supra-essencialmente hinear através da supressão de todos os seres, da mesma maneira que os que fazem estátuas naturais[39], ao suprimirem todo o impedimento, que se encontra adiante, para a pura contemplação do oculto e ao mostrarem, com uma supressão só, a própria beleza escondida por si mesma[40]. Convém, assim penso, hinear as supressões de modo contrário às atribuições. Pois estabelecemos estas começando a partir das primeiríssimas coisas e descendo[41] através das médias até as últimas. E ali[42], fazendo a ascensão a partir das últimas coisas até as mais primordiais[43], suprimimos tudo, para que conheçamos desveladamente aquele desconhecimento, que é velado por todo o cognoscível em todos os seres, e vejamos aquela bruma supra-essencial, a escondida por toda luz nos seres[44].

CAPÍTULO III

Quais as teologias afirmativas, quais as negativas

Nos Esboços Teológicos[45], hineamos o mais importante da teologia afirmativa: como a natureza divina e boa é chamada única, como triádica; quem, segundo esta, se chama de paternidade e de filiação; o que quer mostrar a teologia do Espírito; como nasceram as luzes interiores da bondade, a partir do bem imaterial[46] e sem partes, e permanecem inseparáveis da unidade, nele, em si mesmas e umas nas outras, no renascimento coeterno[47]; como o supra-essencial Jesus foi investido com a verdade da natureza humana[48]; e tudo mais que se encontra nas Escrituras, hineia-se nos Esboços Teológicos. Em Sobre os Nomes Divinos, como é chamado bom, como ser, como vida, sabedoria, potência e quanto mais são designações divinas inteligíveis. Na Teologia Simbólica[49], quais as metonímias acerca do divino a partir das coisas sensíveis; quais as formas divinas, quais as figuras divinas, partes e órgãos, quais os lugares divinos e ornamentos, quais os furores, quais as tristezas e ressentimentos, quais as ebriedades e entorpecimentos, quais os juramentos e quais as imprecações, quais os sonos e quais as vigílias e quantas outras formas santamente modeladas existem das figuras simbólicas de Deus. E presumo que tu captaste como o que vem por último é ainda mais de muitas palavras que o que veio primeiro. Pois tinha-se necessidade que os Esboços Teológicos e a explicação dos Nomes Divinos fossem mais concisos que a Teologia Simbólica. Já que, quanto mais levantamos os olhos para o alto[50], tanto mais as palavras são envolvidas pela visão de conjunto dos inteligíveis, assim também, entrando agora na bruma acima da inteligência, encontraremos não brevidade de palavras, mas falta absoluta de palavras e de pensamento. Se ali, descendo do alto às últimas coisas, de acordo com a intensidade da descida, o discurso se alargava proporcionalmente à multiplicidade análoga, agora, subindo do que está abaixo até o transcendente, reduz-se conforme a medida do caminho de subida e, depois de feita toda a subida, estará todo mudo e unido todo ao inefável[51]. Mas, em suma, dizes tu por que, estabelecendo as divinas atribuições a partir das primeiríssimas coisas, começamos as divinas supressões a partir das últimas?

Porque era preciso estabelecer a afirmação indicativa estabelecendo o acima de toda atribuição a partir do mais semelhante com ele; e, suprimindo o que está acima de toda a supressão, a partir das coisas dele mais apartadas suprimir[52]. Ou não é mais “vida” e “bondade” que “ar” e “pedra”? E mais “não entorpece” e “não se ressente” do que “não é dito” e “não é pensado”[53]?

CAPÍTULO IV

Que nenhuma das coisas sensíveis é o autor por excelência de todo o sensível[54]

Dizemos, então, que causa de todas as coisas, existindo sobre todas as coisas, não é sem essência[55], nem sem vida, nem sem palavra[56], nem sem intelecto[57]. E[58] não é corpo, nem figura, nem imagem, nem tem qualidade ou quantidade ou volume. E não está num lugar[59], nem é vista, nem tem contato sensível. Nem sente, nem é sentida, não tem desordem ou
agitação, incomodada pelas paixões materiais. Não é impotente, submetida aos sintomas sensíveis, nem tem necessidade de luz e não é ou possui mudança ou degradação ou divisão ou privação ou fluxo, nem alguma outra coisa dos sensíveis.

CAPÍTULO V

Que nenhuma das coisas inteligíveis é o autor por excelência do
inteligível[60]

Em seguida, subindo, dizemos que não é alma nem intelecto[61]. Nem tem imaginação ou opinião, ou razão, ou pensamento[62]. Não é nem razão[63], nem pensamento. Não é dito, nem é pensado. Nem é número, nem ordem, nem grandeza, nem pequenez, nem igualdade, nem desigualdade, nem semelhança ou dessemelhança. Não está parado, nem se move, nem fica em repouso, nem tem energia, nem é energia, nem luz. Nem vive, nem é vida. Não é essência, nem eternidade, nem tempo. E dela não existe contato inteligível. Nem é conhecimento, nem verdade. E não é reino, nem sabedoria. Não é um, nem unidade[64], nem divindade, nem bondade, nem é espírito, como nós o entendemos. Nem filiação, nem paternidade, nem alguma outra coisa das entre nós ou entre quaisquer dos seres conscientes.

Nem é alguma das coisas que não são, nem alguma das coisas que são, nem os seres a conhecem como é, nem ela conhece os seres como são. E dela não existe palavra, nem nome, nem conhecimento. Não é treva, nem luz[65]. Nem equívoco, nem verdade[66]. E dela não existe atribuição universal, nem supressão. Mas fazendo-lhe as atribuições e supressões do que vem depois dela, nem lhe atribuímos, nem lhe suprimimos[67]. Pois sobre toda atribuição está a causa perfeita e unitária de tudo e sobre toda supressão[68], a excelência do que se encontra simplesmente liberto de todas as coisas e acima do universo[69].

NOTAS:

1
O pseudo-Dionísio é o primeiro a usar a expressão teologia mística (segundo Salvatore Lilla, no verbete Mística do Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs), que assim o define nos Nomes Divinos (VII, 3): “perfeito conhecimento de Deus que se obtém através da ignorância, em virtude de uma união incompreensível”. Teologia, para o pseudo-Dionísio, é tanto a palavra de Deus ao homem (em particular as da Sagrada Escritura) quanto a palavra do homem sobre Deus.

Mustiko/j é um adjetivo derivado do verbo mu/w (calar) empregado no contexto das religiões de mistério, cujos ritos devem permanecer ocultos.

Mu/sthj é quem procede a iniciação (a palavra é também, curiosamente, usada para designar o deus Dioniso que, para os gregos, é o iniciador por excelência).

2
Timóteo, a quem são dedicados todos os tratados do corpus dionisiano, é o conhecido discípulo de São Paulo. Nas cartas, outros personagens da era apostólica aparecem: a Carta X é dirigida a São João Evangelista, no seu exílio na Ilha de Patmos; a Carta VII, a Policarpo, discípulo de São João; a Carta IX a Tito, outro discípulo de São Paulo; por fim, Gaio, o destinatário das quatro primeiras cartas, é provavelmente aquele a quem é dirigida a terceira carta de São João.

3
Uma das características marcantes do pseudo-Dionísio é o incessante uso de palavras compostas com u(per, que visa não apenas a ressaltar a transcendência de Deus, mas também possui uma função “encantatória”. Traduzimos o prefixo, sempre que possível, por supra, que, ao manter o estilo enigmático do autor, parece-nos adequado para ambos os fins.

4
Cordier traduz a expressão mustikoi\ lo/gioi por mistici oraculi. Mas, para grande parte dos tradutores, trata-se aqui das Sagradas Escrituras. Parece-nos ser uma opinião razoável.

Lo/gioi é usado frequentemente nesse sentido pelo autor. Além disso, grande parte do seu projeto teológico, como ficará
evidenciado no capítulo III, é mostrar o significado místico das Escrituras.

5
Palavra de difícil tradução: krufiomu/stoj, composto de krufi/oj (oculto), usado por Dionísio em outros lugares do corpus para se referir aos mistérios cristãos, como a tearquia e a natureza de Cristo, e mu/sthj. Não existe antes do período patrístico. Surge apenas no século V, época provável da redação do corpus dionisiano, usada por Cirilo de Jerusalém e pelo pseudo-Areopagita.

6
)Emoi/ pode ser traduzido aqui como por mim, para mim e em mim. Pela contraposição desta frase com a seguinte, dirigida a Timóteo, optamos pela presente leitura. Mas deve-se ressaltar que a frase é ambígua e que talvez, no contexto místico do texto, essa ambiguidade seja intencional.

7
Imperativo passivo do perfeito de eu)/comai.

8
Diatri/bw significa primariamente gastar o tempo e, por consequência, o trabalho, o estudo e o exercitar-se, compreendidos como ocupação.

9
Paquiméria, um comentador bizantino, associa “as coisas que não são e as que são” ao sensível e ao inteligível: o sensível “não é” porque está sujeito à mudança; e o inteligível “é” porque não muda.

10
Imperativo passivo do aoristo de a)natei/nw.

11
Advérbio derivado de a)gnwsi/a, cujo sentido clássico é o de ignorância. O pseudo-Dionísio é o primeiro a usar a palavra para designar a não-utilização das faculdades cognoscitivas em face ao que a supera (segundo VANNESTE, 1963, p. 298): é o “desconhecimento” que aparece no título do tratado contemplativo medieval The Cloud of Unknowing.

12
A união (e)/nwsij) com o divino é o principal tema da especulação neoplatônica. Ao falar de união, o pseudo-Dionísio tem em mente essa tradição, mas dá um sentido um pouco diferente ao termo. Segundo Lossky (1985, p. 33), “nos dois casos se trata de união. Mas a união com o e)/n de Plotino pode significar, do mesmo modo, uma tomada de consciência da unidade primordial, ontológica, do homem com Deus; a união mística de Dionísio é um estado novo que pressupõe um encaminhar-se, uma série de mudanças, a passagem do criado ao incriado, a aquisição de qualquer coisa que o sujeito não possuía antes por natureza. De fato, não apenas sai de si mesmo (o que acontece também em Plotino), mas pertence
totalmente ao Incognoscível, recebendo nesta união com o incriado o estado deificado: a união significa aqui deificação.

13
)Ek + sta/sij – fora do estado. Segundo Fílon de Alexandria (Quis Rerum Divinarum Heres Sit 249): “êxtase significa ou o furor delirante que provoca a loucura - sob o efeito da senilidade, da melancolia ou por uma outra razão análoga – ou a estupefação que experimentamos diante de acontecimentos ocorridos ao improviso - que então não esperávamos – ou ainda a calma da inteligência – se verdadeiramente é de sua natureza permanecer em repouso – ou, o mais nobre de tudo, a possessão e delírio de origem divina – pelo qual a raça profética é tomada”. Esses sentidos ainda estão presentes no tempo do pseudo-Dionísio: em Evágrio Pôntico e Gregório de Nissa, pode tanto indicar a experiência mística quanto uma distração ou alienação. Para Fílon e os cristãos, o êxtase místico é um dom gratuito de Deus. O neoplatonismo pagão foi influencido por Fílon, mas acreditava que o êxtase era conseguido pelo esforço humano. Tal era a posição de Plotino: “nada é mais oposto ao pensamento de Plotino que a noção de graça” (ARNOU apud REALE, 1994, p. 523-524). O filósofo neoplatônico descreve o êxtase na Enéada 6, 9, 11: “o próprio vidente era um com o objeto visto”. Assim, a contemplação é uma simplificação (a(/plwsij) progressiva em direção à unidade. Seu fim não é “simplesmente uma visão, mas uma maneira diferente de ver: um êxtase e uma simplificação, um dom de si mesmo e um desejo de contato, repouso e cuidado para bem adaptar-se” (ARNOU apud REALE, 1994, p. 523). O êxtase pseudo-dionisiano pressupõe o neoplatonismo, mas é de tradição genuinamente cristã. Segundo Spidlík (Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs, verbete Êxtase) o Espírito Santo se manifesta nas primeiras comunidades cristãs como uma força extática – cujo caráter é difícil de ser precisado. Nilo (Ad Magnam 27) define a oração como uma harpagé, “arrebatamento do espírito e total êxtase fora do sensível”. Para Evágrio Pôntico, o êxtase exige uma “ignorância infinita” de todas as noções parciais, para que a inteligência se torne pura luz. É, portanto, uma mística da luz, contraposta à de Gregório de Nissa e do pseudo-Dionísio, na qual o êxtase é uma renúncia a todas as coisas criadas, para que seja alcançada a união (mística das trevas).

14
Futuro passivo de a)na/gw. Em Damásio, neplatônico da escola de Atenas (séc. VI), no seu De Principis, o verbo indica a ascensão em pensamento a uma unidade mais alta.

15
Isso parece ser uma reminiscência do Teeteto platônico (155e): “cuida bem, observando ao teu redor, de que não ouça isto nenhum dos não iniciados (mh/ tij tw=n a)muh/twn e)pakou/sh|), ou seja, aqueles que pensam que nada existe fora do que podem pegar firmemente com as mãos”. A utilização do vocabulário e simbolismo das religiões de mistério é comum no período helenístico: os gnósticos, Fílon, Plotino, Proclo, Damásio e os alexandrinos cristãos, em especial Orígenes e Clemente, comparam a mística com as iniciações mistéricas. Diz Plotino (Enéada 6, 9, 11 apud REALE, 1994): “isso justamente quis
significar a prescrição desses mistérios, de não comunicar nada aos não-iniciados; pois não devendo o divino ser divulgado, não é permitido manifestá-lo a outro a menos que, por ele mesmo, tenha tido a ventura de contemplá-lo”.

16
Salmo 18 (17), 12. Também Orígenes e Gregório de Nissa o utilizam: “É por isso que Moisés, na medida em que progride no conhecimento, declara que vê Deus nas trevas, o que quer dizer que sabe que Deus é essencialmente o que transcende todo conhecimento e escapa às ações do espírito. Moisés entra na treva onde Deus está. Que Deus, senão o que estabeleceu as trevas como seu esconderijo, como diz David, ele também iniciado no santuário dos mistérios escondidos?” (Gregório de Nissa, Comentário sobre
o Cântico dos Cânticos
, XLIV, 377 A-B).

17
Mustagwgi/a – iniciação nos mistérios. Os termos das religiões de mistérios não estão presentes apenas na tradição neoplatônica, mas aparecem também em outros contextos do cristianismo primitivo: o sacramento era chamado mysterium (Tertuliano era contra o uso deste termo, para não causar confusão com os cultos pagãos, preferindo sacramentum) e os cristãos, por vezes, eram considerados iniciados. São Cirilo, bispo de Jerusalém no séc. IV, por exemplo, escreveu uma Catequese Mistagógica, coletânea de sermões sobre os sacramentos do batismo, confirmação e eucaristia e sobre a liturgia de Jerusalém.

18
Para pseudo-Dionísio, Deus pode ser representado através de símbolos tirados da natureza sensível – “as últimas coisas nos seres”. Mas os símbolos devem ser entendidos como tais.

19
Raciocínio tipicamente neoplatônico.

20
Trata-se talvez de um evangelho apócrifo perdido.

21
A idéia da transcendência radical de Deus, presente no pseudo-Dionísio, tem duas fontes: a apresentação do Deus infefável no Êxodo bíblico e as breves considerações de Platão sobre a transcendência do Bem (República, Banquete) e do Uno (Parmênides). A tradição platônica é desenvolvida pelo neopitagórico Moderato de Gades (séc. I), que coloca o Uno acima do inteligível, por Numênio e Nicômaco (séc. II) e, em seguida, pelo neoplatonismo. As idéias bíblicas e platônicas aparecem juntas pela primeira vez em Fílon de Alexandria e, a partir daí, seguem juntas em alguns padres, até o pseudo-Dionísio: Clemente, Orígenes, Gregório de Nissa, por exemplo. Essa tradição cristã é mais radical que a neoplatônica: se o Uno está além de todas as coisas, Deus está além até mesmo do Uno, pois também é Trindade.

22
Para Cordier e Lilla, os anjos. Segundo Paquiméria, “os antigos chamavam de sumidades a parte mais pura de cada substância, da qual ela depende continuamente, isto é, de forma imediata. Assim, a sumidade da alma é a mente... na nossa hierarquia, o que intende proximamente à imaterialidade”.

23
Alusão provável à liturgia.

24
Diz Puech, em La Tenèbre Mystique chez le Pseudo-Denys et dans la tradition patristique (apud HERRAN; RIANI, 1968, p. 111): “Denys voit dans la Tenèbre une sorte de résistance opposée par l’essence de l’Etre Divin à une pénétration complète de l’intuition humaine [...] En définitive, la Nuée n’apparaît et ne se justifie qu’à l’intersection de deux inadéquations: a) l’inadéquation (par éminence) de l’inconnaissance par rapport aux connaissances ordinaires du noûs; b) l’inadéquation (mais alors par privation) de cette même inconnaissance eu égard à son but qu’elle est incapable d’atteindre. La lumière relative qui est accordée à l’âme dans l’union apparaît donc comme obscurité et Rayon de la Tenèbre a un double titre: a) en tant que négation des gnóseis; b) en tant que déficiente vis-à-vis de la Lumière Absolue.
La Nuée represente le passage flottant d’une connaissance symbolique, que déppasse l’agnosía, à une conaissance décidément mystique dont l’agnosía est loin d’èpuiser le contenu idéal.”

25
Pseudo-Dionísio faz talvez uma alusão a toda sua obra. Segundo Scazzoso (1981), as coisas impuras e impuras podem ser identificadas possivelmente com os símbolos sensíveis (teologia simbólica) e inteligíveis da teologia afirmativa exposta nos Nomes Divinos; as sumidades sagradas, como vimos, com os anjos (apresentados na Hierarquia Celeste); e as luzes, sons e palavras celestes e divinos, com a liturgia da Hierarquia Eclesiástica. A contemplação mística pressupõe todos os elementos das demais obras, mas deve ultrapassá-los.

26
A passagem que se segue é de extrema importância. Diz Scazzoso (1964, p. 47): “difatti, l’operetta è tutta compresa e sintetizzata nell’episodio di Mosè e nel modo con cui questo fatto bíblico è presentato”. O pseudo-Dionísio sintetiza os capítulos XIX, XX e XXIV do Êxodo, tal como aparecem na tradução grega da Septuaginta.

27
A ascensão mística de Moisés segue aqui um esquema triádico que se fixa com pseudo-Dionísio e torna-se clássico: a purificação (Moisés purifica-se e separa-se dos que não são puros); a iluminação (contempla com os sacerdotes escolhidos o lugar onde Deus está); e a união (Moisés entra na bruma do desconhecimento e une-se a Deus). Na Hierarquia Celeste (III, 2 B-C), o pseudo-Dionísio liga o esquema às hierarquias celestes e eclesiásticas: “a ordem da hierarquia é a de que uns sejam purificados e outros purifiquem, uns sejam iluminados e outros iluminem e uns sejam perfeitos e outros alcancem a perfeição”.

A base de tal esquema é a divisão por Orígenes, da filosofia em pratikh\ qewri/a, fusikh\ qewri/a e qeologi/a, que é retomada por Gregório de Nissa de uma forma não tão sistemática: nos Comentários aos Salmos (XLIV, 552 C), ele divide a virtude em três momentos - afastar-se do mal, a meditação das coisas divinas e, por fim, o assemelhar-se a Deus – associados, no seu Comentário sobre o Cântico, aos Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos, respectivamente. Entretanto, no mesmo Comentário Sobre os Salmos (XLIV, 452 A), apresenta ele uma divisão em cinco partes, ligadas às cinco partes do salmo, que todavia podem ser reduzidas às típicas três vias.

28
Scazzoso (1964, p. 47-48) sublinha o caráter litúrgico dessa passagem: “Lo pseudo-Dionigi non si accontenta di citare l’unione di Mosè com Dio entro la nube, sottintendendo, come cosa nota, tutto il racconto precedente; egli, che procede quase sempre per punti e accenni essenziali, usa qui um linguaggio descrittivo diffuso affine a quello della EH ed espone i diversi momenti della salita di Mosé come i diversi momenti di um rito, e il graduale avvicinamento al divino come un crescendo di solennità e di santità del rito stesso. È questa uma presentazione liturgica dell’esperienza di Mosè che sta proprio tra le due Liturgie, quella Angelica e quella Ecclesiastica, avendo le prerogative di entrambe e collegandole strettamente.”

29
Como todos os autores consultados, preferimos a variante crítica meta/, e não kata/, que aparece na edição de Migne (mas não na tradução para o latim) e que não faria sentido nesse contexto. Segundo a narrativa do Êxodo (24, 1) na Septuaginta, “E disse a Moisés: sobe em direção ao senhor, tu, Aarão, Nadab e Abiú e setenta dos presbíteros de Israel, e prostarão de longe ao Senhor” (kai\ Moush|= ei)=pen: )Ana/beqi pro\j ku/rion su\ kai\ Aarwn kai\ Nadab kai\ Abioud kai\ e)bdomh/konta tw=n presbute/rwn Israhl, kai\ proskunh/sousin Makro/qen tw=| kuri/w|).

30
A idéia de que Moisés e os sacerdotes não vêem Deus, mas o lugar onde Ele está, vem da Septuaginta (Êxodo, 24, 9): “e subiu Moisés, Aarão, Nadab e Abiú e os setenta dos anciãos de Israel e viram o lugar, onde estava ali o Deus de Israel”: kai\ a)ne/bh Mwush=j kai\ Aarwn kai\ Nadab kai\ Abioud kai\ e)bdomh/konta th=j gerousi/aj Israhl kai\ ei)=don to\n to/pon, ou) ei)sth/kei e)kei\ o( qeo\j tou=Israhl). Mas o original hebraico diz que “eles viram o Deus de Israel”. Também é assim que traduz São Jerônimo na Vulgata: “et viderunt Deum Israel”.

31
Comparando a Teologia Mística com a Hierarquia Celeste, pode-se talvez dizer que essas “sumidades inteligíveis” sejam os anjos. Essa é a opinião de um comentador antigo: “Chamam-se sumidades inteligíveis as essências intelectuais que estão em torno de Deus; denominam-se também lugares santos” (apud SCAZZOSO, 1981, p. 409). Para Cordier, os lugares santos são aqueles onde Deus se manifesta em visões e revelações (não em si mesmo, pois está além do conhecimento): “itaque qui prodigia a Deo effecta vident, aut qui eum sub certis formis aut intellectualibus aut sensibilibus sibi apparentem intuentur, non ipsum proprie vident, sed tantum locum ubi certa ratione habitat”.

32
Para Lossky (1985, p. 24), a expressão diz respeito à relação sujeito-objeto, pois trata-se aqui de união: “seria todavia insensato dizer que (a teologia mística) tem Deus como objeto: o fim do texto que citamos mostra que, uma vez junto ao vértice extremo do cohecimento, deve-se libertar do que vê e do que é visto, isto é, do sujeito e do objeto da percepção. Deus não se apresenta como objeto, porque não se trata de conhecimento, mas de união”. Já segundo Scazzoso (1981, p. 409), citando um comentador antigo, “le cose viste e quelle che vedono sono, rispettivamente, gli esseri sensibili e gli esseri dotati di ragione e di intelligenza”.

33
Tal interpretação mística de Êxodo 24 remonta a Fílon: “Moisés entra na bruma onde Deus está, quer dizer, nos pensamentos secretos e invisíveis sobre o Ser. Quando a alma amiga de Deus busca o que é o Ser por essência, inicia uma procura sem forma e invisível: e é desta procura que lhe vem o maior dos bens, que é compreender que Deus é totalmente incompreensível e ver justamente isso, que é invisível” (De Posteritate Caini, 5). Aparece depois em Orígenes (Homilia Sobre os Números, 27), Clemente (Stromata II, 2, 6; VII, 936 B-937 A), Evágrio (kephalaia gnostica, 2-25) e Gregório de Nissa: “que significa a entrada de Moisés na bruma? O Verbo nos ensina que quanto mais o espírito se aproxima da contemplação, mais ele vê que a natureza divina é invisível. O verdadeiro conhecimento daquilo que busca, com efeito, é compreender que ver consiste em não ver” (De Vita Mosis, XLIV, 376 D). Com o pseudo-Dionísio, ela passará pela tradição mística seguinte, até São João da Cruz.

34
)Apomue/w deve ser lido em um sentido mistérico: iniciar-se nos mistérios divinos.

35
Esse superior pode ser aquilo que está além do conhecimento. Já Golitzin (1999) e Herran; Riani (1968) sugerem que seja a capacidade humana de receber Deus – mais ou menos equivalente ao nou=j de Evágrio Pôntico, à scintilla animae de São Jerônimo e Pedro Lombardo, à acumen mentis de Hugo de São Vítor, ao intimum mentis, summum mentis de Ricardo de São Vítor, ao espíritu del alma de Santa Teresa de Ávila, a dem höhsten der Seele de Eckhart e a das Grund der Seele de Boehme, por exemplo.

36
)Anenergesi/a assume esse sentido apenas no período patrístico, com pseudo-Dionísio e São Máximo. O
sentido clássico é de inércia, ineficácia.

37
A palavra ressalta o caráter litúrgico da teologia dionisiana.

u(mnh=sai significa celebrar com canto ou em verso. O hino é um canto em honra de um deus ou um herói. Em Platão, é uma oferta aos deuses: “quanto à poesia, somente se devem receber na cidade hinos aos deuses e encômios aos varões honestos e nada mais” (República, 607a). Na Septuaginta os salmos são chamados de hinos. Também em Fílon, para o qual “a melhor retribuição pelos dons recebidos é oferecer-lhe o único que podemos lhe dar: palavras, odes e hinos” (Sobr. 58 apud RITACCO, 2002, p. 353). Porfírio considera como verdadeiro hino a nossa elevação: “é preciso unir a Deus, fazer-nos semelhante a Ele, oferecer-lhe nossa elevação como sacrifício sacro, porque ela é nosso hino e nossa salvação. Esse sacrifício se cumpre na impassibilidade da alma e na contemplação de Deus. No entanto... para os deuses inteligíveis, deve-se agregar o hino da palavra” (De Abst. II, 34 apud RITACCO, 2002, p. 354).

Simplício, no seu comentario ao De Caelo de Aristóteles, oferece um hino ao demiurgo, situando o comentário como nas perspectivas anagógicas neoplatônicas e fazendo da filosofia uma liturgia contínua: seu comentário é um ato de conversão ao intelecto demiúrgico (HOFFMAN apud RITACCO, 2002, p. 5). Para o pseudo-Dionísio as afirmações da teologia afirmativa, as negações da teologia negativa e o conhecimento além do conhecimento da teologia mística são formas de celebrar Deus com hinos, pois mostram a beleza do divino. Assim, retoma ele as concepções anteriores: os hinos são grandes ofertas a
Deus e são indissociáveis da filosofia: o conhecimento teológico não é meramente teórico, mas oferenda e forma de ascensão. Ritacco (2002) faz interessantes considerações: “el caráter iniciático y teúrgico de la palabra cultual – que canta himnos, ofrendandose como donácion proveniente de la intimidad divina – resulta asumido por el conocimiento teológico”; ainda, mostrando, como Scazzoso (1964), a ligação entre as teologia afirmativa, negativa e a liturgia – o caminho teológico ocorre dentro da Igreja, através dos sacramentos, celebrações e da meditação da Sagrada Escritura: “el canto de alabanza, el himno em particular, es el puente que vincula la teologia y la teurgia” (p. 351). Por fim: “Dionisio se esfuerza por probar que la palabra ofrecida como himno celebratorio es ella misma el vehículo de la unión y el sustento de la ciencia
teológica.”

38
Gnw=nai, infinitivo aoristo de gignw/skw.

39
Au)tofue/j significa natural, nativo. Como adjetivo de a)/galma (estátua), “poderia designar todo o copiado do natural, por oposição às obras da fantasia, por exemplo, o retrato e a representação dos deuses – geralmente ágalma designa essa classe de estátuas” (HERRÁN; RIANI, 1968, p. 119).

40
Topos neoplatônico, já presente em Plotino (Enéada I 6,9; inspirada no Fedro de Platão, 252d e 254b) e em Gregório de Nissa, II, 11.

41
Katiw/n, particípio de ka/teimi.

42
Nas supressões.

43
A palavra a)rch/ tem aqui seus dois sentidos: de primeiro e de mais importante.

44
Eis aí a síntese da relação entre a teologia afirmativa (começa das primeiras coisas e desce até as últimas), negativa (começa das últimas – os símbolos sensíveis mais dessemelhantes à divindade) e mística (o ingresso na bruma divina). Se o conhecimento místico é o mais importante, deve ser, no entanto, precedido da especulação afirmativa e negativa. A base de tal procedimento é, no pensamento dionisiano, cósmica, apresentada em uma forma tipicamente neoplatônica: Deus na sua transcendência, separado de tudo, inalterável e sempre igual é a monh/. Sua emanação (proo/doj) se manifesta na criação, multiplicando-se nos seres, e por sua providência (prono/ia) e amor (e)/rwj), “os sagrados preceptores da tradição teológica dão o nome de unidade divina às estabilidades superiores ocultas e inacessíveis das singularidades super inefáveis e totalmente desconhecidas; e dão nome de distinções às processões benéficas e manifestações da Tearquia” (Nomes Divinos II, 4 apud TRÓPIA, 1999) - tal distinção é adotada posteriormente por São Máximo e, a partir daí, passa para toda a teologia bizantina. Assim, “nenhum dos seres é totalmente privado da participação no Bom, como diz a verdade das Escrituras (Gênesis 1,31): “tudo era bom” (Hierarquia Celeste, II, 3 C). A teologia afirmativa é possível por esta emanação, que é revelação de Deus e que começa das coisas mais altas e desce até as últimas, sendo transmitida pelas hierarquias de anjos às hierarquias da Igreja. Já a teologia negativa considera Deus na sua transcendência e equivale a um movimento de retorno, que, através da liturgia e da contemplação, inicia nas menores coisas e ascende até a união com o Inefável, alcançando a teologia mística.

45
O corpus dionisiano conhecido é composto pela Hierarquia Celeste, a Hierarquia Eclesiástica, os Nomes Divinos, a Teologia Mística e 10 cartas. Pseudo-Dionísio ainda cita outras sete obras, que não sabemos se foram perdidas ou inventadas pelo autor. Uma delas é esta, Esboços Teológicos (também citada nos Nomes Divinos, capítulos I, II e XI). As outras são As coisas inteligíveis e as
coisas dos sentidos (Hierarquia Eclesiástica I, 2), Teologia Simbólica, Hinos Divinos (Hierarquia Celeste, VII, 4), As propriedades e as ordens angélicas (Nomes Divinos IV, 2), Sobre o juízo de Deus (Nomes Divinos, IV, 35), Sobre a alma (Nomes Divinos IV, 2). Pouco importa se estas obras existiram ou não: revelam o projeto do autor na teologia afirmativa, que se inicia com os Esboços Teológicos tratando das coisas mais primordiais, discorre sobre os nomes inteligíveis de Deus nos Nomes Divinos; e termina na Teologia Simbólica, sobre os símbolos sensíveis.

46
Segundo Scazzoso (1981, p. 412), como o Filho e o Espírito Santo – que são chamados de Luzes Interiores enquanto estão na Divindade Inefável – são derivados do Pai.

47
Ainda segundo Scazzoso, como o Filho e o Espírito Santo permanecem no Pai, em si mesmos – onde se distinguem um do outro – e um no outro, sem sair da Divindade, na qual renascem eternamente porque derivam eternamente do Pai.

48
Tal assunto é tratado nas cartas III e IV: por amor aos homens, o Supra-essencial assume uma essência humana em Cristo, sem possuir menos de seu mistério. Pelas escassas referências a Cristo no corpus dionisianum, muitos duvidaram de sua essência cristã: Lutero, Calvino, Vanneste e Nygren. De fato, Jesus só é citado 59 vezes (segundo SCAZZOSO, 1964, p. 54) em todo o corpus, uma apenas na Teologia Mística. Mas, como mostraram Lossky, Golitzin e Scazzoso, tal escassez de citações não nos permite chegar à conclusão de Lutero de que o pseudo-Dionísio é “plus platonizans quam christianizans”. As poucas alusões a Cristo revelam uma intensa vida cristã. Indicativo do cristianismo do autor é a oração a Jesus no início da Hierarquia Celeste, primeiro tratado do corpus: “assim, invocando Jesus, Luz do Pai, a verdadeira Luz, aquela que ilumina todo homem, pela qual temos acesso ao Pai que é Luz Primordial, levantemos nossos olhos, na medida do possível, em direção à iluminação das Escrituras Sagradas que nos transmitiram nossos pais”. Assim a primeira oração de todo o corpus faz um interessante contraste com a última: a primeira é dirigida à manifestação mais concreta de Deus, Cristo, e a última à Trindade, na qual o mistério é mais manifesto. Também podemos colocar Cristo na base da mistagogia dionisiana: é invocando-o em primeiro lugar que podemos buscar a iluminação das Escrituras, base da contemplação afirmativa e negativa. Além disso, ele é o chefe da hierarquia celeste, pois é Deus, e da hierarquia eclesiástica, enquanto encarnação de Deus. O relativo silêncio de pseudo-Dionísio a respeito de Cristo faz parte de seu projeto de tornar o cristianismo acessível aos pagãos, através do que ambos têm em comum – o neoplatonismo.

49
A Teologia Simbólica também é citada na Hierarquia Celeste XV, 6, Nomes Divinos I, IV, IX e XIII, e na Carta IX, 1.

Os procedimentos da teologia simbólica são largamente comentados no início e no fim da Hierarquia Celeste. O fundamento desta é explicitado no capítulo I, 3: “pois não é possível ao nosso espírito se elevar em direção àquela imitação e contemplação das hierarquias celestes se não for conduzido por imagens materiais convenientes a sua natureza, de forma que considere as belezas aparentes como cópias da beleza inaparente”.

50
a)/nantej indica algo alto, íngreme, de difícil acesso.

51
A afirmação do capítulo I, 3, de que a Causa de todas as coisas é de muitas palavras, pouco dizível ao mesmo tempo e sem palavras, é retomada, melhor fundamentada e inserida no contexto da teologia afirmativa (muitas palavras), teologia negativa (pouco dizível) e teologia mística (sem palavras): três formas de falar de Deus (de fazer teologia) baseadas em três formas de conhecer e se relacionar com o Divino.

52
No capítulo II, 3, da Hierarquia Celeste, o pseudo-Dionísio diz que os símbolos mais humildes e distantes são melhores, pois, com eles, não corremos o risco de tomar o símbolo pelo simbolizado – a base da idolatria – como no caso dos símbolos que se assemelham ao que indicam.

53
Os exemplos parecem não ter sido tirados do acaso. Como lembra Paquiméria, “pedra” é um símbolo para Cristo retirado do salmo CXVII, 22: “a pedra que reprovaram os construtores, esta se tornou a pedra angular”. Ar é um símbolo da presença de Deus, tal como aparece em I Reis XIX, 12: “passado o tremor de terra, ascendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo; depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira”. Já a embriaguez remonta ao relato de Noé que se tornou tema de um
livro de Fílon, De Ebrietate. Por fim, a “ira de Deus” é um tema recorrente no Antigo Testamento, o que fez com que os gnósticos o contrastassem com o Deus de amor do Novo Testamento – para Dionísio, é apenas uma questão de compreensão correta dos símbolos.

54
O pseudo-Dionísio inicia agora sua exemplificação do processo da teologia negativa, que começa com a negação dos atributos de Deus retirados da natureza sensível.

55
Literalmente, “nem é não-essência, nem não-palavra, nem não-intelecto”.

56
Lo/goj pode tanto significar “palavra”, quanto “discurso” e “razão”. Todos os significados parecem estar presentes nesta passagem. Porque se trata dos atributos inteligíveis de Deus, traduzimos a palavra aqui por “razão”. Mas a passagem certamente ecoa o capítulo I, 3: “a boa Causa de todas as coisas é de muitas palavras (polu/logoj), pouco dizível e sem palavras (a)/logoj)”.

57
Já que a teologia negativa começa com o sensível, os atributos inteligíveis de Deus – a essência, a razão, a inteligência, por exemplo – ainda não são negados, o que acontecerá no próximo capítulo.

58
Não adotamos aqui a pontuação da edição de Migne, que liga sw=ma à frase precedente: “ou)/te a)/logoj, ou)/te a/)nouj, ou)de\ sw=ma/ e)stin”. Ligando ou)de\ sw=ma/ e)stin ao que segue, damos mais sentido às frases, pois sw=ma está próximo de sch=ma e ei)=doj, atributos sensíveis (enquanto as palavras anteriores, iniciadas pelo pelo a privativo, designam os atributos inteligíveis). Tal mudança também está presente no texto grego que aparece junto à tradução de Trópia (1999, p. 238).

59
Logo, a já aludida passagem do Êxodo 24 (capítulo I, 3), na qual Moisés vê o lugar onde Deus está, é apenas um símbolo para descrever sua ascensão mística.

60
A teologia negativa passa para o próximo plano: a negação dos atributos inteligíveis. A divisão nesses dois planos já está presente no capítulo I, 2: os idólatras, que “caracterizam a causa transcendente de todas as coisas a partir das últimas coisas nos seres e dizem que esta não supera em nada as imagens ímpias e de muitas formas forjadas por eles”, não passam da negação dos atributos sensíveis: são os menos iniciados de todos nos mistérios da natureza divina. Os outros “não-iniciados” – superiores a estes, no entanto – são aqueles “retidos nos seres e que não imaginam existir nada acima dos seres supra-essencialmente”: conseguiram negar os atributos sensíveis, mas não ainda os inteligíveis. Não possuem, portanto, o conhecimento místico além do conhecimento.

61
Já neste plano, o da teologia negativa dos inteligíveis, são negados os atributos afirmados na primeira etapa do processo. A inteligência (nou=j) é o primeiro deles.

62
Outros dois atributos inteligíveis que apareceram no capítulo IV e finalmente podem ser negados.

63
Lo/goj ainda no sentido de razão.

64
Essa afirmação representa um passo a mais na teologia negativa do neoplatonismo: estes acreditavam que o Uno estava além de todas as coisas. O pseudo-Dionísio afirma que Deus está além até mesmo do Uno, pois é, ao mesmo tempo, unidade e trindade.

65
Terceira parte do processo, marcada por uma nova negação do atributo “luz” a Deus, desta vez junto da negação do seu contrário “treva”: estamos próximos da teologia mística. Deus não é nenhum dos atributos inteligíveis, nem os seus contrários.

66
Nova negação do atributo “verdade”, juntamente com o seu contrário “equívoco”.

67
Como nas iniciações mistéricas, o processo da teologia negativa possui graus, que à primeira vista dizem coisas opostas, mas comunicam a mesma verdade. Num primeiro momento, percebe-se que Deus não é nada das coisas sensíveis, mas também não é o contrário da essência, da vida, da inteligência e de outros inteligíveis. Num segundo momento, nega-se toda atribuição inteligível. E, no terceiro momento, descobre-se que Deus não é nem estes atributos inteligíveis, nem sua negação: está além de todas as coisas.

68
Enquanto causa perfeita e unitária de todas as coisas, não é nada da multiplicidade de sua criação. Ao mesmo tempo, estando acima de todas as coisas, não é o contrário destas, mas algo superior. Tal ideia será desenvolvida filosoficamente na doutrina da analogia, cujo maior expositor é São Tomás.

69
Através da teologia negativa pode-se chegar à teologia mística e alcançar a união com Deus. Uma mística “da luz”, sem a mística das trevas, está condenada ao fracasso: a luz divina é forte demais para o intelecto humano. Eis como Fílon de Alexandria descreve seu intinerário mentis ad deum, no qual falta o auxílio da teologia negativa (De Opificio Mundi, 70-71): “Então, sendo voador, o intelecto levantou-se da terra em seguida e, tendo explorado o ar e seus fenômenos, chegou mais alto - junto ao éter e às revoluções celestes. Tendo sido acompanhado sem cessar nas danças dos planetas e estrelas, segundo as leis da música perfeita, seguindo o amor da sabedoria que conduz seus passos e tendo dominado toda a essência sensível por cima, ali mesmo, aspira ao inteligível. E vê ali – no inteligível – o paradigma dos sensíveis. Observa, envolvido por uma sóbria embriaguez – como os coribantes na inspiração divina – as formas transcendentemente belas, enchendo-se de um outro desejo de amor e de uma paixão superior, pelo que, tendo sido acompanhado ao topo da abóbada dos inteligíveis, pensa em ir ao próprio Grande Rei. Desejando ardentemente ver, os raios de luz concentrada – sem mistura e puros – espalham-se em forma de torrente, de modo a fazer, com seus esplendores, que o olho da mente sofra vertigem.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

a) Traduções
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