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PROPRIEDADES E USOS DA VALERIANA AMERICANA

Valeriana Americana
Típica da Europa, a valeriana é uma planta herbácea de caule grosso e oco que chega a atingir 2 metros de altura. As folhas, curatamente pecioladas, dividem-se em segmentos dentados profundos. As flores, dispostas em cachos em forma de guarda-chuva no topo da planta, são brancas ou rosadas. Toda a planta exala um odor desagradável intenso, que exerce curioso efeito sobre os gatos: atraídos por seu cheiro, os animais gostam de se roçar nos arbustos de valeriana. As propriedades medicinais dessa planta foram descritas pela primeira vez no século IX.

Considerada um "remédio universal" na Idade Média, a ela foi atribuída, em 1592, por Fábio Colonna, a cura da epilepsia. Graças a seus componentes (óleo essencial, ácido valeriânico e alcalóides), a planta tem propriedades sedativas contra desequilíbrios nervosos e depressões. É também antiespasmódica, moderadora do apetite, desobstrutiva das vias respiratórias e cicatrizante. Os tratamentos para diminuir o apetite não devem se prolongar por mais de oito dias consecutivos, pois os princípios ativos da planta produzem efeitos colaterais que afetam o sistema nervoso. Utiliza-se apenas as raízes da planta, frescas ou secas. Como se cultiva pouco a valeriana no Brasil, é mais fácil encontrá-la importada sob a forma de pó, óleo essencial ou em remédios.

Existem diversas espécies de valeriana com propriedades semelhantes. Os índios mexicanos, por exemplo, ingeriam a valeriana americana para suportar a fadiga e a privação de alimentos. As raízes e o rizoma são retirados no final do outono ou durante o inverno, são secos à sombra e conservados em sacos de papel ou pano.

Moderador de apetite
Ponha 1 colher (sopa) de raiz em 1 xícara (chá) de água fria e ferva em fogo brando por 10 min. Coe e beba 15 min antes das refeições.

Tratamento da depressão nervosa
Deixe macerar 25 g de raiz em 1 litro de vinho branco por 8 dias. Coe e tome 1 cálice 3 vezes ao dia.

Banho relaxante
Ferva 100 g de raiz em 2 litros de água por 20 min. Amorne e coe. Ponha na água da banheira.

Cólicas
Coloque 1 colher (sopa) de raiz em 1 xícara (chá) de água fria e ferva por 5 min. Coe, acrescente mel e beba aos goles durante o dia.

Facilitar o sono
Ponha 1 colher (sopa) de raiz em 1/4 de litro de água fria e ferva em fogo branco por 15 min. Coe, adoce com mel e tome à noite. Esse chá tem ação sedativa e relaxante.

Distúrbios da menopausa
Coloque 1 colher (sopa) de raiz em pó em 1 xícara (café) de água bem quente. Cubra e coe depois de 15 min. Tome 3 xícaras (café) ao dia. É aconselhável consultar o médico antes de começar esse tratamento.

Códigos de ervas — Ou, você não precisa matar um gato preto

ERVAS
Muitos grimórios e livros de magia usam nomes de animais e partes destes como um código para ervas e outros materiais. Aqui estão alguns destes códigos, uns do Papiro Mágico Grego (veja Greek Magical Papyri XII:401-44), uma obra composta entre 200a.C. e 500d.C. Outros de Galeno e Dioscorides. Galeno (120-200 d.C.) foi um proeminente médico e filósofo romano de origem grega, e provavelmente o mais talentoso médico investigativo do período romano. Suas teorias dominaram e influenciaram a ciência médica ocidental por mais de um milênio. Dioscórides (fl. 50-70 d.C.) foi um autor greco-romano do tempo de Nero, considerado o fundador da farmacognosia através da sua obra De materia medica, a primeira farmacopéia (uma espécie de livro de receitas da medicina) da civilização ocidental, que foi a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII. A De materia medica encontra-se dividida em cinco livros. Nela se descrevem cerca de 600 plantas, 35 fármacos de origem animal e 90 de origem mineral, dos quais só cerca de 130 já apareciam no Corpus hippocraticum e 100 ainda são considerados como tendo atividade farmacológica. Assim, fica claro que desde a antiguidade, partes de animais nomeadas em fórmulas mágicas não se referem obrigatoriamente a partes reais de animais e sim de plantas. São precisamente essas fontes antigas às quais grimórios medievais e renascentistas se referiam quando usaram códigos de ervas em fórmulas para materiais mágicos. Não há nada de "Nova Era" nisto. Pelo contrário, é muito tradicional o uso de códigos como uma "barreira" para evitar o acesso de um qualquer à maior parte do conhecimento. Um código de ervas é exatamente uma espécie de obstáculo para os leigos.


- Língua de Víbora: Erythronium grandiflorum (uma liliácea, lírio pintado ou Erythronium dente-de-cão); Plátano.

- Pé de Asno ou Pé de Touro ou Casco de Cavalo: Tussilago farfara.

- Asa de Morcego: Folha de Azevinho.

- Pelo de Morcego: Musgo.

- Pé de Urso: Alquemila (Alchemilla mollis).

- Olho de Pássaro ou Olho de Cristo: Veronica chamaedrys

- Sangue: Seiva de Sabugueiro ou seiva de outra árvore.

- Sangue de uma cabeça: tremoço (Lupinus albus).

- Sangue de um ombro: Acanthus spinosus.

- Sangue de Ganso: Seiva de Amoreira.

- Sangue de um Babuíno-sagrado (Papio hamadryas): Sangue de uma Largatixa pintada, Largatixa-leopardo (Eublepharis macularius).

- Sangue de Cobra: Hematita.

- Sangue de um olho: Tamarisco (Tamarix gallica).

- Sangue de Ares: Beldroega (Portulaca oleracea).

- Sangue de Hefesto: Absinto.

- Sangue de Héstia: Camomila.

- Dedos sangrentos: Dedaleira (Digitalis).

- Gaio-azul: Loureiro ou Louro (Laurus nobilis).

- Osso de Ibis: Sanguinho (Rhamnus).

- Cérebro: Goma de Cerejeira (esse termo geralmente designa goma de qualquer árvore frutífera).

- Sangue de Touro ou Semente de Hórus ou Olho de Estrela: Marroio.

- Sêmen de Touro: Ovos de Escaravelho da família Meloidae.

- Focinho de Bezerro ou Boca de Cachorro: Erva-bezerro ou Boca-de-lobo.

- Rabo de Capão (Galo Castrado): Valeriana officinalis.

- Gato: Nepeta cataria (Erva-de-gato).

- Pé (pata) de Gato: Gengibre silvestre (Asarum canadense) ou Hera-terrestre (Glechoma hederacea).

- Coágulo, Vara de Jacob ou Vara de Júpiter: Verbascum thapsus (verbasco ou barbasco, tipo, pavio ou vela-de-bruxa).

- Velas de defunto ou Poeira de Cemitério: Verbasco.

- Excremento de Crocodilo: Terra etíope.

- Pé de Corvo ou Pé de Pombo: Geranium maculatum,
Gerânio de bosque (Geranium sylvaticum) ou Botão de ouro (Ranunculus).

- Excremento de Demônio: Assafoetida, ou assa-fétida (Ferula assafoetida).

- Cachorro: Grama Couch (Elymus repens).

- Língua de Cão: Cinoglosa, Flor Cigana, Língua de Cão ou Orelha de Lebre (Cynoglossum officinale).

- Sangue de Dragão: Dragoeiro (Dracaena cinnabari).

- Escamas de Dragão: Bistorta.

- Águia: Trigonella foenum-graecum (feno-grego ou Alforva), Allium ursinum (ou Alho dos ursos).

- Orelha de Asno: Confrei.

- Orelhas de Cabra: Erva-de-são-joão ou Hipérico.

- Pé de homem inglês: Plantago major (tanchagem, também conhecida como transagem ou tansagem).

- Olho do dia: Margarida-comum (Bellis perennis).

- Olho: Parte interna de uma flor; Asteráceas, Margarida ou Eufrásia.

- Sebo de uma cabeça: Eufórbio.

- Dedos, sapo ou rã: Potentilla (potentilha, cinco-em-rama, tormentila, e morango estéril).

- Pé: Folha.

- Pata de Sapo:
Ranunculus bulbosus (Ranúnculo bulboso).

- Cabelo de Deus: Asplenium scolopendrium (Língua Cervina).

- Asa de Ganso jovem e pequeno: Galium aparine (Amor-de-hortelão).

- Grande olho de Boi: Leucanthemum vulgare (bem-me-quer, bonina, margarida, margarita, margarita-maior, malmequer, malmequer-maior, malmequer-bravo ou olho-de-boi).

- Estranhas: Raízes e caule de uma planta.

- Cabelo: Ervas secas fibrosas; Dryopteris filix-mas (Samambaia macho).

- Cabelo de Babuíno-sagrado: Semente de Endro (Anethum graveolens), também conhecido como Dill ou Aneto.

- Cabelo de Vênus: Adiantum.

- Barba de Lebre: Verbasco (Verbascum thapsus).

- Falcão: Erva falcão (Hieracium caespitosum).

- Coração de Falcão: Semente de Absinto.

- Cabeça: Flor.

- Coração: Nogueira; broto, semente ou noz.

- Língua de Corça ou Língua de Cavalo: Língua Cervina (Asplenium scolopendrium).

- Coroa de Rei: Flor viburno (Viburnum prunifolium).

- Sangue de Kronos: Cedro.

- Cordeiro: Alface.

- Orelhas de Cordeiro: Betonica (Stachys officinalis).

- Pata (de animal): Folha.

- Cabelo [juba/pelos] de Leão: Língua de um nabo [isto é, as folhas da raiz principal].

- Dente de Leão: Dente-de-leão (Taraxacum officinale) ou Coroa do sacerdote.

- Sêmen de Leão: Sêmen Humano.

- Bílis humano: Suco/Extrato de Nabo [provavelmente colza ou couve-nabiça (Brassica napus)].

- Rouxinol: Lúpulo.

- Garra: Folha.

- Osso de médico: Arenito.

- Rabo de Porco: Leopardo do Bane (pode se referir à Aconitum, Paris quadrifolia, Doronicum orientale, Paris quadrifolia).

- Cabeça de Carneiro: Valeriana Americana.

- Sêmen de Ammon: Sempervivum.

- Sêmen de Ares: Trevo.

- Sêmen de Hélio: Heléboro Branco.

- Sêmen de Hefesto: Erigeron.

- Sêmen de Hermes: Dill ou Aneto.

- Coração de Pastor: Bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris).

- Pele humana: Xaxim.

- Crânio: Leucocoprinus brebissonii.

- Língua de Pardal: Fallopia.

- Focinho de Porco: Folhas de Dente-de-leão.

- Lágrimas de Babuíno-sagrado: Sumo/Essência de Endro (Anethum graveolens), também conhecido como Dill ou Aneto.

- Dentes: Pinhas.

- Sangue de Titã: Alface Silvestre (Lactuca virosa).

- Sapo: Linária, Verônica-dos-campos.

- Chifre de Unicórnio: Raiz de Unicórnio falso (Chamaelirium luteum); Raiz de Unicórnio verdadeiro (Aletris farinosa).

- Urina: Dente-de-leão.

- Focinho de Doninha: Lamiastrum galeobdolon.

- Pé de homem branco: Tanchagem (Plantago major).

- Garra de Lobo: Lycopodiopsida.

- Pata de Lobo: Ajuga reptans.

- Leite de Loba: Euphorbia.

- Pica-pau: Peônia.

- Vermes: Raízes finas.


TRADUZIDO POR:
LIZZA BATHORY
Blogueira d'O Submundo em tempo integral e estudante de Ciências Econômicas nas horas vagas.
elizabeth.bathory.ce@gmail.com
Confira mais textos desta autora clicando aqui



FONTE: ALCHEMY WORKS

PARA QUE SERVE A MANDRÁGORA

Segundo lendas medievais, as raízes da Mandrágora deveriam ser colhidas em noite de lua cheia, puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto; se outro animal ou pessoa fizesse esta tarefa, a raiz "gritaria" tão alto que o mataria. Seus frutos, semelhantes a uma pequena maçã, exalam um odor forte e fétido. Outra lenda diz que a Mandrágora tinha como semente o sêmen de um
homem enforcado.

Em quantidades suficientes, as raízes de Mandrágora induzem a um estado de torpor e obliteração, propriedades essas que eram usadas em antigas cirurgias e, junto com a Beladona, era usada em poções das bruxas para induzir experiências extra-corpóreas. O uso da Mandrágora Officinarum se tornou uma prática oficial comum na preparação de homeopáticos em 1877 e hoje raramente é usada para qualquer outro propósito. Sua utilização, por quem não a conheça bem, pode ser perigosa, posto que a planta contém substâncias que podem facilmente levar à morte por parada respiratória: hyoscyamine e escopolamina — que, tal como a atropina, também se encontra na Beladona.

A Mandrágora Officinarum — pequena planta perene que cresce, a partir de uma raiz bífida muito densa, até 30 cm de altura, dá bagos amarelos e que é conhecida por se assemelhar, geralmente, a formas humanas — não deve ser confundida com a Podophyllum Peltatum (Mandrágora Americana), uma erva medicinal usual, frequentemente também chamada simplesmente de Mandrágora. As partes usadas são as raízes. Uma erva sedativa, analgésica, que tem efeitos purgativos e eméticos. A erva era usada antigamente, internamente, para aliviar a dor, como afrodisíaco, e para o tratamento de desordens nervosas e, externamente, para úlceras. Somente por médicos qualificados.

LENDAS SOBRE MANDRÁGORAS

Os feiticeiros da Idade Média acreditavam que as mandrágoras eram um tipo de meia-criatura entre o ser humano e o vegetal. Suas folhas reluziam à noite (por isso também eram conhecidas como velas do demônio) com um brilho estranho. Seus frutos e folhas exalavam um odor narcótico e sem igual. Sua raiz possuía a forma de uma pequena figura humana, com uma vida própria e esquisita, pronta para tornar-se o auxiliar de um mortal que tivesse coragem suficiente de tomar posse dela. Porém tomar posse de uma mandrágora era uma ousadia repleta de perigos, porque ao ser arrancada da terra, ela soltava um grito tão assustador que aquele que o ouvia ficava insano ou caia morto no mesmo lugar.

Assim, o feiticeiro que desejava possuir uma mandrágora tinha que seguir um ritual no mínimo curioso:
Ao encontrar a planta, que geralmente crescia aos pés de um local sobre o qual estavam os restos mortais de um criminoso condenado à forca (debaixo de uma árvore ou cadafalso por ex.), o feiticeiro teria que ir buscá-la ao pôr-do-sol.

Sob os raios da luz do sol se pondo, ele tinha que desenhar três círculos ao redor da planta, tampava seus ouvidos com cera e se colocava contra o vento, para não sentir o odor narcótico da mandrágora.

Ele levava consigo um cachorro faminto e algum tipo de alimento, com o qual o cachorro poderia ser seduzido. Com uma barra de marfim ele soltava a terra ao redor da planta e cuidadosamente amarrava o cachorro a mesma, se afastava e mostrava o alimento para o cachorro, que em seguida corria ao encontro da refeição e assim puxava a planta da terra.

Ao passo em que a planta era arrancada do solo o feiticeiro soprava uma trombeta o mais alto possível, para abafar o grito da mandrágora. O Cachorro, acreditavam, morria ali mesmo.

Tendo conseguido arrancar a planta sinistra da terra, o feiticeiro envolvia-a em um pedaço de linho branco e poderia assim apressar-se pela escuridão que se formava tendo em mãos seu merecido prêmio.

Depois de colhida, separavam-se a raiz das folhas e de acordo com o propósito, eram manipuladas e ou consagradas em diferentes rituais para que determinado espírito possuísse a raiz assumindo assim o papel de auxiliar magístico de seu dono.

Os cuidados com as mandrágoras variavam de acordo com o propósito ao qual elas serviriam, as mais cabulosas necessitavam de alimentar-se com leite, mel e sangue (do seu próprio dono), algumas eram vestidas com pequenas túnicas vermelhas com símbolos mágicos desenhados e, basicamente todas deveriam ser guardadas numa caixa envolta em seda e banhada quatro vezes ao ano com vinho. O liquido que sobrava após o banho possuía virtudes mágicas e poderia ser utilizados em feitiços.

Tantos mistérios rondam esta planta que mesmo nos dias atuais muitos a temem, muitos a desejam e poucos atrevem-se a arrancá-la do solo. São tantas lendas que a envolvem que as pessoas até duvidam de sua real existência. Mas não tenham dúvidas, esta planta de fato existe.

A verdadeira mandrágora, Atropa Mandrágora Officinarum, pertence a ordem de plantas Solanaceae, uma ordem muito conhecida entre as bruxas, feiticeiros, magos, xamãs, alquimistas e velhos hippies malucos. Nesta mesma ordem também estão o Meimendro, a Dulcamara, o Estramônio e a Trombeteira, todas com uma fama sinistra.

Por mais fantásticas que algumas histórias possam parecer, algumas destas antigas crenças sobre as mandrágoras são baseadas em fatos. A planta possui realmente uma raiz grande e gorda, que traz uma grosseira semelhança com a forma humana. Ela sem dúvida possui um perfume estranho, que alguns apreciam e outros detestam, e certamente ela possui propriedades narcóticas, alucinógenas, afrodisíacas e analgésicas. Na verdade a mandrágora é provavelmente o anestésico mais antigo utilizado pelo homem.

Nos tempos mais remotos, a raiz era utilizada para colocar os pacientes prestes a passar por uma cirurgia em estado de sono profundo, durante o qual as operações poderiam ser realizadas. A raiz era infundida ou fervida e um pouco era dado para o paciente beber, entretanto, tomava-se certos cuidados quanto à dose, porque quando usada em excesso poderia causar um sono do qual não se acordava mais. Outras vezes era usada apenas umedecendo um tecido para ser ministrada externamente.

A crença de que a mandrágora brilha a noite tem uma base de fato. Por alguma razão suas folhas atraem os vaga-lumes, e são essas pequenas criaturas, cuja luminescência esverdeada é muito impressionante, que fazem a planta brilhar na escuridão. Qualquer desavisado certamente poderia sentir-se assustado com a aparência da planta no escuro e achar que as antigas lendas sobre seus poderes diabólicos eram verdadeiras.

Até mesmo o grito temeroso pode ter ao menos um pouco de verdade de onde a lenda foi ganhando mais força. Essas plantas com raízes grandes e encorpadas geralmente crescem em lugares úmidos e quando são arrancadas da terra, soltam um ruído gritante (Claro que não tão alto quanto diziam). As lendas de pessoas que endoideciam têm mais a ver com o odor narcótico exalado pelas folhas na hora de arrancá-las do que com o ruído em si. Imaginem o sujeito já doidão com o cheiro da planta arrancando uma raiz que lembra um ser humano e que ainda grita. Quem consegue imaginar a cena também pode imaginar o que este mesmo sujeito poderia sair falando dessa situação. E claro, todos sabemos que "quem conta um conto aumenta um ponto".

Naturalmente todos os detalhes horrendos da lenda da mandrágora foram mantidos vivos por aqueles que vendiam as mandrágoras. As pessoas pagavam quantias exorbitantes por uma mandrágora em bom estado e com forma humana, e as guardavam como importantes talismãs. Muitos picaretas esculpiam em raízes formas humanas e vendiam como mandrágoras originais. Um antigo livro intitulado Thousand Notable, descreve passo a passo como fazer sua mandrágora falsa.

Mas nem todos preparavam as raízes apenas para vender e obter lucros, algumas tradições antigas de magos, alquimistas, bruxas e xamãs preparavam suas mandrágoras cuidadosamente e acreditavam de fato que elas poderiam abrigar um determinado espírito ou ter algum poder magístico, que os auxiliariam em suas práticas e rituais. Eram colhidas geralmente em noites de lua cheia sob a realização de alguma cerimônia ou ritual. Algumas tradições secavam lentamente a raiz em forma de homem em fogueiras ou em areia quente, o Balneum Arenae dos alquimistas. (Dai uma
das origens da lenda do Homúnculo.) As mandrágoras secas e já consagradas (ou supostamente possuídas por algum espírito) eram passadas como relíquias ou amuletos aos membros de diferentes gerações de um determinado grupo ou família, sempre de forma secreta, principalmente na idade média, pois, adivinhem só o que acontecia quando os inquisidores achavam um bonequinho bizarro desses em sua casa?

A planta é citada na Bíblia em Gênesis na história de Lea 30:14 e também em Cantares de Salomão 7:13, só histórias estranhas. Também citada por Shakespeare em Romeu e Julieta. Acredita-se que o remédio que Julieta usou para fingir estar morta tenha sido extraído de uma mandrágora. Muitos escritores flertaram com as lendas e as propriedades secretas das mandrágoras. É o caso, por exemplo, de Platão em A República, Madame Blavatsky em A Doutrina Secreta,
Maquiavel em A Mandrágora e Hans Heinz Ewers em Alraune (que significa mandrágora em alemão).

Hoje em dia ela ainda é usada como amuletos de sorte, prosperidade e proteção, é usada com fins magísticos e afrodisíacos, usadas também em doses seguras na fabricação de remédios homeopáticos e também usadas por algumas pessoas como droga recreativa. Podemos ver a caricatura desses homenzinhos estranhos em diversos filmes, livros, jogos
e desenhos. Como no filme de Guillermo Del Toro, O Labirinto de Fauno, no jogo de MMORPG Ragnarok e até mesmo nas histórias infantis de Harry Potter.

Existem coisas que o tempo não consegue apagar da memória das civilizações. São as lendas, os mitos, os símbolos, as tradições e tantas outras coisas significativas que compõe nosso Inconsciente Coletivo. E acreditem, isso tem um bom motivo.


RETIRADO DE: HERESIAS COMPARTILHADAS

EXPERIÊNCIA COM O CHÁ DE AYUASKA

Recebi há pouco o e-mail abaixo, liguei para meu amigo e perguntei se ele me autorizava a postá-lo, felizmente ele aceitou.

"Aos meus poucos, porém confiáveis amigos e Irmãos:

Narro aqui minha primeira experiência mística com a Sagrada Bebida: Ayuaska, este nobre vegetal, Herbáceo que o criador, em sua Infinita sabedoria, dispôs aos homens e mulheres que trabalham ou buscam o reino da luz, para que assim possam abrirem seus olhos espirituais para as coisas dos Universos.

Minha experiência com o chá de ayuaska

Confesso que saí de casa meio desconfiado e descrente, e voltei de lá, assombrado com tamanha visão.

Eu e o Antônio Araújo comungamos ontem por volta das 20 horas o chá sagrado da ayuaska, que nesta ocasião foi ministrado por um irmão que é espirita (Irmão Rizélio Pinto) que muito gentilmente nos acolheu, e nos honrou com o seu trabalho sagrado, onde ai eu tive a oportunidade de vislumbrar com muita realidade e clareza o mundo Espiritual, que é real, e aqui é que é uma ilusão, estive no infinito, me conectei direto a Allah (subhanallah), não tive outra sensação se não a compreensão da magnitude de Deus, tudo o que os homens discutem e falam é besteira, ninguém sabe de nada, aqueles que parecem loucos é que são os iluminados, eu agora entendo os significados das palavras desconexas dos sufis, os dervixes rodopiantes, quando estão em transe de adoração, eu não queria mais voltar, foi muito pesaroso para mim ter que vir a este mundo novamente, eu estou em minha fase espiritual mais elevada, já atingi os inefáveis degraus do portal do sagrado conhecimento, não tenho mais assuntos mundanos com que me preocupar, eu só preciso ter paciência, trabalhar para ter uma vida equilibrada, para que um dia eu possa me desmanchar no eterno.

Toda a minha tentativa de descrever minha experiência é vã, é como pedir a um profundo adorador descrever Deus, não há palavras, só pode ser sentido, vi as mais belas e enormes mesquitas, do tamanho do universo, com milhares de pilares de mármore, cores, desenhos em Arabescos, a voz maravilhosa do eterno falou diretamente dentro de mim, não vi seres humanos, somente havia eu e Deus, eu vi as sete cores, as sete notas musicais, os símbolos sagrados, o olho que tudo vê, os signos de salomão, eu ouvi o som de muitas águas, sobrevoei o antigo Egito,as Pirâmides quando ainda eram bem novas, eu vi muitos templos, sóis brilhantes, luas, estrelas, vários cenários astrais, cada um mais bonito que o outro.

Nenhuma religião, um único Deus.

Nós, não somos nada, absolutamente nada, existem diferentes graus de evolução, tem pessoas que estão totalmente presas a este plano, o que não foi o meu caso, eu me desprendi, cavalguei para fora do não ser, me eliminei como humano e fiquei igual ao que eu realmente sou, sem braços, sem boca, sem olhos, sem pés, sem nada, mesmo assim existindo e vendo todas as maravilhas do mundo astral, que é real, este mundo aqui, é que é uma miragem, descobri que o mal que aflige as pessoas não é exterior, mas brota dentro delas, e aquilo em que elas mais pensam vai tomando conta delas, a gente é aquilo que deseja ser, quem pensa em luz; vê luz, quem pensa em trevas; vive e vê trevas.

Cada um traz para si o que seu coração deseja, felicidade não é ter e possuir matéria, no mundo espiritual nada deste mundo aqui tem valor; se não as boas obras e pensamentos positivos, os bons pensamentos daqui são extremamente valorosos do outro lado.

No mundo espiritual não é necessário falar para ser entendido, e não é preciso ouvir para saber, e para ser bem recebido é preciso ter um coração justo, puro e verdadeiro.

Para Deus, a verdade é muito importante, o poder de Deus é algo tão grande que chega a ser terrivelmente imenso, não se pode explicar, pois ninguém tem palavras cabíveis para uma coisa dessas, Deus é vivo, é real, não tem religião, não pertence a ninguém, no mundo espiritual; os religiosos e dogmáticos não tem nenhum valor, lá o que vale mesmo é o ser verdadeiro, original, Deus não é um homem, é o tudo, vivo, eterno, imenso, inefável, tudo para deus é importante, cada formiga, cada folha seca, cada partícula de átomo, que por sua vez é composta por outra coisa menor ainda, tudo Deus vai lá e interage com aquilo, nada escapa de sua potente presença, nada escapa de sua lei e força.

A lei de Deus não se escreve em livros, cumpre a sua lei quem ama com verdade, quem vive em verdade, e se desprende das garras do egoismo e das matérias.

Eu vi mais de três mil anos em poucos minutos, e não andei com ninguém se não com o eterno, vi as coisas mais belas, imensamente bonitas, indescritíveis, as quais jamais subiram em meu coração antes, e eu nem imaginava um dia saber e nem pensar existir, ultrapassei muitas dimensões, muitos graus diferentes de essências e universos.

Foi uma das maiores experiências místicas de toda a minha vida, um dia eu retornarei ao eterno, pois lá quanto mais a gente vive mais forte e jovem fica, a gente sente ser parte do Altíssimo, e vive e existe de sua energia, que só aumenta.

É bom eu parar se não vocês vão pensar que eu estou louco, que por sinal, no mundo espiritual, os que pensam ser grandes são pequenos e os pequenos são grandes, quem pensa que sabe muito não sabe de nada, quem é orgulhoso fica humilhado, e os que são considerados loucos neste mundo são os sábios de lá, eu nunca me senti tão poderoso e alegre, foi o maior estado de felicidade que eu senti, ainda estou exultante.

Ayuaska não é uma droga, não causa nenhum efeito degradante no corpo físico, não pertence a nenhuma religião, é uma dádiva do eterno, para que os meros mortais vislumbrem só um pouquinho do que é o outro lado da vida, não tem nenhuma ressaca, quando retornei do transe, eu estava tão saudável como quando entrei, nunca vi coisa assim, é um portal para o mundo astral, mas se usado de forma irresponsável a pessoa só vê as besteiras e podridão que há em si mesmo, após abertos os portais; o mortal pode ser conduzido; assim como eu ao paraíso, ou ao inferno, cada um vê, e é levado ao seu estado de espirito, você se vê como realmente é, e não como pensa que é.

E Deus é a maior força que existe, nada é maior que Deus, ele é vivo, Deus existe mesmo, e é infinitamente maior do que nós, simples mortais imaginamos, não é gente, é um ser, é energia pura, o amor é sua mais sublime manifestação."